Por que apoiar

O PORQUÊ DE UM FUNDO VOLTADO PARA A EQUIDADE RACIAL NO BRASIL

As origens do Fundo Baobá partem da visão de que a equidade racial é um requisito essencial para o desenvolvimento inclusivo e sustentável do Brasil. Essa visão deriva do reconhecimento dos seguintes elementos:

 – A alta representatividade da população afrodescendente no Brasil (54%) e, em especial, no Nordeste;
– O racismo é um elemento estruturante das desigualdades existentes na sociedade brasileira;
– Educação e violência apresentam recorrentemente indicadores que evidenciam as desvantagens para a população negra e denunciam, de maneira gritante, uma realidade cruel, marcada pela falta de perspectivas entre as/os jovens negros/as das periferias;
– Entre as mulheres negras e os homens negros existem também peculiaridades. A violência policial, por exemplo, acomete prioritariamente os homens negros, enquanto que a violência sexista torna as mulheres negras mais vulneráveis à violência doméstica;
– Os estudos acerca das relações raciais brasileiras já deram conta de vários diagnósticos. É preciso, agora, criar cenários que permitam o exercício da cidadania entre as juventudes e a formulação de políticas que revertam esse quadro de omissão do Estado, um dos principais instrumentos de reprodução do racismo no Brasil. 

O cenário do investimento social privado é similar ao de diversos outros setores, nos quais não se reconhece que o racismo é um obstáculo para o desenvolvimento inclusivo e sustentável do país. Ainda que o reconhecimento da existência de racismo no Brasil tenha sido incorporado ao discurso em diversos setores da sociedade, as práticas frequentemente continuam ignorando o fato de que o enfrentamento do racismo é condição essencial para o desenvolvimento com sustentabilidade.

É necessária uma mudança de paradigma, que ainda depende de avanços significativos, os quais terão de ser impulsionados pelas ações do movimento negro.

As organizações do movimento, por sua vez, encontram ainda outros desafios para a captação de recursos:
– O baixo nível de renda da população negra brasileira;
– A falta de cultura local para filantropia voltada para questões de direitos civis;
– As dificuldades legais para disponibilização de recursos financeiros públicos diretos para entidades não governamentais;
– A necessidade de apresentar resultados rápidos para o público alvo, como estratégia de motivação e realimentação de todo esse processo de mudança;
– Ausência de Políticas Públicas que induzam à uma efetiva equidade racial.

Em síntese, a criação de um fundo focado na equidade racial justifica-se pelo contexto de desafios que incluem a saída das fundações internacionais do Brasil, a inexistência de interesse das empresas, fundações e institutos privados no tema racial e as dificuldades de mobilização de recursos por parte das organizações negras isoladamente. Um fundo profissionalizado na captação e doação de recursos, criado com um endowment inicial doado pela Fundação Kellogg e liderado por pessoas respeitadas no movimento negro, tem o potencial de contribuir para a superação desses desafios.