Em 2014, a Cia Um Brasil de Teatro e Artes foi uma das organizações apoiadas na primeira chamada pública do Fundo Baobá. Anos depois, em 2019, lançou o emocionante curta-documentário Nossa Família. Agora, prepara um novo capítulo: o longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas da história.
Essa trajetória, que atravessa mais de uma década, mostra como investimento, confiança e memória caminham juntos. Ao completar 15 anos, o Fundo Baobá celebra justamente isso: não apenas os projetos apoiados no passado, mas as histórias que seguem vivas, se transformando e criando novos futuros.
Em 2014, quando o Fundo Baobá lançou sua primeira chamada para apoiar organizações negras, a Cia Um foi uma das selecionadas. Na direção do projeto estava Max Mu, ator, dramaturgo, diretor, cineasta e produtor cultural, que há mais de 20 anos pesquisa e transforma em arte histórias de um Brasil invisibilizado. Foram essas histórias que ganharam espaço no documentário Nossa Família.
O curta, lançado na Festa Literária Internacional de Paraty em 2019, segue disponível ao público, emocionando quem o assiste. A narrativa acompanha o cotidiano de duas catadoras de materiais recicláveis que adotaram, respectivamente, 25 e 45 filhos. Isso mesmo! Uma filosofia de vida baseada no cuidado, na partilha e no amor. Um retrato sensível de mulheres que transformaram a própria realidade e a de dezenas de crianças com coragem e afeto.
A produção atravessou mudanças e desafios ao longo do caminho. Em meio a esse processo, Max assumiu integralmente a condução da obra e levou o projeto até o fim. O apoio do Fundo Baobá foi decisivo. Mais do que financeiro, foi um gesto de confiança que ajudou a tirar o roteiro do papel e registrar uma memória viva da cultura brasileira.
É justamente esse movimento que o Fundo Baobá deseja mostrar ao celebrar seus 15 anos.
Hoje a história segue sendo contada. A Cia Um Brasil está produzindo um longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas do curta, agora com 85 anos. Para viabilizar o filme, a companhia lançou uma campanha de captação direta chamada “Ciclo Positivo”, uma proposta que busca mobilizar apoiadores individuais para tornar o filme possível e apoio que retorna em forma de gratidão.
Diante de um cenário em que mecanismos de financiamento seguem modelos baseados em referências externas à realidade brasileira, o Fundo Baobá escolhe apoiar a partir da memória, das práticas comunitárias e das estratégias históricas da população negra.
Como afirma Max Mu, “é sobre reconhecer quem nos enxergou quando quase ninguém nos via. É sobre fortalecer a missão de fazer ‘Um Brasil’ cada vez mais visto.”
Celebrar 15 anos é também olhar para trás e perguntar: onde estão hoje aqueles que apoiamos? A resposta está em histórias como esta — que continuam crescendo.
Conheça o projeto, assista a Nossa Família e acompanhe os próximos capítulos dessa trajetória. Registrar memórias é investir no futuro.