Justiça Racial: o combate a injustiças históricas pode impedir a carne negra de ir de graça para os presídios

“A carne mais barata do mercado é a carne negra,
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
E vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos” 

Os versos da música A Carne, composta por Seu Jorge e Marcelo Yuca, dão uma pesada ideia da realidade vivida pelo povo preto brasileiro. O sistema prisional nacional tem na sua entranha a presença maciça do elemento negro, quer sejam homens ou mulheres. Esse é um reflexo da (in)justiça racial que impera no país. Segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2019 e que teve atualização em fevereiro de 2021, o sistema Prisional Brasileiro conta com 657.844 detentos definidos por cor e raça. Desses, 438.719 (66,7%) são negros e negras. Os brancos são 212.444 (32,3%). O número de negros é o dobro que o de brancos. 

Para o doutor em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB) Felipe Freitas, o modo de atuação da polícia no Brasil explica um pouco a presença tão marcante do elemento negro dentro do sistema prisional. “Em geral as decisões judiciais não reconhecem a violência policial e resistem em agir para coibir a violência de Estado. Conforme evidencia a  pesquisa do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa). Aceita-se a palavra do policial como única prova na ampla maioria dos casos apreciados no âmbito das audiências de custódia. Nos crimes de tráfico, por exemplo, 90% dos casos analisados pelo IDDD tinham como único elemento da acusação a palavra dos agentes envolvidos na abordagem”, complementa Felipe Freitas. 

Felipe Freitas, doutor em Direito, Estado e Constituição

A história brasileira vem marcando o histórico crescente da violência racial no Brasil. Um fato de peso e que veio contribuir ainda mais para isso, ocorreu durante a Conferência da Comissão Brasileira para a Anistia, realizada em 1979. Nela, o Movimento Negro Unificado (MNU) apresentou proposta sobre a questão da prisão de negros no país. “A proposta partia de uma premissa de que pessoas pobres e pretas presas também eram presos políticos. A proposta foi ridicularizada. Isso mostra como o pensamento negro foi descartado no âmbito da história brasileira”, disse o professor Freitas em recente depoimento em live realizada pela UnB durante o  ciclo Comunidades, Princípios e Processos Sociais de Exclusão, que discutiu o tema Entre Promessas de Paz e Sentenças de Guerra. 

O número de pessoas encarceradas no Brasil teve aumento percentual de 224,5% em 20 anos. O número saltou de 232.755 para 755.274. Num recorte por sexo, o relatório Mães Livres – A maternidade invisível no sistema de justiça, também elaborado  pelo IDDD em 2019, revela que, das 37,8 mil mulheres presas no Brasil, 63,5% são negras. Portanto 24 mil mulheres negras. “Seguimos desenhando um mundo onde não cabe a presença negra. Onde a presença negra não consegue sequer ser ilustrada como uma possibilidade nas nossas representações”, afirma Felipe Freitas.  Concluindo o quadro feminino dentro do sistema prisional, entre as 37,8 mil detentas, 47,3% são jovens entre 18 e 29 anos (17.879) , 51,9% possuem o ensino fundamental incompleto (19.618) e 60,1% são solteiras (22.717).

Em termos históricos, a população negra brasileira sempre tentou dialogar com as esferas do poder para o estabelecimento de uma política de tratamento igualitário e justo. Porém, segundo o professor Felipe Freitas, as inúmeras tentativas de aproximação sempre foram rechaçadas. “A relação do povo negro com a sociedade brasileira sempre foi uma relação de muita generosidade. A comunidade negra sempre ofereceu ao país o melhor: o melhor jogador de futebol; as vozes mais belas; as melhores propostas de políticas. A gente oferece ao Brasil pessoas como Benedita da Silva e Marielle Franco e a resposta da sociedade brasileira a estas ofertas generosas  são  tiros na cabeça e o massacre de crianças dormindo. Temos apostado no diálogo e a resposta do estado tem sido s violência.”, afirma. 

Os caminhos da justiça racial no Brasil, como demonstram as estatísticas, os dados históricos e as falas acima são muito sinuosos. A solução está no enfrentamento que a sociedade brasileira como um todo tem que promover.  O caminho passa pela luta. Mas a luta astuta. A luta inteligente, onde ações e palavras são os golpes mais contundentes contra o poder do racismo estruturado.

Trabalho tecnológico e trajetória ativista definem a missão da Amadi Technology, apoiador do Programa Já

O nome Amadi significa alegria e harmonia, ele veio de um ritual conhecido como Ikomojade, que dá nome ao recém nascido dentro da tradição Yorubá. “Há um ano e meio nossa filha nasceu e recebeu esse nome na comunidade tradicional de terreiro, o Ilê Alaketu Ifá Omo Oyá, da qual fazemos parte”, diz Agnes Karoline, CEO da Amadi Technology, empresa que leva o mesmo nome de sua filha com o esposo e sócio Renato Racin.

A trajetória da Amadi Technology começou com Renato Racin. Trabalhando há 15 anos com informática, iniciou os seus trabalhos com o setor privado, depois contribuiu para ativistas de direitos humanos e ativistas políticos, além da comunidade de software livre. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Renato lutou por melhores condições de acesso e permanência na universidade.  

Com o aumento das demandas por trabalhos de TI com as organizações do terceiro setor, principalmente organizações que lutam pela defesa dos direitos humanos, houve a necessidade de aumentar o nível de profissionalização no atendimento dessas demandas e por uma gestão mais eficiente: “Foi então que constituímos uma sociedade, com a atual diretora-executiva Agnes Karoline”, revela Renato. Graduada em Ciências Sociais também pela UNIFESP, Agnes também possui cursos na área de gestão pública (ETEC CEPAM USP) e gestão e elaboração de projetos sociais (PUC).

Renato Racin, filosofo e sócio da Amadi Technology

Hoje, a Amadi Technology, conta com a colaboração de pessoas que constituem uma Equipe Executiva (Diretora Executiva, Coordenadora Administrativa e Financeira e Diretor de Tecnologia) e a Equipe de Tecnologia, que conta com um analista de suporte nível 1, que realiza seleção, implantação e manutenção de hardwares e software básico e de apoio, um analista de suporte pleno, responsável pelo atendimento de nível 2 e um parceiro de infraestrutura e prestação de serviços na área de elétrica, cabeamento estruturado e Circuito Fechado de TV (CFTV). “Recentemente, também passamos a contar com duas consultorias, responsáveis pelo processo de institucionalização da nossa comunicação e apoio jurídico”, conta Agnes Caroline.

Para Renato, o grande diferencial do trabalho oferecido pela Amadi Technology é a unidade da tecnologia com questões humanas: “Juntamos o trabalho tecnológico com a nossa trajetória ativista e também a experiência com a ancestralidade para dar sentido à empresa e para a missão que temos”.

A missão da Amadi Technology consiste em: 

– Oferecer recursos tecnológicos personalizados para melhorar processos internos de empresas e organizações, agregando maior produtividade por meio de uma gestão inteligente, responsável e confiável em Tecnologia da Informação e Informática. 

– Democratizar o uso das tecnologias da informação e informática, tanto em sua dimensão técnica como de apropriação digital, apresentando suas inúmeras possibilidades de uso criativo e adequado para todos os gêneros, etnias ou raças, modos de existências, lutas ou resistências e para todas as gerações.

“Tudo isso impulsionou nossa profissionalização no campo de direitos humanos e segurança da informação para o terceiro setor”, revela Agnes.

Agnes Karoline, CEO da Amadi Technology e graduada em Ciências Sociais

E foi com essa vontade de mudar o mundo, oferecendo um bom serviço tecnológico, que os caminhos da Amadi Technology e do Fundo Baobá para Equidade Racial se cruzaram em 2019, conforme relembra Renato: “A diretora-executiva do Fundo Baobá, Selma Moreira, entrou em contato comigo para realizar a prestação de um serviço pontual de organização do parque de TI do escritório. Na oportunidade, foi possível identificar alguns recursos de produtividade que poderiam ser implantados na organização”. Hoje a parceria entre Amadi e Baobá segue forte: “Após a realização desse serviço inicial, iniciou-se uma parceria que hoje conta com um atendimento personalizado para Suporte e Gestão de TI, além de Compliance na área de proteção de dados pessoais”.

E a parceria entre Fundo Baobá e Amadi Technology se intensificou ainda mais durante a execução do “Já É: Educação e Equidade Racial”. Lançado em 2020, o Programa tem a premissa de apoiar jovens negros entre 17 e 25 anos para o acesso à universidade. As e os jovens selecionados são de regiões periféricas da cidade de São Paulo e da Grande São Paulo e receberam bolsa de estudos para frequentar aulas em um cursinho pré vestibular. O Programa conta com o apoio da Citi Brasil, Demarest Advogados e também da Amadi Technology, que foi fundamental considerando que as aulas iniciaram de forma remota, devido a Covid-19: “Após receber uma demanda operacional, para o levantamento orçamentário para a compra de notebooks e preparação dos mesmos para uso, percebemos a grandeza do Programa Já É e uma oportunidade de exercer nossa missão de facilitar os processos de democratização dos usos de tecnologias digitais”, diz Agnes. 

A Amadi Technology facilita a informatização dos alunos durante as aulas virtuais do Programa Já É: “Inicialmente realizamos uma pesquisa de equipamentos apropriados para contemplar as necessidades dos(as) estudantes do programa. Essa pesquisa inicial contou também com um estudo orçamentário e dos pré-requisitos da plataforma de estudos do cursinho..

Sugerimos também a instalação de um Sistema Operacional Livre (GNU/Linux) em todos os computadores, por conta de questões de segurança e estabilidade dos equipamentos, além de toda a economia com licenças proprietárias de software”. Afirma Renato.

O apoio ao Programa Já É do Fundo Baobá, não é a primeira e nem única incursão da Amadi Technology na esfera da equidade racial, o grupo de desenvolve o tema não apenas em outras parcerias mas dentro da própria empresa: “Apoiamos projetos em nosso território que fazem formação com mulheres na perspectiva interseccional, que é o curso das promotoras legais populares e também realizam atendimento para mulheres vítimas de violência doméstica, onde grande parte destas mulheres são periféricas e negras”, diz Agnes Karoline. “Os critérios de seleção para funcionários têm alta prioridade mulheres negras ou de comunidades tradicionais. Nossas parcerias estratégicas também contam com a sensibilidade para os debates dos direitos humanos”, reforça, acreditando que essa deve ser uma responsabilidade de todo o setor privado: “Em nossa opinião, o setor privado tem que ter responsabilidade social. Entender sua responsabilidade enquanto ator de impacto em questões de ordem econômica, política, social e cultural”.

Agnes Karoline durante a aula inaugural do “Programa Já É: Educação e Equidade Racial”

Agnes Caroline avalia de forma positiva o resultado da parceria da Amadi Technology no Programa Já É: “Conseguimos neste momento já ter entregado os computadores para os estudantes que é um recurso básico para acessar as aulas. E também ficamos disponíveis para eles dando suporte remoto às dificuldades com o hardware ou com o sistema operacional. Em breve faremos uma interação com as aulas para trazer o debate da tecnologia e segurança da informação e tecnopolítica”, que deixa também uma mensagem para todos(as) os(as) jovens participantes do Programa: “Você não está sozinho(a), a luta dos nossos ancestrais vem de muito tempo para chegarmos até aqui. Acredite em você. Todos os lugares são também pra vocês e não acredite naqueles que digam ao contrário ou menos que isso”.

10 Anos do Baobá: cineasta brasileiro e executiva mexicana têm passado e presente ligados à criação do Fundo Baobá

Neste ano de 2021, mais precisamente no mês de outubro, o Fundo Baobá para Equidade Racial completa 10 anos de existência. Nesse período, está consolidado como o maior fundo para promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. O Baobá trabalha com captação de recursos oriundos da filantropia e, através de seus editais, destina esses recursos  para organizações e lideranças negras que implementam ações contra o racismo e promovem a justiça social. 

Como um fundo que promove a justiça social, o Baobá tem como diretrizes o trabalho com ética e transparência, baseado em boas práticas de gestão. A busca de mecanismos de enfrentamento ao racismo e ações pela equidade racial para o povo negro brasileiro colocam o Fundo Baobá como referência no segmento da luta contra a desigualdade social no Brasil. 

Ao longo deste ano, vamos apresentar aqui as pessoas que fizeram e fazem a história do Fundo Baobá. Todas têm importância ímpar no histórico de fundação do fundo. Algumas delas sequer se conhecem. É o caso da mexicana Alejandra Garduno Martinez e do brasileiro Joel Zito Araújo. Alejandra está vivendo e trabalhando em Nova York, nos Estados Unidos. Joel Zito tem como base a cidade do Rio de Janeiro, onde trabalha e mora. 

O Fundo Baobá atua nas mais diferentes frentes. Então, para a sua formação foram chamadas pessoas das mais distintas vertentes de trabalho. Joel Zito Araújo, por exemplo, tem seu nome ligado à produção cultural do audiovisual. Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em Rádio, TV e Cinema pela Universidade do Texas em Austin (EUA), Joel tem como obras principais  A Negação do Brasil, As  Filhas do Vento e Meu Amigo Fela. Alejandra Garduno Martinez tem formação voltada para a área de negócios, com graduação em Relações Internacionais e mestrado em  Negócios Internacionais pela Universidade Nacional Autônoma do México. Ela trabalha para a Fundação Kellogg, principal apoiadora do Baobá. 

Joel Zito iniciou seu contato com o Fundo Baobá após um convite feito pelo antropólogo Athayde Motta e hoje faz parte da governança como membro do Conselho Deliberativo. Para ele, fazer parte do Baobá é promover a conscientização do jovem povo negro nas questões relativas ao combate ao racismo e busca pela equidade racial.  “Creio que o grande demonstrativo disto é o rejuvenescimento da militância negra. Hoje temos milhares de jovens negros combatendo o racismo em centenas de frentes”, afirmou.  

Alejandra Garduno, analisando os dez anos de surgimento do Baobá, concorda que houve muitos avanços na questão do combate às desigualdades no Brasil. “Definitivamente, fizemos progressos. A história da resistência ao autoritarismo, a abertura do espaço cívico, hoje muito ameaçada, a existência de fundos como o Baobá nos fala das conquistas e que hoje a conversa é diferente do que era há 10 anos”, afirmou. 

Alejandra Garduno, Diretora da Fundação Kellogg para América Latina

Fazendo uma volta no tempo, Alejandra relembra desafios enfrentados para a formação do Baobá. E quando há desafios no caminho de um sonho a ser alcançado, o negócio é enfrentá-los. “Existiram desafios de diferentes tipos. Há alguns anos, consolidar a estrutura da organização e garantir seu funcionamento foi um deles. Já hoje, são diferentes. Por exemplo, enfrentar o desafio de fazer investimentos coerentes com sua missão, fazer investimentos de grande valor nas comunidades e evoluir de acordo com as necessidades que surgem também em um ambiente social e financeiro instável”, disse a executiva da Fundação Kellogg. Para Joel, o maior desafio ainda está por vir. “Creio que a maior barreira é a falta de cultura de filantropia na  elite econômica brasileira. Não temos aqui o que vemos nos Estados Unidos, por exemplo: universidades com bibliotecas, centros de pesquisa, centros culturais com investimento particular de membros da elite norte-americana. Faz parte da cultura de elite de lá, “ostentar” o seu apoio a causas educacionais, de saúde, e em metas para diminuir as desigualdades sociais. A elite brasileira, que tanto copia os EUA, ignora tudo isto. Por outro lado também, a questão racial é ainda um tabu para 99% dos potenciais doadores para um fundo como o Baobá”, diz. 

Joel Zito Araújo, Cineasta e doutor em Ciências da Comunicação

A Fundação Kellogg (WK Kellogg Foundation) é a organização que propiciou a existência  do Fundo Baobá. O Fundo Baobá se constitui como o legado de trabalho e investimentos da WKKF no Brasil ao longo de décadas. Desde a sua criação, em 2011, o Fundo responde à demanda do movimento negro por ser uma instituição cuja atribuição exclusiva é apoiar iniciativas negras, ao mesmo tempo que é consistente com o compromisso da WKKF em promover a equidade racial e a saúde nas diferentes comunidades. Até 2026 a WKKF tem o compromisso de investir U$25 milhões no fundo patrimonial, criado para garantir a sustentabilidade e autonomia do Baobá. Importante destacar que, aos valores mobilizados pelo Fundo Baobá em moeda nacional a WKKF doa 3 vezes este valor para o fundo patrimonial. Quando a captação é em moeda estrangeira, a Fundação Kellog coloca duas vezes aquele valor no fundo patrimonial.

Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: conquistas coletivas e pessoais marcam o cotidiano de apoiadas no Norte do Brasil

A criação e implantação do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco tem feito emergir importantes lideranças femininas por todo o país. Na região norte do Brasil o fortalecimento dessas lideranças tem sido fundamental  na batalha pela conquista e proteção dos direitos das mulheres. A integração entre elas no campo das práticas e das ideias, na disseminação de informações nos territórios urbanos e no campo têm sido fundamentais para a difusão do conhecimento. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Pará tem 7,8 milhões de habitantes. A população negra, que identifica os autodeclarados pardos e pretos, equivale a 76,5% do total, o correspondente a 5,9 milhões de pessoas.

Olhando pelo recorte do acesso aos cursos superiores, 156 mil pessoas têm ou estão fazendo um curso superior. Dessas, 95 mil são mulheres. Negras, 82 mil. Daí a importância de um programa como esse, que apoia o acesso à formação e  à boa qualificação.   

Conversamos com duas apoiadas pelo Programa para saber como a participação tem impactado suas vidas e impactado as vidas de muitas outras mulheres que estão ao redor delas. 

Dandara Rudsan Sousa de Oliveira é mulher trans. Com formação em Direito e especialização em Diálogos e Mediação de Conflitos, ela atua politicamente na formação e defesa de direitos para a Rede de Mulheres Negras Amazônicas, além de ser a coordenadora do Núcleo de Mobilização de Recursos dos Movimentos Negros e LGBTQI+ unificados em Altamira, cidade do estado do Pará. 

Dandara Rudsan Sousa de Oliveira, formada em Direito e com especialização em Diálogos e Mediação de Conflitos, atua na Rede de Mulheres Negras Amazônicas e no Núcleo de Mobilização de Recursos dos Movimentos Negros e LGBTQI+ unificados em Altamira, no Pará

Girlian Silva de Sousa tem graduação em Ciências Econômicas, doutorado em Desenvolvimento Socioambiental e pós-graduação em Influência Digital, curso que foi financiado pelo Fundo Baobá através do Programa de Aceleração. 

As conquistas pessoais de ambas impactam a vida de um grande número de mulheres no norte do país. “Ao longo de nosso trabalho conjunto, temos conseguido grandes avanços nas articulações com órgãos de Defesa de Direitos, como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Conseguimos trazer para a luta mulheres negras e LGBTQIA+ que sobrevivem em regiões isoladas ao longo do rio Xingu e da rodovia Transamazônica, assim como articular nossas pautas com as lutas regionais e nacionais. O nosso principal ganho tem sido a união entre mulheres cisgêneras e transgêneras na luta pela defesa da terra e do território, contra o racismo ambiental e todos os tipos de violência”, afirma Dandara Rudsan. 

Já Girlian, baiana da cidade de Itabuna, vivendo no Pará há oito anos e trabalhando em Santarém. Sua atuação fez com que a luta autônoma de algumas mulheres pela reivindicação de direitos ganhasse mais poder com a união de forças. “Sou integrante do Movimento das Mulheres Negras de Santarém. Trata-se de um grupo de mulheres que já exercia o ativismo, só que de forma autônoma. Após cruzarmos nossos caminhos em algumas ações, decidimos nos juntar. São mulheres  com diferentes tipos de formação e que atuam em várias áreas. Temos Promotoras Públicas, Pedagogas, Psicólogas, Antropólogas e Quilombolas”, diz. 

Girlian Silva de Sousa, graduada em Ciências Econômicas, doutorado em Desenvolvimento Socioambiental e pós-graduação em Influência Digital

A pandemia da Covid-19 e os percalços impostos às populações de todo o Brasil têm dificultado um pouco a realização de algumas metas. Mas dificultar não é impedir. Elas são resilientes. “Antes da pandemia, realizamos várias ações de combate ao racismo, em parceria com o Ministério Público e junto a escolas de cidades da região do Baixo Amazonas. Atualmente, com o financiamento do Fundo Baobá, estamos organizando a publicação de um livro sobre mulheres negras, escrito por mulheres negras cis e trans da Amazônia”, afirma a economista Girlian Sousa. 

Girlian Sousa passou por problemas de ordem pessoal. O pai dela sofreu um infarto e o fato de estar sendo financiada pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco propiciou a ela se deslocar de Santarém até Itabuna, na Bahia, e permanecer com ele. “O financiamento tem sido fundamental durante esse período muito difícil, que tem sido a pandemia. Me permitiu socorrer a minha família, me permitiu conquistar mais uma formação, que será importantíssima para a minha carreira profissional. Além disso, também tem sido fundamental para o aperfeiçoamento da minha prática ativista. Tenho aprendido muito. O projeto me promoveu um suporte multidimensional que tem me permitido enfrentar esse momento”, declara. 

Para Dandara Rudsan estar no Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco abriu importantes portas.  “Passei a integrar o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Enfrentamento ao Racismo Ambiental da Defensoria Pública do Estado do Pará. O mandato é de 4 anos. Estou professora convidada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) no curso de especialização em Relações Étnico-Raciais e Gênero. Também sou finalista no IX Prêmio República do Ministério Público Federal (MPF) na categoria Responsabilidade Social. Fui indicada para o processo seletivo de Bolsistas 2021 da Fundação Ford (que está em curso). Se tudo der certo, em breve estarei em mais este espaço”, afirma.

O Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco é uma iniciativa do Fundo Baobá para Equidade Racial em parceria com a Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations, cujo objetivo é ampliar a presença e participação de mulheres negras em espaços de poder e tomada de decisão. .

Fundo Baobá na imprensa em Março

No mês de março tivemos a aula inaugural do Programa Já É: Educação e Equidade Racial, edital do Fundo Baobá para Equidade Racial, em parceria com o Citi Brasil, Demarest Advogados e Amadi Technology. E o evento foi destaque na Folha de São Paulo e nos principais portais de mídia negra como Portal Geledés, Portal Gongogi, Jornal Empoderado e Mundo Negro.

Também no mês de março em virtude do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, a diretora-executiva do Fundo Baobá, Selma Moreira, foi homenageada na campanha “Toda Mulher é Uma Potência” da Fundação Lemann, com o objetivo de destacar a atuação das mulheres durante a pandemia do novo coronavírus. Com um poema escrito pela escritora e poetisa Ryane Leão, além de Selma Moreira, foram homenageadas, Kátia Helena Schweickardt (secretária municipal de Educação em Manaus), Sabine Righetti (diretora da Agência Bori), Patrícia Santos (professora-autora do projeto Skills for Prosperity), Isabel Opice (diretora e cofundadora da Impulso), Fernanda Roder (enfermeira e pesquisadora do Projeto Xingu) Priscila Cruz (presidente-executiva do Todos pela Educação) e a cientista carioca Sue Ann Costa Clemens.

No momento que a imagem de Selma Moreira aparece no vídeo, a poetisa Ryane Leão diz: “Mulheres que com seus projetos transformam vidas, mulheres que enxergam o que é dito invisível, mulheres que elevam comunidades inteiras, mulheres que habitam a resiliência”

A homenagem foi destaque no portal Catraca Livre, no Vida e Ação e no site da Fundação Lemann. O vídeo completo você pode assistir aqui.

Selma Moreira e a diretora de programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, também foram homenageadas pela Imaginable Futures, organização filantrópica global, que tem como missão estimular o potencial humano através da aprendizagem. A entidade foi uma das apoiadoras do Edital Para Primeira Infância no Contexto da Covid-19.

Na ocasião do Dia Internacional da Mulher, a organização fez essa postagem, com a imagem de todas homenageadas, entre elas, Selma e Fernanda:

“Hoje, no #InternationalWomensDay, celebramos as líderes femininas visionárias que estão reformulando a educação e criando oportunidades equitativas para alunos e suas famílias. Junte-se a nós para destacar nossos parceiros incríveis ao longo do dia. # IWD2021”

A postagem original (em inglês), pode ser vista aqui.  

A participação de Selma Moreira no evento Expert XP, organizado pela XP Investimentos, sobre empreendedorismo e sustentabilidade, nos dias 2 a 5 de março, e que foi noticiado em nosso site, foi destaque de uma série de matérias. O próprio site do evento destacou a participação de Selma em duas matérias que podem ser lidas aqui e aqui. Já o portal EPBR fez questão de frisar a frase dita pela diretora-executiva “Diversidade de gênero e étnica podem ampliar lucros em até 35%”. Em outra matéria, o site dá ênfase às mulheres que participaram do evento e, mais uma vez, Selma é mencionada.

Selma Moreira também participou de uma reportagem especial do jornal Estado de São Paulo, sobre diversidade e mercado de trabalho, na ocasião, a diretora-executiva do Fundo Baobá falou da importância do gestor investir na diversidade racial no mercado de trabalho: “Para chegar às novas comunidades é necessário extrapolar as estratégias utilizadas anteriormente. Fazer as mesmas coisas leva aos mesmos resultados”. 

Outros dois membros da diretoria do Fundo Baobá para Equidade Racial foram citados na imprensa em março. O presidente do conselho deliberativo da organização, Giovanni Harvey, teve a sua participação no 11º Congresso GIFE – Fronteiras da Ação Coletiva citada no site do Instituto Unibanco, enquanto a diretora de programa, Fernanda Lopes, foi citada no site da Abrasco pelo o artigo de sua autoria “De Volta aos Primórdios: em defesa do SUS como uma política antirracista”, que foi publicado no boletim de Análise Político-Institucional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). No texto, Fernanda traz um histórico do Sistema Único de Saúde no país, e mostra o quanto ainda são necessários avanços na incorporação da pautaracial para que os princípios e diretrizes que sustentam o SUS sejam plenos, inclusive, citando indicadores atuais: “Dados mostram que 55% dos pacientes negros, hospitalizados com Covid-19 em estado grave, morreram em comparação com 34% dos pacientes brancos. Este cenário reforça a tese de que o racismo institucional é manifesto na inação consciente das instituições públicas governamentais ante as necessidades da população negra”.

Apoiadas do Fundo Baobá 

A jornalista e apoiada do Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, Midiã Noelle, participou de uma live organizada pelo Observatório do Terceiro Setor, no dia 4 de março, ao lado da repórter Isabela Alves, com o tema: “O que o BBB mostra sobre o ódio da sociedade brasileira”. A live na íntegra pode ser vista aqui.

O site da Prefeitura de Curitiba divulgou o evento “Afroempreender & Crescer”, que aconteceu no dia 4 de março e tinha a premissa de conectar e integrar os afroempreendedores da cidade usando a tecnologia. O evento virtual foi organizado pela iniciativa ConectAfro, que é formada pelas empreendedoras, Carolina Lopes, Olenka Borba e Roberta Kisy, todas selecionadas no edital Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores (as) Negros (as), uma iniciativa do  Fundo Baobá, cujas atividades foram recentemente iniciadas  e que conta  com o apoio da Coca-Cola Foundation, Instituto Coca-Cola Brasil, Banco BV e Instituto Votorantim.

A ativista e apoiada do Programa Marielle Franco, Jéssica Vanessa, foi entrevistada pelo portal Alma Preta, na matéria que denuncia o fato de Recife ainda não contar com uma Comissão de Igualdade Racial na Câmara dos Vereadores do município. Na matéria, Jéssica acredita que a criação da comissão vai funcionar como importante ferramenta de diálogo. “A política de inclusão racial está acima de qualquer bandeira partidária e ideológica e é uma das mais importantes para que se possa haver formulação de leis para o enfrentamento efetivo ao racismo e às discriminações contra as populações negra”. A matéria completa você pode conferir aqui

No mês de março, o Instituto Geledés da Mulher Negra, trouxe de volta ao seu portal a coluna “Coletiva Negras que Movem”, com artigos escritos pelas integrantes do Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. A reinauguração aconteceu no dia 6, com o texto Desafios das mulheres negras no mercado de trabalho, de autoria de Clara Marinho, servidora da carreira de planejamento e orçamento federal. No dia 13, foi a vez da advogada Mayara Silva de Souza escrever o artigo As últimas depois de ninguém: meninas em privação de liberdade. No dia 20, a coreógrafa e oloya Leandra Silva assinou o texto Que Oxum nos dê olhos de ver Vênus. É ano novo no céu. E no dia 27, a marketeira digital e fundadora do LAB the Creator, Vitorí da Silva, escreveu o artigo Internet como ferramenta revolucionária.

04/03/2021 – Expert XP – Sustentabilidade integrada à governanç estratégia e transparência são as chaves do sucesso, dizem empresários:
https://conteudos.xpi.com.br/expert-esg/sustentabilidade-integrada-a-governanca-estrategia-e-transparencia/   

04/03/2021 – Expert XP – Governança fecha ‘ciclo sustentável’ no terceiro dia da Expert ESG:
https://conteudos.xpi.com.br/expert-esg/governanca-fecha-ciclo-sustentavel-no-terceiro-dia-da-expert-esg/ 

05/03/2021 – Catraca Livre – Conheça histórias femininas inspiradoras na campanha ‘Toda Mulher é Uma Potência’:
https://catracalivre.com.br/cidadania/historias-femininas-inspiradoras-campanha-toda-mulher-e-uma-potencia/  

05/03/2021 – EPBR – Diversidade de gênero e étnica podem ampliar lucros em até 35%:
https://epbr.com.br/diversidade-de-genero-e-etnica-podem-ampliar-lucros-em-ate-35/ 

08/03/2021 – Vida e Ação – Agenda Positiva Mês da Mulher:
https://www.vidaeacao.com.br/agenda-positiva-mes-da-mulher/ 

08/03/2021 – Fundação Lemann – Fundação Lemann homenageia mulheres selecionadas em campanha:
https://fundacaolemann.org.br/releases/fundacao-lemann-homenageia-mulheres-selecionadas-em-campanha 

09/03/2021 – EPBR – Oito entrevistas que mostram que as mulheres podem (e devem) ser fontes o ano inteiro:
https://epbr.com.br/8-entrevistas-que-mostram-que-mulheres-podem-e-devem-ser-fontes-o-ano-inteiro/ 

09/03/2021 – Abrasco – Fernanda Lopes é uma das autoras de edição temática do Boletim do IPEA:
https://www.abrasco.org.br/site/gtracismoesaude/2021/03/09/fernanda-lopes-e-uma-das-autoras-de-edicao-tematica-do-boletim-do-ipea/ 

16/03/2021 – Instituto Unibanco – Ricardo Henrique participa de evento de encerramento do 11º Congresso GIFE:
https://www.institutounibanco.org.br/conteudo/ricardo-henriques-participa-de-evento-de-encerramento-do-11o-congresso-gife/ 

18/03/2021 – Folha de São Paulo – Fundo Baobá realiza aula inaugural do Programa Já É – Educação e Equidade Racial:
https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2021/03/fundo-baoba-realiza-aula-inaugural-do-programa-ja-e-educacao-e-equidade-racial.shtml 

18/03/2021 – Portal Geledés – Fundo Baobá realiza aula inaugural do Programa Já É – Educação e Equidade Racial:
https://www.geledes.org.br/fundo-baoba-realiza-aula-inaugural-do-programa-ja-e-educacao-e-equidade-racial/  

18/03/2021 – Portal Gongogi – Fundo Baobá realiza aula inaugural do Programa Já É – Educação e Equidade Racial:
https://portalgongogi.com/fundo-baoba-realiza-aula-inaugural-do-programa-ja-e-educacao-e-equidade-racial/portalgongogi/ 

18/03/2021 – Ponto E – Fundo Baobá realiza aula inaugural do Programa Já É – Educação e Equidade Racial:
https://pontoe.org/blogs/geledes/fundo-baoba-realiza-aula-inaugural-do-programa-ja-e-educacao-e-equidade-racial/

18/03/2021 – Jornal Empoderado – Em meio à pandemia, programa de apoio a estudantes negros começa em formato virtual:
https://jornalempoderado.com.br/em-meio-a-pandemia-programa-de-apoio-a-estudantes-negros-comeca-em-formato-virtual/   

19/03/2021 – Site Mundo Negro – “Já É – Educação e Equidade Racial”, programa de apoio a estudantes negros começa em formato virtual:
https://mundonegro.inf.br/ja-e-educacao-e-equidade-racial-programa-de-apoio-a-estudantes-negros-comeca-em-formato-virtual/ 

24/03/2021 – Estado de São Paulo – Carreira: Gestor de diversidade e inclusão começa a aparecer no alto escalão:
https://www.estadao.com.br/infograficos/economia,carreira-gestor-de-diversidade-e-inclusao-comeca-a-aparecer-no-alto-escalao-das-empresas,1158548 

Matéria de Apoiados dos Fundo Baobá:

01/03/2021 – Observatório do Terceiro Setor – Observatório do Terceiro Setor promove lives sobre direitos humanos – Apoiada Midiã Noelle:
https://observatorio3setor.org.br/noticias/observatorio-do-terceiro-setor-promove-lives-sobre-direitos-humanos/ 

12/03/2021 – Prefeitura de Curitiba – ConectAfro usa a tecnologia para integrar afroempreendedores de Curitiba – Apoiados ConectAfro:
https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/conectafro-usa-a-tecnologia-para-integrar-afroempreendedores-de-curitiba/58249 

16/03/2021 – Alma Preta – Recife ainda não conta com Comissão de Igualdade Racial na Câmara dos Vereadores – Apoiada Jéssica Vanessa:
https://almapreta.com/sessao/cotidiano/com-populacao-de-maioria-negra-recife-ainda-nao-conta-com-comissao-de-igualdade-racial-na-camara-dos-vereadores

Coluna Coletiva Negras que Movem – Portal Geledés

06/03/2021 – Desafios das mulheres negras no mercado de trabalho – Por Clara Marinho Pereira:
https://www.geledes.org.br/desafios-das-mulheres-negras-no-mercado-de-trabalho/ 

13/03/2021 – As últimas depois de ninguém: meninas em privação de liberdade – Por Mayara Silva de Souza:
https://www.geledes.org.br/as-ultimas-depois-de-ninguem-meninas-em-privacao-de-liberdade/ 

20/03/2021 – Que Oxum nos dê olhos de ver Vênus. É ano novo no céu – Por Leandra Silva:
https://www.geledes.org.br/que-oxum-nos-de-olhos-de-ver-venus-e-ano-novo-no-ceu/ 

27/03/2021 – Internet como ferramenta revolucionária – Por Vitorí da Silva:
https://www.geledes.org.br/internet-como-ferramenta-revolucionaria/