Diretor executivo do Fundo Baobá fala  sobre cultura de doação no Valor Econômico

Por Wagner Prado

A cultura de doação no Brasil é algo a ser construído e incentivado. Diariamente, o noticiário geral dá conta dos problemas que o país vem enfrentando na Educação, Emprego,  Saúde, Cultura e outras áreas sociais. 

Mas o ato da doação ultrapassa a questão do dar o dinheiro. Como promover a autonomia das organizações que recebem doações? Foi para fazer esse debate que o jornal Valor Econômico realizou o encontro do Diretor Executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, com a Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), Ana Toni. O encontro foi mediado por Laura Ignacio, editora-assistente de Legislação do jornal. 

O primeiro ponto abordado por Giovanni Harvey foi a questão da autonomia que deve ser dada a instituições, como o Fundo Baobá, cujo histórico e projetos já implementados geram confiança em quem está doando. “No Baobá temos como objetivo buscar o maior nível possível de autonomia e sustentabilidade para o enfrentamento direto dos efeitos da  discriminação racial e do racismo no Brasil”, disse.  Para exemplificar, Harvey citou a doação feita pela bilionária e filantropa norte-americana Mackenzie Scott, que em abril doou US$ 5 milhões para o Baobá. “A doação de Mackenzie Scott foi um divisor de águas na história do Baobá porque é a maior doação individual desvinculada da execução de um projeto ou programa específico. Os US$ 5 milhões foram doados para o Baobá usar livremente”, afirmou.

Para Ana Toni, do ICS, o fato de não existirem incentivos fiscais para que pessoas e organizações façam doações no Brasil dificulta o trabalho de captação. “Na Europa e nos Estados Unidos há incentivo fiscal para que, quem faz a doação, não pague alguns tributos.  No Brasil,  tirando algumas isenções,  como acontece nas áreas de esporte e cultura, a maioria dos doadores, principalmente os individuais, têm que pagar entre 4% e 8% a mais sobre a doação”, falou. 

No Brasil, projetos relacionados a direitos humanos, equidade racial, combate ao racismo, homofobia e questões de gênero recebem apoio menor que outras causas, como a defesa climática, por exemplo. Um dos caminhos para que ocorra um equilíbrio e as causas de direitos humanos sejam melhor beneficiadas é o engajamento das empresas a elas. 

Giovanni Harvey finalizou falando da importância da doação individual. “Nós temos uma frente de captação junto a pessoas físicas. Temos um círculo de doação que foi lançado em 2021. Dentro da nossa estratégia, temos a expectativa de que, ao longo dos próximos 10 anos, tenhamos um crescimento da participação significativa das pessoas físicas no bolo de arrecadação do Baobá. Temos a expectativa de que o doador individual, uma vez iniciado o processo de engajamento com a instituição, se mantenha como doador. Estamos buscando formas de mostrar a esses doadores individuais os resultados do investimento que eles fazem”, afirmou Harvey. 

Quando assumiu a direção executiva do Fundo Baobá, em dezembro de 2021, esse foi um dos principais temas abordados por ele. Naquela oportunidade, Harvey citou a convicção que tinha na ampliação do engajamento de mais pessoas físicas no hall de doações para o Baobá. Diante disso, Giovanni Harvey colocou como metas elaborar e dar visibilidade a indicadores, bem como ampliar as ações de comunicação para que as pessoas (doadores) possam acompanhar, com mais nitidez,  o que é feito com os recursos arrecadados e os resultados que têm sido alcançados.