“Quero seguir focando na área de Operations for Tech (Operações para Tecnologia). Hoje, sou reconhecida como referência técnica no meu time, exatamente o que almejei ao definir minha meta no edital”.
Essa afirmação tão segura é da pernambucana Daniela Marreira, 31 anos. Os termos em inglês, que hoje fazem parte do seu dia a dia, eram desconhecidos há cinco anos, quando deu início ao projeto de transição de carreira.
Graduada em Comunicação, com habilitação em Rádio, TV e Internet, Daniela atuava como Gestora de Projetos na área cultural. Filha de uma comerciante, Luciana, e de um professor, Abraão, ela tem dois irmãos mais novos: Débora, de 23 anos, e Abraão, de 21. Atualmente, vive com sua companheira, Ana, e a gata de estimação, Pavê.
Quando criança, era parte de uma família diferente da maioria. Seu pai cuidava dela e dos irmãos, já que a mãe trabalhava no comércio. Estudou o ensino fundamental em um grande colégio de Recife e fez o fundamental 2 no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE). Saiu de lá em 2013, após prestar o vestibular e entrar na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A interrupção da trajetória de Daniela foi brusca. A pandemia da COVID praticamente paralisou o setor cultural e de eventos, onde ela atuava. A palavra de ordem passou a ser reinventar-se. Daniela, então, foi buscar outra profissão.
“Com a chegada da pandemia e o congelamento total da área de eventos e cultura, acabei descobrindo a área de design, pela qual me apaixonei e iniciei o processo de migração de carreira no início de 2021. Com o dinheiro que havia recebido após ser dispensada do trabalho por conta da pandemia, comprei meu primeiro notebook e um curso livre de design. Tive a oportunidade de ter como mentora uma designer negra maravilhosa chamada Evelyn Silva. Ela me ajudou a conseguir minha primeira oportunidade na área”, relembra.
Quando a empresa onde trabalhava passou por um layoff, Daniela viu ali não um fim, mas um caminho: iria especializar-se ainda mais em design. O entrave era o nível de inglês que era bom para leitura, mas não fluente o bastante para conduzir uma reunião de trabalho, por exemplo.
“Este gap na minha formação me incomodava, principalmente pensando na evolução de minha carreira. Foi quando vi uma publicação sobre o edital Carreiras em Movimento no Linkedin”, diz a pernambucana.
Lançado em 2023 pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial, o edital Carreiras em Movimento ofereceu apoio financeiro (de R$5 mil a R$10 mil) para pessoas negras em todo o Brasil desenvolverem competências técnicas, habilidades socioemocionais e comportamentais. O objetivo do edital é reduzir desigualdades e ampliar as oportunidades de empregabilidade para pessoas negras no mercado privado.
Daniela Marreira empregou o dinheiro que recebeu (R$10 mil) em seu aperfeiçoamento pessoal. “Utilizei 60% do recurso em aulas de conversação em inglês e os outros 40% na aquisição de equipamentos, para não depender exclusivamente de equipamentos da empresa, e em cursos livres complementares”, revela. Após esse investimento, ela comemora sua vitória, pois conseguiu emprego em uma empresa global de design: “Eu me inscrevi para a vaga, fui selecionada, consegui o nível C2 no teste de proficiência em inglês. Hoje, sou Senior Product Operations (Operadora Sênior de Produtos) e não teria conseguido a vaga se não fosse o incentivo recebido pelo edital Carreiras em Movimento, que me permitiu focar meu inglês”, comemora.
Assim como a pernambucana Daniela Marreira, um número significativo de pessoas e organizações negras já foram ajudadas pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial. Foram 23 editais lançados, com mais de 1.203 iniciativas apoiadas nas áreas da Educação, Desenvolvimento Econômico, Comunicação & Memória e Viver com Dignidade. Mais de R$22,4 milhões foram doados. Para doar, acesse o site do Fundo Baobá: www.baoba.org.br .
Crédito: Arquivo Pessoal