Fundo Baobá investe em mulheres negras como parte de uma estratégia ampla para equidade racial

Fundo Baobá investe no fortalecimento de mulheres negras no país

O investimento em mulheres negras, por meio de programas técnicos e de qualificação, é uma das estratégias adotadas pelo Fundo Baobá para enfrentar desigualdades e impulsionar transformações duradouras na sociedade brasileira.

Nestes 15 anos, o Fundo Baobá tem direcionado recursos para diferentes iniciativas, conectando lideranças, organizações e territórios. Nesse percurso, o apoio a mulheres negras se consolida como uma frente relevante, que mostra que o investimento feito é um mecanismo de impacto estrutural para o país.

Na prática, em um contexto de disparidades de gênero e raça, o Fundo Baobá investe no fortalecimento de lideranças e iniciativas que posicionam mulheres negras como executoras de estratégias sociais. A organização mapeia a liderança exercida por essas mulheres em diferentes contextos de desigualdade, utilizando editais para fortalecer sua atuação como agentes de mudança. 

O Programa Marielle Franco, por exemplo, oferece suporte para a ampliação da incidência política e a ocupação de espaços de tomada de decisão. A iniciativa foca no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade de gênero e raça, apoiando trajetórias individuais e coletivas em diversas regiões do Brasil.

Entre as ações recentes, o Fundo destinou R$1,25 milhão à Marcha das Mulheres Negras 2025, viabilizando a mobilização nos 26 estados e no Distrito Federal. O aporte concentrou-se em logística e articulação estadual, com atenção especial à participação de mulheres quilombolas, fortalecendo sua presença no debate sobre reparação e bem viver. 

O papel do Fundo Baobá consiste em conectar trajetórias e garantir que lideranças negras tenham acesso a oportunidades de continuidade, reduzindo os impactos da violência racial e de gênero. O investimento em mulheres negras faz parte de uma decisão estratégica de desenvolvimento do país. Quando mulheres negras têm condições de incidir em decisões, elas fortalecem redes, criam soluções e ampliam o acesso a direitos para todas as pessoas.

Fundo Baobá participa de articulação internacional por justiça racial em cúpula das Américas

O Fundo Baobá participou do encontro em Porto Rico que reuniu organizações e lideranças para fortalecer estratégias de equidade racial em escala regional.

O diretor executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, participou do painel “Investimento estratégico em iniciativas afrolatinas”, durante o Racial Equity Builders Dialogue (REBD), realizado em Porto Rico nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro. A conversa foi mediada por Arelis Diaz, da W. K. Kellogg Foundation, organização que incentivou a formação do Fundo Baobá em 2011.

O encontro reuniu lideranças, organizações filantrópicas e especialistas para discutir formas de ampliar o investimento em comunidades afro-latinas nos Estados Unidos e nas Américas. Durante sua participação, Giovanni Harvey destacou a importância de fortalecer investimentos que promovam autonomia e preservem a integridade cultural das iniciativas apoiadas nos territórios. Ele também abordou caminhos de acesso ao financiamento para organizações negras, a participação nas discussões do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e o impacto do apoio da Kellogg ao longo dos 15 anos do Fundo Baobá.

Com o lema “A Hora é Agora: Um Diálogo para Ação em Todas as Américas”, o encontro refletiu sobre a urgência do papel da filantropia no fortalecimento de democracias inclusivas, e na construção de respostas coletivas para enfrentar o racismo em escala global.

O REBD é um encontro internacional que reúne organizações, articuladores sociais, filantropos e especialistas em equidade racial para discutir estratégias, fortalecer redes e promover o intercâmbio de experiências sobre justiça racial e desenvolvimento comunitário. A edição deste ano teve como foco avançar da reflexão para a ação, buscando transformar propostas de equidade racial em ações coordenadas, baseadas em aprendizado compartilhado e na defesa coletiva de lideranças comunitárias, parceiros filantrópicos e especialistas internacionais.

Pela segunda vez, o Fundo Baobá participou do evento, sendo a única organização brasileira presente nesta edição. A participação ampliou a visibilidade do Brasil em um espaço estratégico de diálogo internacional sobre equidade racial. Durante o encontro, organizações presentes demonstraram interesse em conhecer a experiência brasileira na promoção da equidade racial. 

Entre os temas discutidos estavam: funcionamento das instituições democráticas brasileiras em contextos recentes, o acompanhamento internacional de casos emblemáticos de violência racial no Brasil, como a condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e de Anderson, além do papel da cultura brasileira como elemento de conexão e projeção internacional, e o reconhecimento do Brasil como ator relevante nas agendas globais de justiça racial.