Sociedade Protetora dos Desvalidos recebe novo apoio estratégico do Fundo Baobá

Sociedade Protetora dos Desvalidos recebe novo apoio estratégico do Fundo Baobá Nova doação dá continuidade ao fortalecimento institucional e à preservação da memória de uma organização histórica do Brasil

Nova doação dá continuidade ao fortalecimento institucional e à preservação da memória de uma organização histórica do Brasil.

O Fundo Baobá renovou o apoio estratégico à Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), dando continuidade à parceria iniciada em 2023. A nova doação, no valor de R$ 300 mil e com vigência até 2027, reafirma o compromisso do Fundo Baobá com o fortalecimento e a sustentabilidade de organizações negras que têm papel fundamental no enfrentamento ao racismo no país.

Fundada em 1832, na Bahia, a SPD é reconhecida como a mais antiga associação negra regulamentada em funcionamento no Brasil. Criada em um contexto de escravização, a instituição nasceu da organização de homens negros livres, libertos e escravizados que construíram uma rede de solidariedade e resistência. Ao longo de sua trajetória, a SPD se tornou um importante espaço de autonomia, proteção e emancipação da população negra.

O novo investimento na organização acontece a partir dos avanços alcançados no primeiro ciclo da parceria. Desde 2023, a SPD vem implementando um plano de fortalecimento institucional voltado à gestão, governança, clima organizacional e comunicação. Entre os resultados estão o aprimoramento dos processos contábeis e administrativos, o desenvolvimento de conhecimentos em gestão de projetos, captação de recursos, comunicação e a preservação da memória.

“O apoio inicial em 2023 produziu um fortalecimento significativo da organização e reforça a seriedade e o comprometimento institucional da SPD na gestão desse processo. Esses movimentos também evidenciam a importância da garantia de recursos flexíveis e de apoio de longo prazo para consolidar processos de fortalecimento institucional nas organizações”, afirma Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá.

Para Lígia Margarida, Diretora Administrativa da Sociedade Protetora dos Desvalidos, uma das mudanças mais importantes ocorreu na organização dos processos internos. “As principais mudanças ocorreram na forma de organização administrativa, com maior controle da rotina e documentação, sempre buscando regularizar as pendências judiciais e impostos”, explica.

A preservação da memória também está entre os desafios e prioridades da instituição. Com quase dois séculos de história, a SPD inaugurou em setembro de 2026 um espaço de memória e se prepara para as etapas de higienização, catalogação e organização dos documentos, que ainda estão em andamento. O que poderá resultar, no futuro, em uma exposição sobre a trajetória da organização.

Ao renovar a parceria, o Fundo Baobá reafirma seu comprometimento não apenas com o financiamento de iniciativas, mas também com a criação de condições para que organizações negras fortaleçam a autonomia e a capacidade de seguir construindo suas próprias histórias. Apoiar organizações negras é investir na preservação de memórias, na autonomia e na continuidade de trajetórias que fazem parte das estratégias de enfrentamento ao racismo  no Brasil.

Incentivo amplia presença de estudantes negros brasileiros em áreas STEM no exterior

“Se nós não nos enxergarmos, dificilmente vamos chegar naquele posto.” A frase do professor Fernando Caixeta resume um dos principais desafios para estudantes negros que desejam construir uma trajetória acadêmica internacional nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas pela sigla, em inglês, STEM. Professor do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), no Campus Uberlândia, Caixeta foi mentor do Programa Black STEM, iniciativa do Fundo Baobá que chega à terceira edição em 2026. Com apoio da B3 Social e parceria da BRASA, o programa contemplou três estudantes negros brasileiros com bolsas complementares de R$ 42 mil anuais para cursar graduação em áreas STEM em universidades no exterior. Para Caixeta, ocupar esses espaços tem um significado que vai muito além da conquista individual. A experiência internacional, segundo ele, também mostra como a presença de uma pessoa negra pode abrir caminho para outras. Ele próprio conhece o caminho. Fez o doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, uma das instituições mais reconhecidas do mundo nas áreas de ciência e tecnologia.

“Se nós não nos enxergarmos, dificilmente vamos chegar naquele posto.” A frase do professor Fernando Caixeta resume um dos principais desafios para estudantes negros que desejam construir uma trajetória acadêmica internacional nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas pela sigla, em inglês, STEM.

Professor do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), no Campus Uberlândia, Caixeta foi mentor do Programa Black STEM, iniciativa do Fundo Baobá que chega à terceira edição em 2026.

Com apoio da B3 Social e parceria da BRASA, o programa contemplou três estudantes negros brasileiros com bolsas complementares de R$ 42 mil anuais para cursar graduação em áreas STEM em universidades no exterior.

Para Caixeta, ocupar esses espaços tem um significado que vai muito além da conquista individual. A experiência internacional, segundo ele, também mostra como a presença de uma pessoa negra pode abrir caminho para outras. Ele próprio conhece o caminho. Fez o doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, uma das instituições mais reconhecidas do mundo nas áreas de ciência e tecnologia.

“Quando eu era criança, me diziam que um negro precisa estudar duas vezes, três vezes mais que um branco para se destacar”, lembra. Hoje, a mensagem que ele procura transmitir aos seus alunos é outra: não é preciso ser um “super-homem” ou uma “super-mulher” para chegar a uma universidade de excelência fora do país. É preciso ter oportunidade e, principalmente, conseguir se enxergar naquele lugar. 

Professor do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), no Campus Uberlândia, Caixeta foi mentor do Programa Black STEM, iniciativa do Fundo Baobá que chega à terceira edição em 2026.

Na foto: Fernando Caixeta, Professor do IFTM e mentor do Programa Black STEM | Créditos: Thalita Guimarães

Esse ponto é especialmente importante quando se fala em STEM, áreas que historicamente concentram oportunidades acadêmicas, científicas e profissionais de alto impacto. 

Dados disponíveis sobre mobilidade acadêmica ajudam a dimensionar o tamanho da desigualdade, embora ainda exista uma lacuna importante nas estatísticas brasileiras. Um estudo publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, com dados de programas de mobilidade do CNPq e informações do Censo de 2022, analisou 38.238 participantes com informação de raça/cor. Entre eles, 1.055 se declararam pretos, o equivalente a 2,76% do total, enquanto 6.487 se declararam pardos, ou 16,96%. Somados, pretos e pardos representavam 19,72% dos participantes analisados. O dado chama atenção porque a população brasileira é majoritariamente negra. Ou seja, mesmo quando existe uma política de mobilidade internacional, a presença de estudantes negros não acompanha o peso demográfico da população brasileira.

E há outro problema: não existe, hoje, uma estatística pública nacional consolidada que permita dizer exatamente quantos estudantes negros brasileiros estão matriculados em universidades estrangeiras, especialmente em cursos STEM. Essa ausência de dados, por si só, revela uma defasagem. Sem saber exatamente quem está indo, para onde está indo e em quais áreas está estudando, fica mais difícil medir desigualdades e construir políticas capazes de enfrentá-las.

Pesquisas acadêmicas já apontaram, entretanto, que raça e origem socioeconômica interferem no acesso de estudantes brasileiros à mobilidade internacional.  Pesquisas sobre o programa Ciência sem Fronteirasmostram que a mobilidade acadêmica internacional ainda reproduz desigualdades raciais presentes no ensino superior brasileiro. Estudo realizado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) revelou que estudantes pretos e pardos representavam, em média, 16,68% dos matriculados entre 2012 e 2016, mas correspondiam a apenas 9,38% dos bolsistas do programa no período. 

É justamente nesse espaço que iniciativas como o Black STEM entram.

Na primeira edição, o programa selecionou cinco estudantes negros para graduação no exterior, oferecendo bolsas de R$ 35 mil anuais para apoiar despesas como moradia, alimentação, transporte e material acadêmico. Na segunda edição, outros quatro estudantes foram selecionados. Agora, na terceira, serão três novos bolsistas.

São números que carregam uma dimensão simbólica importante. Cada estudante que chega a uma universidade estrangeira também pode se tornar referência para quem ainda está pensando se aquele lugar é acessível. 

Caixeta chama atenção para uma transformação geracional. Segundo ele, estudantes negros de hoje estão “metendo o pé na porta” e ocupando espaços internacionais com uma disposição diferente da geração anterior. China, Dubai, Estados Unidos ou qualquer outro destino deixam de parecer lugares impossíveis. A pergunta passa a ser menos “será que existe alguém como eu lá?” e mais “como faço para chegar?”.

Evento Black STEM 2026 | Créditos: Thalita Guimarães

Para o professor, a função da mentoria é ajudar a transformar o sonho em projeto. E isso significa também falar sobre aquilo que nem sempre aparece nas fotos de uma universidade estrangeira: dinheiro, alimentação, moradia, transporte, segurança e a possibilidade de voltar para casa se alguma emergência acontecer. “Eu preciso ter dinheiro, preciso beber, preciso comer, preciso viver e preciso estudar ao mesmo tempo”, resume.

A preocupação também se estende ao ambiente acadêmico. Caixeta defende que equipes científicas e tecnológicas mais diversas conseguem produzir soluções mais conectadas com a realidade de diferentes grupos sociais. Ele lembra de uma experiência em um laboratório no qual pesquisava tecidos usados nas toucas de cetim para proteção dos cabelos.

Em uma equipe mais racializada, ele percebeu que não precisava explicar aquilo que fazia parte da vida cotidiana de outras pessoas negras. Para ele, essa identificação muda a qualidade da conversa, da pesquisa e das soluções produzidas. 

Fernando Caixeta alerta para a necessidade de discutir uma tecnologia que não reproduza discriminações e que seja acessível a diferentes grupos sociais. A presença negra nas áreas de STEM, portanto, não diz respeito apenas a quem ocupará os laboratórios, empresas de tecnologia ou universidades no futuro. Diz respeito também a quem fará parte da criação de tecnologias que vão influenciar a vida de todos.

No Brasil, esse desafio ainda passa pelo enfrentamento do chamado “racismo à brasileira”, expressão usada por Caixeta para falar de situações em que a discriminação existe, mas muitas vezes não é reconhecida como tal. No exterior, por sua vez, o estudante negro precisa aprender a lidar com novos contextos culturais e com possibilidades de racismo que também podem surgir. É aí que a representatividade ganha outra dimensão.

Para Caixeta, não basta estar. É preciso se enxergar, viver aquele espaço e conseguir imaginar uma trajetória possível. Quando um professor negro aparece diante de um estudante e diz “eu fui, eu consegui, eu estou aqui”, a distância entre o sonho e a realidade diminui.

É esse movimento que o Black STEM procura apoiar, não apenas enviar estudantes negros para fora do Brasil, mas criar condições para que eles permaneçam, concluam seus cursos e ampliem as possibilidades para quem vem depois. A experiência internacional, nesse sentido, deixa de ser apenas uma conquista individual. Transforma-se em caminho aberto.

E, como lembra Caixeta, cada pessoa que chega primeiro ajuda a tornar a chegada das próximas um pouco menos difícil. No caso das áreas STEM, ocupar esse espaço significa também participar das decisões sobre ciência, tecnologia e inovação. Significa mostrar que pessoas negras não estão apenas consumindo tecnologia. Elas também podem criá-la, pesquisá-la, transformá-la, decidir para quem ela será feita e como será utilizada.

Área de Programas do Fundo Baobá transforma 15 anos de experiência em matéria-prima para planejar o futuro

As desigualdades raciais sobre as quais o Fundo Baobá atua foram construídas ao longo da história brasileira. Quinze anos depois do início de sua trajetória, o tempo também se tornou fonte de aprendizado para a própria organização. A experiência acumulada no apoio a organizações, grupos, coletivos e lideranças negras ajuda a orientar programas, formas de apoio e decisões sobre os próximos passos. Para Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, uma das constatações deste percurso está na capacidade das organizações negras de atuar em diferentes territórios, movimentos e setores, mobilizando pessoas, construindo redes e incidindo sobre as desigualdades raciais. “A experiência do Fundo Baobá no apoio a organizações, grupos e coletivos negros reforça nossa convicção de que eles são agentes estratégicos e fundamentais para um processo de transformação social”, afirma. O conhecimento acumulado ao longo desses anos também tornou mais evidentes as dificuldades de sempre: “Por outro lado, persistem desafios constantes: dificuldade de acesso a recursos, financiamentos e apoios institucionais”, diz Tainá. Para ela, esse cenário exige um compromisso continuado da filantropia com apoio financeiro, institucional e fortalecimento estrutural. Foi observando essa panorama que Fundo Baobá investiu mais de R$ 23,2 milhões em mais de 1.300 iniciativas, alcançando indiretamente mais de 1,3 milhão de pessoas. Os apoios passaram por áreas como formação acadêmica de jovens negros em Ciência, Tecnologia e Inovação, empreendedorismo, desenvolvimento econômico, formação para o mundo do trabalho, empregabilidade, fortalecimento de lideranças femininas negras e de organizações negras, memória, defesa de direitos e vida digna.

As desigualdades raciais sobre as quais o Fundo Baobá atua foram construídas ao longo da história brasileira. Quinze anos depois do início de sua trajetória, o tempo também se tornou fonte de aprendizado para a própria organização. A experiência acumulada no apoio a organizações, grupos, coletivos e lideranças negras ajuda a orientar programas, formas de apoio e decisões sobre os próximos passos.

Para Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, uma das constatações deste percurso está na capacidade das organizações negras de atuar em diferentes territórios, movimentos e setores, mobilizando pessoas, construindo redes e incidindo sobre as desigualdades raciais.

“A experiência do Fundo Baobá no apoio a organizações, grupos e coletivos negros reforça nossa convicção de que eles são agentes estratégicos e fundamentais para um processo de transformação social”, afirma.

Para Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, uma das constatações deste percurso está na capacidade das organizações negras de atuar em diferentes territórios, movimentos e setores, mobilizando pessoas, construindo redes e incidindo sobre as desigualdades raciais.
“A experiência do Fundo Baobá no apoio a organizações, grupos e coletivos negros reforça nossa convicção de que eles são agentes estratégicos e fundamentais para um processo de transformação social”, afirma.

Na foto: Tainá Medeiros, Gerente de Programas | Créditos: Thalita Guimarães

O conhecimento acumulado ao longo desses anos também tornou mais evidentes as dificuldades de sempre:  “Por outro lado, persistem desafios constantes: dificuldade de acesso a recursos, financiamentos e apoios institucionais”, diz Tainá. Para ela, esse cenário exige um compromisso continuado da filantropia com apoio financeiro, institucional e fortalecimento estrutural.

Foi observando essa panorama que  Fundo Baobá investiu mais de R$ 23,2 milhões em mais de 1.300 iniciativas, alcançando indiretamente mais de 1,3 milhão de pessoas. Os apoios passaram por áreas como formação acadêmica de jovens negros em Ciência, Tecnologia e Inovação, empreendedorismo, desenvolvimento econômico, formação para o mundo do trabalho, empregabilidade, fortalecimento de lideranças femininas negras e de organizações negras, memória, defesa de direitos e vida digna.

A experiência acumulada também ajuda a entender o trabalho desenvolvido no presente. Em 2026, uma das frentes da área de Programas foi a conclusão da avaliação do Edital Educação e Tecnologia, realizado em parceria com o MOVER. Depois da avaliação, foram organizados encontros de devolutiva com as organizações apoiadas e os parceiros financiadores para compartilhar os resultados e ampliar a aprendizagem produzida pelo programa.

O Programa Marielle Franco de Apoio Individual também teve continuidade. As mulheres apoiadas estão recebendo mentorias individuais voltadas ao fortalecimento de seus planos de desenvolvimento e à ampliação de conexões com outras mulheres negras com trajetórias de liderança. No Programa Já É, o acompanhamento inclui jovens que se preparam para os vestibulares e aqueles que já ingressaram na universidade e começam sua trajetória acadêmica.

Outra iniciativa que avançou no primeiro semestre foi o Programa Black STEM, que concluiu o processo seletivo de sua terceira edição. Três novos bolsistas passaram a integrar o programa e participaram, em agosto, de atividades de boas-vindas, formação e fortalecimento de vínculos. Eles seguirão para universidades nos Emirados Árabes Unidos, na Espanha e nos Estados Unidos.

Na área de fortalecimento institucional, o Fundo Baobá renovou o apoio à Sociedade Protetora dos Desvalidos, iniciado em 2023. Uma nova doação de R$ 300 mil dará continuidade, até 2027, ao plano de fortalecimento institucional da organização.

Enquanto acompanha essas iniciativas, a área de Programas já prepara os próximos passos. Para o segundo semestre, estão previstas novas oportunidades de fortalecimento institucional para organizações, grupos e coletivos, além da continuidade do monitoramento dos apoios em andamento e do início da avaliação de iniciativas já concluídas.

O aprendizado também acontece dentro do próprio Fundo. A área pretende dar continuidade ao aprimoramento de sua gestão e à participação em espaços de troca de experiências e conhecimentos, acompanhando demandas, tendências e inovações que possam contribuir para sua atuação nos próximos anos.

Parte da experiência acumulada nesses 15 anos aparece ainda na relação com organizações e lideranças que procuram os editais do Fundo Baobá. Para quem não tem familiaridade com a elaboração de projetos, Tainá procura retirar um pouco do peso que costuma acompanhar esse processo.

“A elaboração de projetos pode ser uma tarefa acessível”, afirma. O primeiro passo, segundo ela, é ler atentamente o edital, compreender seus objetivos e conferir as informações e os documentos solicitados.

“O melhor caminho é apresentar uma proposta simples, porém coerente com a capacidade da organização, alinhada à sua experiência, ao território em que atua e aos objetivos do edital”, orienta. A elaboração da proposta também pode servir para que a própria organização estruturesuas ideias sobre desafios, necessidades, objetivos e possibilidades de atuação.

Nem sempre, porém, uma boa proposta chega a ser avaliada. Entre os problemas encontrados nas inscrições estão informações incorretas ou incompletas, documentos ausentes ou ilegíveis, arquivos em formatos diferentes dos solicitados e perda de prazos. Falhas desse tipo podem levar à desclassificação antes da análise do mérito do projeto.

Por isso, Tainá recomenda que organizações e lideranças reservem tempo para conferir a inscrição antes do envio. Informações, documentos, formatos e prazos precisam ser revisados com antecedência, inclusive para que seja possível corrigir eventuais problemas. “Revisar a inscrição nunca é demais”, resume.

Experiência do Fundo Baobá ganha destaque em evento internacional 

Experiência do Fundo Baobá ganha destaque em evento internacional

O Fundo Baobá foi um dos convidados para participar de uma série de oficinas organizadas pela RIAFRO – Rede Interamericana de Altas Autoridades para a População Afrodescendente, realizada em Cartagena das Índias, na Colômbia, em maio deste ano. O evento reuniu representantes estatais de diversos países como México, Guatemala, Peru, Uruguai, Panamá e Colômbia com o objetivo de capacitar os países a acessar recursos de cooperação internacional voltados para equidade racial e enfrentamento ao racismo. 

A RIAFRO é um mecanismo especializado de diálogo, coordenação e colaboração contínua entre as autoridades nacionais das Américas para promover a implementação de políticas para as populações afrodescendentes, em conformidade com as obrigações internacionais e regionais, com objetivo de  promover os direitos humanos da população negra em todo o mundo.

Criada em Lima, Peru, em 2018, é composta por 12 Estados-membros: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, e apresenta, a cada dois anos, seus avanços em políticas públicas para a inclusão de populações afrodescendentes e combate ao racismo, além de todas as formas de discriminação e intolerância.

O Fundo Baobá fez parte do evento com a presença de Giovanni Harvey, Diretor Executivo, Hebe Silva, Gerente de Operações, e Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos. Giovanni Harvey foi mediador na oficina “Conceitos: Cooperação Internacional, Arrecadação e Gestão de Recursos para Instituições Nacionais de Políticas para Afrodescendentes”. E também painelista na mesa “Como funciona a cooperação para afrodescendentes em fundações internacionais?”, que contou com a participação de Melissa Hernández, da Fundação Ford; Renata Braga, da Open Society Foundations, e Jenny Petrow, da Fundação Kellogg.

Arquivo Fundo Baobá

Durante as oficinas, ficou evidente que o Brasil é visto como uma grande referência em políticas de justiça racial na América Latina e no Caribe. Conquistas históricas como a criminalização do racismo, as políticas afirmativas em universidades e concursos públicos, e a própria existência de um fundo independente gerido por pessoas negras, como o Fundo Baobá, serviram de referência para os países presentes.

Para Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá, a participação deu a oportunidade de observar a dinâmica de uma reunião de estado, com pessoas engajadas e comprometidas na reparação histórica dos afrodescendentes na diáspora. “A questão racial tem menor escala de importância nos fundos internacionais e em alguns organismos governamentais. Isso faz com que essa área de atuação não apresente a robustez equivalente à importância da causa. No evento, tivemos oportunidade de falar sobre o Brasil e sobre nossa atuação, fundamentada nos aspectos amplos que a promoção da equidade racial demanda”, afirma. 

Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Fundo Baobá reitera que a presença em fóruns como este valida a capacidade de incidência e diálogo, além de posicionar o Brasil como um ator relevante nas discussões sobre justiça racial na América Latina e Caribe. Para ela, é um reconhecimento de que a metodologia do Fundo Baobá é um modelo inspirador para outros países e uma importante consolidação para mostrar que a filantropia negra brasileira tem muito a contribuir com o ecossistema global.

Estar presente na RIAFRO reafirma o compromisso do Fundo Baobá com a continuidade e o entrelaçamento de trajetórias. Ocupar esses espaços trazendo conhecimentos estratégicos para a nossa rede é a garantia de que o investimento social privado em equidade racial continue gerando frutos, de forma regional e global.



Corinthians doa camisa-manifesto contra o racismo para o Fundo Baobá

Corinthians doa camisa-manifesto contra o racismo para o Fundo Baobá

O combate ao crime de racismo ganhou um novo manifesto: uma camisa oficial do clube paulistano com a ilustração na gola “Racismo é Crime. Denuncie”. Após injúrias raciais sofridas pelo jogador Vini Jr., e pelo goleiro Hugo Souza, o Corinthians decidiu transformar a indignação em atitude e criou a camisa. 

camisa oficial do Corinthians com a ilustração na gola “Racismo é Crime. Denuncie”

Arquivo Fundo Baobá

A peça, doada ao Fundo Baobá, é um lembrete de que o enfrentamento ao racismo exige ação e é um chamado à responsabilidade coletiva. Além da mensagem, ela conta com um QR code que direciona a uma página do clube com orientações práticas sobre o que fazer em caso de ser vítima ou presenciar injúria racial. Seu significado vai além dos gramados. O gesto de vestir a camisa, símbolo de pertencimento e compromisso, reforça que o combate ao racismo é responsabilidade de todos e deve ser contínuo.

O clube buscou o Fundo Baobá e outras organizações que atuam pela promoção da equidade racial para entregar oficialmente a camisa. A iniciativa reforça a força do símbolo como ferramenta de luta por respeito e justiça racial em todos os espaços da sociedade.

A entrega ocorreu em 23 de abril. A equipe do Fundo Baobá foi recebida por Rafael Garcia, Gestor de ESG e Marketing do Corinthians. 

A ação reforça a urgência de promover iniciativas e debates que ampliem a conscientização e o combate ao racismo em todas as esferas da sociedade.

O Fundo Baobá reconhece este posicionamento, e reforça que promover equidade racial no país sempre envolve ação.

Fundo Baobá investe em mulheres negras como parte de uma estratégia ampla para equidade racial

Fundo Baobá investe no fortalecimento de mulheres negras no país

O investimento em mulheres negras, por meio de programas técnicos e de qualificação, é uma das estratégias adotadas pelo Fundo Baobá para enfrentar desigualdades e impulsionar transformações duradouras na sociedade brasileira.

Nestes 15 anos, o Fundo Baobá tem direcionado recursos para diferentes iniciativas, conectando lideranças, organizações e territórios. Nesse percurso, o apoio a mulheres negras se consolida como uma frente relevante, que mostra que o investimento feito é um mecanismo de impacto estrutural para o país.

Na prática, em um contexto de disparidades de gênero e raça, o Fundo Baobá investe no fortalecimento de lideranças e iniciativas que posicionam mulheres negras como executoras de estratégias sociais. A organização mapeia a liderança exercida por essas mulheres em diferentes contextos de desigualdade, utilizando editais para fortalecer sua atuação como agentes de mudança. 

O Programa Marielle Franco, por exemplo, oferece suporte para a ampliação da incidência política e a ocupação de espaços de tomada de decisão. A iniciativa foca no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade de gênero e raça, apoiando trajetórias individuais e coletivas em diversas regiões do Brasil.

Entre as ações recentes, o Fundo destinou R$1,25 milhão à Marcha das Mulheres Negras 2025, viabilizando a mobilização nos 26 estados e no Distrito Federal. O aporte concentrou-se em logística e articulação estadual, com atenção especial à participação de mulheres quilombolas, fortalecendo sua presença no debate sobre reparação e bem viver. 

O papel do Fundo Baobá consiste em conectar trajetórias e garantir que lideranças negras tenham acesso a oportunidades de continuidade, reduzindo os impactos da violência racial e de gênero. O investimento em mulheres negras faz parte de uma decisão estratégica de desenvolvimento do país. Quando mulheres negras têm condições de incidir em decisões, elas fortalecem redes, criam soluções e ampliam o acesso a direitos para todas as pessoas.

Fundo Baobá participa de articulação internacional por justiça racial em cúpula das Américas

O Fundo Baobá participou do encontro em Porto Rico que reuniu organizações e lideranças para fortalecer estratégias de equidade racial em escala regional.

O diretor executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, participou do painel “Investimento estratégico em iniciativas afrolatinas”, durante o Racial Equity Builders Dialogue (REBD), realizado em Porto Rico nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro. A conversa foi mediada por Arelis Diaz, da W. K. Kellogg Foundation, organização que incentivou a formação do Fundo Baobá em 2011.

O encontro reuniu lideranças, organizações filantrópicas e especialistas para discutir formas de ampliar o investimento em comunidades afro-latinas nos Estados Unidos e nas Américas. Durante sua participação, Giovanni Harvey destacou a importância de fortalecer investimentos que promovam autonomia e preservem a integridade cultural das iniciativas apoiadas nos territórios. Ele também abordou caminhos de acesso ao financiamento para organizações negras, a participação nas discussões do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e o impacto do apoio da Kellogg ao longo dos 15 anos do Fundo Baobá.

Com o lema “A Hora é Agora: Um Diálogo para Ação em Todas as Américas”, o encontro refletiu sobre a urgência do papel da filantropia no fortalecimento de democracias inclusivas, e na construção de respostas coletivas para enfrentar o racismo em escala global.

O REBD é um encontro internacional que reúne organizações, articuladores sociais, filantropos e especialistas em equidade racial para discutir estratégias, fortalecer redes e promover o intercâmbio de experiências sobre justiça racial e desenvolvimento comunitário. A edição deste ano teve como foco avançar da reflexão para a ação, buscando transformar propostas de equidade racial em ações coordenadas, baseadas em aprendizado compartilhado e na defesa coletiva de lideranças comunitárias, parceiros filantrópicos e especialistas internacionais.

Pela segunda vez, o Fundo Baobá participou do evento, sendo a única organização brasileira presente nesta edição. A participação ampliou a visibilidade do Brasil em um espaço estratégico de diálogo internacional sobre equidade racial. Durante o encontro, organizações presentes demonstraram interesse em conhecer a experiência brasileira na promoção da equidade racial. 

Entre os temas discutidos estavam: funcionamento das instituições democráticas brasileiras em contextos recentes, o acompanhamento internacional de casos emblemáticos de violência racial no Brasil, como a condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e de Anderson, além do papel da cultura brasileira como elemento de conexão e projeção internacional, e o reconhecimento do Brasil como ator relevante nas agendas globais de justiça racial.