Governança ativa, participação coletiva e visão estratégica marcam os 15 anos de Fundo Baobá

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes.

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes. É a partir dessa trajetória coletiva, marcada por aprendizados e melhorias ao longo do tempo, que o Fundo Baobá segue fortalecendo sua atuação e um modelo de governança que está na base dos nossos passos.

Atualmente, o Fundo Baobá conta com uma equipe de 20 profissionais e uma governança ativa, permitindo que o crescimento amplie o alcance de iniciativas voltadas à promoção da equidade racial. Entre elas estão programas de formação acadêmica internacional, acesso ao ensino superior, desenvolvimento de lideranças femininas negras e ações emergenciais, como o apoio durante a pandemia da Covid-19. São iniciativas que contribuem para que pessoas negras ocupem espaços historicamente negados à sua presença e ao seu conhecimento.

Para Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá, os 15 anos da organização marcam também o início de um novo ciclo estratégico. Nesse momento, a construção de processos eficientes, a gestão participativa e a adoção de tecnologias alinhadas à segurança, transparência e impacto social, são pilares para garantir continuidade ao trabalho desenvolvido.

Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá

Crédito fotográfico: Thalita Novais

Mais do que administrar recursos, a área de Operações atua como suporte para todas as demais áreas organizacionais, apoiando estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e a sustentabilidade financeira.

“O Fundo Baobá é para sempre”, resume Hebe, ao falar sobre o compromisso de longo prazo da organização com a promoção da equidade racial no Brasil. Uma permanência construída coletivamente, com raízes firmadas no fortalecimento das iniciativas negras e na construção de futuros mais equitativos.

Em entrevista, Hebe fala mais sobre o ponto de vista da área de Operações sobre os 15 anos do Fundo Baobá.

Em janeiro, Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá, falou que os 15 anos do Fundo Baobá não eram apenas uma celebração, eram uma  preparação para um novo ciclo estratégico. Como a sua área, Gestão Operacional, define esse novo ciclo estratégico?
Uma etapa que apresenta novas demandas exige novos esforços. A área de Operações presta suporte às atividades das demais áreas. Somos uma das fontes para pensarmos estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e captação de recursos. Pensar nas novas tecnologias do mercado e como podemos adotá-las, sem prejuízo ou risco à equipe e ao nosso público, será a contribuição da área de Operações no desenho deste novo ciclo.

Na mesma matéria, você fala em uma gestão participativa para garantir a sustentabilidade do Fundo Baobá. No dia a dia do trabalho, como acontece essa gestão participativa? 

Todas as pessoas da equipe são responsáveis pela gestão dos recursos. O alinhamento dos nossos gestores é tarefa cotidiana entre as áreas. Quem desejamos alcançar? Qual a melhor forma de fazer isso? Qual a maneira mais eficiente de gerir o recurso disponível? Todas essas variáveis são analisadas em equipe, que comunga do princípio de oferecer excelência no atendimento, seja qual for a atividade. Isso agiliza os ajustes processuais e nos fortalece enquanto grupo.

Você fala também em “olhar para a perenidade do Fundo Baobá”. Como gestora financeira, é possível prever um Fundo Baobá atuante daqui a 20, 30 anos ou mais que isso? Quais as diretrizes econômicas para atingir essas marcas?  

O Fundo Baobá é para sempre. Para os que estão aqui agora e para os que virão depois. Em 20, 30 anos as demandas da população podem mudar, o que influenciará nas nossas estratégias de atuação, mas o sentido de nossa existência permanecerá. Sendo otimista, vislumbro um futuro com todas as organizações da sociedade civil brasileira comprometidas com a promoção da equidade racial, mesmo que em menores níveis de prioridade. As diretrizes já estabelecidas pelo nosso conselho deliberativo nos dão suporte para essa perenidade: transparência, planejamento e governança participativa.

Como o Fundo Baobá define os valores investidos em seus editais, programas e ações a partir da rentabilidade do Fundo Patrimonial? Como essa estratégia de uso dos rendimentos contribui para a sustentabilidade e o planejamento de longo prazo da organização? 

O valor é definido entre nosso Conselho e Equipe Executiva. A depender dos reflexos deste alinhamento, o valor pode ser maior que o previsto inicialmente. Isso aconteceu no edital Black Stem, quando decidimos ampliar o número de vagas ofertadas no edital. Isso impactou em todo orçamento do projeto, mas obtivemos sucesso na decisão.

Auxílio emergencial no período da pandemia da Covid-19, programas voltados para educação, para o desenvolvimento de lideranças e enfrentamento à violência racial. Para quem trabalha com gestão financeira, como você definiria seu sentimento ao ver o impacto dessas iniciativas nas vidas das pessoas apoiadas?

O sentimento é de que um objetivo ambicioso e desafiador está sendo cumprido. Ver nossos projetos impactando diferentes atuações na causa racial, promovendo mudanças econômicas em grupos populacionais sub-representados, qualificando um público que nunca acessou recursos da filantropia, tudo isso reverbera no nosso sentimento de importância na sociedade brasileira e no nosso dever de continuar trabalhando com excelência.

Quais resultados do Fundo Baobá chamam mais a atenção de quem não faz parte da organização? 

Autossuficiência, execução bem-sucedida do planejamento estratégico e meta de construção do Fundo Patrimonial alcançada com êxito. 

Quais foram as estruturas invisíveis mais importantes para que o fundo chegasse até aqui?

Equipe comprometida com a preservação dos ativos institucionais: nossa relação com donatários, gestão eficiente dos recursos e uma governança atuante. Também é muito importante possuir uma assessoria jurídica qualificada para lidar com as especificidades de uma organização do terceiro setor que possui um Fundo Patrimonial.

Existe alguma decisão operacional tomada anos atrás que hoje vocês entendem como fundamental para a longevidade do fundo? 

O acordo com a Kellogg Foundation previa que os aportes financeiros ao Fundo Patrimonial seriam realizados mediante apresentação de um relatório de auditoria externa, aprovado pelo nosso Conselho. Isso colaborou para o fortalecimento de nossa transparência. Aprimoramos nossas ferramentas de trabalho para alcançar, com a maior agilidade possível, informações sobre a nossa gestão. Isso colabora não apenas para o gerenciamento financeiro, mas também para atender tempestivamente qualquer due diligence (levantamento sobre um parceiro de negócio) que algum financiador nos faça. Estamos preparados para falar de nossa história através dos números registrados aqui.

 O que mudou na forma de operar da organização ao longo destes 15 anos? 

O aumento da equipe refletiu na possibilidade de ampliação de nossas atividades. Houve um período em que fomos apenas 3 pessoas. Hoje somos 20. Isso mudou nossa estrutura física, nos possibilitou melhoria das ferramentas e demanda um esforço conjunto para construir a ambientação de cada nova pessoa que integra a equipe, incluindo a governança. Um time de trabalho empenhado e que se sente livre e seguro para opinar, propor e fazer.

Fundo Baobá investe em mulheres negras como parte de uma estratégia ampla para equidade racial

Fundo Baobá investe no fortalecimento de mulheres negras no país

O investimento em mulheres negras, por meio de programas técnicos e de qualificação, é uma das estratégias adotadas pelo Fundo Baobá para enfrentar desigualdades e impulsionar transformações duradouras na sociedade brasileira.

Nestes 15 anos, o Fundo Baobá tem direcionado recursos para diferentes iniciativas, conectando lideranças, organizações e territórios. Nesse percurso, o apoio a mulheres negras se consolida como uma frente relevante, que mostra que o investimento feito é um mecanismo de impacto estrutural para o país.

Na prática, em um contexto de disparidades de gênero e raça, o Fundo Baobá investe no fortalecimento de lideranças e iniciativas que posicionam mulheres negras como executoras de estratégias sociais. A organização mapeia a liderança exercida por essas mulheres em diferentes contextos de desigualdade, utilizando editais para fortalecer sua atuação como agentes de mudança. 

O Programa Marielle Franco, por exemplo, oferece suporte para a ampliação da incidência política e a ocupação de espaços de tomada de decisão. A iniciativa foca no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade de gênero e raça, apoiando trajetórias individuais e coletivas em diversas regiões do Brasil.

Entre as ações recentes, o Fundo destinou R$1,25 milhão à Marcha das Mulheres Negras 2025, viabilizando a mobilização nos 26 estados e no Distrito Federal. O aporte concentrou-se em logística e articulação estadual, com atenção especial à participação de mulheres quilombolas, fortalecendo sua presença no debate sobre reparação e bem viver. 

O papel do Fundo Baobá consiste em conectar trajetórias e garantir que lideranças negras tenham acesso a oportunidades de continuidade, reduzindo os impactos da violência racial e de gênero. O investimento em mulheres negras faz parte de uma decisão estratégica de desenvolvimento do país. Quando mulheres negras têm condições de incidir em decisões, elas fortalecem redes, criam soluções e ampliam o acesso a direitos para todas as pessoas.

Fundo Baobá participa de articulação internacional por justiça racial em cúpula das Américas

O Fundo Baobá participou do encontro em Porto Rico que reuniu organizações e lideranças para fortalecer estratégias de equidade racial em escala regional.

O diretor executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, participou do painel “Investimento estratégico em iniciativas afrolatinas”, durante o Racial Equity Builders Dialogue (REBD), realizado em Porto Rico nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro. A conversa foi mediada por Arelis Diaz, da W. K. Kellogg Foundation, organização que incentivou a formação do Fundo Baobá em 2011.

O encontro reuniu lideranças, organizações filantrópicas e especialistas para discutir formas de ampliar o investimento em comunidades afro-latinas nos Estados Unidos e nas Américas. Durante sua participação, Giovanni Harvey destacou a importância de fortalecer investimentos que promovam autonomia e preservem a integridade cultural das iniciativas apoiadas nos territórios. Ele também abordou caminhos de acesso ao financiamento para organizações negras, a participação nas discussões do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e o impacto do apoio da Kellogg ao longo dos 15 anos do Fundo Baobá.

Com o lema “A Hora é Agora: Um Diálogo para Ação em Todas as Américas”, o encontro refletiu sobre a urgência do papel da filantropia no fortalecimento de democracias inclusivas, e na construção de respostas coletivas para enfrentar o racismo em escala global.

O REBD é um encontro internacional que reúne organizações, articuladores sociais, filantropos e especialistas em equidade racial para discutir estratégias, fortalecer redes e promover o intercâmbio de experiências sobre justiça racial e desenvolvimento comunitário. A edição deste ano teve como foco avançar da reflexão para a ação, buscando transformar propostas de equidade racial em ações coordenadas, baseadas em aprendizado compartilhado e na defesa coletiva de lideranças comunitárias, parceiros filantrópicos e especialistas internacionais.

Pela segunda vez, o Fundo Baobá participou do evento, sendo a única organização brasileira presente nesta edição. A participação ampliou a visibilidade do Brasil em um espaço estratégico de diálogo internacional sobre equidade racial. Durante o encontro, organizações presentes demonstraram interesse em conhecer a experiência brasileira na promoção da equidade racial. 

Entre os temas discutidos estavam: funcionamento das instituições democráticas brasileiras em contextos recentes, o acompanhamento internacional de casos emblemáticos de violência racial no Brasil, como a condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e de Anderson, além do papel da cultura brasileira como elemento de conexão e projeção internacional, e o reconhecimento do Brasil como ator relevante nas agendas globais de justiça racial.

Selecionado na primeira edição do Programa Já É, João Pedro carrega até hoje as lembranças das trocas adquiridas com outros participantes

João Pedro Araújo, 27 anos, foi um dos jovens selecionados na primeira edição do Programa Já É – uma iniciativa do Fundo Baobá que apoia jovens negros no acesso ao ensino superior no Brasil. Atualmente, ele cursa Ciências e Tecnologias na Universidade Federal do ABC (UFABC), com previsão de formatura em 2027.

Morador do bairro do Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, João Pedro enfrentou uma realidade de poucas oportunidades. Para ele, o Programa Já É foi essencial para transformar a trajetória marcada pela simplicidade e pelos desafios da vida periférica. Egresso da rede pública de ensino durante a maior parte de sua vida escolar, precisou conciliar trabalho e estudos, como tantas outras pessoas jovens negras periféricas do país.

Mesmo com tantas dificuldades, teve na mãe a maior fonte de inspiração — uma mulher batalhadora que, com um salário mínimo, sustentou a casa e alimentou os sonhos do filho. “Ela me ensinou que é possível sonhar alto e mudar a realidade, mesmo quando tudo parece difícil”, afirma.

Como funciona o Programa Já É: educação e equidade racial?

O Programa Já É: Educação e Equidade Racial oferece apoio financeiro, educacional e psicossocial a jovens negros, com o objetivo de promover o acesso ao ensino superior e ampliar oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. Em sua primeira edição, realizada em 2021, o programa selecionou 85 estudantes. Destes, 32 foram aprovados em vestibulares — 12 em universidades públicas e 20 em instituições privadas como bolsistas do ProUni (Programa Universidade para Todos).

Políticas afirmativas como caminho para a transformação social

Naquele mesmo ano, João se inscreveu em todos os projetos possíveis, em busca de alternativas, já que a pandemia dificultou o acesso a oportunidades de emprego. Foi então que, por indicação de uma amiga, conheceu o Já É. A motivação veio do desejo de ser o primeiro da família a cursar uma universidade pública — e, mais do que isso, de abrir caminhos para seus amigos e sua comunidade, mostrando que o acesso à educação de qualidade também é possível para quem não teve privilégios.

“Quando conheci o Já É, já achei a proposta interessante. Mas, ao participar, percebi que aquilo era só a ponta do iceberg. As trocas e aprendizados com os outros participantes foram transformadores e carrego comigo até hoje”, relembra João.

No início, ele confessa que duvidava de si mesmo. “É difícil acreditar que alguém está investindo em você quando se vem da periferia. Eu me perguntava se era realmente capaz. Mas, logo na primeira reunião com os outros selecionados, senti como se já nos conhecêssemos. Foi um acolhimento imediato.”

João destaca a importância de políticas afirmativas e programas como o Já É para ampliar o acesso de jovens negros ao ensino superior. “Mesmo com iniciativas como essa, ainda somos minoria nas universidades, e essa presença diminui ainda mais nas instituições públicas. Precisamos ocupar esses espaços para inspirar outros a acreditarem que também é possível.”

Para ele, estar na universidade vai muito além de uma conquista individual — representa um sonho coletivo. Em um país ainda marcado por desigualdades estruturais, a presença de pessoas jovens negras no ensino superior é símbolo de resistência, transformação e esperança.

Segunda edição do Programa Já É tem inscrições abertas

As inscrições para a segunda edição do Programa Já É estão abertas até o dia 06 de junho. Para mais informações, acesse: Programa Já É.

Professor Nelson Narciso reforça a Governança do Fundo Baobá: “Transformar realidades exige escuta, coragem e visão de futuro”

Profissional com reconhecimento internacional no setor de energia, ele vai integrar o Conselho Deliberativo da organização

O Baobá – Fundo para Equidade Racial conta agora com um importante reforço em seu Conselho Deliberativo: Nelson Narciso, engenheiro mecânico com trajetória de destaque nacional e internacional nos setores de combustíveis e biocombustíveis. Com mais de 40 anos de experiência no segmento de energia, Narciso construiu uma carreira sólida atuando em empresas de renome como HRT África, Halliburton e ABB. No Brasil, foi diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Da ANP ao Baobá: legado e visão estratégica de Nelson Narciso

Durante seu período na ANP, coordenou importantes programas, como os voltados à redução de queima de gás e à melhoria da medição fiscal da produção. “Na ANP, tive o privilégio de contribuir com políticas públicas que ainda hoje impactam o setor. Foi nesse ambiente que compreendi, com mais clareza, que transformar realidades exige escuta, coragem e visão de futuro. Esses aprendizados moldaram minha atuação: cada projeto é uma oportunidade de conectar conhecimento, propósito e impacto”, destaca Narciso.

Compromisso de longa data com a equidade e justiça racial

O desejo de colaborar com o Fundo Baobá já o acompanhava há algum tempo. Ao longo de sua trajetória, o professor tem se posicionado de forma firme contra práticas discriminatórias, especialmente no que diz respeito ao acesso à educação e ao mercado de trabalho. Na juventude, nos anos 1970, foi atleta amador de futebol pelo Vasco da Gama, clube carioca, mas escolheu os estudos diante da incerteza de uma carreira no esporte.

Formação de excelência e destaque internacional na educação

Formado em Engenharia Mecânica e com pós-graduação em Administração Industrial e Engenharia Econômica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nelson Narciso é frequentemente convidado para dar palestras em renomadas instituições de ensino, como a Universidade de Oxford, no Reino Unido, e as norte-americanas MIT, Columbia University e Brown University, onde também foi professor visitante.

A urgência da representatividade negra em cargos de liderança

Sua formação e trajetória contrastam com uma dura realidade do mercado de trabalho brasileiro: a baixa representatividade de pessoas negras em cargos de liderança. Um estudo do Instituto Ethos, de 2016, revelou que, entre as 500 maiores empresas do país, apenas 4,7% dos cargos executivos e 6,3% das posições gerenciais eram ocupados por pessoas negras. “Sermos exceções é um sinal claro de que algo está estruturalmente errado”, afirmou à Americas Quarterly em 2020. Sua entrada no Conselho do Baobá é, portanto, mais um passo na direção da mudança.

Rumo aos 15 anos do Fundo Baobá: reflexões e futuro

“Ser membro do Fundo Baobá me motiva por unir propósito pessoal e impacto social. Trata-se de contribuir com minha experiência estratégica para uma causa urgente e estruturante: o enfrentamento ao racismo e a promoção da equidade racial no Brasil. O prestígio institucional do Fundo, sua representatividade negra e a oportunidade de aprendizado tornam essa participação uma escolha transformadora”, afirma.

Como integrante do Conselho Deliberativo, seu papel será o de orientar a organização para que suas decisões e operações estejam alinhadas com sua missão institucional. Narciso acredita que poderá contribuir significativamente nesse processo. “Quero apoiar de forma ativa a consolidação institucional do Fundo, com escuta atenta, pensamento estratégico e compromisso com a missão de promover a equidade racial no Brasil.”

Sua chegada coincide com a preparação do Fundo Baobá para a celebração de seus 15 anos de atuação em 2026. Sobre esse marco, ele reflete: “Quinze anos do Fundo Baobá representam a força de um sonho coletivo que se tornou referência na luta por equidade racial no Brasil. Celebro a coragem, a inteligência e a ancestralidade que sustentam essa trajetória.”

Fundo Baobá cria novas áreas para dinamizar sua atuação

O Fundo Baobá reformula sua estrutura organizacional para melhorar eficiência e expandir impacto na equidade racial.

O Baobá – Fundo para Equidade Racial, avança em um processo contínuo de transformação, guiado pelas diretrizes do plano estratégico 2017-2027, que orienta nossa atuação ao longo deste período.

Essas decisões têm como objetivo aprimorar a atuação da organização em resposta às transformações estruturais e conjunturais da sociedade brasileira. Nesse sentido, o Fundo Baobá criou uma nova área e reformulou outras duas — Articulação Social, Mobilização de Recursos e Operações — fortalecendo nossa capacidade de alcançar os objetivos estabelecidos para a próxima década.

A criação dessas áreas gerou mudanças no organograma de funções: Caroline Almeida passa a atuar como Gerente de Articulação Social; Janaina Barbosa como Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos; e Hebe Silva assume a Gerência de Operações.

As novas funções foram recebidas com entusiasmo pelas três, que observam o processo de transformação do Fundo Baobá, alé da oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.

Em entrevista na Bahia, onde esteve para a comemoração dos 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos — organização negra secular que buscava na filantropia entre negros libertos proporcionar a compra da liberdade para os ainda escravizados –, o diretor executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, falou sobre a Articulação Social: “Queremos criar um programa que apoie instituições negras centenárias, assim como apoiamos a Sociedade Protetora dos Desvalidos. A área de Articulação Social será responsável por isso”, disse.

Caroline Almeida que passou de Assistente Executiva a Gerente de Articulação Social.

Caroline Almeida, graduada em Administração pela Universidade Federal da Bahia, fala da área que vai gerenciar: “A Articulação Social sintetiza, sob o ponto de vista político, os princípios, os valores e os compromissos oriundos do processo de construção que resultou no Fundo Baobá. Esta dimensão projeta os resultados alcançados pelos investimentos programáticos realizados a partir dos recursos mobilizados, e evidencia os requisitos da instituição para captar, gerir e investir capital e patrimônio filantrópico”, definiu. 

Janaina Barbosa, que além de cuidar da Coordenação de Comunicação, também está responsável pela Gerência de Mobilização de Recursos

O processo de crescimento institucional do Fundo Baobá ao longo desses 13 anos de existência foi determinante para que novas estratégias fossem pensadas, no sentido de tornar ainda mais ágil o dinamismo da organização. “Entendemos que é um momento estratégico de pôr em prática o que já sabemos. Construímos um conhecimento sólido sobre mobilização, coerente com a missão do Baobá. Por isso consideramos importante consolidar esse conhecimento internamente”, afirmou Janaina Barbosa, graduada em Comunicação Social e pós graduada em Gestão de Marketing, que vai gerir as áreas de Comunicação e Mobilização de Recursos.  

Hebe Silva, coordenadora de Administração e Finanças, assumiu a Gerência de Operações

A terceira nova área, a de Operações, será gerenciada por Hebe Silva, graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Mato Grosso. A área será responsável pela gestão financeira, administrativa e logística do Fundo Baobá. Sua origem tem fruto, também, no crescimento da organização. “A Coordenação de Administração e Finanças dividia parte de suas tarefas com a Diretoria Executiva, quando o Baobá ainda era menor e não necessitava dessa setorização. A instituição cresceu, o grau das responsabilidades aumentou e houve a demanda de se consolidar tudo em uma única área”, afirmou Hebe. 

Nesse novo tempo em que entra o Fundo Baobá, o objetivo é aprender, colocar em prática esse aprendizado e diversificar. Janaina define o momento: “A gente está num processo de aprendizado. De compreender o que faz sentido para o Baobá. Captamos recursos para apoiar iniciativas de diferentes territórios, cada um deles tem um contexto, desafios e questões diferentes, olha para a discussão da equidade racial de uma perspectiva específica. Então, é importante diversificar também as nossas estratégias. A ideia de trazer a área de Mobilização para a Comunicação é para manter um alinhamento, uma unidade da nossa narrativa, das nossas mensagens. Nossa intenção é desbravar e contar boas histórias”, disse.