Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

O Fundo Baobá marcou presença no Fórum Permanente sobre Afrodescendentes, em Genebra, representado pelo seu Diretor Executivo, Giovanni Harvey, e pela gerente de Articulação Social, Caroline Almeida. A participação no evento, realizado em abril, ocorre em um momento de intensa mobilização internacional. O encontro na Suíça dá sequência a uma série de movimentações estratégicas promovidas pela ONU, como a histórica resolução aprovada pela Assembleia Geral em março, que reconheceu o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade 

A reunião marcou ainda o 25º aniversário da Declaração e Programa de Ação de Durban. O documento, que permanece como o principal marco normativo das Nações Unidas no combate à discriminação, reconhece que a escravidão, o tráfico e o colonialismo produziram desigualdades estruturais profundas e duradouras. Ao relembrar essa data, o fórum reforça o chamado para que os Estados repudiem o racismo e adotem políticas ativas de igualdade e reparação.

O evento reuniu 80 países membros das Nações Unidas, além de diversos atores da sociedade civil envolvidos na promoção dos direitos humanos das pessoas de ascendência africana, assim como agências e órgãos especializados da ONU. Como principal destino da diáspora africana, os países da América Latina e Caribe tiveram forte atuação nos debates, com destaque para o Brasil e Colômbia. Gana, que junto com a União Africana apresentou a resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade, também participou ativamente.

Instituições nacionais de direitos humanos e organizações de igualdade racial, além do Fundo Baobá, também estiveram presentes, junto com outros representantes da sociedade civil. Para Caroline Almeida, gerente de Articulação do Fundo Baobá, um ponto de atenção é a necessidade de avançar nas discussões para a implementação de políticas de combate à discriminação, ao racismo e à promoção da equidade racial. 

“É bastante positivo e importante espaços como este, porém, ainda é evidente as lacunas que existem na implementação das ações”, assinala. O próprio balanço dos 25 anos de Durban comprova isso. Embora 180 dos 193 países que são membros plenos da ONU tenham aderido à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, apenas 42 adotaram ou reformaram políticas e medidas antidiscriminação, criando 35 organismos nacionais de igualdade racial.

Caroline também destaca o painel sobre juventudes, que reforçou a necessidade de inclusão dos jovens nos espaços de decisão. “Foi um momento de forte sintonia entre gerações. Os jovens cobraram mais escuta e participação e os mais velhos destacaram a importância de passar o bastão para as novas gerações”, comenta. As novas gerações também pediram mais atenção a temas como saúde mental e violência policial.

Fundo Baobá investe em mulheres negras como parte de uma estratégia ampla para equidade racial

Fundo Baobá investe no fortalecimento de mulheres negras no país

O investimento em mulheres negras, por meio de programas técnicos e de qualificação, é uma das estratégias adotadas pelo Fundo Baobá para enfrentar desigualdades e impulsionar transformações duradouras na sociedade brasileira.

Nestes 15 anos, o Fundo Baobá tem direcionado recursos para diferentes iniciativas, conectando lideranças, organizações e territórios. Nesse percurso, o apoio a mulheres negras se consolida como uma frente relevante, que mostra que o investimento feito é um mecanismo de impacto estrutural para o país.

Na prática, em um contexto de disparidades de gênero e raça, o Fundo Baobá investe no fortalecimento de lideranças e iniciativas que posicionam mulheres negras como executoras de estratégias sociais. A organização mapeia a liderança exercida por essas mulheres em diferentes contextos de desigualdade, utilizando editais para fortalecer sua atuação como agentes de mudança. 

O Programa Marielle Franco, por exemplo, oferece suporte para a ampliação da incidência política e a ocupação de espaços de tomada de decisão. A iniciativa foca no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade de gênero e raça, apoiando trajetórias individuais e coletivas em diversas regiões do Brasil.

Entre as ações recentes, o Fundo destinou R$1,25 milhão à Marcha das Mulheres Negras 2025, viabilizando a mobilização nos 26 estados e no Distrito Federal. O aporte concentrou-se em logística e articulação estadual, com atenção especial à participação de mulheres quilombolas, fortalecendo sua presença no debate sobre reparação e bem viver. 

O papel do Fundo Baobá consiste em conectar trajetórias e garantir que lideranças negras tenham acesso a oportunidades de continuidade, reduzindo os impactos da violência racial e de gênero. O investimento em mulheres negras faz parte de uma decisão estratégica de desenvolvimento do país. Quando mulheres negras têm condições de incidir em decisões, elas fortalecem redes, criam soluções e ampliam o acesso a direitos para todas as pessoas.

Fundo Baobá participa de articulação internacional por justiça racial em cúpula das Américas

O Fundo Baobá participou do encontro em Porto Rico que reuniu organizações e lideranças para fortalecer estratégias de equidade racial em escala regional.

O diretor executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, participou do painel “Investimento estratégico em iniciativas afrolatinas”, durante o Racial Equity Builders Dialogue (REBD), realizado em Porto Rico nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro. A conversa foi mediada por Arelis Diaz, da W. K. Kellogg Foundation, organização que incentivou a formação do Fundo Baobá em 2011.

O encontro reuniu lideranças, organizações filantrópicas e especialistas para discutir formas de ampliar o investimento em comunidades afro-latinas nos Estados Unidos e nas Américas. Durante sua participação, Giovanni Harvey destacou a importância de fortalecer investimentos que promovam autonomia e preservem a integridade cultural das iniciativas apoiadas nos territórios. Ele também abordou caminhos de acesso ao financiamento para organizações negras, a participação nas discussões do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e o impacto do apoio da Kellogg ao longo dos 15 anos do Fundo Baobá.

Com o lema “A Hora é Agora: Um Diálogo para Ação em Todas as Américas”, o encontro refletiu sobre a urgência do papel da filantropia no fortalecimento de democracias inclusivas, e na construção de respostas coletivas para enfrentar o racismo em escala global.

O REBD é um encontro internacional que reúne organizações, articuladores sociais, filantropos e especialistas em equidade racial para discutir estratégias, fortalecer redes e promover o intercâmbio de experiências sobre justiça racial e desenvolvimento comunitário. A edição deste ano teve como foco avançar da reflexão para a ação, buscando transformar propostas de equidade racial em ações coordenadas, baseadas em aprendizado compartilhado e na defesa coletiva de lideranças comunitárias, parceiros filantrópicos e especialistas internacionais.

Pela segunda vez, o Fundo Baobá participou do evento, sendo a única organização brasileira presente nesta edição. A participação ampliou a visibilidade do Brasil em um espaço estratégico de diálogo internacional sobre equidade racial. Durante o encontro, organizações presentes demonstraram interesse em conhecer a experiência brasileira na promoção da equidade racial. 

Entre os temas discutidos estavam: funcionamento das instituições democráticas brasileiras em contextos recentes, o acompanhamento internacional de casos emblemáticos de violência racial no Brasil, como a condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e de Anderson, além do papel da cultura brasileira como elemento de conexão e projeção internacional, e o reconhecimento do Brasil como ator relevante nas agendas globais de justiça racial.

Baobá – Fundo para Equidade Racial destaca a urgência da escuta ativa, descentralização e justiça racial no 13º Congresso do GIFE 

A participação do Baobá – Fundo para Equidade Racial no 13º Congresso GIFE (Grupo de Indústrias, Fundações e Empresas) foi marcada por contribuições potentes, alinhadas ao tema central do evento: “Desconcentrar poder, conhecimento e riquezas”. Em três dias de atividades e painéis, celebramos encontros e reencontros. O Baobá celebrou reencontros importantes e reafirmamos nosso compromisso com a filantropia centrada nas vozes dos territórios e na promoção da equidade racial como caminho para a transformação concreta da sociedade brasileira. O congresso foi realizado de 7 a 9 de maio, em Fortaleza, no Ceará, a primeira vez fora da cidade de São Paulo.

Descentralização como estratégia de impacto na filantropia brasileira

Na plenária de encerramento, o diretor-executivo do Fundo Baobá e conselheiro do GIFE, Giovanni Harvey, fez um chamado incisivo à mudança estrutural no setor: “A filantropia ainda é muito mais pautada nas necessidades de quem doa do que nas necessidades de quem recebe”, afirmou. Sua fala provocou uma reflexão coletiva sobre o legado que o Investimento Social Privado (ISP) pretende deixar para os próximos 30 anos, destacando a importância de metas reais e a construção de pontes sólidas entre a filantropia, o ISP e a sociedade civil.

O papel das organizações negras no fortalecimento do Investimento Social Privado

Tainá Medeiros, coordenadora de Projetos do Baobá, destacou dois temas estratégicos do congresso que reforçam as palavras de Giovanni: “A necessidade de ampliar o apoio da filantropia e do ISP no fortalecimento institucional das organizações da sociedade civil, tema para o qual o Fundo Baobá já vem dedicando especial atenção nas suas estratégias programáticas há alguns anos, e os persistentes desafios de acesso a recursos enfrentados por organizações negras. Essa convergência confirma o que nossa atuação já demonstra: a equidade racial deve ser central na agenda do presente e do futuro da filantropia e do ISP no Brasil”, disse.

Para Janaina Barbosa, gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Fundo, o congresso foi uma reafirmação do potencial da filantropia construída de forma colaborativa: “Esse encontro reforçou o poder da filantropia quando construída coletivamente. Ver diferentes atores – organizações, lideranças, especialistas e investidores – em diálogo é um lembrete de que a transformação exige mais do que recursos: precisa de escuta, confiança e compromisso com justiça social. O legado que fica para mim é a força da ação conjunta”, disse.

A regionalização do congresso também foi celebrada pela gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, Caroline Almeida, que destacou o impacto da escolha de Fortaleza como sede do evento: “O congresso abordou um tema relevante e desafiador, especialmente para reflexão no ecossistema de associados do GIFE. A realização no Nordeste foi uma decisão acertada e um passo importante rumo à descentralização. A escolha de Fortaleza ampliou a diversidade de vozes e experiências, promovendo a articulação de um público mais plural. Espero que o Investimento Social Privado seja positivamente influenciado pelas demandas reais que emergiram das mesas do congresso”, afirmou Caroline.

Protagonismo e reconhecimento de lideranças apoiadas pelo Baobá

Também da equipe do Baobá, a assistente executiva Juliana Vargem compartilhou a emoção de ver donatários do Baobá ocupando espaços de protagonismo no evento: “Participar do 13º Congresso GIFE, realizado na região Nordeste, foi uma experiência especial. Além de ampliar conexões com diversas organizações e fortalecer nossa rede de atuação, fiquei particularmente feliz e emocionada ao ver nossos donatários em posições de destaque ao longo do evento. Foi um reconhecimento importante do trabalho que realizamos juntos e um momento de grande orgulho para nossa instituição”, enfatizou.

Juliana Vargem se referiu a nomes como Dandara Rudsan, que fez parte do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco (2019/2023); Nina Dahora, da iniciativa UX para Minas Pretas; Luiz Claudio e Veronica Lopes, do IOB, apoiados pelo edital Educação em Tecnologia (2023); e Aline Braúna, uma das selecionadas no edital Primeira Infância (2020). As iniciativas são exemplo, na prática, do impacto da filantropia negra em fomentar lideranças e soluções inovadoras em seus territórios. Esses momentos reforçaram a importância da escuta ativa, do reconhecimento das potências locais e da centralidade do enfrentamento ao racismo nas agendas do Investimento Social Privado.

Marcha das Mulheres Negras: mobilização como ferramenta de justiça racial

Em comunhão com ações que estão no calendário do Fundo Baobá, o congresso discutiu também a Marcha das Mulheres Negras, que acontecerá no mês de novembro, em Brasília (DF). Naiara Leite, da Odara, Instituto da Mulher Negra, faz parte do Comitê Nacional da Marcha e fez um chamamento para que a sociedade civil e o Investimento Social Privado encarem a Marcha como uma ferramenta do processo de combate às injustiças. “Não tem democracia, não tem vida e não tem território nesse país a ser pensado se o debate do enfrentamento ao racismo não for central”, disse.

Reforma Tributária e captação de recursos para OSCs: o que vem pela frente

A gerente de Operações do Baobá, Hebe Silva, enxergou o congresso como um momento de enriquecimento profissional, por conta da forma como os temas foram abordados. “O evento abordou temas que nos fazem aprimorar profissionalmente e contribuem com a gestão e processos decisórios da filantropia, provocando reflexões e elevando a importância de atender demandas efetivas aos beneficiários dos recursos aportados. Destaco a roda de conversa com Nailton Cazumbá, sobre os impactos da Reforma Tributária nas OSCs e ISP, onde ele chamou atenção para a necessidade de rever as estratégias de captação de recursos com as mudanças que estão por vir.”

O 13º Congresso GIFE foi, portanto, um espaço essencial para reafirmar que a transformação social só será possível com a desconcentração real de recursos e com a inclusão das vozes historicamente silenciadas nos processos de tomada de decisão. O Baobá – Fundo para Equidade Racial segue comprometido com esse caminho.

Em 2024, Fundo Baobá fortaleceu caminhos que levam à Equidade Racial

Visita da Kellogg Foundation ao Fundo Baobá

2024 foi repleto de conquistas e reafirmação do compromisso do Fundo Baobá em promover a equidade racial e apoiar iniciativas transformadoras, a exemplo dos editais BlackSTEM e Carreiras em Movimento. 

Este ano, o Fundo Baobá deu passos importantes no fortalecimento de instituições históricas, na ampliação de oportunidades para a juventude negra e no diálogo com movimentos globais de equidade racial. Foi um ano de conquistas significativas, refletindo nosso compromisso com a transformação social. Confira os destaques:

Doação para a Marcha das Mulheres Negras

A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, ato político-social que pretende reunir um milhão de mulheres negras em Brasília (DF), em 25 de novembro de 2025, vai contar com o maior apoio financeiro da história do Baobá – Fundo para Equidade Racial. A organização doou R$1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil reais) para a mobilização, logística, articulação e engajamento de mulheres negras em todas as regiões do país, com atenção especial às mulheres quilombolas. 

O anúncio foi feito no dia 8 de dezembro durante o Encontro Regional de Mulheres Negras do Nordeste rumo à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que aconteceu em Recife (PE). 

Representando o Fundo Baobá, Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social, enfatizou o compromisso da organização com a mobilização nacional: “Este apoio é resultado do nosso compromisso com a luta das mulheres negras e com a construção de um futuro mais justo e digno para todas. Este é um esforço coletivo, com a confiança de que as mulheres negras terão voz ativa em cada etapa do processo até a grande Marcha em 2025.”

BlackSTEM: Formação Acadêmica Global e Liderança Negra

Em agosto, conhecemos os cinco primeiros estudantes selecionados pelo programa BlackSTEM, em parceria com a B3 Social. O edital oferece bolsas anuais de R$ 35 mil para a permanência de jovens negros e negras em áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) em universidades internacionais.

Alunos do Edital Black STEM
Alunos do Programa Black STEM 2024. Crédito: Thalita Guimarães

Camila Ribeiro Martins, que segue carreira em Pilotagem em Portugal, Diovana Stelman Negeski de Aguiar cursa Ciência da Computação na New York University (Campus China); Melissa Simplicio Silva também faz Ciência da Computação, mas na New York University em Nova York; Rilary Oliveira Torres é estudante de Medicina na Universidad Nacional de Rosario, na Argentina; e Eric Souza Costa Ribeiro, primeiro negro brasileiro a representar o país na Olimpíada Internacional de Ciência, entrou na Notre Dame University para cursar Engenharia Aeroespacial, exemplificam o potencial transformador do programa. 

De acordo com Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, “o BlackSTEM é mais que um programa educacional, é uma ponte para a ocupação de espaços de liderança pela juventude negra.”

Conferência da Diáspora Africana nas Américas

Salvador, na Bahia, foi palco da Conferência da Diáspora Africana, um marco para o movimento pan-africano. O evento reuniu lideranças globais para discutir temas como reparação histórica e o papel da África no cenário mundial. 

Giovanni Harvey representou o Fundo Baobá na elaboração da Carta de Recomendação à União Africana, defendendo que as reparações sejam o próximo passo no combate às desigualdades estruturais. A conferência na Bahia serviu como ponte para o 9º Congresso Pan-Africano, que ocorreu em Lomé, no Togo. 

Impactos do Programa “Carreiras em Movimento”

O programa Carreiras em Movimento trouxe resultados transformadores para os 317 apoiados entre os 688 que se inscreveram para concorrer ao edital — uma oportunidade de desenvolvimento de competências e habilidades entre pessoas negras em início de suas carreiras ou que estivessem buscando mobilidade dentro do setor privado.        

✅ 61% das pessoas sem emprego conseguiram trabalho
✅ 54% dos trabalhadores informais migraram para empregos formais
✅ 48% dos participantes relataram aumento de renda, atribuindo os resultados ao programa

Além disso, houve avanços em autoconhecimento, gestão de tempo, planejamento e liderança, fortalecendo trajetórias profissionais e pessoais.

Celebrando a Resistência: 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos 

Grupo de senhores negros celebrando a Resistência: 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos
Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD). Crédito: Hugo Martins

A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), a mais antiga associação negra em atividade do Brasil, comemorou 192 anos de luta e resiliência em setembro, em Salvador (BA). Fundada por homens negros libertos, a entidade continua sendo um pilar na busca por justiça social e igualdade. 

Com o apoio  histórico de R$ 500 mil do Fundo Baobá, viabilizado em 2023, a SPD reafirmou seu papel como símbolo de resistência. Giovanni Harvey destacou a importância de apoiar instituições centenárias, garantindo que suas ações e valores permaneçam vivos para as próximas gerações.

Reconhecimento: Selo de Direitos Humanos e Diversidade e Selo Igualdade Racial

O edital Educação em Tecnologia, inscrito pelo Fundo Baobá, foi reconhecido com o Selo de Direitos Humanos e Diversidade, outorgado pela Prefeitura de São Paulo em sua 7ª edição. Este reconhecimento destaca o compromisso do Fundo Baobá em estimular a produção de conhecimento, fortalecer o ambiente educacional e preparar a juventude negra para o futuro por meio da tecnologia.

A outra outorga foi dada ao próprio Fundo Baobá, que ganhou o Selo Igualdade Racial. Instituído em 2015 pela Lei Municipal 16.340 e Decreto 57.987, de 2017. Este selo é concedido a organizações que têm, pelo menos, 20% de profissionais negros distribuídos em diferentes níveis hierárquicos e funções, incluindo prestadores terceirizados. No Baobá, a equipe executiva é composta majoritariamente por pessoas negras em cargos de direção, gerência, coordenação e assistência.”.  

Participação no G20 Social

O Fundo Baobá foi convidado a integrar debates importantes no G20 Social, com destaque para a mesa “Rotas Negras e o Projeto Cais do Valongo”. O G20 Social foi um evento que correu em paralelo ao fórum de cooperação econômica que reuniu no Rio de Janeiro nações desenvolvidas e outras emergentes, além da União Europeia e da União Africana. Giovanni Harvey enfatizou como memória, justiça racial e economia caminham juntas, reforçando o protagonismo negro nas pautas globais.

Giovanni Harvey com Adriana Barbosa, do Preta HUB, na mesa “O papel das políticas públicas para o empoderamento econômico dos afrodescendentes na América Latina” do G20 Social

Visita da Kellogg Foundation

O Fundo Baobá tem uma forte e histórica ligação com a Kellogg Foundation, organização que contribuiu para a formação do Baobá construindo os primeiros diálogos com o movimento negro brasileiro e designando os primeiros aportes financeiros para que o Fundo fosse constituído. Isso teve início em 2006. Em 2024, o Baobá recebeu a visita de integrantes da Kellogg que estiveram no Brasil em 2018. Seis anos depois, eles receberam informações sobre as realizações do fundo nos seus 13 anos oficiais de existência. 

Visita da Kellogg Foundation

As informações foram centradas no trabalho de Articulação Social, Investimento Programático e Mobilização de Recursos. Além disso, foi enaltecido o aprendizado que o Baobá recebeu da Kellogg sobre gestão financeira e pensamento de longo prazo. Essas características levaram o Baobá a alcançar a autonomia financeira que hoje possibilita a criação de editais como o BlackSTEM e o Quilombolas em Defesa; ações como a Saúde Mental Quilombola e o investimento de contribuição para a realização da Marcha das Mulheres Negras, que acontecerá em novembro de 2025.

Fundo Baobá vai à  Europa para apresentar seu trabalho e conhecer organizações filantrópicas mundiais

O Baobá – Fundo para Equidade Racial cruzou o oceano no final do mês de outubro e foi até Amsterdã, a capital da Holanda. Lá, um importante evento, o International Fundraising Congress 2024 (IFC) reuniu mais de 1.200 profissionais de captação de recursos, além de lideranças de impacto social de mais de 70 países.

O Baobá foi ouvir sobre como as organizações sociais ao redor do mundo trabalham captando recursos para  as  transformações sociais necessárias. Também foi falar sobre como vem operando no Brasil com o trabalho em prol da equidade racial em um país fundado sobre as estruturas e as desigualdades originadas pela escravidão, que moldaram suas bases sociais, econômicas e políticas.

A Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Baobá, Janaina Barbosa, esteve em Amsterdã e nessa entrevista fala sobre o objetivo do Fundo no IFC, o que foi aprendido com a troca de conhecimento e o positivismo global frente à experiência brasileira.

Qual o objetivo do Fundo Baobá ao participar do International Fundraising Congress (IFC) 2024 na Holanda?


O principal objetivo do Fundo Baobá ao participar do IFC 2024 foi aproveitar a oportunidade de estar em um evento que reúne líderes globais da filantropia, especialmente aqueles engajados na mobilização de recursos para enfrentar desafios em comum como o racismo, a desigualdade social e as crises climáticas e ambientais.

Como um fundo patrimonial focado na equidade racial, participamos de discussões estratégicas sobre inovação em mobilização de recursos e também pudemos compartilhar experiências e aprendizados com profissionais de todo mundo. Além disso, estar no evento faz parte de nossa busca por conhecimento e compreensão de como esse território (Europa) compreende a discussão sobre equidade racial. Embora o Fundo Baobá já tenha parceiros internacionais – predominantemente dos Estados Unidos –, entendemos que o contexto europeu traz novas perspectivas. 

Ao centro da imagem temos a Janaína Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Fundo Baobá, participando da mesa Innovation Spotlight: Rising Changemakers (Destaques da Inovação: Novos Agentes de Transformação)

Na sua visão, o que foi mais proveitoso para o Baobá?

A oportunidade de compartilhar nossa trajetória, histórias, conhecimentos e métodos de inovação com outras organizações. Acreditamos que a troca de experiências e o diálogo são ferramentas poderosas para a disseminação de conhecimento e para a busca contínua de melhores práticas na filantropia. Além disso, nos permitiu fortalecer conexões com organizações que compartilham propósitos similares aos do Fundo Baobá. Esses encontros abriram portas para diálogos produtivos e possíveis colaborações futuras.

O Fundo Baobá, com sua grande experiência no campo da filantropia negra no Brasil, teve oportunidade de expor essa experiência na Holanda?

Sim, participamos da mesa Innovation Spotlight: Rising Changemakers (Destaques da Inovação: Novos Agentes de Transformação), cujo objetivo era destacar organizações que promovem mudanças significativas em seus territórios. A sessão abordou temas como ativismo ambiental, equidade racial, justiça global e desenvolvimento comunitário, conectando experiências de cada país. 

Durante a apresentação, destacamos o que norteia o trabalho do Fundo Baobá e como respondemos aos desafios do racismo sistêmico no Brasil por meio de estratégias filantrópicas inovadoras e sustentáveis. Também mostramos o impacto das nossas ações, como o apoio direto a comunidades quilombolas e organizações como a Sociedade Protetora dos Desvalidos, que carrega quase dois séculos de história na luta contra a desigualdade racial.

Além disso, enfatizamos a importância da liderança negra em todas as esferas do Fundo Baobá, desde a governança até a execução das nossas estratégias de mobilização de recursos. Essa apresentação foi uma oportunidade valiosa para mostrar nossa trajetória para um público global.

É possível exemplificar quais foram as reações à exposição e à troca de ideias promovida pelo Fundo Baobá? 

Durante nossa participação na mesa sobre inovação, recebemos reações muito positivas. Houve sinergias evidentes com o trabalho de outras organizações, que identificaram práticas semelhantes às que adotamos no Brasil, além de momentos de troca sobre metodologias distintas. Representantes de diversas entidades demonstraram interesse em compreender melhor o contexto brasileiro e as estratégias do Fundo Baobá para promover a equidade racial.

Havia outras organizações brasileiras presentes no evento ou o Fundo Baobá foi a única?

Havia poucas organizações brasileiras no evento. Imaginamos que a participação foi limitada devido ao custo elevado de um evento sediado na Europa, o que restringe a presença de instituições de países mais distantes. A maior parte dos participantes era da Europa, com algumas representações de países africanos. Ainda assim, a experiência foi enriquecedora. 

Qual foi a percepção das organizações internacionais sobre o trabalho do Fundo?

Participar de um espaço com organizações consolidadas e metodologias bem estruturadas foi extremamente valioso. Apesar do contexto da nossa atuação demandar abordagens específicas, identificamos desafios em comum e tivemos aprendizados significativos. Com certeza, essa imersão contribuirá com a nossa estratégia de mobilização de recursos.