Em 2024, Fundo Baobá fortaleceu caminhos que levam à Equidade Racial

Visita da Kellogg Foundation ao Fundo Baobá

2024 foi repleto de conquistas e reafirmação do compromisso do Fundo Baobá em promover a equidade racial e apoiar iniciativas transformadoras, a exemplo dos editais BlackSTEM e Carreiras em Movimento. 

Este ano, o Fundo Baobá deu passos importantes no fortalecimento de instituições históricas, na ampliação de oportunidades para a juventude negra e no diálogo com movimentos globais de equidade racial. Foi um ano de conquistas significativas, refletindo nosso compromisso com a transformação social. Confira os destaques:

Doação para a Marcha das Mulheres Negras

A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, ato político-social que pretende reunir um milhão de mulheres negras em Brasília (DF), em 25 de novembro de 2025, vai contar com o maior apoio financeiro da história do Baobá – Fundo para Equidade Racial. A organização doou R$1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil reais) para a mobilização, logística, articulação e engajamento de mulheres negras em todas as regiões do país, com atenção especial às mulheres quilombolas. 

O anúncio foi feito no dia 8 de dezembro durante o Encontro Regional de Mulheres Negras do Nordeste rumo à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que aconteceu em Recife (PE). 

Representando o Fundo Baobá, Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social, enfatizou o compromisso da organização com a mobilização nacional: “Este apoio é resultado do nosso compromisso com a luta das mulheres negras e com a construção de um futuro mais justo e digno para todas. Este é um esforço coletivo, com a confiança de que as mulheres negras terão voz ativa em cada etapa do processo até a grande Marcha em 2025.”

BlackSTEM: Formação Acadêmica Global e Liderança Negra

Em agosto, conhecemos os cinco primeiros estudantes selecionados pelo programa BlackSTEM, em parceria com a B3 Social. O edital oferece bolsas anuais de R$ 35 mil para a permanência de jovens negros e negras em áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) em universidades internacionais.

Alunos do Edital Black STEM
Alunos do Programa Black STEM 2024. Crédito: Thalita Guimarães

Camila Ribeiro Martins, que segue carreira em Pilotagem em Portugal, Diovana Stelman Negeski de Aguiar cursa Ciência da Computação na New York University (Campus China); Melissa Simplicio Silva também faz Ciência da Computação, mas na New York University em Nova York; Rilary Oliveira Torres é estudante de Medicina na Universidad Nacional de Rosario, na Argentina; e Eric Souza Costa Ribeiro, primeiro negro brasileiro a representar o país na Olimpíada Internacional de Ciência, entrou na Notre Dame University para cursar Engenharia Aeroespacial, exemplificam o potencial transformador do programa. 

De acordo com Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, “o BlackSTEM é mais que um programa educacional, é uma ponte para a ocupação de espaços de liderança pela juventude negra.”

Conferência da Diáspora Africana nas Américas

Salvador, na Bahia, foi palco da Conferência da Diáspora Africana, um marco para o movimento pan-africano. O evento reuniu lideranças globais para discutir temas como reparação histórica e o papel da África no cenário mundial. 

Giovanni Harvey representou o Fundo Baobá na elaboração da Carta de Recomendação à União Africana, defendendo que as reparações sejam o próximo passo no combate às desigualdades estruturais. A conferência na Bahia serviu como ponte para o 9º Congresso Pan-Africano, que ocorreu em Lomé, no Togo. 

Impactos do Programa “Carreiras em Movimento”

O programa Carreiras em Movimento trouxe resultados transformadores para os 317 apoiados entre os 688 que se inscreveram para concorrer ao edital — uma oportunidade de desenvolvimento de competências e habilidades entre pessoas negras em início de suas carreiras ou que estivessem buscando mobilidade dentro do setor privado.        

✅ 61% das pessoas sem emprego conseguiram trabalho
✅ 54% dos trabalhadores informais migraram para empregos formais
✅ 48% dos participantes relataram aumento de renda, atribuindo os resultados ao programa

Além disso, houve avanços em autoconhecimento, gestão de tempo, planejamento e liderança, fortalecendo trajetórias profissionais e pessoais.

Celebrando a Resistência: 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos 

Grupo de senhores negros celebrando a Resistência: 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos
Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD). Crédito: Hugo Martins

A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), a mais antiga associação negra em atividade do Brasil, comemorou 192 anos de luta e resiliência em setembro, em Salvador (BA). Fundada por homens negros libertos, a entidade continua sendo um pilar na busca por justiça social e igualdade. 

Com o apoio  histórico de R$ 500 mil do Fundo Baobá, viabilizado em 2023, a SPD reafirmou seu papel como símbolo de resistência. Giovanni Harvey destacou a importância de apoiar instituições centenárias, garantindo que suas ações e valores permaneçam vivos para as próximas gerações.

Reconhecimento: Selo de Direitos Humanos e Diversidade e Selo Igualdade Racial

O edital Educação em Tecnologia, inscrito pelo Fundo Baobá, foi reconhecido com o Selo de Direitos Humanos e Diversidade, outorgado pela Prefeitura de São Paulo em sua 7ª edição. Este reconhecimento destaca o compromisso do Fundo Baobá em estimular a produção de conhecimento, fortalecer o ambiente educacional e preparar a juventude negra para o futuro por meio da tecnologia.

A outra outorga foi dada ao próprio Fundo Baobá, que ganhou o Selo Igualdade Racial. Instituído em 2015 pela Lei Municipal 16.340 e Decreto 57.987, de 2017. Este selo é concedido a organizações que têm, pelo menos, 20% de profissionais negros distribuídos em diferentes níveis hierárquicos e funções, incluindo prestadores terceirizados. No Baobá, a equipe executiva é composta majoritariamente por pessoas negras em cargos de direção, gerência, coordenação e assistência.”.  

Participação no G20 Social

O Fundo Baobá foi convidado a integrar debates importantes no G20 Social, com destaque para a mesa “Rotas Negras e o Projeto Cais do Valongo”. O G20 Social foi um evento que correu em paralelo ao fórum de cooperação econômica que reuniu no Rio de Janeiro nações desenvolvidas e outras emergentes, além da União Europeia e da União Africana. Giovanni Harvey enfatizou como memória, justiça racial e economia caminham juntas, reforçando o protagonismo negro nas pautas globais.

Giovanni Harvey com Adriana Barbosa, do Preta HUB, na mesa “O papel das políticas públicas para o empoderamento econômico dos afrodescendentes na América Latina” do G20 Social

Visita da Kellogg Foundation

O Fundo Baobá tem uma forte e histórica ligação com a Kellogg Foundation, organização que contribuiu para a formação do Baobá construindo os primeiros diálogos com o movimento negro brasileiro e designando os primeiros aportes financeiros para que o Fundo fosse constituído. Isso teve início em 2006. Em 2024, o Baobá recebeu a visita de integrantes da Kellogg que estiveram no Brasil em 2018. Seis anos depois, eles receberam informações sobre as realizações do fundo nos seus 13 anos oficiais de existência. 

Visita da Kellogg Foundation

As informações foram centradas no trabalho de Articulação Social, Investimento Programático e Mobilização de Recursos. Além disso, foi enaltecido o aprendizado que o Baobá recebeu da Kellogg sobre gestão financeira e pensamento de longo prazo. Essas características levaram o Baobá a alcançar a autonomia financeira que hoje possibilita a criação de editais como o BlackSTEM e o Quilombolas em Defesa; ações como a Saúde Mental Quilombola e o investimento de contribuição para a realização da Marcha das Mulheres Negras, que acontecerá em novembro de 2025.

Como as doações impulsionam projetos de equidade racial no Brasil

Como as doações impulsionam projetos de equidade racial no Brasil

Garantir a sustentabilidade de ações que promovem a equidade racial é um desafio que exige planejamento financeiro sólido e estratégias de longo prazo. 

Nesse cenário, o Fundo Baobá, com mais de 13 anos de atuação, tem se destacado pelo uso do modelo de fundo patrimonial para apoiar iniciativas que contribuem para a educação, o desenvolvimento econômico, o bem viver e a memória da população negra em todo o Brasil.

Ao investir em iniciativas de enfrentamento ao racismo, o Fundo Baobá busca fortalecer ações que geram resultados concretos para a promoção da equidade racial. 

O que é um Fundo Patrimonial?

Os fundos patrimoniais, conhecidos como endowments, funcionam como uma reserva financeira que assegura a sustentabilidade de projetos e organizações ao longo do tempo. 

O princípio é simples: o valor inicial do fundo, chamado de capital principal, é mantido, e apenas os rendimentos desses investimentos são utilizados para financiar editais e iniciativas. Dessa forma, o fundo se torna uma fonte constante e previsível de recursos, sem consumir o valor original.

Este modelo cria uma fonte de recursos constante, permitindo que organizações mantenham suas ações ao longo do tempo, mesmo em cenários de instabilidade econômica. No caso do Fundo Baobá, por conta deste instrumento financeiro, é possível viabilizar ações que promovam a equidade racial de forma planejada e sustentável. 

Como é a atuação do Fundo Baobá?

O Fundo Baobá, junto de parcerias de impacto e também com recursos próprios, investe em iniciativas de diversas cidades do Brasil, abrangendo áreas como educação, preservação cultural e desenvolvimento econômico, sempre com o objetivo de fortalecer a população negra e promover a equidade racial.

Exemplos de iniciativas apoiadas incluem:

Movimento Nação Marabaixeira (Amapá)

Assista o vídeo e confira um pouco mais da iniciativa Marabaxeira

Iniciativa que atua na preservação e valorização da cultura do Marabaixo, uma expressão cultural tradicional do Amapá. Além disso, promove oficinas em escolas, conectando a história local com o cotidiano de jovens estudantes e capacitando lideranças comunitárias

Saiba mais sobre o Movimento!

Associação Retratores da Memória de Porteiras (Ceará)

Preservação da memória em Porteiras, no sertão do Ceará, recebe apoio do Fundo Baobá
Carliane Ventura conta histórias e positiva a autoestima preta. Crédito: Nívia Uchõa

Através de seu projeto Educar para Aquilombar, a Associação fortalece a participação de jovens quilombolas em políticas culturais, preservando a memória e desenvolvendo ações que impactam diretamente a comunidade.

Conheça a Associação REMOP!

Como você pode contribuir?

O fundo patrimonial do Fundo Baobá é construído a partir de contribuições que servem como base sólida para apoiar iniciativas voltadas à equidade racial no Brasil. 

Esse modelo de instrumento financeiro permite que os rendimentos gerados pelo fundo sejam utilizados para financiar projetos como o Movimento Nação Marabaixeira e a Associação Retratores da Memória de Porteiras. Ao contribuir, você ajuda a garantir que essas e outras iniciativas continuem transformando realidades e criando oportunidades para a população negra em todo o país.

Saiba mais informações no link: https://baoba.org.br/doacao/

Dia de Doar: generosidade ajuda na transformação social do Brasil

Doe para o Fundo Baobá

O Dia de Doar, celebrado em 3 de dezembro, é mais do que uma data no calendário: é um movimento global que promove a generosidade e fortalece a cultura da doação. No Brasil, o Dia de Doar mobiliza indivíduos, organizações e comunidades, celebrando o prazer de doar e incentivando práticas contínuas de solidariedade. O movimento é descentralizado, permitindo que qualquer pessoa ou grupo participe, personalize a campanha e crie iniciativas que estimulem doações e engajamento social.

Neste dia, destacamos o impacto de instituições como o Fundo Baobá, o maior fundo dedicado exclusivamente à promoção da equidade racial no Brasil. Desde sua criação, em 2011, o Fundo Baobá atua para mobilizar recursos e apoiar projetos que combatem desigualdades estruturais enfrentadas pela população negra, que representa 56,1% dos brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Alunos que receberam apoio do Fundo Baobá através do Edital Black Stem 2024, um programa de bolsas de graduação exclusivo para estudantes negros(as) que tenham sido aceitos em universidades estrangeiras e em 2024 para cursos de graduação das carreiras STEM – Ciências, Tecnologia, Engenharia, Matemática. O Programa é uma iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial, com apoio da B3 Social e parceria do BRASA.

Os desafios enfrentados pela população negra são grandes. Entre os jovens brasileiros que abandonaram a escola sem concluir o ensino básico, 71,7% são negros, com a necessidade de trabalhar como principal motivo. Na saúde, apenas 32% dos municípios implementam ações específicas para atender essa população, mesmo com políticas nacionais já estabelecidas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

A violência também é alarmante: 78% das vítimas de armas de fogo são negras, e mulheres negras representam 62% das vítimas de feminicídio. Esses dados, também colhidos da Pnad Contínua,  ressaltam a urgência de iniciativas que combatam o racismo e promovam a equidade racial.

Mulheres que participaram do Projeto Saúde Mental Quilombola que representa um passo crucial na promoção da saúde e bem-estar das comunidades quilombolas na Região do Baixo Tocantins. A parceria entre o Fundo Baobá e a Johnson & Johnson, em conjunto com a CONAQ, Malungu/Estado do Pará e ARQIB, demonstrou um compromisso com a comunidade quilombola, visando proporcionar recursos e apoio para que essas comunidades possam enfrentar os desafios com resiliência e dignidade.

O Fundo Baobá atua para reverter essas desigualdades, apoiando comunidades historicamente negligenciadas. Mais de 60% das contribuições vão para organizações que nunca haviam recebido doações antes, e uma parcela significativa apoia territórios como quilombos e o Nordeste brasileiro. Além disso, o Fundo opera de maneira sustentável: as doações ao fundo patrimonial (endowment) geram rendimentos reinvestidos em projetos sociais, criando um ciclo de impacto contínuo.

A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), primeira organização civil negra da América Latina, recebeu em 2022, uma doação direta, sem edital do Fundo Baobá. Um passo significativo para fortalecer o impacto de quem sempre esteve à frente na defesa dos direitos da população negra.

Doar é um ato poderoso que transcende o valor monetário. É sobre construir pontes, transformar vidas e reduzir desigualdades. No Dia de Doar, a sua contribuição pode apoiar iniciativas que combatem o racismo, fortalecem comunidades e promovem justiça social. Faça parte desse movimento! Doe, mobilize e inspire. Afinal, juntos podemos construir um país generoso, inclusivo e empático.

Se você tem interesse em doar para o Fundo Baobá e fazer parte dessa construção de curto a longo prazo, acesse esta página.

Fundo Baobá vai à  Europa para apresentar seu trabalho e conhecer organizações filantrópicas mundiais

O Baobá – Fundo para Equidade Racial cruzou o oceano no final do mês de outubro e foi até Amsterdã, a capital da Holanda. Lá, um importante evento, o International Fundraising Congress 2024 (IFC) reuniu mais de 1.200 profissionais de captação de recursos, além de lideranças de impacto social de mais de 70 países.

O Baobá foi ouvir sobre como as organizações sociais ao redor do mundo trabalham captando recursos para  as  transformações sociais necessárias. Também foi falar sobre como vem operando no Brasil com o trabalho em prol da equidade racial em um país fundado sobre as estruturas e as desigualdades originadas pela escravidão, que moldaram suas bases sociais, econômicas e políticas.

A Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Baobá, Janaina Barbosa, esteve em Amsterdã e nessa entrevista fala sobre o objetivo do Fundo no IFC, o que foi aprendido com a troca de conhecimento e o positivismo global frente à experiência brasileira.

Qual o objetivo do Fundo Baobá ao participar do International Fundraising Congress (IFC) 2024 na Holanda?


O principal objetivo do Fundo Baobá ao participar do IFC 2024 foi aproveitar a oportunidade de estar em um evento que reúne líderes globais da filantropia, especialmente aqueles engajados na mobilização de recursos para enfrentar desafios em comum como o racismo, a desigualdade social e as crises climáticas e ambientais.

Como um fundo patrimonial focado na equidade racial, participamos de discussões estratégicas sobre inovação em mobilização de recursos e também pudemos compartilhar experiências e aprendizados com profissionais de todo mundo. Além disso, estar no evento faz parte de nossa busca por conhecimento e compreensão de como esse território (Europa) compreende a discussão sobre equidade racial. Embora o Fundo Baobá já tenha parceiros internacionais – predominantemente dos Estados Unidos –, entendemos que o contexto europeu traz novas perspectivas. 

Ao centro da imagem temos a Janaína Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Fundo Baobá, participando da mesa Innovation Spotlight: Rising Changemakers (Destaques da Inovação: Novos Agentes de Transformação)

Na sua visão, o que foi mais proveitoso para o Baobá?

A oportunidade de compartilhar nossa trajetória, histórias, conhecimentos e métodos de inovação com outras organizações. Acreditamos que a troca de experiências e o diálogo são ferramentas poderosas para a disseminação de conhecimento e para a busca contínua de melhores práticas na filantropia. Além disso, nos permitiu fortalecer conexões com organizações que compartilham propósitos similares aos do Fundo Baobá. Esses encontros abriram portas para diálogos produtivos e possíveis colaborações futuras.

O Fundo Baobá, com sua grande experiência no campo da filantropia negra no Brasil, teve oportunidade de expor essa experiência na Holanda?

Sim, participamos da mesa Innovation Spotlight: Rising Changemakers (Destaques da Inovação: Novos Agentes de Transformação), cujo objetivo era destacar organizações que promovem mudanças significativas em seus territórios. A sessão abordou temas como ativismo ambiental, equidade racial, justiça global e desenvolvimento comunitário, conectando experiências de cada país. 

Durante a apresentação, destacamos o que norteia o trabalho do Fundo Baobá e como respondemos aos desafios do racismo sistêmico no Brasil por meio de estratégias filantrópicas inovadoras e sustentáveis. Também mostramos o impacto das nossas ações, como o apoio direto a comunidades quilombolas e organizações como a Sociedade Protetora dos Desvalidos, que carrega quase dois séculos de história na luta contra a desigualdade racial.

Além disso, enfatizamos a importância da liderança negra em todas as esferas do Fundo Baobá, desde a governança até a execução das nossas estratégias de mobilização de recursos. Essa apresentação foi uma oportunidade valiosa para mostrar nossa trajetória para um público global.

É possível exemplificar quais foram as reações à exposição e à troca de ideias promovida pelo Fundo Baobá? 

Durante nossa participação na mesa sobre inovação, recebemos reações muito positivas. Houve sinergias evidentes com o trabalho de outras organizações, que identificaram práticas semelhantes às que adotamos no Brasil, além de momentos de troca sobre metodologias distintas. Representantes de diversas entidades demonstraram interesse em compreender melhor o contexto brasileiro e as estratégias do Fundo Baobá para promover a equidade racial.

Havia outras organizações brasileiras presentes no evento ou o Fundo Baobá foi a única?

Havia poucas organizações brasileiras no evento. Imaginamos que a participação foi limitada devido ao custo elevado de um evento sediado na Europa, o que restringe a presença de instituições de países mais distantes. A maior parte dos participantes era da Europa, com algumas representações de países africanos. Ainda assim, a experiência foi enriquecedora. 

Qual foi a percepção das organizações internacionais sobre o trabalho do Fundo?

Participar de um espaço com organizações consolidadas e metodologias bem estruturadas foi extremamente valioso. Apesar do contexto da nossa atuação demandar abordagens específicas, identificamos desafios em comum e tivemos aprendizados significativos. Com certeza, essa imersão contribuirá com a nossa estratégia de mobilização de recursos.

Fundo Baobá completa 13 anos espalhando as sementes do seu trabalho

Fundo Baobá completa 13 anos espalhando as sementes do seu trabalho

Neste mês de outubro, o Fundo Baobá para Equidade Racial completou 13 anos, consolidando-se como uma referência na promoção da equidade racial no Brasil, fazendo diferença na vida da população negra.

Como uma semente que rompe a terra e brota com uma força gigantesca, o fundo conseguiu durante estes anos captar recursos da filantropia e destiná-los a organizações, grupos, coletivos e pessoas negras, por meio de editais.

Outra conquista foi promover com os financiadores a importância de fortalecer a filantropia negra. 

O nome Fundo Baobá foi idealizado por Magno Cruz, membro do comitê programático e liderança do Centro de Cultura Negra de São Luís do Maranhão, falecido em 2010. Visionário e artista, Magno compôs uma música e um poema que faziam uma analogia entre o fundo patrimonial e a árvore Baobá, símbolo de força e resiliência. Para ele, a organização deveria ser tão robusta, duradoura e impactante quanto o Baobá, com potencial para ocupar novos espaços e apoiar o movimento negro em uma escala sem precedentes, inspirando-se na longevidade e resistência da árvore que carrega o nome da instituição.

Resistência, aliás, que nunca faltou ao Fundo Baobá. Através dos recursos captados, o Baobá tem apoiado pessoas e organizações a romper barreiras em direção à justiça social e à equidade para a população negra deste país.

Nestes 13 anos, a organização conseguiu se adaptar às mudanças da sociedade e antever necessidades para melhorar a atuação junto aos beneficiários dos editais. Um bom exemplo foi a rápida ação na pandemia de COVID-19.

Logo depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado a pandemia, em março de 2020, o Fundo Baobá lançou o edital Doações Emergenciais, em parceria com a Ford Foundation. 

Com dotação de R$ 870 mil, o edital foi direcionado às comunidades vulneráveis, mulheres, população negra, idosos, povos originários e comunidades tradicionais – ou seja, os mais impactados pela COVID-19. Ao todo, foram atendidas 215 pessoas e 135 organizações por esse edital.

Fazendo a diferença

Empreendedores negros e negras também não ficaram sem suporte. Fortemente impactatos pela pandemia, eles tiveram a chance de participar do edital Programa de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores Negros e Negras, lançado em novembro de 2020, com apoio do Instituto Coca-Cola Brasil, Instituto Votorantim e Banco BV. 

Nesse caso, a dotação para o edital foi de R$1,6 milhão e alcançou 700 inscrições. Foram apoiadas 47 iniciativas, cada uma com 3 empreendimentos. Além do suporte financeiro, esses empreendedores tiveram acesso a uma mentoria para atualizar processos e conhecimentos de gestão a fim de tornarem seus negócios mais resilientes e competitivos.

Um ano depois, já em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia, o Fundo Baobá lançou, junto com o Google.org, braço financeiro do Google, o edital Vidas Negras: Dignidade e Justiça. O objetivo foi dar impulso ao ativismo contra o racismo e as injustiças sociais e criminais.

O Google fez o aporte de  R$1,2 milhão para a escolha de 12 organizações (cada uma recebeu R$100 mil ao longo de um ano) que tivessem projetos para combater a violência e as injustiças criminais no sistema jurídico brasileiro. 

Perspectivas para o futuro

Até agora, o Fundo Baobá lançou 22 editais e apoiou 1.208 iniciativas que tiveram impacto direto em quase 3 mil pessoas. Neste ano de 2024, foi lançado um edital diferenciado, o Black STEM, que selecionou 5 alunos para receberem bolsas complementares para estudar no exterior, abrindo assim as portas de centros de ensino de outros países para estudantes negros brasileiros.

Além dos editais, foram realizados dois apoios estratégicos: o Projeto Saúde Mental Quilombola, e a Doação ao Fortalecimento Institucional da Associação Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD).

O objetivo para os próximos anos é expandir cada vez mais o diálogo com a sociedade, promovendo iniciativas que estimulem a igualdade de direitos e oportunidades, tornando a atuação do Fundo Baobá cada vez mais diferenciada e estratégica para a população negra do Brasil.

Para isso, o Fundo Baobá precisa alcançar mais organizações e pessoas, financiar mais pautas e mais discussões sobre o enfrentamento ao racismo. É com esse espírito que o Baobá, fundo patrimonial brasileiro, mobiliza recursos para apoiar ações de promoção da equidade racial no Brasil desde 2011, quando foi criado.

Da árvore ao fundo patrimonial

Baobá é uma árvore africana, considerada sagrada para os adeptos do candomblé. Um fruto  dessa árvore, plantada na casa do abolicionista Joaquim Nabuco, em Recife, chegou às mãos de Giovanni Harvey, Diretor Executivo do fundo, em uma de suas visitas à capital de Pernambuco e também à casa de Nabuco. 

De volta a São Paulo, ele levou o fruto para a sede do Baobá e, junto a equipe, plantou suas sementes. Esse ato foi um momento muito especial nessa comemoração dos 13 anos, pois essa árvore simboliza o trabalho de resistência e resiliência do Fundo Baobá.

Fundo Baobá cria novas áreas para dinamizar sua atuação

O Fundo Baobá reformula sua estrutura organizacional para melhorar eficiência e expandir impacto na equidade racial.

O Baobá – Fundo para Equidade Racial, avança em um processo contínuo de transformação, guiado pelas diretrizes do plano estratégico 2017-2027, que orienta nossa atuação ao longo deste período.

Essas decisões têm como objetivo aprimorar a atuação da organização em resposta às transformações estruturais e conjunturais da sociedade brasileira. Nesse sentido, o Fundo Baobá criou uma nova área e reformulou outras duas — Articulação Social, Mobilização de Recursos e Operações — fortalecendo nossa capacidade de alcançar os objetivos estabelecidos para a próxima década.

A criação dessas áreas gerou mudanças no organograma de funções: Caroline Almeida passa a atuar como Gerente de Articulação Social; Janaina Barbosa como Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos; e Hebe Silva assume a Gerência de Operações.

As novas funções foram recebidas com entusiasmo pelas três, que observam o processo de transformação do Fundo Baobá, alé da oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.

Em entrevista na Bahia, onde esteve para a comemoração dos 192 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos — organização negra secular que buscava na filantropia entre negros libertos proporcionar a compra da liberdade para os ainda escravizados –, o diretor executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, falou sobre a Articulação Social: “Queremos criar um programa que apoie instituições negras centenárias, assim como apoiamos a Sociedade Protetora dos Desvalidos. A área de Articulação Social será responsável por isso”, disse.

Caroline Almeida que passou de Assistente Executiva a Gerente de Articulação Social.

Caroline Almeida, graduada em Administração pela Universidade Federal da Bahia, fala da área que vai gerenciar: “A Articulação Social sintetiza, sob o ponto de vista político, os princípios, os valores e os compromissos oriundos do processo de construção que resultou no Fundo Baobá. Esta dimensão projeta os resultados alcançados pelos investimentos programáticos realizados a partir dos recursos mobilizados, e evidencia os requisitos da instituição para captar, gerir e investir capital e patrimônio filantrópico”, definiu. 

Janaina Barbosa, que além de cuidar da Coordenação de Comunicação, também está responsável pela Gerência de Mobilização de Recursos

O processo de crescimento institucional do Fundo Baobá ao longo desses 13 anos de existência foi determinante para que novas estratégias fossem pensadas, no sentido de tornar ainda mais ágil o dinamismo da organização. “Entendemos que é um momento estratégico de pôr em prática o que já sabemos. Construímos um conhecimento sólido sobre mobilização, coerente com a missão do Baobá. Por isso consideramos importante consolidar esse conhecimento internamente”, afirmou Janaina Barbosa, graduada em Comunicação Social e pós graduada em Gestão de Marketing, que vai gerir as áreas de Comunicação e Mobilização de Recursos.  

Hebe Silva, coordenadora de Administração e Finanças, assumiu a Gerência de Operações

A terceira nova área, a de Operações, será gerenciada por Hebe Silva, graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Mato Grosso. A área será responsável pela gestão financeira, administrativa e logística do Fundo Baobá. Sua origem tem fruto, também, no crescimento da organização. “A Coordenação de Administração e Finanças dividia parte de suas tarefas com a Diretoria Executiva, quando o Baobá ainda era menor e não necessitava dessa setorização. A instituição cresceu, o grau das responsabilidades aumentou e houve a demanda de se consolidar tudo em uma única área”, afirmou Hebe. 

Nesse novo tempo em que entra o Fundo Baobá, o objetivo é aprender, colocar em prática esse aprendizado e diversificar. Janaina define o momento: “A gente está num processo de aprendizado. De compreender o que faz sentido para o Baobá. Captamos recursos para apoiar iniciativas de diferentes territórios, cada um deles tem um contexto, desafios e questões diferentes, olha para a discussão da equidade racial de uma perspectiva específica. Então, é importante diversificar também as nossas estratégias. A ideia de trazer a área de Mobilização para a Comunicação é para manter um alinhamento, uma unidade da nossa narrativa, das nossas mensagens. Nossa intenção é desbravar e contar boas histórias”, disse.