Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

O Fundo Baobá marcou presença no Fórum Permanente sobre Afrodescendentes, em Genebra, representado pelo seu Diretor Executivo, Giovanni Harvey, e pela gerente de Articulação Social, Caroline Almeida. A participação no evento, realizado em abril, ocorre em um momento de intensa mobilização internacional. O encontro na Suíça dá sequência a uma série de movimentações estratégicas promovidas pela ONU, como a histórica resolução aprovada pela Assembleia Geral em março, que reconheceu o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade 

A reunião marcou ainda o 25º aniversário da Declaração e Programa de Ação de Durban. O documento, que permanece como o principal marco normativo das Nações Unidas no combate à discriminação, reconhece que a escravidão, o tráfico e o colonialismo produziram desigualdades estruturais profundas e duradouras. Ao relembrar essa data, o fórum reforça o chamado para que os Estados repudiem o racismo e adotem políticas ativas de igualdade e reparação.

O evento reuniu 80 países membros das Nações Unidas, além de diversos atores da sociedade civil envolvidos na promoção dos direitos humanos das pessoas de ascendência africana, assim como agências e órgãos especializados da ONU. Como principal destino da diáspora africana, os países da América Latina e Caribe tiveram forte atuação nos debates, com destaque para o Brasil e Colômbia. Gana, que junto com a União Africana apresentou a resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade, também participou ativamente.

Instituições nacionais de direitos humanos e organizações de igualdade racial, além do Fundo Baobá, também estiveram presentes, junto com outros representantes da sociedade civil. Para Caroline Almeida, gerente de Articulação do Fundo Baobá, um ponto de atenção é a necessidade de avançar nas discussões para a implementação de políticas de combate à discriminação, ao racismo e à promoção da equidade racial. 

“É bastante positivo e importante espaços como este, porém, ainda é evidente as lacunas que existem na implementação das ações”, assinala. O próprio balanço dos 25 anos de Durban comprova isso. Embora 180 dos 193 países que são membros plenos da ONU tenham aderido à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, apenas 42 adotaram ou reformaram políticas e medidas antidiscriminação, criando 35 organismos nacionais de igualdade racial.

Caroline também destaca o painel sobre juventudes, que reforçou a necessidade de inclusão dos jovens nos espaços de decisão. “Foi um momento de forte sintonia entre gerações. Os jovens cobraram mais escuta e participação e os mais velhos destacaram a importância de passar o bastão para as novas gerações”, comenta. As novas gerações também pediram mais atenção a temas como saúde mental e violência policial.

Professor Nelson Narciso reforça a Governança do Fundo Baobá: “Transformar realidades exige escuta, coragem e visão de futuro”

Profissional com reconhecimento internacional no setor de energia, ele vai integrar o Conselho Deliberativo da organização

O Baobá – Fundo para Equidade Racial conta agora com um importante reforço em seu Conselho Deliberativo: Nelson Narciso, engenheiro mecânico com trajetória de destaque nacional e internacional nos setores de combustíveis e biocombustíveis. Com mais de 40 anos de experiência no segmento de energia, Narciso construiu uma carreira sólida atuando em empresas de renome como HRT África, Halliburton e ABB. No Brasil, foi diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Da ANP ao Baobá: legado e visão estratégica de Nelson Narciso

Durante seu período na ANP, coordenou importantes programas, como os voltados à redução de queima de gás e à melhoria da medição fiscal da produção. “Na ANP, tive o privilégio de contribuir com políticas públicas que ainda hoje impactam o setor. Foi nesse ambiente que compreendi, com mais clareza, que transformar realidades exige escuta, coragem e visão de futuro. Esses aprendizados moldaram minha atuação: cada projeto é uma oportunidade de conectar conhecimento, propósito e impacto”, destaca Narciso.

Compromisso de longa data com a equidade e justiça racial

O desejo de colaborar com o Fundo Baobá já o acompanhava há algum tempo. Ao longo de sua trajetória, o professor tem se posicionado de forma firme contra práticas discriminatórias, especialmente no que diz respeito ao acesso à educação e ao mercado de trabalho. Na juventude, nos anos 1970, foi atleta amador de futebol pelo Vasco da Gama, clube carioca, mas escolheu os estudos diante da incerteza de uma carreira no esporte.

Formação de excelência e destaque internacional na educação

Formado em Engenharia Mecânica e com pós-graduação em Administração Industrial e Engenharia Econômica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nelson Narciso é frequentemente convidado para dar palestras em renomadas instituições de ensino, como a Universidade de Oxford, no Reino Unido, e as norte-americanas MIT, Columbia University e Brown University, onde também foi professor visitante.

A urgência da representatividade negra em cargos de liderança

Sua formação e trajetória contrastam com uma dura realidade do mercado de trabalho brasileiro: a baixa representatividade de pessoas negras em cargos de liderança. Um estudo do Instituto Ethos, de 2016, revelou que, entre as 500 maiores empresas do país, apenas 4,7% dos cargos executivos e 6,3% das posições gerenciais eram ocupados por pessoas negras. “Sermos exceções é um sinal claro de que algo está estruturalmente errado”, afirmou à Americas Quarterly em 2020. Sua entrada no Conselho do Baobá é, portanto, mais um passo na direção da mudança.

Rumo aos 15 anos do Fundo Baobá: reflexões e futuro

“Ser membro do Fundo Baobá me motiva por unir propósito pessoal e impacto social. Trata-se de contribuir com minha experiência estratégica para uma causa urgente e estruturante: o enfrentamento ao racismo e a promoção da equidade racial no Brasil. O prestígio institucional do Fundo, sua representatividade negra e a oportunidade de aprendizado tornam essa participação uma escolha transformadora”, afirma.

Como integrante do Conselho Deliberativo, seu papel será o de orientar a organização para que suas decisões e operações estejam alinhadas com sua missão institucional. Narciso acredita que poderá contribuir significativamente nesse processo. “Quero apoiar de forma ativa a consolidação institucional do Fundo, com escuta atenta, pensamento estratégico e compromisso com a missão de promover a equidade racial no Brasil.”

Sua chegada coincide com a preparação do Fundo Baobá para a celebração de seus 15 anos de atuação em 2026. Sobre esse marco, ele reflete: “Quinze anos do Fundo Baobá representam a força de um sonho coletivo que se tornou referência na luta por equidade racial no Brasil. Celebro a coragem, a inteligência e a ancestralidade que sustentam essa trajetória.”