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Encontro em São Paulo marca início da 2ª edição do Programa Já É

Encontro em São Paulo marca início da 2ª edição do Programa Já É

Baobá - Fundo para Equidade Racial

24 de setembro de 2025

O Baobá – Fundo para Equidade Racial reuniu em São Paulo, na sede do Instituto Unibanco, os 30 estudantes selecionados para a 2ª edição do Programa Já É. Os jovens negros e negras, com idade entre 20 e 25 anos, receberão bolsas de estudo mensais no valor de R$ 700, durante 17 meses, para apoiar sua preparação em cursinhos pré-vestibular e ampliar as chances de ingresso em universidades públicas ou privadas.

Além do apoio financeiro, os estudantes contarão com mentoria coletiva e individual, acompanhamento psicológico e atividades formativas. O objetivo é reduzir as barreiras ao acesso e à permanência na universidade, levando em conta as diferentes realidades e trajetórias de cada participante. A seleção levou em conta a diversidade de perfis, como residentes de áreas rurais, comunidades quilombolas, pessoas com filhos e pessoas com deficiência. O encontro teve como objetivo discutir a trajetória que irão percorrer rumo ao ensino superior.

Primeira turma do Programa Já É

Esta segunda edição do Já É ampliou o alcance do Programa, apoiando estudantes de 13 estados brasileiros, entre eles Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Sul. A primeira turma do Já É, formada por jovens de São Paulo e região metropolitana, já havia mostrado a força desse apoio: 32 foram aprovados em vestibulares, sendo 10 em universidades públicas, entre elas USP (Universidade de São Paulo), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O professor Ricardo Henriques, Superintendente Executivo do Instituto Unibanco, abriu o encontro de boas-vindas. “Nosso país naturaliza a desigualdade racial de forma absurda. Acessar o ensino superior no Brasil, para jovens negros, tem sido difícil. Mas vocês estão aqui para ir contra isso. Temos que ter negros e negras no ensino superior e influenciando de forma positiva nossa sociedade”, afirmou.  

Professor Ricardo Henriques, Superintendente Executivo do Instituto Unibanco

Embora a presença de pretos e pardos com ensino superior tenha quintuplicado em 22 anos, passando de 2,1% para 11,7%, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice ainda é menos da metade do registrado entre brancos (25,8%). Na primeira edição do Já É, realizada em 2021 durante a pandemia da Covid19, 32 participantes foram aprovados em vestibulares. 

O Diretor Executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, enalteceu a importância da formação educacional para entender nossa sociedade. “A universidade não é um fim em si mesma. Temos tarefas cada vez mais complexas para enfrentar e precisamos de pessoas com massa crítica para entender coisas que nunca vimos acontecer no nosso país”, disse.

Giovanni Harvey, Martha Rosa e Fernanda Lopes

Os estudantes compartilharam suas expectativas, como ter acesso a recursos, apoio emocional, superar a defasagem do ensino médio, aprimorar habilidades e, principalmente, inspirar outros jovens. Muitos deles vivem e enfrentam desafios comuns – falta de recursos financeiros, baixa qualidade da educação básica e a necessidade de trabalhar para ajudar suas famílias, fatores que dificultam a continuidade dos estudos. 

A Diretora de Programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, refletiu sobre os desafios que os estudantes enfrentarão e o papel do programa em apoiá-los:: “Nos meses que vocês estiverem conosco, cada vitória de vocês será também nossa. Sabemos que ingressar na faculdade e permanecer nela é difícil, mas estamos aqui justamente para modificar esse quadro”, afirmou. 

A professora Martha Rosa lembrou que o aumento da presença de pessoas negras nas universidades é fruto de uma longa trajetória de luta. “Cabe a nós, mais velhos, contar e recontar a nossa perspectiva. Porque não foi fácil. No início do século, éramos 2% do público universitário e havia um distanciamento muito grande entre a gente e o mundo universitário. Hoje, porém, somos 12%. Então, precisamos ter na educação uma perspectiva interetnica”, disse.

Ana Carolina Silva, 21 anos, estudante selecionada no estado do Amapá.

Ana Carolina Silva, 21 anos, estudante selecionada no estado do Amapá, está muito feliz com a oportunidade, pois pretende cursar Direito e se tornar juíza.. “Desde pequena, por ter conhecido uma senhora que era juíza, eu só penso nisso. Nunca pensei em algo diferente e quero entrar na Universidade Federal do Amapá (Unifap) ou no Mackenzie, aqui em São Paulo. 

Lara Maria de Sousa, 24 anos, veio de Salvador (BA)  para o encontro do Já É. Está extremamente motivada, pois quer ter uma formação superior para proporcionar uma boa realidade de vida para a filha, Radassa, de 1 ano e 5 meses. Lara é mãe solo. “Quero fazer Jornalismo. Sou curiosa, gosto de aprender sobre outras culturas e sobre várias coisas. Desde criança meu objetivo é o Jornalismo. Agora, tenho essa meta também por minha filha. Eu quero dar um futuro para ela, eu quero mostrar que nós, mulheres pretas, também conseguimos. Mesmo sendo uma mãe solo a gente pode conseguir. Nunca é tarde para ir atrás dos nossos sonhos”, afirmou.

Lara Maria de Sousa, 24 anos, de Salvador (BA)

A fala da estudante da primeira turma do Já É, Thauany Christina Aniceto, foi inspiradora para o mineiro Rhyan Santos, da nova turma. Thauany, também mãe solo, está cursando Enfermagem e compartilhou a rotina intensa, que enfrenta diariamente: ela vive em Interlagos, extremo sul de São Paulo, e trabalha na Casa Verde, na zona norte. Acorda às 3h30 para começar às 6h, e depois do expediente dedica-se aos estudos, decidindo ao final se se alimenta ou descansa. 

Rhyan Santos. bolsista de Minas Gerais

“Estar aqui com todo esse pessoal já é um prêmio. O depoimento da Thauany dá mais vontade na gente. Ela é mãe solo, lutou e conseguiu. Nós vamos conseguir também.”, afirmou Rhyan Santos. 

O encontro foi um momento de fortalecimento de uma luta coletiva por equidade, reconhecimento e valorização da juventude negra. Como afirmou Giovanni Harvey, “mais do que corrigir desigualdades, queremos criar condições para que novas histórias de sucesso sejam escritas.”

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