Milhares de mulheres negras (cerca de 300 mil, segundo estimativas) das 27 capitais brasileiras, junto com representantes de mais de 40 países, se reuniram no dia 25 de novembro, em Brasília. Dez anos depois da primeira marcha reivindicando direitos básicos e enfrentando o racismo e o sexismo sofrido por elas, elas caminharam pela capital federal mostrando para a sociedade brasileira que não há democracia sem a participação efetiva de mulheres negras.

Para a filósofa Sueli Carneiro, Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá, “lutar é uma condição existencial que temos em legítima defesa das nossas vidas e dos nossos, pois estamos em um país que está determinado a nos exterminar. E para que de fato a democracia seja libertária e emancipatória, se faz necessário que o avanço organizativo e de mobilização das mulheres negras continue crescente em todas as esferas da sociedade.”
Após um ano de mobilização em diversas frentes, a equipe do Fundo Baobá, comprometida há quinze anos com a promoção da equidade racial no Brasil, celebrou a marcha com entusiasmo e compromisso. O apoio institucional se deu em três eixos principais, um aporte financeiro direto de pouco mais de R$ 1,3 milhão para a mobilização nacional, logística e articulação estadual, com atenção especial à garantia de presença de mulheres quilombolas; um fundo emergencial para garantir a presença de representantes de estados com desafios logísticos; e a atuação no campo filantrópico para engajar outras instituições para apoiar o movimento.

Como ação de comunicação, o Fundo Baobá convidou 5 jornalistas negras, cada uma representando uma região do Brasil, para fazerem a cobertura da Marcha. A iniciativa buscou promover uma cobertura plural e amplificar as vozes das diferentes realidades de cada região, e contou com a presença de: Luciana Santos representando a região norte, da Revista Cenarium, Camila Rodrigues da região sudeste, da Alma Preta, Alane Reis, representando o nordeste pela Revista Afirmativa, Kelly Ribeiro, representando o Portal Catarinas da região sul e Mari Magalhães, jornalista independente do centro-oeste.
Caroline Almeida, gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, enaltece o apoio da instituição à Marcha e faça dos efeitos positivos que isso pode trazer. “Ao apoiar uma mobilização como essa, contribuímos para que mais mulheres negras estejam conectadas em rede, com mais condições de influenciar políticas públicas, disputar narrativas e ocupar espaços de decisão. Esse investimento reforça o compromisso do Fundo Baobá com a promoção da equidade racial e com o fortalecimento de lideranças que atuam nos territórios, nas organizações e nos movimentos sociais”, afirma.
Além da presença de toda a equipe do Fundo Baobá, o nosso grupo ainda incluiu membras da governança da organização e parceiros da filantropia, reforçando nosso compromisso coletivo com a causa.

Para Tainá Medeiros, Coordenadora de Projetos do Fundo Baobá, ver a Marcha se materializar com o apoio do Baobá é ter a certeza de que a instituição está cumprindo com o seu papel de apoiar a agenda racial e os movimentos negros do Brasil. Ela destaca inclusive que estar presente com mulheres de tantas gerações “é gratificante, pois dá a dimensão do quanto elas foram fundamentais para a construção de muitos direitos que hoje são usufruídos pelas gerações mais novas.”
Ao marcharem, as mulheres fizeram a leitura do novo manifesto político da Marcha, documento que atualiza as urgências do movimento em um contexto marcado por retrocessos, desigualdades e impactos climáticos. O texto reforça que o projeto político é constituído por outras matrizes, de outros conhecimentos e fazeres, de outras percepções e filosofias, o que significa a luta constante contra o racismo patriarcal. A reparação é apontada como urgência para a reinvenção do mundo.

Fernanda Lopes, Diretora de Programa do Fundo Baobá, afirma que “ver o produto final entregue é reiterar mais uma vez que a instituição está comprometida com a dignidade e a promoção das mulheres negras“. Ela também reforça que as mulheres negras movem o mundo, mas que ainda lutam arduamente por políticas reparatórias que sejam de fato eficientes para construção de mundos utópicos e revolucionários.
Fotos: Katarina Silva
