Melissa Simplício: a estudante brasileira apaixonada por educação

Baobá - Fundo para Equidade Racial

1 de agosto de 2025

Conheça a trajetória da estudante brasileira selecionada pelo  edital BlackSTEM que cursa Ciência da Computação na New York University

Carioca da gema, cria da Zona Norte e com apenas 21 anos, Melissa Simplício estuda Ciência da Computação na New York University e segue construindo pontes e abrindo caminhos mundo afora. Ela é uma das cinco selecionadas da primeira edição do edital Black STEM, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial, com parceria da B3, que concede bolsas complementares a estudantes negros aprovados em cursos de graduação no exterior nas áreas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). 

Desde criança, Melissa alimentava o desejo de aprender e explorar o mundo. Ela cresceu com a mãe oferecendo estímulos, como jogos educacionais – de memória em inglês, quebra-cabeça, programas como “De Onde Vem” e até Dora, a Aventureira. Até as comidas que faziam parte do seu cardápio na infância não eram originalmente brasileiras, o que a fascinava. Ela adorava pesquisar palavras do português com origem no tupi-guarani e até estrangeirismos que desafiavam seu inglês, aprendido no YouTube. Para ela e graças à criação que teve, fazia sentido ampliar seu círculo e seus conhecimentos. 

Desenvolveu então a curiosidade pelo que existia além do Brasil. Portanto, a escolha pelo curso de Ciência da Computação, para uma típica garota da geração Z, que cresceu cercada de tecnologia, abrindo o computador de casa e explorando suas peças, foi natural.

No nono ano, ainda no ensino médio, ela deu um passo significativo e começou a explorar a pesquisa com ciência de dados, trabalhando com a linguagem R, uma linguagem de programação em um ambiente de software. Ali teve a certeza: no mínimo, queria seguir na área de análise de dados. Antes da pandemia, ela já tinha três viagens internacionais marcadas com apoio de programas globais, como Girl Up, Women Deliver e LALA. Também durante a pandemia surgiu a oportunidade de participar de um programa online no qual aprendeu a programar um site do zero, aprofundando seus conhecimentos em ciência da computação. 


“Fiquei encantada com a flexibilidade da área – a possibilidade de ser analista de dados, desenvolvedora web, especialista em inteligência artificial e até gerente de projetos. Sem falar nas oportunidades de trabalho remoto, caminhos para o empreendedorismo e a alta remuneração”, afirma Melissa. Desde então, o mundo se tornou sua sala de aula. Ela já trabalhou com governos locais na Argentina, viajou para Ruanda e Etiópia, conheceu a Suíça, a Inglaterra e a Espanha, entre outros países.

Com relação à rotina puxada de estudos, ela concilia o tempo entre projetos de programação e deveres de casa. O que realmente a ajudou a manter o ritmo foi criar pequenos rituais para não cair na monotonia: toda semana muda de ambiente para estudar. Uma semana elege a biblioteca, na outra vai para o Kimmel ou explora cafeterias perto de casa. Melissa afirma que essa mudança de cenário renova a energia e a ajuda a manter o foco.

Em 2024, Melissa se tornou uma das bolsistas selecionadas na primeira edição do Programa Black STEM. A bolsa tem sido fundamental, pois ajuda a cobrir custos universitários que vão além da anuidade – como passagens aéreas de ida e volta para o Brasil, transporte e outras despesas do dia a dia. Esse apoio proporciona tempo e flexibilidade que não seria possível sem o apoio da bolsa, pois ela consegue liderar clubes universitários, participar de conferências e competições acadêmicas.

Melissa deixa para outros estudantes brasileiros um recado importante. Pede que se movimentem. “Busquem entender o processo, se preparem com atividades extracurriculares, estudos e tudo o que puder fortalecer sua candidatura. Não esperem que alguém entregue o ‘manual completo’ de A a Z – a chave é pesquisar por conta própria, se informar ao máximo e fazer perguntas específicas e bem pensadas para quem já está estudando fora.”

Reforça que não existem fórmulas mágicas. “Cada trajetória é única e as escolhas que funcionaram para uma pessoa podem não ser as ideais para a  outra. Apenas não tenham medo de dar o primeiro passo”, afirma.
Para mais informações sobre o edital Black STEM, acesse o link: https://baoba.org.br/blackstem-2edicao/.

Crédito: Arquivo Pessoal

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