Mulheres Negras do Piauí realizam atividades em territórios quilombolas para mobilização da 2ª Marcha de Mulheres Negras

Baobá - Fundo para Equidade Racial

24 de setembro de 2025

Para ampliar e diversificar a mobilização nacional, o Comitê da Marcha das Mulheres Negras do Piauí tem intensificado os encontros com lideranças locais. No fim de agosto foram realizadas várias atividades na Comunidade Quilombola Arthur Passos, em Jerumenha (PI). Com a participação de mais de 300 pessoas das comunidades quilombolas de Brejo, Potes e Tapuio, foram debatidos temas como: Desafios e perspectivas na implementação da educação escolar quilombola, direitos humanos e justiça ambiental, defesa do território e soberania quilombola e Mulheres quilombolas na construção dos saberes e do bem-viver.

O Comitê do Piauí é composto por 32 organizações – de sindicatos a várias entidades do Movimento Negro. A construção da Segunda Marcha das Mulheres Negras 2025, que vai ocorrer em novembro, em Brasília, tem sido marcada pela força coletiva de mulheres que, em diferentes territórios do Brasil, reafirmam a centralidade da luta contra o racismo, o sexismo e todas as formas de opressão às mulheres negras. A quilombola Maria Rosalina dos Santos, 62 anos, tem se destacado nos encontros regionais organizados no Piauí ao compartilhar seus conhecimentos, que incluem sabedoria ancestral.

Para ela, um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres quilombolas é a invisibilidade. E está intimamente ligado ao fato de que o processo histórico dessas mulheres é de marginalização social, econômica, política e cultural. Ainda que ocupem papel central na preservação da memória, na resistência comunitária e na defesa dos territórios, elas são frequentemente apagadas das narrativas oficiais e pouco representadas. A participação de mulheres quilombolas nesses encontros no Piauí reafirma a defesa do território, da cultura e do modo de vida comunitário.

Mais do que um espaço de organização, esses encontros regionais com as mulheres negras do Piauí são momentos de escuta, partilha e construção política. Para Maria Rosalina, a Marcha representa continuidade e esperança. E a certeza de que o caminho foi aberto em 2015 e segue pulsando e que, em 2025, envolverá mais vozes e histórias. Portanto, participar dos encontros regionais do Piauí é também garantir que as demandas das mulheres quilombolas – como acesso a políticas públicas, proteção dos territórios e valorização das tradições – estejam no centro da agenda da Marcha.

Com sua atuação, Maria Rosalina inspira novas gerações de mulheres a se organizarem, mostrando que a luta pela vida digna, pela memória e pelo futuro é um legado que atravessa o tempo. Sua voz, somada a tantas outras, reafirma que a Segunda Marcha das Mulheres Negras 2025 é uma construção coletiva que nasce a partir dos quilombos, das periferias, das aldeias e de todos os cantos do Brasil.

Ceça Santos, vice presidente da Comunidade Artur Passos

Halda Regina, principal responsável pelas atividades nesses territórios quilombolas, e representante do Comitê do Piauí, afirma que é importante priorizar a organização e participar dos encontros para conhecer melhor a trajetória dessas mulheres e suas lutas.“Não estamos sentadas, acomodadas, esperando que algum governante faça algo por nós. Somos nós, as mulheres negras, que vamos exigir dignidade e bem viver deste país. Foi duro presenciar a morte e a violência contra nosso povo, mas não estamos caladas. Nunca silenciamos”, afirma.

As ações previstas para os próximos meses são encontros de rodas de conversa descentralizados, com caráter formativo, pautando o tema central da Marcha nos municípios de Parnaíba e de Cocal, além de atividade com mulheres que professam religiões de matriz africana.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e do Comitê Impulsor do Piauí e faça parte dessa mobilização!

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