Com apoio do Fundo Baobá, comitês locais fortalecem a articulação nacional, mostrando a força da mobilização local
A Marcha das Mulheres Negras 2025 – a ser realizada em 25 de novembro em Brasília – vem sendo construída a muitas mãos, vozes e histórias em todo o Brasil. A mobilização, que envolve 26 estados mais a Capital Federal, conta com o apoio estratégico do Fundo Baobá para Equidade Racial, que atua como parceiro na articulação, escuta e fortalecimento dos comitês estaduais responsáveis pela organização do movimento.
Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça racial, o Fundo Baobá reafirma que a filantropia é um ato político e coletivo, que ganha sentido quando promove o reconhecimento das vozes das mulheres negras como motores de transformação social. O trabalho delas demonstra que promover equidade racial é um processo vivo, que nasce nos territórios e nas comunidades, e ganha força quando se sustenta com apoio das redes de solidariedade, afeto e ação política.

Para Camila Carvalho, Assistente de Projetos do Fundo Baobá, acompanhar o processo de mobilização nacional nas 27 capitais brasileiras é quase impossível pela quantidade de atividades que os comitês têm realizado. “É indescritível a dedicação dessas mulheres para alcançar os objetivos mapeados, mesmo com a sobrecarga e os desafios que envolvem as diferentes funções e responsabilidade exercidas por elas em suas vidas, mas nada impediu o alcance de um número expressivo em suas mobilizações”, afirma.
Camila reforça que, apesar das dificuldades com deslocamento, agendas e falta de recursos financeiros, os comitês estaduais têm feito história ao garantir que a Marcha seja conhecida e chegue a diferentes territórios, inclusive fora dos grandes centros urbanos. “A Marcha se espalha pelo país respeitando as especificidades e necessidades de cada território, o que demonstra sua força e capilaridade”, complementa
Edmara Pereira, Assistente de Articulação Social do Fundo Baobá, observa que os principais desafios são as desigualdades regionais, marcadas por grandes distâncias geográficas, pela diversidade dos territórios e comunidades, pelos longos percursos sujeitos a condições climáticas adversas, pela ausência de infraestrutura adequada e pelos altos custos de transporte, que tornam a mobilização desigual entre as regiões.
É nesse sentido que a atuação do Fundo Baobá tem contribuído para fortalecer as redes locais e ampliar o alcance político da Marcha, que há décadas denuncia as omissões e violências estruturais do Estado brasileiro, ao mesmo tempo em que propõe um novo projeto de país — mais democrático, justo e equânime.

A Marcha também tem sido sustentada pelo comprometimento de lideranças e voluntárias que, mesmo diante da sobrecarga das jornadas profissionais, comunitárias e familiares, seguem mobilizadas na construção coletiva. Esse esforço revela o quanto o trabalho político das mulheres negras segue invisibilizado e pouco reconhecido, ao mesmo tempo em que evidencia o desafio de engajar as gerações mais jovens, igualmente atravessadas por múltiplas demandas. Ainda assim, o processo reafirma a força e a capacidade de transformação das mulheres negras, que convertem o desgaste cotidiano em ação política e mobilização coletiva.
“Apoiar a Marcha das Mulheres Negras é, portanto, reconhecer um movimento que há décadas denuncia as falhas, omissões e violências estruturais do Estado brasileiro, mas que também propõe um novo projeto de país, no qual ele seja de fato democrático, justo, diverso. Uma filantropia que não escuta e não dá suporte a movimentos como este demonstra não compreender plenamente o contexto social em que atua ou, então, escolhe conscientemente apoiar interesses distantes das urgências coletivas,” afirma Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social.

“O trabalho das mulheres negras segue invisibilizado, mas é nele que reside grande parte da força transformadora que move o país”
Ela ressalta que é fundamental que o campo filantrópico esteja comprometido com os movimentos sociais e com a escuta ativa das pautas que emergem dos territórios. “O trabalho das mulheres negras segue invisibilizado, mas é nele que reside grande parte da força transformadora que move o país”, conclui.
Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!