Articulação Social fortalece as conexões do Fundo Baobá com territórios e organizações

A área de Articulação Social do Fundo Baobá atua como uma ponte entre a organização e diversos territórios, ampliando a escuta do campo, fortalecendo relações institucionais e trazendo oportunidades que possam apoiar a atuação das demais áreas da organização. Dessa forma, contribui para que as ações programáticas, de comunicação, captação de recursos e operações estejam cada vez mais conectadas às demandas e aos desafios vivenciados pelo campo.

O Fundo Baobá nasceu, há 15 anos, a partir de um processo de diálogo com movimentos sociais, lideranças negras, organizações da sociedade civil, academia e parceiros institucionais. Essa escuta ativa, que sempre fez parte do DNA da organização, foi fortalecida recentemente, com a criação da área de Articulação Social. Ela surge a partir de aprendizados de uma década e meia, com o objetivo de dar manutenção às redes de relacionamento do Fundo Baobá e a sua capacidade de incidência no ecossistema de promoção da equidade racial no Brasil.

A área de Articulação Social do Fundo Baobá atua como uma ponte entre a organização e diversos territórios, ampliando a escuta do campo, fortalecendo relações institucionais e trazendo oportunidades que possam apoiar a atuação das demais áreas da organização. Dessa forma, contribui para que as ações programáticas, de comunicação, captação de recursos e operações estejam cada vez mais conectadas às demandas e aos desafios vivenciados pelo campo. Ela é também uma resposta a diversas transformações no ecossistema filantrópico e nos movimentos sociais, pois ao longo da última década e meia ampliaram o debate sobre justiça racial, reparação histórica e fortalecimento de organizações lideradas por pessoas negras. 

Para Caroline Almeida, gerente de articulação social do Fundo Baobá, o aumento da demanda por modelos de apoio mais conectados aos territórios e às agendas dos movimentos sociais fortalece a capacidade de atuação do Fundo Baobá em dialogar com diferentes atores, construir alianças e contribuir para a consolidação de uma sociedade mais comprometida com a equidade racial.

Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, comenta sobre o aumento da demanda por modelos de apoio mais conectados aos territórios e às agendas dos movimentos sociais fortalece a capacidade de atuação do Fundo Baobá em dialogar com diferentes atores, construir alianças e contribuir para a consolidação de uma sociedade mais comprometida com a equidade racial.

Na foto: Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social | Créditos: Thalita Guimarães

“A transformação social não ocorre apenas por meio do apoio financeiro, mas também pela construção de relações estratégicas, fortalecimento de redes e incidência”, afirma Caroline. Para ela, trata-se de tornar mais intencional e sistematizada uma prática que sempre esteve presente na atuação do Fundo Baobá.

A área nasce com a missão de contribuir para que a atuação do Fundo Baobá seja cada vez mais conectada às transformações do contexto social e político, tendo como busca a potencialização de diversas vozes nos processos de reflexão, decisão e incidência que envolvem a organização e o campo da filantropia. Mais do que ampliar relacionamentos, a área apoia a consolidação de uma cultura institucional baseada na escuta qualificada, na construção de confiança e na promoção de alianças estratégicas comprometidas com a transformação social e a justiça racial.

“Nosso compromisso é fortalecer processos de escuta, diálogo e construção conjunta. Entendemos que movimentos, organizações e lideranças negras não são apenas beneficiários de recursos, mas sujeitos políticos fundamentais na  formulação de soluções e estratégias para a promoção da justiça racial”, afirma Caroline.

No Sul, organização liderada por uma mulher negra promove acesso à arte e à cultura com apoio do Fundo Baobá

Black Brazil Art, Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

O ano de 2026 marca os 15 anos de atuação do Fundo Baobá para Equidade Racial, que reafirma seu compromisso com o fortalecimento de lideranças, organizações e iniciativas negras em todas as regiões do país. Com presença em territórios diversos e realidades distintas, a organização tem contribuído para ampliar oportunidades, promover inclusão e fortalecer redes de transformação social. 

O trabalho desenvolvido pela Black Brazil Art, em Porto Alegre (RS), é um exemplo do impacto desses investimentos, cujo objetivo é fortalecer a participação de mulheres no sistema das artes, apoiar a diversidade cultural e promover a inclusão de artistas no cenário brasileiro, a partir de temáticas urgentes e de cunho social e racial.

Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

Segundo Patrícia, o apoio recebido contribuiu para  ampliar o alcance das atividades voltadas para jovens negros, moradores de bairros periféricos, criando conexões e experiências que ultrapassaram os limites dos territórios onde vivem. “O apoio do Fundo Baobá teve um impacto direto nas pessoas. Em 2016, trabalhamos com três bairros grandes e periféricos aqui de Porto Alegre: Restinga, Cruzeiro do Sul e Morro Santana. Até hoje, ou seja, dez anos depois, ainda carecem de um olhar voltado para atividades culturais. Então, ter acesso a esse recurso ampliou a oportunidade de formação para esses jovens na criação de intercâmbios para além das suas regionalidades”, explica Patrícia da Silva, coordenadora do coletivo.

A iniciativa também contribuiu para aproximar diferentes gerações de artistas negros que atuam nos territórios periféricos, fortalecendo redes locais de produção cultural e ampliando as perspectivas profissionais dos jovens participantes. “Esse suporte contribuiu para o desenvolvimento profissional desses jovens e também para o envolvimento desses artistas territoriais para fazer uma espécie de casamento entre essa geração que está surgindo agora e a que já está atuando nesses bairros”, acrescenta.

O trabalho desenvolvido pela Black Brazil Art, em Porto Alegre (RS), é um exemplo do impacto desses investimentos, cujo objetivo é fortalecer a participação de mulheres no sistema das artes, apoiar a diversidade cultural e promover a inclusão de artistas no cenário brasileiro, a partir de temáticas urgentes e de cunho social e racial.
Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

Créditos: Divulgação Black Brazil Art

Ao longo de seus 15 anos de atuação, o Fundo Baobá tem investido no fortalecimento de organizações negras em diferentes estados brasileiros e em diferentes áreas de atuação, reconhecendo o papel estratégico dessas iniciativas na promoção da equidade racial e no enfrentamento das desigualdades históricas. Além do aporte financeiro, os programas desenvolvidos pela instituição contribuem para ampliar a visibilidade de projetos, fortalecer redes de colaboração e criar novas oportunidades para organizações, profissionais e lideranças negras.

Para Patrícia, esse tipo de investimento continua sendo fundamental para ampliar o acesso da juventude negra a oportunidades de formação, desenvolvimento e protagonismo. A história da Black Brazil Art é um dos exemplos que ilustram o alcance nacional do Fundo Baobá, que amplia oportunidades e promove a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

“Ainda carecemos de mais oportunidades e de mais acessos, principalmente para a nossa juventude preta. Então, sou muito grata por ter sido uma das tantas contempladas a receber um recurso do Fundo Baobá. No meu caso, esse investimento foi fundamental porque ofereceu suporte concreto para que a minha organização, que é liderada por uma mulher negra, pudesse desenvolver esse projeto com tantas outras meninas e meninos negros”, finaliza Patrícia da Silva.

Entenda o processo criativo e a repercussão da nova marca do Fundo Baobá

Em seu ano de 15 anos, o Fundo Baobá apresentou uma nova identidade visual inspirada nas tranças nagôs. A marca valoriza a memória, a continuidade e a atuação da organização, que desde 2011 mobiliza recursos e apoia iniciativas voltadas à promoção da equidade racial no Brasil.

Na edição deste mês, compartilhamos os bastidores da criação e repercussão de um momento histórico: o desenvolvimento da nova marca do Fundo Baobá. Para contar como foi possível transformar impacto, ancestralidade e resistência em identidade visual e verbal, conversamos com a equipe criativa do projeto.

A empresa responsável, Motora Design, passou por um processo de imersão para traduzir a bagagem histórica e social do Fundo Baobá em formas, linguagens, cores e tipografias. Nessa etapa, foi necessário pensar e  construir conexões e narrativas que reverenciavam a memória de quem se mobilizou para que o Fundo Baobá nascesse e crescesse. O resultado desse trabalho é o símbolo atual, cujos traços foram inspirados e remetem às tranças nagôs, uma referência que carrega história, identidade e movimento. 

Historicamente, as tranças afro possuem um profundo significado cultural, social e de resistência. Na África Antiga, com origem no povo iorubá, elas indicavam a identidade de uma pessoa, revelando sua idade, estado civil, tribo e posição social. Durante o período da escravidão, o trançado tornou-se ferramenta de sobrevivência e liberdade: seus desenhos geométricos serviam como mapas secretos com rotas para os quilombos e, entre os fios, eram escondidas sementes para garantir o plantio nas comunidades livres. Além de preservar a dignidade e a vaidade daqueles que tinham suas cabeças raspadas pelos colonizadores, o ato de trançar carrega uma dimensão sagrada de afeto e socialização ligada ao culto ao Orí (a divindade da cabeça e do destino). Hoje, as tranças permanecem um poderoso símbolo de autoafirmação, empoderamento e reconexão com a herança afrodescendente.

Para entender como o processo de redesenho da marca começou, a equipe criativa fez um mergulho profundo nos materiais e documentos que registram a história do Fundo Baobá. Também houve a preocupação de olhar para a comunicação atual da organização e de outras, dentro e fora do Brasil, que atuam no mesmo ecossistema para buscar referências importantes.

Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos nos conta que esse projeto começou com uma inquietação sobre como traduzir o que é o Fundo Baobá para Equidade Racial hoje. Ela afirma que foi muito relevante o papel de  Amalia Fischer, Vice-Presidente do Conselho Deliberativo, que apoiou com escuta, experiência e direcionamento juntamente com a equipe executiva, que se envolveu bastante e foi fundamental para esse resultado. 

A “roupa nova” chega bem na hora da festa: 2026 é o ano em que o Fundo Baobá completa 15 anos de história apoiando iniciativas de enfrentamento ao racismo no Brasil e promovendo equidade racial.

“A marca baila pelo tempo: olha para trás em reverência ao passado, se adapta aos desafios do presente e aponta para um futuro cheio de possibilidades”, afirma Janaina.

Ao longo do processo foram realizados workshops, entrevistas e conversas com diferentes pessoas da organização. “Ouvimos histórias, percepções e expectativas”, conta Laís Fonseca, diretora de arte da Motora. A partir daí, o desafio foi traduzir conceitos que são essencialmente humanos em uma linguagem visual. “Buscamos construir uma identidade que não fosse apenas bonita ou contemporânea, mas que fosse capaz de carregar significado. Cada escolha, da paleta de cores aos grafismos, nasceu dessa tentativa de transformar histórias em símbolos e valores em linguagem visual”, afirma.

A nova identidade do Fundo Baobá nasce de uma ideia que parece simples, mas é muito poderosa: o futuro não se constrói sozinho. O Fundo Baobá é uma organização que olha adiante, mas que entende que o futuro só existe porque muitas pessoas vieram antes, abriram caminhos e sustentaram lutas coletivas. Por isso, os grafismos, as cores, a tipografia e até a forma como os elementos ocupam o espaço foram pensados para traduzir essa ideia de movimento contínuo. Portanto, o sentimento que fica desse processo de reposicionamento da marca é a base sólida que sustenta o Fundo Baobá e dá a certeza de sua continuidade nos próximos anos.

“Nosso trabalho estratégico continua sendo a ampliação do reconhecimento da marca, do propósito e das ações. Afinal, não é só sobre o visual, mas sim sobre garantir que nosso público realmente conheça o que o Fundo Baobá faz e como opera”, afirma Xavier Amorim, Assistente de Comunicação do Fundo Baobá. Para ela, o resultado final foi possível pelo envolvimento de toda a atual equipe executiva: “A escuta e pesquisa sobre o legado fez toda a diferença para chegar não somente em algo novo, mas também em um conceito que apresentasse a trajetória do Fundo Baobá”.

Para Luize Araujo, diretora criativa, o maior desafio foi equilibrar a narrativa que se tornou o grande fio condutor de todo o projeto: garantir que seria construída uma visão comum de futuro sem desrespeitar ou ignorar todo o legado do Fundo Baobá. “Legado esse, aliás, que não se limita só ao tempo de atuação da organização, já que suas raízes vêm de movimentos e articulações muito mais antigas e complexas do que a existência do próprio Fundo Baobá”, afirma.

Pouco depois do lançamento da marca, que ocorreu em 19 de março, como parte das comemorações pelos 15 anos, houve uma grata surpresa de vê-la no site Brand New, uma das maiores referências globais em design, especializado em analisar o redesign de marcas do mundo inteiro, e que faz uma curadoria para destacar  o “antes e depois” de identidades visuais de grandes empresas e organizações.