O Fundo Baobá foi um dos convidados para participar de uma série de oficinas organizadas pela RIAFRO – Rede Interamericana de Altas Autoridades para a População Afrodescendente, realizada em Cartagena das Índias, na Colômbia, em maio deste ano. O evento reuniu representantes estatais de diversos países como México, Guatemala, Peru, Uruguai, Panamá e Colômbia com o objetivo de capacitar os países a acessar recursos de cooperação internacional voltados para equidade racial e enfrentamento ao racismo.
A RIAFRO é um mecanismo especializado de diálogo, coordenação e colaboração contínua entre as autoridades nacionais das Américas para promover a implementação de políticas para as populações afrodescendentes, em conformidade com as obrigações internacionais e regionais, com objetivo de promover os direitos humanos da população negra em todo o mundo.
Criada em Lima, Peru, em 2018, é composta por 12 Estados-membros: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, e apresenta, a cada dois anos, seus avanços em políticas públicas para a inclusão de populações afrodescendentes e combate ao racismo, além de todas as formas de discriminação e intolerância.
O Fundo Baobá fez parte do evento com a presença de Giovanni Harvey, Diretor Executivo, Hebe Silva, Gerente de Operações, e Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos. Giovanni Harvey foi mediador na oficina “Conceitos: Cooperação Internacional, Arrecadação e Gestão de Recursos para Instituições Nacionais de Políticas para Afrodescendentes”. E também painelista na mesa “Como funciona a cooperação para afrodescendentes em fundações internacionais?”, que contou com a participação de Melissa Hernández, da Fundação Ford; Renata Braga, da Open Society Foundations, e Jenny Petrow, da Fundação Kellogg.

Arquivo Fundo Baobá
Durante as oficinas, ficou evidente que o Brasil é visto como uma grande referência em políticas de justiça racial na América Latina e no Caribe. Conquistas históricas como a criminalização do racismo, as políticas afirmativas em universidades e concursos públicos, e a própria existência de um fundo independente gerido por pessoas negras, como o Fundo Baobá, serviram de referência para os países presentes.
Para Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá, a participação deu a oportunidade de observar a dinâmica de uma reunião de estado, com pessoas engajadas e comprometidas na reparação histórica dos afrodescendentes na diáspora. “A questão racial tem menor escala de importância nos fundos internacionais e em alguns organismos governamentais. Isso faz com que essa área de atuação não apresente a robustez equivalente à importância da causa. No evento, tivemos oportunidade de falar sobre o Brasil e sobre nossa atuação, fundamentada nos aspectos amplos que a promoção da equidade racial demanda”, afirma.
Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos do Fundo Baobá reitera que a presença em fóruns como este valida a capacidade de incidência e diálogo, além de posicionar o Brasil como um ator relevante nas discussões sobre justiça racial na América Latina e Caribe. Para ela, é um reconhecimento de que a metodologia do Fundo Baobá é um modelo inspirador para outros países e uma importante consolidação para mostrar que a filantropia negra brasileira tem muito a contribuir com o ecossistema global.
Estar presente na RIAFRO reafirma o compromisso do Fundo Baobá com a continuidade e o entrelaçamento de trajetórias. Ocupar esses espaços trazendo conhecimentos estratégicos para a nossa rede é a garantia de que o investimento social privado em equidade racial continue gerando frutos, de forma regional e global.