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Mulheres negras, latino-americanas e caribenhas convocam à mobilização política e à participação na Marcha de novembro

O 25 de  julho atravessa fronteiras, une lutas e ecoa histórias silenciadas

Em 25 de julho foi celebrado o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, data instituída em 1992 durante um encontro de mulheres afro-Latinas-Americanas e afro-caribenhas na República Dominicana. No Brasil, a data também é comemorada e marca o Dia Nacional da Mulher Negra, em homenagem à Teresa de Benguela – líder quilombola que foi símbolo da resistência negra no século XVIII.

A 13ª edição do Julho das Pretas é um momento de reflexão profunda, reconhecimento, memória e ancestralidade feminina, que são fundamentais para dar visibilidade às pautas históricas e atuais dessas mulheres. É neste contexto que ganha destaque a II Marcha das Mulheres Negras — Por Reparação e Bem Viver, em fase de organização e mobilização em todo o país. Prevista para ocorrer em Brasília, no próximo dia 25 de novembro, a Marcha tem expectativa de reunir um milhão de mulheres negras e estrangeiras, reforçando seu protagonismo na luta por justiça racial, social, climática e de gênero.

Na organização dessas ações estão os Comitês Impulsores Estaduais, Regionais e Municipais, organizados por Unidade Federativa e Coordenados por articulações como AMNB (Articulação de Organizações de Mulheres Negras), Rede de Mulheres Negras do Nordeste, Rede Fulanas (Amazônia), Fórum Nacional de Mulheres Negras, CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), entre outros.

Diante da convocação nacional para a II Marcha, diversas mulheres negras, quilombolas, LGBTs, religiosas de matriz africana, entre outras, marcharam no dia 25 de julho em várias cidades do país: Belém (PA), Eusébio (CE), Feira de Santana (BA), Garanhus (PE), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Pelotas (RS), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São José do Rio Preto (SP), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Teresina (PI). E Além disso, os comitês organizaram atividades diversas. 

O comitê estadual do Amazonas, por exemplo, garantiu presença na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com atividades como Oficina de Carimbó, Oficina de Tranças, Oficina de Colorismo e um convite especial para um evento da Associação dos Docentes da Universidade. Nesse dia, a professora e diretora da Faculdade de Psicologia – FAPSI, Iolete Ribeiro, que também é membro do Comitê Amazonense da Marcha das Mulheres Negras, aproveitou para destacar a necessidade de mobilização e organização da Marcha em novembro.

Já O Antonietas Em Marcha Santa Catarina realizou, no decorrer de julho, rodas de conversa, palestras e encontros regionais no Vale do Itajaí. As mulheres presentes reafirmaram que suas caminhadas pessoais são um ato político diário, pois resistem cotidianamente a um estado branco e conservador. Ainda na Região Sul, o Comitê de Mulheres Negras do Rio Grande do Sul participou do programa “Vozes dos Quilombos” – na rádio Negritudes, além de uma roda de conversa com o tema: Tecendo caminhos para a Marcha das Mulheres Negras na Faculdade de Educação da  UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). 

No Comitê Impulsor Estadual de São Paulo, diversas cidades também realizaram encontros regionais, como Campinas e o ABC, que promoveram atividades como Oficina de Políticas de Cuidado e Autocuidado na Perspectiva do Bem Viver, com a Mestra Reisa Cristiane de Paula Venancio, formada em Ciências da Motricidade pela UNESP (Universidade Estadual Paulista) e uma live com o tema Justiça ambiental e bem viver: jovens e mulheres negras em marcha por um novo pacto civilizatório. No encontro virtual, foi possível criar um espaço de reflexão coletiva sobre justiça climática, interseccionalidade de gênero, raça, território e o protagonismo de jovens e mulheres negras na construção de futuros sustentáveis.

Em Feira de Santana, na Bahia, dez anos após a primeira caravana, as portas do sertão se abriram novamente para o fortalecimento das mulheres negras de toda Bahia. O Comitê Impulsor do Território Portal do Sertão convocou todas as mulheres para se reunirem e pensarem juntas o planejamento e a mobilização da Marcha que irá ocorrer em novembro. 

No Centro-Oeste, em Mato Grosso, também ocorreram encontros regionais em Cuiabá e no município de Sinop, além de rodas de conversa com a Comunidade de Matriz Africana do Candomblé e Umbanda, no Centro Histórico de Cuiabá. Houve também incidências nas ruas da Cidade de Cáceres, com distribuição de panfletos de esclarecimento sobre a Marcha.

A Marcha Nacional das Mulheres Negras está sendo construída de norte a sul do Brasil e já conta com núcleos de mobilização internacional em 35 países, sendo uma importante ferramenta de mobilização política e de denúncia. Por conta da mobilização que gera, o evento também abre espaço para a discussão de ações concretas para o enfrentamento das múltiplas formas de opressão que atravessam a vida das mulheres negras no Brasil. E o Baobá – Fundo para Equidade Racial apoia essa luta reafirmando seu compromisso com o fortalecimento da democracia e a defesa dos direitos das mulheres negras no Brasil.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!

Crédito: Arquivo Pessoal

Marcha das Mulheres Negras: um relato de quem esteve lá há 10 anos atrás

Conheça a história de Juliana Gonçalves e sua trajetória no movimento de mulheres negras

Juliana Gonçalves é mãe, jornalista e militante do movimento negro — uma mulher em movimento, articuladora política, pesquisadora, feminista negra, periférica, afrolatina e, acima de tudo, um corpo livre. Atualmente, gerencia um projeto de inovação na área da Comunicação na Embaixada Preta, o Bioma Comunicação Ancestral.

Mestra em Filosofia pela Universidade de São Paulo, onde pesquisou o Bem Viver em narrativas de mulheres negras, ela também integra a Marcha das Mulheres Negras de SP, onde, desde 2018, coordena o curso de formação política para mulheres negras chamado Narrativas de Liberdade.

Seu primeiro contato com a Marcha aconteceu de forma orgânica, como parte de um percurso político e afetivo. Em 2013, como parte do grupo Comunicadoras Negras — iniciativa articulada por várias entidades em parceria com a ONU Mulheres —, ela participou da cobertura da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

“Lá foi anunciada pela primeira vez a Marcha das Mulheres Negras, tomando um auditório cheio de mulheres negras e sacerdotisas entoando cantos iorubá. O momento, profundamente espiritual, ancestral e simbólico, trouxe à Juliana um chamado, uma convocação do tempo que exigia dela e das demais mulheres uma coragem coletiva.”

Sendo uma das 15 mulheres selecionadas para participar de um programa voltado a jovens lideranças, ela conheceu mulheres de múltiplas identidades, como indígenas, quilombolas, ciganas e tantas outras, que atuavam a partir de seus territórios. Foram intensas trocas entre elas, que permitiram reflexões críticas sobre o papel e os limites das instituições internacionais e sobre a atuação nos contextos locais.

Foi depois desse programa que ela se aproximou da construção da Marcha das Mulheres Negras em 2015.

Ao se deparar com as particularidades do movimento negro de São Paulo — que é múltiplo, potente e também atravessado por desigualdades territoriais —, ela enfatiza que, mesmo com realidades distintas, o movimento busca sempre articular cultura, educação, comunicação, moradia, política institucional e saberes tradicionais. Pois, como em muitos outros estados, desde 2015, elas permanecem em marcha, em constante movimento.

“O movimento é feito por nós, com nossos corpos, nossas histórias, nossos gestos cotidianos. Não é preciso estar em um palanque para ser movimento. Você é quando cuida, quando pergunta, quando sonha”, afirma Juliana.

Sobre as demandas das mulheres na década passada e as demandas atuais, ela traz uma reflexão sobre uma ênfase em denunciar o racismo estrutural, o genocídio da juventude negra, a violência doméstica e o silenciamento nas instituições. Hoje, em 2025, essas pautas permanecem urgentes, mas ganham contornos mais amplos: há uma demanda crescente por pensar a sociedade a partir de outro paradigma.

“Hoje falamos de saúde integral, mental, soberania alimentar, economia do cuidado, justiça racial e comunicação como espaço de poder. As mulheres negras também exigem estar no centro das decisões, das tecnologias, da política institucional”, afirma.

Para ela, não vivemos quaisquer 10 anos. Foram anos de uma conjuntura cruel, que incidiu com ainda mais violência e requintes de crueldade sobre a população negra, com muitos retrocessos nas conquistas quilombolas, indígenas e na luta das mulheres em si.

A mensagem que Juliana gostaria de deixar para as mulheres negras que ainda não se sentem parte do movimento é que é, sim, louvável estarmos vivas — e, mais ainda, estarmos organizadas para enfrentar não só a luta da sobrevivência diária, mas também para a construção de outra sociedade.

“A força da Marcha de 2015 foi, justamente, termos olhado para o que une, sem silenciar as diferenças”, afirma Juliana.

Então, estão todas convidadas: as cis, as LBTs, as candomblecistas, as evangélicas, as trabalhadoras, as estudantes, as imigrantes, as mais novas e as mais velhas, as mulheres com deficiência, as militantes, as independentes etc.

Para esse ato político-social, o Baobá, Fundo para Equidade Racial,  fez um investimento histórico de R$ 1,25 milhão, garantindo apoio à mobilização, logística, articulação e engajamento de mulheres negras em todo o Brasil, com foco especial nas comunidades quilombolas.

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Fundo Baobá participa de planejamento estratégico de comunicação para a 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras

Nos dias 19 e 20 de maio, o Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver realizou em Brasília um planejamento estratégico de comunicação, com participação do Fundo Baobá e outras organizações parceiras. O evento reuniu representantes de 35 organizações do movimento negro e parceiras para estruturar as ações de comunicação visando a grande mobilização marcada para 25 de novembro de 2025.

Construção coletiva de estratégias

Durante os dois dias de encontro, foram desenvolvidas diretrizes para:

  • Fortalecer a coesão das mensagens da Marcha
  • Visibilizar territórios e saberes das mulheres negras
  • Engajar diferentes públicos na mobilização

“Poder pensar juntas na comunicação de uma mobilização deste porte foi muito especial”, destacou Xavier Amorim, Assistente de Comunicação do Fundo Baobá. “Ao reunir diversas mulheres negras, podemos ampliar o olhar para as inúmeras subjetividades de mulheres que devemos e queremos mobilizar para o dia 25 de novembro.”

O trabalho coletivo contou com metodologias participativas que permitiram a construção conjunta de estratégias, com facilitação do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI).

Compromisso e apoio institucional

Todas as organizações presentes assumiram compromissos concretos para amplificar as narrativas da Marcha em suas redes e territórios. Como parceiro estratégico, o Fundo Baobá não apenas apoia financeiramente esta iniciativa, mas também fortalece essa construção coletiva que amplifica o poder de organização das mulheres negras e seu papel transformador na sociedade brasileira.

A Marcha de 2025 marca os 10 anos da primeira edição histórica e representa um marco na luta por direitos e visibilidade das mulheres negras brasileiras. Com esse apoio, o Fundo Baobá reafirma seu papel fundamental no fortalecimento das organizações do movimento negro e na promoção da justiça social.

Organizações participantes

Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB); Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong); Ação Educativa; Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela; Associação Gênero e Número; Casa N’Dengo; Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ); Criola; Escola Longa; Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS); Geledés – Instituto da Mulher Negra; Imaginable Futures; Instituto Afrolatinas; Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI); Instituto Ibirapitanga; Comitê Estadual Goiás da Marcha das Mulheres Negras; Marcha das Mulheres Negras de São Paulo; Movimento Mulheres Negras Decidem; Agência Narra; Observatório da Branquitude; Odara – Instituto da Mulher Negra; Oxfam Brasil; Pretas Candangas; Quid; Rede de Mulheres Negras do Nordeste; e Revista Afirmativa.

Saiba mais sobre nosso apoio à Marcha das Mulheres Negras 2025.