A África como o novo horizonte da excelência acadêmica e o papel do STEM nessa jornada

Quando o sonho de estudar no exterior bate à porta, nosso imaginário coletivo costuma apontar automaticamente para destinos como Europa, Estados Unidos ou Canadá. Mas e se lhe disséssemos que, a partir de um olhar decolonial (perspectiva que visa à superação das estruturas de poder, saber e ser que foram impostas pela colonização), existe um mundo de ensino superior de alta qualidade em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) na África? Um continente que é origem da humanidade, berço de civilizações, inovação e pensamento científico.

Quando o sonho de estudar no exterior bate à porta, nosso imaginário coletivo costuma apontar automaticamente para destinos como Europa, Estados Unidos ou Canadá. Inclusive, já indicamos aqui universidades historicamente negras nos Estados Unidos – centros de excelência essenciais para a formação de lideranças negras.

Mas e se lhe disséssemos que, a partir de um olhar decolonial (perspectiva que visa à superação das estruturas de poder, saber e ser que foram impostas pela colonização), existe um mundo de ensino superior de alta qualidade em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) na África? Um continente que é origem da humanidade, berço de civilizações, inovação e pensamento científico. 

Na África, instituições de ensino têm unido pesquisas de ponta e soluções para desafios globais e regionais, consolidando-se entre as melhores do mundo e atraindo estudantes e pesquisadores internacionais. Um deles pode ser você.

Por que considerar a África como destino acadêmico?

Contexto de inovação e impacto: Universidades africanas têm forte foco em pesquisa aplicada em áreas cruciais como saúde pública, energia renovável, agricultura sustentável e tecnologia digital. Isso cria um ambiente formativo alinhado às urgências do século XXI.

Conexão histórica e cultural: Para estudantes negros(as) brasileiros(as), estudar na África é mais do que formação acadêmica: é experimentar a diversidade cultural do continente e se conectar com realidades africanas contemporâneas. É uma oportunidade de construir uma ponte viva entre Brasil e África.

Pluralidade linguística e cultural: Com instrução em inglês, português, francês e línguas africanas, as universidades permitem que estudantes ampliem suas competências linguísticas para além do inglês. Essa pluralidade fortalece a experiência cultural e abre portas para novas redes, algo que o foco exclusivo em instituições estadunidenses não proporciona.

Universidades africanas que estão redefinindo o ensino superior

Conheça algumas das principais instituições de ensino superior no continente africano que são destaque no STEM.

University of Cape Town (UCT) | África do Sul

Uma das melhores universidades do hemisfério sul, referência em sustentabilidade, engenharia ambiental e tecnologia médica. Seu campus é também um espaço vibrante de debate sobre equidade racial, ciência africana e justiça social. Saiba mais sobre a UCT aqui.

Universidade de Makerere | Uganda (África Oriental)

Uma das mais antigas e respeitadas da África, referência continental em pesquisa biomédica, agricultura sustentável e inovação tecnológica. Formou líderes como Julius Nyerere, primeiro presidente da Tanzânia. Saiba mais sobre a Mekerere aqui.

Universidade Cheikh Anta Diop (UCAD) | Senegal (África Ocidental)

Nomeada em homenagem a um dos maiores intelectuais africanos, a UCAD é polo de excelência em ciências, humanidades e ciências sociais. Um espaço para quem busca unir rigor acadêmico e consciência histórica. Saiba mais sobre a UCAD aqui.

American University in Cairo (AUC) | Egito (Norte da África)

Instituição internacional com cursos em inglês e forte foco em inovação, sustentabilidade e tecnologia. Seu campus cria pontes entre o conhecimento africano, árabe e global. Saiba mais sobre a AUC aqui.

Universidade de Stellenbosch | África do Sul

Reconhecida por seus programas de engenharia, ciências aplicadas e tecnologia da informação. Tem avançado na promoção da diversidade e no acesso de estudantes negros a uma educação de ponta. Saiba mais sobre Stellenbosch aqui.

Julho: mês de reverenciar as mulheres negras

Julho é mais do que um mês no calendário: é tempo de reconhecer que mulheres negras seguem em movimento, transformação e reivindicação por direitos historicamente negados. O Julho das Pretas reforçou esse chamado à consciência e tem como marco o 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

Julho é mais do que um mês no calendário: é tempo de reconhecer que mulheres negras seguem em movimento, transformação e reivindicação por direitos historicamente negados. O Julho das Pretas reforçou esse chamado à consciência e tem como marco o 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

Mais do que uma data comemorativa, o 25 de julho representa uma agenda política construída pelas próprias mulheres negras. Instituído em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, o dia nasceu da articulação de cerca de 400 lideranças de mais de 30 países, que se reuniram para denunciar os impactos do racismo, do sexismo, da violência e das desigualdades sobre suas vidas. 

A data simboliza a luta coletiva contra as diferenças de toda ordem que ainda atravessam a vida de milhões de mulheres negras. No Brasil, a homenagem também reverencia Teresa de Benguela, referência de resistência, liderança e liberdade.

Já o Julho das Pretas transforma esse dia histórico em um mês de mobilização, incidência política e fortalecimento das lutas das mulheres negras, reafirmando seu papel fundamental na construção de sociedades mais justas e democráticas.

Embora as mulheres negras representem a maioria da população brasileira, elas continuam enfrentando barreiras no acesso a direitos, como a igualdade salarial e a participação política em espaços de decisão. Por isso, celebrar o 25 de julho é também reafirmar o compromisso com políticas e iniciativas que fortaleçam seu protagonismo.

É nesse contexto que o Programa Marielle Franco, do Fundo Baobá, ganha ainda mais significado. Inspirado no legado de uma mulher negra que transformou sua atuação política em instrumento de luta por direitos, o programa investe na formação, no fortalecimento e no desenvolvimento de lideranças negras e organizações lideradas por mulheres negras, ampliando sua presença em espaços de poder e influência. A iniciativa apoia trajetórias individuais, organizações e coletivos liderados por mulheres negras, contribuindo para que suas vozes sejam cada vez mais ouvidas e suas agendas avancem.

Celebrar o 25 de julho é reconhecer que a luta das mulheres negras não se limita a uma data. É compreender que investir em suas lideranças é fortalecer a democracia, promover justiça social e construir um futuro em que direitos, oportunidades e representatividade sejam uma realidade para todas.

A agenda de incidência política do Julho das Pretas 2026 foi marcada por manifestações de norte a sul do Brasil. A seguir, destacamos cinco iniciativas realizadas ao longo do mês que levaram mulheres negras ativistas às ruas e aos mais diversos espaços de debate, reafirmando a força da mobilização coletiva em diferentes territórios:

Nordeste – Piauí
A X Feira Preta, organizada pelo Instituto Mulher Negra do Piauí – Ayabás, acontecerá amanhã, dia 31 de julho, no Memorial Esperança Garcia. O evento promove o empreendedorismo negro por meio da comercialização de produtos e da oferta de serviços.

Norte – Tocantins
O 6º Encontro Estadual de Mulheres Negras, organizado pelo Coletivo Feminista de Mulheres Negras do Tocantins (Ajunta Preta), aconteceu nos dias 25 e 26, na Universidade Federal do Tocantins. Com o tema O Feminismo Negro que Temos e o Feminismo Negro que Queremos, reuniu um número significativo de mulheres negras para debater os desafios e perspectivas do movimento.

Centro-Oeste – Goiás
O Corredor Urbano das Pretas: Ocupação Política do Centro, promovido pelo Instituto Pretas, ocupou, no dia 25, algumas das principais vias de Goiânia (Av. Tocantins, Praça Cívica, Av. Goiás, Av. Anhanguera, Rua 10 e Praça Universitária). A ação buscou fortalecer a visibilidade das pautas das mulheres negras e reafirmar a ocupação dos espaços públicos como estratégia de memória, resistência e incidência política.

Sudeste – Rio de Janeiro
O I Seminário Direito à Cidade e à Justiça Climática: As Raízes, as Vozes e a Força das Mulheres Negras Brasileiras, organizado pelo Ministério das Cidades no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, reuniu, no dia 23, mulheres negras para discutir direito à cidade e justiça climática, integrando atividades de literatura, gastronomia, arte, música e empreendedorismo.

Sul – Paraná
O Pacto da Negritude, organizado pela Rede Mulheres Negras do Paraná no cursinho popular Ubuntu, na Universidade Federal do Paraná (Campus Rebouças), promoveu, em 25 de julho, um debate voltado à conscientização e ao fortalecimento de práticas antirracistas.

Articulação Social fortalece as conexões do Fundo Baobá com territórios e organizações

A área de Articulação Social do Fundo Baobá atua como uma ponte entre a organização e diversos territórios, ampliando a escuta do campo, fortalecendo relações institucionais e trazendo oportunidades que possam apoiar a atuação das demais áreas da organização. Dessa forma, contribui para que as ações programáticas, de comunicação, captação de recursos e operações estejam cada vez mais conectadas às demandas e aos desafios vivenciados pelo campo.

O Fundo Baobá nasceu, há 15 anos, a partir de um processo de diálogo com movimentos sociais, lideranças negras, organizações da sociedade civil, academia e parceiros institucionais. Essa escuta ativa, que sempre fez parte do DNA da organização, foi fortalecida recentemente, com a criação da área de Articulação Social. Ela surge a partir de aprendizados de uma década e meia, com o objetivo de dar manutenção às redes de relacionamento do Fundo Baobá e a sua capacidade de incidência no ecossistema de promoção da equidade racial no Brasil.

A área de Articulação Social do Fundo Baobá atua como uma ponte entre a organização e diversos territórios, ampliando a escuta do campo, fortalecendo relações institucionais e trazendo oportunidades que possam apoiar a atuação das demais áreas da organização. Dessa forma, contribui para que as ações programáticas, de comunicação, captação de recursos e operações estejam cada vez mais conectadas às demandas e aos desafios vivenciados pelo campo. Ela é também uma resposta a diversas transformações no ecossistema filantrópico e nos movimentos sociais, pois ao longo da última década e meia ampliaram o debate sobre justiça racial, reparação histórica e fortalecimento de organizações lideradas por pessoas negras. 

Para Caroline Almeida, gerente de articulação social do Fundo Baobá, o aumento da demanda por modelos de apoio mais conectados aos territórios e às agendas dos movimentos sociais fortalece a capacidade de atuação do Fundo Baobá em dialogar com diferentes atores, construir alianças e contribuir para a consolidação de uma sociedade mais comprometida com a equidade racial.

Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, comenta sobre o aumento da demanda por modelos de apoio mais conectados aos territórios e às agendas dos movimentos sociais fortalece a capacidade de atuação do Fundo Baobá em dialogar com diferentes atores, construir alianças e contribuir para a consolidação de uma sociedade mais comprometida com a equidade racial.

Na foto: Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social | Créditos: Thalita Guimarães

“A transformação social não ocorre apenas por meio do apoio financeiro, mas também pela construção de relações estratégicas, fortalecimento de redes e incidência”, afirma Caroline. Para ela, trata-se de tornar mais intencional e sistematizada uma prática que sempre esteve presente na atuação do Fundo Baobá.

A área nasce com a missão de contribuir para que a atuação do Fundo Baobá seja cada vez mais conectada às transformações do contexto social e político, tendo como busca a potencialização de diversas vozes nos processos de reflexão, decisão e incidência que envolvem a organização e o campo da filantropia. Mais do que ampliar relacionamentos, a área apoia a consolidação de uma cultura institucional baseada na escuta qualificada, na construção de confiança e na promoção de alianças estratégicas comprometidas com a transformação social e a justiça racial.

“Nosso compromisso é fortalecer processos de escuta, diálogo e construção conjunta. Entendemos que movimentos, organizações e lideranças negras não são apenas beneficiários de recursos, mas sujeitos políticos fundamentais na  formulação de soluções e estratégias para a promoção da justiça racial”, afirma Caroline.

No Sul, organização liderada por uma mulher negra promove acesso à arte e à cultura com apoio do Fundo Baobá

Black Brazil Art, Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

O ano de 2026 marca os 15 anos de atuação do Fundo Baobá para Equidade Racial, que reafirma seu compromisso com o fortalecimento de lideranças, organizações e iniciativas negras em todas as regiões do país. Com presença em territórios diversos e realidades distintas, a organização tem contribuído para ampliar oportunidades, promover inclusão e fortalecer redes de transformação social. 

O trabalho desenvolvido pela Black Brazil Art, em Porto Alegre (RS), é um exemplo do impacto desses investimentos, cujo objetivo é fortalecer a participação de mulheres no sistema das artes, apoiar a diversidade cultural e promover a inclusão de artistas no cenário brasileiro, a partir de temáticas urgentes e de cunho social e racial.

Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

Segundo Patrícia, o apoio recebido contribuiu para  ampliar o alcance das atividades voltadas para jovens negros, moradores de bairros periféricos, criando conexões e experiências que ultrapassaram os limites dos territórios onde vivem. “O apoio do Fundo Baobá teve um impacto direto nas pessoas. Em 2016, trabalhamos com três bairros grandes e periféricos aqui de Porto Alegre: Restinga, Cruzeiro do Sul e Morro Santana. Até hoje, ou seja, dez anos depois, ainda carecem de um olhar voltado para atividades culturais. Então, ter acesso a esse recurso ampliou a oportunidade de formação para esses jovens na criação de intercâmbios para além das suas regionalidades”, explica Patrícia da Silva, coordenadora do coletivo.

A iniciativa também contribuiu para aproximar diferentes gerações de artistas negros que atuam nos territórios periféricos, fortalecendo redes locais de produção cultural e ampliando as perspectivas profissionais dos jovens participantes. “Esse suporte contribuiu para o desenvolvimento profissional desses jovens e também para o envolvimento desses artistas territoriais para fazer uma espécie de casamento entre essa geração que está surgindo agora e a que já está atuando nesses bairros”, acrescenta.

O trabalho desenvolvido pela Black Brazil Art, em Porto Alegre (RS), é um exemplo do impacto desses investimentos, cujo objetivo é fortalecer a participação de mulheres no sistema das artes, apoiar a diversidade cultural e promover a inclusão de artistas no cenário brasileiro, a partir de temáticas urgentes e de cunho social e racial.
Liderada por Patrícia da Silva, a organização – que é uma plataforma institucional de formação, curadoria e articulação artística – foi uma das contempladas pelo Fundo Baobá em 2016, por meio do Edital “Cultura Negra em Foco”. O investimento permitiu a ampliação das atividades desenvolvidas nas áreas de arte, cultura e educação, além de contribuir para a estruturação institucional do Coletivo, o fortalecimento da equipe e a expansão de suas ações para além da capital gaúcha.

Créditos: Divulgação Black Brazil Art

Ao longo de seus 15 anos de atuação, o Fundo Baobá tem investido no fortalecimento de organizações negras em diferentes estados brasileiros e em diferentes áreas de atuação, reconhecendo o papel estratégico dessas iniciativas na promoção da equidade racial e no enfrentamento das desigualdades históricas. Além do aporte financeiro, os programas desenvolvidos pela instituição contribuem para ampliar a visibilidade de projetos, fortalecer redes de colaboração e criar novas oportunidades para organizações, profissionais e lideranças negras.

Para Patrícia, esse tipo de investimento continua sendo fundamental para ampliar o acesso da juventude negra a oportunidades de formação, desenvolvimento e protagonismo. A história da Black Brazil Art é um dos exemplos que ilustram o alcance nacional do Fundo Baobá, que amplia oportunidades e promove a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

“Ainda carecemos de mais oportunidades e de mais acessos, principalmente para a nossa juventude preta. Então, sou muito grata por ter sido uma das tantas contempladas a receber um recurso do Fundo Baobá. No meu caso, esse investimento foi fundamental porque ofereceu suporte concreto para que a minha organização, que é liderada por uma mulher negra, pudesse desenvolver esse projeto com tantas outras meninas e meninos negros”, finaliza Patrícia da Silva.

Governança ativa, participação coletiva e visão estratégica marcam os 15 anos de Fundo Baobá

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes.

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes. É a partir dessa trajetória coletiva, marcada por aprendizados e melhorias ao longo do tempo, que o Fundo Baobá segue fortalecendo sua atuação e um modelo de governança que está na base dos nossos passos.

Atualmente, o Fundo Baobá conta com uma equipe de 20 profissionais e uma governança ativa, permitindo que o crescimento amplie o alcance de iniciativas voltadas à promoção da equidade racial. Entre elas estão programas de formação acadêmica internacional, acesso ao ensino superior, desenvolvimento de lideranças femininas negras e ações emergenciais, como o apoio durante a pandemia da Covid-19. São iniciativas que contribuem para que pessoas negras ocupem espaços historicamente negados à sua presença e ao seu conhecimento.

Para Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá, os 15 anos da organização marcam também o início de um novo ciclo estratégico. Nesse momento, a construção de processos eficientes, a gestão participativa e a adoção de tecnologias alinhadas à segurança, transparência e impacto social, são pilares para garantir continuidade ao trabalho desenvolvido.

Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá

Crédito fotográfico: Thalita Novais

Mais do que administrar recursos, a área de Operações atua como suporte para todas as demais áreas organizacionais, apoiando estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e a sustentabilidade financeira.

“O Fundo Baobá é para sempre”, resume Hebe, ao falar sobre o compromisso de longo prazo da organização com a promoção da equidade racial no Brasil. Uma permanência construída coletivamente, com raízes firmadas no fortalecimento das iniciativas negras e na construção de futuros mais equitativos.

Em entrevista, Hebe fala mais sobre o ponto de vista da área de Operações sobre os 15 anos do Fundo Baobá.

Em janeiro, Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá, falou que os 15 anos do Fundo Baobá não eram apenas uma celebração, eram uma  preparação para um novo ciclo estratégico. Como a sua área, Gestão Operacional, define esse novo ciclo estratégico?
Uma etapa que apresenta novas demandas exige novos esforços. A área de Operações presta suporte às atividades das demais áreas. Somos uma das fontes para pensarmos estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e captação de recursos. Pensar nas novas tecnologias do mercado e como podemos adotá-las, sem prejuízo ou risco à equipe e ao nosso público, será a contribuição da área de Operações no desenho deste novo ciclo.

Na mesma matéria, você fala em uma gestão participativa para garantir a sustentabilidade do Fundo Baobá. No dia a dia do trabalho, como acontece essa gestão participativa? 

Todas as pessoas da equipe são responsáveis pela gestão dos recursos. O alinhamento dos nossos gestores é tarefa cotidiana entre as áreas. Quem desejamos alcançar? Qual a melhor forma de fazer isso? Qual a maneira mais eficiente de gerir o recurso disponível? Todas essas variáveis são analisadas em equipe, que comunga do princípio de oferecer excelência no atendimento, seja qual for a atividade. Isso agiliza os ajustes processuais e nos fortalece enquanto grupo.

Você fala também em “olhar para a perenidade do Fundo Baobá”. Como gestora financeira, é possível prever um Fundo Baobá atuante daqui a 20, 30 anos ou mais que isso? Quais as diretrizes econômicas para atingir essas marcas?  

O Fundo Baobá é para sempre. Para os que estão aqui agora e para os que virão depois. Em 20, 30 anos as demandas da população podem mudar, o que influenciará nas nossas estratégias de atuação, mas o sentido de nossa existência permanecerá. Sendo otimista, vislumbro um futuro com todas as organizações da sociedade civil brasileira comprometidas com a promoção da equidade racial, mesmo que em menores níveis de prioridade. As diretrizes já estabelecidas pelo nosso conselho deliberativo nos dão suporte para essa perenidade: transparência, planejamento e governança participativa.

Como o Fundo Baobá define os valores investidos em seus editais, programas e ações a partir da rentabilidade do Fundo Patrimonial? Como essa estratégia de uso dos rendimentos contribui para a sustentabilidade e o planejamento de longo prazo da organização? 

O valor é definido entre nosso Conselho e Equipe Executiva. A depender dos reflexos deste alinhamento, o valor pode ser maior que o previsto inicialmente. Isso aconteceu no edital Black Stem, quando decidimos ampliar o número de vagas ofertadas no edital. Isso impactou em todo orçamento do projeto, mas obtivemos sucesso na decisão.

Auxílio emergencial no período da pandemia da Covid-19, programas voltados para educação, para o desenvolvimento de lideranças e enfrentamento à violência racial. Para quem trabalha com gestão financeira, como você definiria seu sentimento ao ver o impacto dessas iniciativas nas vidas das pessoas apoiadas?

O sentimento é de que um objetivo ambicioso e desafiador está sendo cumprido. Ver nossos projetos impactando diferentes atuações na causa racial, promovendo mudanças econômicas em grupos populacionais sub-representados, qualificando um público que nunca acessou recursos da filantropia, tudo isso reverbera no nosso sentimento de importância na sociedade brasileira e no nosso dever de continuar trabalhando com excelência.

Quais resultados do Fundo Baobá chamam mais a atenção de quem não faz parte da organização? 

Autossuficiência, execução bem-sucedida do planejamento estratégico e meta de construção do Fundo Patrimonial alcançada com êxito. 

Quais foram as estruturas invisíveis mais importantes para que o fundo chegasse até aqui?

Equipe comprometida com a preservação dos ativos institucionais: nossa relação com donatários, gestão eficiente dos recursos e uma governança atuante. Também é muito importante possuir uma assessoria jurídica qualificada para lidar com as especificidades de uma organização do terceiro setor que possui um Fundo Patrimonial.

Existe alguma decisão operacional tomada anos atrás que hoje vocês entendem como fundamental para a longevidade do fundo? 

O acordo com a Kellogg Foundation previa que os aportes financeiros ao Fundo Patrimonial seriam realizados mediante apresentação de um relatório de auditoria externa, aprovado pelo nosso Conselho. Isso colaborou para o fortalecimento de nossa transparência. Aprimoramos nossas ferramentas de trabalho para alcançar, com a maior agilidade possível, informações sobre a nossa gestão. Isso colabora não apenas para o gerenciamento financeiro, mas também para atender tempestivamente qualquer due diligence (levantamento sobre um parceiro de negócio) que algum financiador nos faça. Estamos preparados para falar de nossa história através dos números registrados aqui.

 O que mudou na forma de operar da organização ao longo destes 15 anos? 

O aumento da equipe refletiu na possibilidade de ampliação de nossas atividades. Houve um período em que fomos apenas 3 pessoas. Hoje somos 20. Isso mudou nossa estrutura física, nos possibilitou melhoria das ferramentas e demanda um esforço conjunto para construir a ambientação de cada nova pessoa que integra a equipe, incluindo a governança. Um time de trabalho empenhado e que se sente livre e seguro para opinar, propor e fazer.