Programa de Aceleração Marielle Franco inspira lideranças femininas ao engajamento proposto pelo Dia Internacional contra a Discriminação Racial

“Nós, mulheres negras, somos a vanguarda do movimento feminista nesse país. Nós, povo negro, somos a vanguarda das lutas sociais deste país,  porque somos os que sempre ficaram para trás, aquelas e aqueles para os quais nunca houve um projeto real e efetivo de integração social.”  A frase da filósofa, escritora, ativista do movimento negro brasileiro, diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra e uma das fundadoras do Fundo Baobá para Equidade Racial, Sueli Carneiro, retrata de forma fiel o que tem marcado, ao longo da história, a busca pelos direitos de igualdade na sociedade brasileira..

As mulheres têm tido papel preponderante nessa busca, pois além de se posicionarem e lutarem pelos direitos de todas, todos, todes , têm buscado e alcançado vitórias, mas ainda há muito a conquistar contra o racismo estrutural e a desigualdade social. 

O Dia Internacional contra a Discriminação Racial foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser uma espécie de lembrete pela conscientização contra o racismo em todo 21 de março. Ele tem origem a partir do massacre ocorrido em Shaperville (Joanesburgo), na África do Sul, também em  21 de março, mas em 1960. A população negra saiu às ruas protestando contra a Lei do Passe, que a obrigava a só circular apenas por locais pré-determinados. Mesmo sendo uma ação pacífica, a polícia sul-africana abriu fogo contra os manifestantes. Morreram 69 pessoas, mulheres e homens, e outras 186 ficaram feridas. Essa é a informação oficial. Os números podem ser bem maiores. 

O racismo anda de mãos dadas com a morte, pactua com a violência e é amigo íntimo da opressão. Sempre foi assim. Continua sendo assim no mundo moderno. A conscientização relacionada ao respeito ao outro, independentemente de sua cor, religião, raça, orientação sexual ou identidade de gênero ainda não contagiou toda a  humanidade. Mas sua influência está crescendo. As manifestações ocorridas ao redor do mundo após a morte do negro norte-americano George Floyd e da negra norte-americana Breonna Taylor, ambos assassinados por policiais, lançam uma luz de esperança na busca por uma sociedade em que a equidade racial seja exercida por todos, todas e todes. 

George Floyd e Breonna Taylor, ambos assassinados nos Estados Unidos

Lucia Xavier, assistente social, ativista dos direitos humanos no Brasil,  coordenadora-geral do Criola, organização social que trabalha na defesa dos direitos das mulheres negras, afirma que o racismo impede toda forma de desenvolvimento. “Enquanto houver racismo não haverá democracia. Para que a população negra alcance a equidade faz-se necessário enfrentar o racismo, a discriminação racial e as formas correlatas de intolerância, efetivando direitos e estabelecendo políticas de ações afirmativas para dirimir as desigualdades. Além de alcançar o acesso e a participação nos espaços de decisão e deliberação”, disse. 

Lucia Xavier, assistente social, ativista dos direitos humanos no Brasil,  coordenadora-geral do Criola

Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco

A fala de Lucia Xavier remete ao que foi escrito e dito pela administradora, doutora em Ciências Sociais e também fundadora do Fundo Baobá, Luiza Bairros: “Não se trata mais de ficarmos o tempo todo implorando, digamos assim, para que os setores levem em conta nossas questões, que abram espaços para que o negro possa participar. Essa fase efetivamente acabou. Daqui para a frente, vamos construir nossas próprias alternativas e, a partir dessas alternativas, criar para o povo negro como um todo no Brasil uma referência positiva”. Se estivesse viva, Luiza Bairros teria completado 63 anos de idade no dia 27 de março.

O Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco , lançado pelo Fundo Baobá em 2019 em parceria com a Ford Foundation, Open Society Foundations, Instituto Ibirapitanga e W.K. Kellogg Foundation, surge à luz da alteração. O principal objetivo do Programa de Aceleração é ampliar a participação e consolidar mulheres negras cis e trans em posições de poder e influência, através de investimento em suas formações políticas e técnicas. 

As ações desenvolvidas pelo Programa de Aceleração foram a sustentação para que a professora de Comunicação e Empreendedorismo, gerente de projetos e co-fundadora do projeto Ecociclo, a baiana Hellen Caroline dos Santos Sousa, colocasse suas ideias na rua e com muito sucesso. A Ecociclo foi criada a partir da ideia de desenvolvimento de um absorvente 100% biodegradável e brasileiro. “Em 2019 a Universidade de Michigan (EUA) nos convidou para apresentar lá o nosso plano de negócios”, disse Hellen. Além do desenvolvimento do Ecociclo, o apoio do Marielle Franco fez surgir uma nova Hellen Caroline. “O trabalho do Fundo Baobá tem sido justo, maravilhoso e honesto. É a primeira vez que o Brasil tem algo tratado com tanto cuidado, como tem que ser para nós, mulheres pretas. Algo que nos dá ferramentas e a oportunidade de escolha sobre o que fazer com essas ferramentas. Além do que, foi a primeira vez que eu pude pensar a minha vida com estratégia”, afirmou. 

Hellen Caroline dos Santos Sousa, professora de Comunicação e Empreendedorismo, gerente de projetos e co-fundadora do projeto Ecociclo

Lucia Xavier enaltece a importância do Programa Marielle Franco para o coletivo de mulheres negras brasileiras. “É uma das mais importantes iniciativas em prol das mulheres negras no Brasil. Além de ser a maior ação afirmativa para o desenvolvimento de habilidades, profissionalização, participação cívica e de empoderamento de jovens mulheres negras cis e trans. O programa traz como marca política o apoio aos projetos de vida e o fortalecimento das lideranças, transferindo também tecnologias sociais para o desenvolvimento de ações, o enfrentamento do racismo patriarcal  cis-heteronormativo”, afirmou. 

Os objetivos do Programa de Aceleração Marielle Franco possibilitaram à pedagoga e mestra em Educação pela Universidade Federal do Acre, Sulamita Rosa, da Rede de Formação para Mulheres Negras, Indígenas e Afro-indígenas do Acre,  implementar seu PDI (plano de desenvolvimento individual).  “Trabalho com formação para enfrentar o racismo e contribuir com a inserção de mulheres negras nos espaços de poder, com foco no ambiente acadêmico”, disse. Desde que iniciou seu trabalho, a proximidade e a influência sobre outras mulheres têm sido suas maiores conquistas. “O reconhecimento das outras mulheres e os feedbacks com relação a continuar nesse meu sonho têm me incentivado muito”, revela.

Sulamita Rosa, pedagoga e mestra em Educação pela Universidade Federal do Acre e integrante da Rede de Formação para Mulheres Negras, Indígenas e Afro-indígenas do Acre

 

Combate às questões de vulnerabilidade

No contexto do Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, a luta das mulheres tem foco também no combate ao sexismo e outras questões que as colocam em situação de vulnerabilidade. Lucia Xavier cita a Carta das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver como o guia nessa luta. “Na carta, o movimento de mulheres negras declara as diferentes reivindicações no campo dos direitos, mas entra também nas possibilidades de inverter o padrão dessa civilidade que convive pacificamente com o racismo e as desigualdades raciais”, argumenta.  Já em termos de avanços, Xavier fala dos diferentes focos nos quais as futuras conquistas estão centradas: “As estratégias políticas adotadas para enfrentar o racismo patriarcal cis-heteronormativo são aquelas relacionadas à incidência política por direitos; o fortalecimento das mulheres negras cis e trans e suas organizações; a mobilização política; a articulação com diferentes setores da sociedade brasileira e internacional para ampliação da luta contra o racismo; a disseminação do pensamento das mulheres negras cis e trans; e a mudança do padrão  desumano, excludente, violento e hierarquizante das civilidades”, afirma.  

Ativismo antirracista

Para o escritor Oswaldo Faustino, autor de A Legião Negra – A Luta dos Afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932 e  Nei Lopes – Retratos do Brasil Negro, Shaperville marcou o início de uma grande jornada de conquistas em todas as vertentes em que ocorria a discriminação por cor, raça e sexo. “O Massacre de Shapeville é um marco não só na história da luta contra o Apartheid sul-africano, mas na própria luta antirracista e contra as discriminações de todos os gêneros no mundo todo,  em especial nos países onde a diáspora africana aconteceu em números mais expressivos. Ele mudou a postura do Congresso Nacional Africano (CNA), que pregava a não violência frente aos ataques policiais, gerou manifestações internacionais de consciência racial  e angariou solidariedade pela causa negra em povos dos cinco continentes”, afirmou Faustino.

Escritor Oswaldo Faustino

10 Anos do Baobá: Antes de ser batizado oficialmente, fundo dedicado à equidade racial era chamado de “Mecanismo”

Neste ano de 2021, mais precisamente no mês de outubro, o Fundo Baobá para Equidade Racial completa 10 anos de existência. Nesse período, constitui-se no único  fundo exclusivo para promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. O Baobá trabalha com captação de recursos oriundos da filantropia e, através de seus editais, destina esses recursos para organizações, grupos, coletivos e lideranças negras que lutam contra o racismo e promovem a justiça social. 

Apesar da concentração de riqueza e dos impactos negativos acumulados, expressos em alguns dos piores indicadores socioeconômicos do país, a potencialidade criativa e a capacidade de superação, conferem à região grande potencialidade. Se os investimentos corretos forem feitos nos estados do nordeste, a equidade racial para a população negra poderá deixar de ser uma utopia. 

E é do nordeste a dupla que abre essa série que irá até outubro mostrando quem trabalhou e trabalha pela consolidação do Fundo Baobá para Equidade Racial como um dos protagonistas na luta contra o racismo e pela busca da equidade racial no Brasil. São eles a mestranda em Gestão Social e Desenvolvimento pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tricia Calmon, e o historiador com pós-graduação em Política e Gestão Cultural, Lindivaldo Leite Júnior. 

Tricia Calmon é baiana e Lindivaldo Júnior, pernambucano. Ambos se lembram do forte envolvimento com a ideia de que algo fosse constituído para que o povo preto nordestino fosse apoiado. “Fui convidado a fazer um trabalho de identificação de lideranças negras em Pernambuco que pudessem contribuir com um debate sobre a criação de algo que fosse para o enfrentamento ao racismo no Brasil. Não havia um nome, então, chamávamos de  mecanismo”, afirma Lindivaldo. “Eu era membro do núcleo de estudantes negros da Bahia e militante do Movimento Negro. O ano era 2008. O board da Fundação Kellogg estava visitando o Brasil, pois já organizavam a saída do país e eram muito questionados sobre temas relativos  à equidade racial”, diz Tricia. 

Lindivaldo Leite Júnior, historiador com pós-graduação em Política e Gestão Cultural

A questão de como organizar o mecanismo foi ganhando corpo. Mas Bahia e Pernambuco não poderiam ser apenas os dois estados envolvidos, entre os nove que compõem a região nordeste. “Fizemos uma caravana. Durou um mês e meio e acontecia nos finais de semana. Visitamos vários estados do Nordeste, com figuras muito representativas como Luiza Bairros, Sueli Carneiro, Magno Cruz, Lurdinha Siqueira, Luiz Alberto, todas as nossas lideranças. Acho que isso ocorreu em 2009”, relembra Tricia Calmon. Para Lindivaldo Júnior, a lembrança é da riqueza na troca de experiências: “Participei de um conjunto de diálogos sobre uma metodologia específica a ser utilizada para conversar com lideranças. Assim, realizamos encontros com grupos diferentes de lideranças negras: jovens,  veteranos, acadêmicos, gestores, quilombolas e grupos culturais”, afirma. 

O trabalho coordenado pelo pessoal do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceafro), da UFBA, foi ganhando corpo. Mas, como qualquer projeto envolvendo pessoas, com cada um tendo seu tipo de pensamento formador a respeito de um tema, as disputas acabaram aparecendo. “A proposta de surgimento do Baobá era vista como uma concorrência e não como colaboradora da agenda que havia sido proposta pela Fundação Kellogg. E isso não era dito de forma muito clara. Construir esse lugar de um fundo novo, com pauta específica e inédita, contar com todos esses parceiros e construir uma imagem de colaboração, e não de concorrência interna, foi um dos grandes desafios”, revela Calmon. No entender de Lindivaldo Júnior, a construção das relações internacionais foi o principal entrave do começo. “Havia uma dificuldade para compreender como se relacionar com órgãos internacionais de financiamento”, diz. A questão do trabalho com filantropia, incipiente no Brasil, também criava dificuldades: “Foi necessária a composição de um grupo de confiança para tratar de um tema ainda delicado junto ao movimento negro”, afirma Júnior. 

Tricia Calmon, cientista social e mestranda em Gestão Social e Desenvolvimento pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

As dificuldades foram sendo vencidas com muitos quilômetros rodados pelo nordeste,  muita conversa e a prática de estratégias de convencimento. “São 10 anos de Baobá constituído. O Baobá se tornou e é uma organização única. O único fundo do Brasil de financiamento exclusivo de projetos e causas raciais. Sem subterfúgios. Isso se tornou realidade a partir de uma carteira de projetos interessantes, muito importantes, com boa flexibilidade e diálogo com organizações do Brasil inteiro”, declara Tricia Calmon. Lindivaldo Júnior enxerga o Baobá como projeto vitorioso: O Baobá ampliou sua relação com instituições financiadoras; manteve-se articulado com outros fundos de apoio, estruturou uma equipe e cumpriu com os compromissos assumidos com a Fundação Kellogg”, diz. 

Ainda há mais a conquistar, segundo Tricia Calmon: “O nosso sonho é que o Baobá alcance o que outras organizações negras não conseguem alcançar. Esteja onde outras organizações negras não conseguem estar. Financie autonomamente as pautas. E que o Baobá esteja na boca e nas mentes de todas as organizações negras brasileiras como um catalisador político forte e importante. O Baobá não é isso ainda. As pessoas não conhecem o Baobá como deveriam, ainda! Mas o Baobá está num caminho muito bom nesse sentido”.

Movimentos e organizações sociais lançam campanha de combate à fome em meio a pandemia

A pandemia do novo coronavírus, que assola o país há um ano, trouxe um rastro de destruição que pode ser quantificado em dados: Em 12 meses, tivemos 12,5 milhões de casos e alcançamos a marca de mais de 300 mil vidas perdidas. Mesmo com a vacinação em curso, desde janeiro de 2021, até o momento, apenas 2,22% da população tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19, enquanto a média diária de morte tem alcançado o número de 3 mil por dia. Quanto mais tempo demorarmos para ampliar o acesso à vacinação e sem a consciência social sobre a prevenção, mais vidas serão ceifadas e outras tantas negativamente afetadas. 

A covid-19 acirrou desigualdades sociais existentes em nosso país, o aumento do desemprego, durante o período pandêmico, atingiu as populações mais vulneráveis e com isso, além da doença, um outro vilão têm assombrado essas pessoas: a fome.

Para fazer a contingência da pior crise humanitária dos últimos tempos no Brasil, a Coalizão Negra Por Direitos, em parceria com a Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, 342 Artes, Nossas – Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário e Grupo Prerrô, mobilizam suas forças para lançar a campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para ações emergenciais de enfrentamento à fome, à miséria e à violência na pandemia de Covid-19.

A campanha “Se Tem Gente Com Fome, Dá de Comer”, lançada no dia 16 de março, visa buscar formas de manter as ações das organizações apoiadoras nos territórios afetados pela pandemia, garantindo a saúde e a vida de lideranças territoriais e de membros do movimento negro. Aumentando a capacidade de organização e acompanhamento de famílias atendidas e, sobretudo, buscando condições estruturais e financeiras para atender milhares de famílias em extrema pobreza.

Foi realizado um mapeamento detalhado dos territórios e das famílias atendidas pelas ações de apoio humanitário promovidas pelas organizações que compõem esta campanha. O resultado prévio deste trabalho identificou 222.895 famílias a serem apoiadas e mobilizadas em periferias, favelas, palafitas, comunidades ribeirinhas e quilombolas de todo o território nacional. Famílias prioritariamente negras. 

O Fundo Baobá, com a premissa de promover a equidade racial para a população negra em nosso país, é mais um braço a somar nesta iniciativa. Assumimos o compromisso de divulgar a campanha junto às nossas bases e parceiros por meio de ações de comunicação, em eventos e outros espaços estratégicos. Falaremos da “Se Tem Gente Com Fome, Dá de Comer” e a necessidade do apoio, participação e doação nessa empreitada. Todos podem participar dessa iniciativa, sendo pessoa física ou jurídica, o mais importante é doar.

A atuação do Fundo Baobá no combate à Covid-19, no ano de 2020, renderam cinco editais voltados para comunidade negra em situação de vulnerabilidade. Em um balanço preliminar, foram investidos mais de R$ 1.180 milhões, que beneficiaram, direta ou indiretamente, 421 indivíduos e 135 organizações, no contexto da pandemia do novo coronavírus.

Para saber mais sobre a campanha “Se Tem Gente Com Fome, Dá de Comer”, e como colaborar acesse o site oficial e participe dessa iniciativa. 

Com uma “Bike Sonora”, o Movimento Social Fome levou informações em tempos de fake news

Imagine um sistema de som ligado em uma bicicleta levando informações corretas  sobre a covid-19 e como se prevenir. Pois essa bicicleta existiu – e percorreu várias ruas de Sobral, no Ceará com o apoio do “Edital Apoio Emergencial para Ações de Prevenção ao Coronavírus” – uma iniciativa do Fundo Baobá em parceria com a Fundação Ford, para apoiar projetos de regiões e povos vulneráveis mais afetados pela pandemia da Covid-10 no Brasil.

“Projeto Bike Sonora” do Movimento Social Fome – Sobral (CE) – (Foto: arquivo pessoal)

Lançado no dia 5 de abril de 2020, em apenas 12 dias, o edital recebeu 1.037 inscritos de todas as regiões do país. Nesse total, 387 eram iniciativas de organizações sociais e 650, de indivíduos. Após uma análise minuciosa da organização, o Fundo Baobá divulgou em três listas um total de 350 projetos selecionados, sendo 215 de indivíduos e 135 de organizações. Cada iniciativa recebeu R$ 2,5 mil para ações de prevenção em comunidades periféricas ou de difícil acesso.

Entre essas iniciativas selecionadas estava o Movimento Social Fome, de Sobral (CE), com o seu ousado projeto da Bike Sonora: “A ideia surgiu como uma força de construir uma comunicação não violenta, onde não assustasse as pessoas num momento tão delicado que estamos passando. Era fundamental colocarmos nas ruas informações necessárias e cuidadosas a fim de atingir um público exclusivo que era a periferia”, diz a fundadora, produtora cultural e articuladora social do Movimento Social Fome, Raiana Souza.

“Projeto Bike Sonora” do Movimento Social Fome – Sobral (CE) – (Foto: arquivo pessoal)

Em tempos de fake news e desinformação, o trabalho do Movimento Social Fome na proliferação de informações sobre o novo coronavírus na comunidade carrega a alcunha de serviço essencial para a população: “Tivemos o cuidado de fazer frente a uma desconstrução de informações falsas advindas da produção de Fake News que se espalhavam nas mídias sociais e tomavam proporções de abrangências exorbitantes, desse modo, pensar uma estratégia de comunicação no combate e enfrentamento a covid-19 foi uma tarefa de luta coletiva que está simbolizando, até hoje, um marco na nossa trajetória enquanto moradores e militantes sociais”.

Muito antes da covid-19 ser decretada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Bike Sonora ser uma realidade em meio à crise da saúde pública, o Movimento Social Fome já fazia a diferença para a população vulnerável de Sobral. Fundado no ano de 2013, trata-se de um coletivo de jovens moradores da periferia sobralense, surgido nas calçadas, nas ruas e nas associações comunitárias do bairro Terrenos Novos, periferia da cidade de Sobral: “O surgimento do Movimento Social Fome se deu em meio aos ensaios de um grupo de teatro de rua que ensaiava durante a semana no período noturno ao lado da capela da igreja católica, hoje paróquia São Paulo Apóstolo. Foram quase três anos acompanhando as movimentações de amigos, conhecidos e colegas que faziam parte do grupo de teatro denominado ‘Amigos da Paixão’. O grupo só produzia e encenava no período da quaresma cristã, passando assim, o restante do ano, sem organizar ou produzir qualquer outro trabalho teatral”. E foi durante esse longo intervalo sem produzir, que Raiana e os seus amigos enxergaram a necessidade de criar algo que movimentasse a cultura entre os jovens daquele local, e assim nasceu o Movimento Social Fome: “A pretensão inicial do FOME era construir uma agenda de atividades artísticas e culturais como forma de ocupação direta do espaço público da periferia, tornando essas atividades uma maneira mais direta de chegarmos nas pessoas do bairro a fim de convidá-las para fazerem parte do coletivo, ou mesmo apoiar as ações que eram executadas”.

Raiana Souza, fundadora, produtora cultural e articuladora social do Movimento Social Fome – (Foto: arquivo pessoal)

Além de Raiana Souza, fundaram o Movimento Social Fome o educador social e produtor cultural Renan Dias, o artista e grafiteiro Thiago Tavares, o rapper e músico Frank Soares, os produtores culturais e Mc’s Leandro Guimarães e Wisley Nascimento, assim como a produtora cultural e social mídia Fran Nascimento: “Nossa primeira atividade na rua foi exatamente com a proposta de uma intervenção audiovisual com exibições de filmes e videoclipes de artistas locais. O Cine Comunitário foi uma atividade bem direta com a finalidade de explorar a reação das pessoas que até então não sabiam exatamente do que se tratava aquela intervenção audiovisual”, relembra Raiana. No ano de 2018, o Cine Comunitário se tornou Cine Mucambim em alusão ao açude histórico que fica localizado dentro do bairro Terrenos Novos: “para nós moradores do bairro, o Mucambinho tem um valor imaterial que se estende desde sua historicidade até mesmo o valor econômico e social que o mesmo traz para famílias de pescadores que tiram do açude a única renda para por em casa”.

Sessão do Cine Mucambim no bairro Terrenos Novos (Foto: arquivo pessoal)

Outras atividades artísticas e culturais foram organizadas pelo Movimento, como o Som na Praça, com o propósito de levar para as praças e calçadas dos bairros Terrenos Novos e Vila União, ações voltadas à música e leitura. Assim como aulas de música, o Sarau Força e Resistência na praça da juventude no bairro Vila União e o Miss Perifa, que consiste na formação, produção e desfile de mulheres cis, trans e travestis da periferia: “O Miss Perifa é um evento de desfile auto-organzado pelo núcleo feminista do Movimento Social Fome que se chama “Mulheres do Gueto que Lutam sem Medo”.

O Miss Perifa é um evento de desfile auto-organzado pelo núcleo feminista do Movimento Social Fome que se chama “Mulheres do Gueto que Lutam sem Medo” – (Foto: arquivo pessoal)

Em 2014, o grupo participou de duas ações integradas dos moradores da região, o Sopão Comunitário e o Natal Comunitário: “Eram atividades organizadas com o apoio dos moradores do bairro que contavam com o apoio do Fome para realizar outras ações integradas como levar oficinas de graffiti, oficinas de artesanato, oficina de desenho, exibição de filmes com o cine comunitário e organização de mutirões de limpezas nas áreas adjacentes onde ocorriam os eventos especiais”.

Com a chegada da covid-19, com as medidas de isolamento social para conter o avanço da doença e evitar um colapso no sistema de saúde, o Fundo Baobá lançou o edital Doações Emergenciais, e o Movimento Social Fome inscreveu o seu projeto Bike Sonora, sendo uma das 350 iniciativas selecionadas: “A relação do cuidado em tempos de pandemia também ressoou diretamente na renda básica familiar de moradores da periferia. Notamos que, com a pandemia, houve um crescente número de desempregados a nível nacional, e com nossa realidade aqui da periferia da cidade de Sobral/CE não foi diferente. Muitas famílias e jovens enfrentam as duras dificuldades para manter-se vivos e sobreviver ao vírus e a crise financeira que assola ainda hoje muitas pessoas”, e com o apoio dado pelo Fundo Baobá, houve uma transformação na realidade daquela região: “A partir do incentivo gerado pelo edital do Fundo Baobá, que nós do Movimento Social Fome pensamos estratégias de redistribuição da grana para um número maior de pessoas, fazendo assim circular um dinheiro dentro do próprio bairro”, afirma Raiana. “Conseguimos pagar um incentivo fixo para três jovens dos bairros onde o projeto Bike Sonora foi executado: Terrenos Novos, Vila União e Nova Caiçara, além é claro de distribuição de cesta básica de alimentos e produtos de higiene pessoal para famílias e crianças que participam da Biblioteca Comunitária Adalberto Mendes”. A biblioteca é um espaço em Terrenos Novos, onde o Movimento Social Fome executa atividades pedagógicas voltadas às crianças. O espaço se encontra fechado desde o início da quarentena em março de 2020.

Ao relembrar os momentos marcantes vivenciados com o projeto Bike Sonora, Raiana cita a experiência vivida pelo jovem Emanuel Nascimento, que “pilotou” a Bike Sonora pelas ruas de Sobral, e que se no começo ele despertou o estranhamento da população, que não estava acostumada com aquele tipo de novidade, no meses seguintes ele ganhou o carinho e consideração dos moradores locais: “No começo as pessoas estranhavam aquela ação e não entendiam ao certo o objetivo ou do que se tratava, causando assim pouca adesão por parte dos moradores. Com um tempo, Emanuel nos contou que os mesmos moradores agora já paravam ele para elogiar a iniciativa parabenizando-o pela coragem, pela luta e pelo cuidado coletivo. E a partir daquele momento muitos moradores já o esperavam no horário marcado que a Bike Sonora passava para lhe oferecer água, merenda e um cafezinho da tarde”. Raiana revela que depois que as ações do Bike Sonora chegaram ao fim, Emanuel relatou para a equipe do Movimento Social Fome que muitas pessoas do seu bairro tem perguntado porque parou e quando o Bike Sonora irá voltar.

“Projeto Bike Sonora” do Movimento Social Fome – Sobral (CE) – (Foto: arquivo pessoal)

Um ano depois de decretada pandemia de covid-19, hoje no Brasil nós vivemos o pior momento da doença, com média móvel de 71.739 novos casos e com 57 dias seguidos com a média móvel de mortes acima da marca de 1 mil. Mais de 300 mil vidas perdidas. Raiana Souza, destaca a importância do trabalho do Fundo Baobá com edital Doações Emergenciais e o impacto que ele causou na comunidade: “Os impactos centrais que podemos citar aqui se destacam entre duas linhas de campo principais que são: A informação e o cuidado coletivo dentro da periferia, e a distribuição de renda que foi ofertado pelo edital”.

Mesmo sem o trabalho da Bike Sonora, o Movimento Social Fome continua ativo no combate à covid-19 e colocando em prática as lições aprendidas com apoio do edital Doações Emergenciais: “Acredito que os vínculos que foram criados a partir do projeto apoiado pelo Fundo Baobá, o Bike Sonora, foram fortemente estabelecidos nos desejos de sempre insistir, resistir e não se entregar. Temos fome e ela não espera, quem tem fome tem pressa”.

Veja o vídeo da Bike Sonora em ação aqui

Diretora-executiva do Fundo Baobá é destaque em evento virtual sobre empreendedorismo e sustentabilidade

ESG é uma sigla em inglês que, para quem não é do ramo corporativo, não diz muita coisa. Mas trata-se de um conceito empresarial fundamental nos nossos tempos: Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). A primeira vez que ele foi utilizado foi no ano de 2005, em um relatório intitulado “Who Cares Wins” (Ganha quem se importa), sendo um resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, 20 instituições financeiras de nove países diferentes, incluindo o Brasil, se reuniram para desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão empresarial. 

Foi sobre o tema ESG que a XP Investimentos realizou, entre os dias 2 a 5 de março, um evento virtual reunindo os principais experts do mercado financeiro para debater investimentos sustentáveis. Em quatro dias de debates virtuais, participaram Guilherme Benchimol (CEO e fundador do Grupo XP), o cientista Prof. Carlos Nobre, Denise Hills (Diretora Global de Sustentabilidade na Natura), José Alexandre Vasco (Superintendente da CVM), Liz Davidson (Ministra Conselheira do Governo Britânico no Brasil), Oskar Metsavaht (Fundador da Osklen e embaixador UNESCO para Sustentabilidade), o autor do livro “Cisnes Verdes”, John Elkington, Luiza Helena Trajano (Presidente do Conselho da Magazine Luiza), Liliane Rocha (Fundadora e CEO da Gestão Kairós), Rachel Maia (Fundadora RM Consulting e Presidente do Conselho Consultivo do UNICEF), DJ Bola (Fundador e Diretor da A Banca, produtora social cultural) e a diretora-executiva do Fundo Baobá para Equidade Racial, Selma Moreira, entre outros.

Selma Moreira participou do painel “Sustentabilidade Integrada à Governança: Estratégia e Transparência”, no dia 4 de março. Mediado pela analista de pesquisa ESG da XP Investimentos, Marcela Ungaretti, ele contou também com o fundador da Blockc/ZCO2, membro do comitê de sustentabilidade da Duratex e da Marfrig, presidente do conselho da D.R.I Brasil e membro da Conecta Direitos Humanos, Marcelo Furtado, e com a diretora ESG e relações com investidores do Grupo Cosan, Paula Kovarsky, que na ocasião substituiu o CEO da Cosan,  Luis Henrique Guimarães.

Painel “Sustentabilidade Integrada à Governança: Estratégia e Transparência”

Selma Moreira fez uma análise sobre o histórico de discussão envolvendo o conceito ESG: “É uma discussão que não é nova, a gente tem uma nova forma de se dirigir ao ESG.  A gente falava de Triple Bottom Line (que é o chamado tripé da sustentabilidade) há um tempo atrás, e já havia uma preocupação em se pensar muito além de compliance, em fazer o que é certo, da forma correta. Hoje quando eu observo a forma de operação das empresas privadas e dos fundos que propõe fazer investimentos nessas empresas para promoção de desenvolvimento, eu acho que a gente olha e consegue ter nitidez de uma consolidação de termos econômicos, de estratégias de gestão e de compliance, muito adequadas. A gente está começando a melhorar, mas ainda me parece que há que se desenvolver formas, métodos e ações, que permita que a parte do “S” e do “E” do ambiental, sejam avaliadas de uma maneira mais estratégica”. Ainda com a palavra, Selma fez uma importante análise contextual do Brasil contemporâneo: “Pensando no nosso contexto de país, a gente está aqui hoje em um dia de muita emoção, mas a gente olha para o nosso país em um dia de luto, um dia muito triste, e não dá para dissociar a empresa do contexto ao qual ela pertence. A gente está vivendo um contexto de tristeza e as empresas são formadas por pessoas, então, no fim do dia, quando a gente conecta tudo isso, conseguir colocar um olhar mais direcionado para que as decisões promovidas pelas empresas sejam éticas e justas, vai muito além da lei. No momento que a gente está pensando que as decisões são promovidas pelos conselhos, executadas pelos executivos, elas se coloquem, sejam passíveis de dúvidas. Quando a gente começa a repensar as nossas certezas, a gente começa a repactuar nosso pacto de gestão, com o ambiente no qual a gente pertence e com o planeta. Acho que é fundamental começar por aí”.   

Selma Moreira durante o painel “Sustentabilidade Integrada à Governança: Estratégia e Transparência”

Paula Kovarsky complementou o raciocínio: “Eu concordo muito com o que a Selma falou, que precisa ser uma coisa que está imbuída em todo o seu processo de tomada de decisão e, essencialmente, porque o mundo está caminhando nessa direção, então isso tem que ser por definição círculo virtuoso, eu preciso como companhia olhar para as tendências de mudanças climáticas, por exemplo, porque isso vai definir o portfólio de produtos que vai ter sucesso num horizonte de cinco a dez anos. Eu preciso ter uma empresa que é reconhecida e que tem, de verdade, um compromisso com a diversidade, porque se eu não tiver isso, eu não vou ser capaz de atrair os talentos que eu preciso para ter sucesso no futuro”.

Questionada sobre qual é a importância de ter a diversidade em diferentes níveis de governança, quais são os desafios dessa jornada e o que precisa ser feito de fato para atingir esse patamar, Selma Moreira fez questão de frisar a importância do diálogo em diferentes esferas: “A gente vive um momento onde o mundo está mais aberto para o diálogo. O que era uma barreira antes, e trazia aquela dificuldade de se expor e de estar em um ‘terreno difícil’, hoje há mais abertura e disposição para dialogar. O que é fundamental, se a gente não dialogar, estará alimentando um processo que é da construção da nossa sociedade desigual. Precisamos também qualificar esse diálogo. Hoje nós temos pesquisas que mostram que, com igualdade de gênero, a produtividade melhora em 15%, e que, quando é trabalhado questões raciais e étnicas, a produtividade melhora 35%.

Com esses dados apresentados, Selma Moreira aprofunda o debate do diálogo da diversidade, principalmente, nos níveis executivos: “Nós precisamos entender que diversidade é lucrativo, então a gente tem que pensar isso para todas as etapas, para todos os estágios de gestão de uma organização, na base, mas também no topo, também nos níveis executivos e nos conselhos. E justamente nos níveis executivos que a gente vai perceber os gargalos, no qual 4,9% é o número de executivos negros que participam de conselhos de administração e 4,7% é o número de executivos na gestão”. 

Selma Moreira (Fundo Baobá), Paula Kovarsky (Grupo Cosan) e Marcelo Furtado (Duratex, D.R.I Brasil e Conecta Direitos Humanos)  

Para Selma, é necessário reflexão e auto análise quando o assunto é diversidade de gênero e étnica: “A gente precisa refletir sobre todo o processo de desigualdade e gargalo acumulado no processo escolar e nas questões de acesso ao mundo do trabalho. Então precisamos criar processos que sejam de fato mais inclusivos e afirmativos também, até porque considerando o ritmo que a sociedade resolve os seus problemas, precisamos ser mais evidentes e mais convictos no que a gente quer fazer. O fato de, no Brasil a gente observar essas desigualdades todas, ter nitidez de tudo isso, é um momento de fazer auto análise, do viés inconsciente, de como a gente gosta de ficar com os nossos iguais, como é bacana falar com alguém em que as ideias e valores conectam com os nossos, mas isso nos leva a construir as mesmas soluções de sempre, baseado em seu mindset. A gente precisa se permitir diversificar, como fazemos com os investimentos, com os portfólios, é o que a gente faz com os produtos, mas a gente não vai conseguir diversificar se ficar procurando um currículo igualzinho ao nosso”.

Hoje, a população negra no Brasil, segundo dados do IBGE, equivale a 56%. Mesmo assim, pessoas negras são minorias em cargos de chefia. Selma aproveitou a oportunidade para compartilhar a sua própria experiência profissional: “Eu sou uma mulher negra de origem periférica e que trabalha com equidade racial, trata-se de um tema que não está longe do meu dia-a-dia, ele está no meu coração, é o que corre na minha veia, mas é um tema que é de muita resistência em muitos espaços. Então, o questionamento que eu trago é: como é que a gente se abre para o diálogo e como é que a gente constitui mais potência a partir das nossas diferenças? Esse é o caminho que vai fazer com que se constituam empresas e uma sociedade cada vez mais forte, diversa, brilhante, potente e respeitando as diferenças. A gente não inova se não olhar a partir de um outro ponto”.

Dentro do mesmo contexto, Selma Moreira falou sobre a importância da equidade: “Tem um ponto que a gente pouco usa nos diálogos no Brasil que é falar de equidade, que se trata de justiça. Quando a gente fala de olhar as populações, há que se pensar o quanto as empresas refletem, de maneira justa, a população das regiões onde elas estão inseridas. E nós estamos olhando para isso? A gente tem feito alguma ação que nos tira do lugar de conforto para produzir essa diversidade? Pode ser que tenhamos uma trilha de aprendizagem e aprender faz parte”. 

Para assistir a participação completa da Selma Moreira no painel “Sustentabilidade Integrada à Governança: Estratégia e Transparência”, basta se cadastrar gratuitamente aqui e acompanhar esse e outros painéis ocorridos no evento Expert ESG.

Fundo Baobá na Imprensa em Fevereiro

No dia 11 de fevereiro, o presidente do conselho deliberativo do Fundo Baobá para Equidade racial, Giovanni Harvey,  participou do “Webinar: Direitos Humanos e Empresas”, organizado pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE). Além de Giovanni, participaram do evento virtual, o presidente do IREE, Walfrido Warde, o economista e pesquisador do INSPER, Michael França, o jornalista, coordenador de direitos humanos do IREE e coordenador do Coletivo de Entidades Negras, Yuri Silva e a presidente do conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Trajano.

Em sua fala inicial, Giovanni Harvey citou a importância daquele evento que buscava reiterar a importância dos direitos humanos dentro de uma instituição privada: “O tema do evento é extraordinário, as empresas privadas têm um papel importantíssimo no que diz respeito às pautas sociais, elas são instituições educacionais”. Na ocasião, Giovanni fez questão de relembrar um diálogo que teve com o empresário e doutor em engenharia metalúrgica e materiais, Alfredo Laufer, na época do pensamento nacional das bases empresariais, durante a transição democrática, nos anos 1980, no qual falava da função educacional que as empresas cumpriam junto aos seus funcionários: “Muitas vezes nas empresas, os funcionários tinham acesso à condições sanitárias e de alimentação, coisas que não tinham em sua residência. E eram influenciados pela convivência no ambiente de trabalho, que essas pessoas passavam a investir nas melhorias de saúde e de vida dos seus lares”, reflete Giovanni, que ainda faz um paralelo com a atual situação: “Hoje, a pauta trabalhada dentro das empresas se ampliou e envolve questões como democracia e direitos humanos”.

Durante o webinar, ao ser questionado pelo jornalista Yuri Silva, sobre qual era o papel do estado e do setor privado no debate das pautas dos direitos humanos, Giovanni Harvey fez questão de lembrar da sua experiência profissional nos dois lados: nos entes federativos (município, estado e governo federal) em oito oportunidades diferentes, e na iniciativa privada: “Não há comparação entre a musculatura que o estado tem para formular, implementar e gerir políticas públicas de direitos humanos, em comparação com as empresas. O estado detém prerrogativas que as empresas privadas não têm. Mas, por outro lado, as empresas têm um papel fundamental nessa luta, tem um papel subsidiário, um papel educativo, um papel à partir dos seus valores, dos seus princípios, da sua capacidade de influenciar a sociedade através da publicidade e das boas práticas”, diz Giovanni, que faz questão de mencionar a importância das instituições privadas no momento atual: “No contexto como esse que nós estamos vivendo que há uma interdição do Estado, em relação a agenda de direitos humanos, as empresas tomaram para si essa responsabilidade, elas saíram de uma zona de conforto. Claro que são papéis distintos, as empresas não substituíram o Estado, elas não têm a força que o Estado tem, elas não têm a capacidade legislativa que o Estado tem, mas elas têm o papel fundamental, nessa conjuntura que o Brasil está vivendo hoje, com a interdição de segmentos importantes do Estado, as empresas adquiriram protagonismo fundamental e, graças a sociedade civil e as empresas privadas, nós estamos conseguindo manter essa agenda no momento no qual o Estado deixa a desejar como protagonista desse processo”, finaliza.

Para acompanhar o evento na íntegra, basta assistir o vídeo abaixo: 

No dia 8 de fevereiro, a doutora, filósofa, ativista, uma das fundadoras do Fundo Baobá para Equidade Racial e membro do conselho deliberativo da organização, Sueli Carneiro, foi premiada pela Associação de Estudos Latino Americano (Lasa). Em nota oficial, a entidade afirma: “A Dra. Carneiro, recebe este prêmio por sua vasta produção acadêmica centrada nas relações raciais e de gênero na sociedade brasileira, (…) bem como pelo seu destacado compromisso no âmbito das políticas educativas”.

A premiação de Sueli Carneiro foi destaque em uma matéria no portal UOL escrita pela jornalista e escritora, Bianca Santana. No texto, Bianca relembra momentos importantes da trajetória da doutora Sueli, como a publicação do seu primeiro livro “Mulher Negra: Política Governamental e a Mulher”, em 1985. A sua coordenação na pesquisa em todos os cartórios e fóruns do estado de São Paulo para identificar condenações por discriminação racial com aplicação da Lei Afonso Arinos, no ano de 1989. Além da criação do Programa de Direitos Humanos de Geledés – Instituto da Mulher Negra.

A matéria completa pode ser lida aqui.

No dia 26 de fevereiro, o portal Seu Dinheiro, fez uma matéria divulgando o evento Expert ESG, organizado pela XP Investimentos no mês seguinte, entre os dias 2 a 5 de março, reunindo os principais experts do mercado financeiro para debater investimentos sustentáveis. Entre os participantes, estava a diretora-executiva do Fundo Baobá para Equidade Racial, Selma Moreira, que participou do terceiro dia de evento, voltado para “governança corporativa”, discutindo como a cultura corporativa e os líderes empresariais estão migrando para um modelo mais consciente e sustentável de negócios. Neste dia, além de Selma Moreira, o Expert ESG contou com Raj Sisodia, co-fundador e co-presidente do Conscious Capitalism Inc. e professor da Babson College. Halla Tomasdottir, empresária e CEO do B Team (organização que tem liderado um movimento global para ressignificar o papel dos negócios na sociedade) e ex-candidata à Presidência da Islândia. Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan. Marcelo Furtado, fundador da Zscore/BlockC, membro de Conselhos e do Comitê de Sustentabilidade da Duratex e da Marfrig. Gilson Finkelsztain, CEO da B3; e Renato Franklin, CEO da Movida.

A programação completa do evento, você pode conferir aqui.

Apoiadas do Fundo Baobá são destaque na imprensa

E como não poderia ser diferente, as nossas apoiadas do Fundo Baobá ganharam mais uma vez destaque na imprensa, com as suas ações, conhecimentos e com as suas contribuições para promoção da equidade racial.

No dia 11 de fevereiro, a jornalista Midiã Noelle, apoiada do Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, escreveu uma coluna para o jornal Folha de São Paulo, dando a sua opinião sobre a representatividade negra no reality show Big Brother Brasil, da Rede Globo de Televisão. No texto “BBB 21: desserviço e contribuição ao ódio racial”, Midiã traz uma reflexão de como as importantíssimas pautas raciais foram reduzidas e ridicularizadas no programa, assim como os participantes negros, em nome do entretenimento.

O texto completo, você pode ler aqui.

Por fim, outra liderança do Programa Marielle Franco também ganhou destaque na mídia em fevereiro, a liderança comunitária, integrante do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste e do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), ambos em Recife (PE), teve a sua participação no webinar “Mudança climática: sujeito feminino?” divulgada no portal eCycle.

O evento virtual que vai acontecer no dia 6 de maio, é organizado pelo Observatório do Clima, em parceria com a organização ambiental Imaflora, e trará discussões sobre impacto de gênero nas variações climáticas no Brasil e ao redor do mundo, além da criação de um grupo de trabalho para propor ações na intersecção entre os dois assuntos.

Saiba mais sobre o evento e de como participar aqui.

 

Veja as matérias completas abaixo:

09/02/2021 – IREE Webinar: Direitos Humanos e Empresas:
https://iree.org.br/iree-webinar-direitos-humanos-e-empresas/

09/02/2021 – Sueli Carneiro recebe prêmio da Lasa por sua produção acadêmica:
https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/bianca-santana/2021/02/09/sueli-carneiro-recebe-premio-da-lasa-por-sua-producao-academica.htm 

26/02/2021 – XP promove evento online e gratuito com experts do mercado para discutir ESG – entre os convidados estão Yuval Harari, Jean Case e Luiza Trajano:
https://www.seudinheiro.com/2021/xp-branded/xp-promove-evento-online-e-gratuito-com-experts-do-mercado-para-discutir-esg-entre-os-convidados-estao-yuval-harari-jean-case-e-luiza-trajano/ 

 

Matérias sobre apoiados do Fundo Baobá

11/02/2021 – Midiã Noelle – BBB 21: desserviço e contribuição ao ódio racial:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/perifaconnection/2021/02/bbb-21-desservico-e-contribuicao-ao-odio-racial.shtml

26/02/2021 – Sarah Marques – Observatório do Clima e Imaflora promovem webinar sobre gênero e mudança climática:
https://www.ecycle.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9401&Itemid=