Programa Marielle Franco, conheça as propostas selecionadas!

O intuito do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco é o de fomentar que lideranças femininas negras, de forma individual ou coletiva. Com o Programa, resultado da parceria entre Baobá – Fundo para Equidade Racial, Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations, pretende-se contribuir para que mulheres negras tenham mais subsídios para acessar espaços de tomada de decisão; mobilizem mais pessoas para a luta antirracista, por justiça, equidade racial e social e transformem o mundo a partir de suas experiências.

Foi uma grande jornada desde a primeira comunicação oficial do Programa (em março de 2019) até hoje. Foram muitas leituras; mapeamento de necessidades e expectativas e  grupos focais;  desenho e revisão de textos de editais; desenvolvimento de uma plataforma virtual própria; organização de eventos; produção de materiais de orientação (manual e vídeos); criação e manutenção de canais de atendimento às dúvidas; análise de propostas, documentação e, finalmente, a seleção.

Para que todas as interessadas tivessem igualdade de oportunidades no envio de suas propostas e participassem dessa seleção, foram necessários vários ajustes de rota como, por exemplo, a prorrogação do prazo para envio de projetos. 

Foram 53 dias de inscrições abertas, mais de 1000 mulheres e cerca de 200 organizações, grupos e coletivos, interessadas nos editais.  Perguntas, críticas e elogios vindos de mais de 20 estados do país e Distrito Federal. Cerca de 500 projetos analisados, 30 pessoas envolvidas nas diferentes fases do processo seletivo – 99% negras. São muitas histórias potentes! Hoje, 10 de dezembro de 2019 estamos muito felizes em anunciar as propostas selecionadas!

Selecionadas no edital de “Aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras

Nome completoEstadoNome do Projeto
Aline Pinto Lourena MeloRJPDI ALINE LOURENA
Ana Bartira da Penha SilvaRJEquidade na Representação Social : Plano de Desenvolvimento
Ana Cristina da Silva CaminhaBAMulheres Negras e Direito à Cidade: enfrentamento ao racismo e sexismo institucionais
Ana Lídia Rodrigues LimaCEEducação para enfrentamento das violências sexuais, LGBTfobia e racismo
Andressa FerreiraRSMulheres Negras e Tecnologia – Produção Musical Enegrecida
Anielle Francisco da SilvaRJEmpoderamento através da memória e legado de Marielle Franco
Bárbara Fraga dos Santos AguilarMGPretas Tech: Mais Mulheres Negras na Tecnologia
Brígida Rocha dos SantosMAVivências e Resistências de Mulheres Negras ao Trabalho Escravo
Brunna Kalynne Moraes LeandroALComunica Preta
Carolina Araujo de BritoPBEnegrecendo o artvismo: multilinguagem na luta antirracista
Clara Maria Guimarães Marinho PereiraDFConstruindo a liderança na administração pública federal
Daiane de Almeida PereiraSPPrograma de acesso a crédito e investimento para empreendedores negros
Dandara Rudsan Sousa de OliveiraPAAtitude TRANSversal: Mulher Negra Transexual da Amazônia tecendo Redes e ampliando horizontes
Danubia Santos e SantosBAProjeto individual de desenvolvimento politico e social
Dogivania Sousa LimaMAEducação para mais ação
Emília Carla Costa LeiteMARecontando Nossas Histórias como Instrumento de luta pelo chão sagrado
Enedina do Amparo AlvesSPCapacity-building:Ativismo legal e intercâmbio linguístico no desenvolvimento de lideranças negras
Éthel Ramos de OliveiraRJAprimoramento em roteiro de ficção, lingua estrangeira e autonomia técnica de uma cineasta
Evânia MariaMGTratamento da dor crônica é um direito humano e uma questão de justiça social
Giovana Xavier da Conceição CôrtesRJCiencia de Mulheres Negras: liderança acadêmica e pesquisa ativista no Brasil
Girlian Silva de Sousa PAEspecialização em Influência Digital como Estratégia de Potencialização do Ativismo Feminista Negro
Hellen Caroline dos Santos SousaBADesenvolvmento Sustentável – para comunidades empreendedoras autônomas e participativas.
Ingrid Delcristyan de Assunção Farias SouzaPEAdvocacy Feminista Antirracista por uma nova politica de drogas
Jaciara dos Santos RibeiroBAIyá Omi: o legado ancestral da Yalorixá Jaciara Ribeiro na luta contra o racismo religioso
Jaciara Novaes MelloPRAya Muitas negras no Brasil
Jaqueline Ferreira FragaPEComunicação Negra: Inspirar, Apoiar e Conscientizar
Jenair Alves da SilvaRNOdodo aye 
Jéssica Lúcia dos RemédiosRJBlack Data – Uma preta na ciência de dados
Jessica Vanessa dos SantosPEJéssica Vanessa: jovem, mulher, negra e liderança juvenil
Joice Silva dos SantosPIInstrumentalização, ocupação e trasmissão de conhecimento: sementes para transformações políticas
Juliana de Oliveira FerreiraGOMovimentos Atlanticos
Karen Freitas FranquiniRJImpactando Jovens Periféricos – Karen Franquini
Keitchele Lima da SilvaSPSementes Marielle
Leandra RobertaSPVERVE- DÉJÀ VU AFROTURISTA 1º ATO- ANCESTRALIDADE HIGH TECH
Lorena Amorim BorgesMGMagistratura Preta
Luciane dos Reis ConceiçãoBAAyamo (Destino)
Lucimar Sousa Silva PintoMAPlantando sementes, cultivando redes de cuidado e colhendo justiça social.
Magna Barboza DamascenoSPRacismo e a interface com a violência doméstica na Saúde
Maria da Piedade Marques de SouzaPEMulheres Negras e Irmandade: Construindo redes de solidariedade
Mariana Gomes da Silva SoaresBAMalunga: direito à comunicação e tecnologias de informação e comunicação
Marina Ribeiro LopesSEVozes Pretas- o poder da comunicação no combate ao racismo
Marinete da SilvaRJRede de apoio e acolhimento à mulheres negras
Mayara Silva de SouzaSPMeus sonhos não serão ser interrompidos.
Mayne da Silva SantosBAOcupar novos espaços de poder re-existir e seguir tecendo a rede
Midiã Noelle Santos de SantanaBAOlhares de Liberdade: midiativismo para enfrentamento ao racismo
Monalyza Ferreira Alves PereiraRJDe uma para muitas – Transformação, comunicação e formação em Gestão de Politicas Públicas
Nanan da Silva Sousa MatosDFNãnan & a Música à Serviço do Empoderamento da Mulher Negra
Patrícia Lacerda Trindade de LimaBAFortalecendo o diálogo social no mundo do trabalho na luta por igualdade e justiça social
Renata da Silva SantosSPMeduza – a vez e voz dela
Renata Nunes VazRJA valorização do turismo interno e das guias de turismo
Sarah Marques do Nascimento PEFortalecimento e resgate histórico das lutas comunitárias
Sibele Gabriela dos SantosSPTodas Vidas Negras Nos Importa: Educação Anti-Racista Já!
Sulamita Rosa da SilvaACrede de formações como forma de empoderamento no estado do Acre
Taís dos Santos NascimentoPEInspirar e atrair mais mulheres negras na área de Design e Tecnologia a partir da minha liderança
Tania Heloísa de MoraesSPMulher Quilombola na Defesa dos Direitos e pela vida!
Vanessa Maria Gomes BarbozaPEAUTORFORMAÇÃO NEGRA: Fortalecida e Perseverante
Vilma Maria dos Santos ReisBACanal Maria Mariwô
Vitória Helena Senger Barreiros da SilvaSCBot Dandara
Wemmia Anita Lima SantosDFEmpreendedorismo periférico: RAIX e protagonismo jovem no DF
Wézya Mylena dos Santos FerreiraSEPOR UMA EFETIVAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MULHERES ENCARCERADAS SOB UM OLHAR INTERSECCIONAL

Selecionadas no edital de Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras

Nome da OrganizaçãoEstado projetoProjeto
INSTITUTO OMOLARA BRASILRJTrincheira Preta Feminista
Grupo de Mulheres GingaBAMulheres Negras: Elaborando estratégias, fortalecendo saberes
Abayomi Juristas NegrasPEABAYOMI JURISTAS NEGRAS
GRUPO DE MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS MARIA QUITERIAPBEQUIDADE SIM! RACISMO NÃO!
Instituto de Mulheres Negras de Mato GrossoMTVOZ DO IMUNE: 18 anos em movimento
REDE DE MULHERES NEGRAS DE PERNAMBUCOPEPROJETO OLORI: MULHERES NEGRAS E PERIFÉRICAS CONSTRUINDO LIDERANÇA
Coletivo Filhas do VentoPETravessias negras: das margens periféricas aos centros decisórios do poder
Quilombo MojuPA Marias Quilombolas
Marcha das Mulheres Negras de São PauloSPAquilombar e ampliar universos – formação política para mulheres negras
INSTITUTO DA MULHER NEGRA DO PIAUI – AYABÁSPIEsperança Garcia: conhecimento e registência
Abayomi coletiva de mulheres negras na ParaibaPBObirim Dudu: Movimentando as estruturas contra o racismo
Mulhere Negras DecidemRJMulheres Negras Decidem – Um Novo Projeto de Democracia
NegrasFotosGrafiasRJOLHAR E ESCUTA EM REDE DE CRIAÇÃO
Blogueiras NegrasPEBlogueiras Negras consolidando o legado da comunicação no movimento de mulheres negras no Brasil

Meu projeto foi selecionado, e agora?

Pedimos que as selecionadas fiquem atentas às suas caixas de entrada, pois o Fundo Baobá fará contato EXCLUSIVAMENTE por e-mail, compartilhando as informações sobre os próximos passos do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco.

Se sua proposta não estiver na lista.

Para o edital de Fortalecimento de Capacidades de Organizações, Grupos e Coletivos, faremos ainda uma segunda chamada, pois temos um recurso adicional para incluir mais projetos nessa lista. Faremos a seleção de “repescagem” com a mesma dedicação e atenção que selecionamos os projetos da primeira etapa. Por isso, divulgaremos, nessa mesma página, os outros projetos selecionados no dia 20 de dezembro de 2019, também às 17h, horário de Brasília.

Para lideranças, organizações, grupos e coletivos que não tiveram suas propostas selecionadas, informamos que o Programa tem a previsão de abertura de outros editais para fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos e desenvolvimento individual de lideranças femininas negras. Fiquem atentas aos nossos canais oficiais e acompanhem as novidades que aparecerão por lá!

Dúvidas sobre a seleção?

Todas as informações sobre etapas de seleção, critérios e pré-requisitos estão disponíveis nos editais de Aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras e Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras, não deixe de acessar!

Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco

O Baobá: Fundo para Equidade Racial é o primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, à promoção da equidade racial para a população negra no Brasil.

Mediante apoio financeiro, técnico e institucional, o Fundo Baobá investirá em organizações da sociedade civil, grupos e coletivos liderados por mulheres negras e em lideranças femininas negras. Com o Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, previsto para acontecer ao longo de cinco anos, o Fundo espera que as mulheres negras apoiadas tenham mais subsídios para acessar espaços de tomada de decisão, mobilizar mais pessoas para a luta antirracista, por justiça, equidade social e racial e transformar o mundo a partir de suas experiências.

O Programa é o resultado da parceria entre Baobá – Fundo para Equidade Racial, Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations.

Quem pode participar?
No edital “Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras”, podem participar mulheres negras ativistas ou com perfil técnico, cis, trans, residentes no Brasil, de áreas urbanas ou rurais, de qualquer faixa etária a partir de 18 anos, diversos níveis de escolaridade ou filiação religiosa, residentes no Brasil.
No edital “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”, podem participar organizações, coletivos e grupos de mulheres negras, que residam no Brasil e tenham 18 anos e mais.

Editais, como se inscrever?

As inscrições para o edital de apoio individual intitulado “Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras” , encerraram-se no dia 18 de outubro de 2019, 23h59min, horário de Brasília.

O edital de apoio à organizações, grupos e coletivos  “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”,  teve suas inscrições encerradas no dia 25 de outubro de 2019, 23h59min, horário de Brasília.

Só serão aceitas propostas cadastradas por meio do aplicativo do Fundo Baobá, clique aqui para acessar.
Não se esqueça de fazer o download também do manual de instalação e preenchimento do aplicativo.

Divulgação dos Resultados

Os projetos selecionados para os 2 editais, “Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras” e “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”, serão divulgados no dia 10 de dezembro de 2019 em todos os canais oficiais da organização.

Gravação dos webinários

Nos dias 07 e 08 de outubro de 2019, fizemos uma conversa ao vivo mostrando o passo a passo de inscrição e respondendo dúvidas das interessadas em participar dos dois editais do Programa. Para você que não pôde participar, disponibilizamos os links abaixo.

Conversa sobre o edital “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”

Conversa sobre o edital “Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras”

Dúvidas?

Acesse nossa página de perguntas e respostas sobre o edital.

Negrxs e o empreendedorismo

No mês da Consciência Negra, o Baobá – Fundo para Equidade Racial, aproveita para trazer à discussão temáticas pouco exploradas, mas extremamente relevantes para a sociedade brasileira, especialmente para a população negras.

Para contribuir com essas reflexões, especialistas respondem perguntas sobre diferentes temas.

Quem comenta sobre negrxs e empreendedorismo é Giovanni Harvey, executivo, empreendedor, consultor e ativista social com mais de 30 anos de experiência na iniciativa privada, na administração pública e no terceiro setor. Tem expertise em planejamento, formatação e gestão de projetos sociais, vivência na construção de programas estratégicos e sólida experiência na formulação de políticas públicas universais ou orientadas para a redução de assimetrias regionais, de gênero ou de etnia. Fundou a Incubadora Afro Brasileira, em 2004, e foi Secretário Executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, de 2013 a 2015. Atualmente, dentre outras iniciativas, coordena o projeto “Conectora de Oportunidades” e preside o Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae em 2018, “Global Entrepreneurship Monitor”, o número de empreendedores negros equivale a 40,2% das micro e pequenas empresas no Brasil. De que forma esse dado se conecta com a vulnerabilidade social e econômica da população negra e também com sua autonomia financeira?

O conceito de empreendedorismo mudou ao longo das últimas décadas, mas é possível afirmar que a população negra empreende no Brasil desde que o primeiro contingente de africanos chegou ao país. Desde então, todas as iniciativas que embasaram a projeção da identidade negra na política, no campo associativo, na religião, na cultura, no esporte e na vida social têm, na capacidade da individualidade negra de empreender, uma das suas dimensões. Os Quilombos, as Irmandades Abolicionistas e os Clubes Sociais Negros são exemplos de empreendedorismo, de foco e de estratégia. Atualmente o conceito de empreendedorismo tem sido empregado de uma forma mais “restrita” e tem sido vinculado ao exercício de atividades empresariais convencionais. Esta concepção atende aos interesses das novas formas de organização do trabalho e aos interesses dos modelos de produção de riqueza alicerçados no uso intensivo da tecnologia digital. O ato de empreender foi e continua a ser uma alternativa, por oportunidade ou por necessidade, ao “teto de vidro” que ainda limita a ascensão funcional das pessoas negras na iniciativa privada e aos sucessivos processos de “reorganização” do mercado de trabalho que resultam em desemprego estrutural. Tendo em vista estes aspectos precisamos distinguir o ato de empreender, numa perspectiva histórica, do uso que tem sido feito do conceito de empreendedorismo como ferramenta para a disseminação de ilusões que tem como objetivo a manter o “status quo” através da substituição do “mito do pleno emprego” pelo “mito do pleno empreendedorismo”. O nosso desafio, mais do que o reconhecimento formal do percentual de pessoas negras que empreendem, é refletir em que medida nós poderemos construir estratégias que aumentem a perspectiva de sobrevivência e promovam a sustentabilidade financeira das pessoas negras que lideram negócios em ambientes cada vez mais complexos, suscetíveis a uma gama de variáveis sobre as quais o(a) empreendedor(a) não tem nenhuma governabilidade.

Que boas práticas podem fomentar o empreendedorismo negro no Brasil?

Eu ainda não enxergo no termo “empreendedorismo negro” conceitos e métodos capazes de resistir ao crivo de uma análise científica. “Empreendedorismo negro” é, até agora, um conceito político, com aspectos positivos e fragilidades. Por esta razão vou basear a minha recomendação sobre as boas práticas nos 30 anos de experiência na iniciativa privada e no conhecimento gerado, ao longo de 15 anos, pela Incubadora Afro Brasileira, pela Incubadora de Empreendimentos Populares e pela Conectora de Oportunidades. As três iniciativas apoiaram a construção de mais de 2.500 Planos de Negócios, além de oferecerem apoio logístico, assistência técnica e consultorias. Com base nestes elementos vou destacar 03 boas práticas:

  1. Analisar o mercado para além das vicissitudes inerentes à questão racial, sem deixar de ter em mente que o tratamento da questão racial será uma variável fundamental na definição da estratégia do negócio, ainda que de forma oculta.
  2. Fazer um Plano de Negócios capaz de dimensionar o real potencial de desenvolvimento, escala de produção, capacidade de comercialização e infraestrutura de distribuição dos seus produtos e dos serviços, considerando as características do mercado no qual o(a) empreendedor(a) atua ou pretende atuar.
  3. Incorporar o uso das tecnologias digitais, desde o início, ao modelo de negócio.

Como o empreendedorismo pode mudar a realidade de pequenxs empresárixs negrxs e do entorno onde atuam?

As pessoas negras que empreendem são, em qualquer circunstância, líderes com capacidade de influenciar a cadeia de valor dos seus negócios e exercem influência sobre o ambiente social no qual os mesmos estão inseridos. Partindo deste pressuposto, as pessoas negras que empreendem tem contribuído há séculos para mudar a realidade do nosso país, nas mais variadas dimensões da vida política, econômica, religiosa, social, esportiva e cultural. Esta contribuição não está associada ao tamanho dos seus negócios pois, diga-se de passagem, não existem “pequenos(as) empreendedores negros(as)”, existem empreendedores negros(as) que lideram negócios de pequeno porte. Com base nesta compreensão é possível afirmar que os empreendimentos liderados por pessoas negras geram resultados (objetivos e subjetivos) e impactos (mensuráveis e não mensuráveis) que já contribuem para mudar a realidade do entorno onde atuam.

Existe equidade racial na gestão pública?

No mês da Consciência Negra, o Baobá – Fundo para Equidade Racial, aproveita para trazer à discussão temáticas pouco exploradas, mas extremamente relevantes para a sociedade brasileira, especialmente para a população negras.

Para contribuir com essas reflexões, especialistas respondem perguntas sobre diferentes temas.

Quem comenta sobre desafios da gestão pública é Trícia Calmon, mestranda em Desenvolvimento e Gestão Social especialista em Políticas Públicas de Gênero e Raça, graduada em Ciências Sociais. Atualmente, ocupa o cargo de Coordenadora Geral do Programa Corra pro Abraço (Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia). Trícia é conselheira no Conselho Estadual de Políticas de Drogas, colaboradora da plataforma Hysteria.etc, Conselheira do Fundo Baobá e membro-titular do Comitê Interinstitucional de Monitoramento e Avaliação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, presidido pelo Ministério Público do Estado da Bahia. Atuou como consultora da Fundação Kellogg no programa de Equidade Racial no Nordeste e como Coordenadora Executiva de Igualdade Racial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia.

Apenas em 1988, 100 anos após sancionada a Lei Áurea, o Brasil reconheceu formalmente a existência do racismo, da discriminação racial e se propôs a enfrentá-los por meio de ações afirmativas. Quais os efeitos desse reconhecimento para o desenvolvimento da população negra e do país como um todo?

Antes de 1988 o Brasil já vinha se afinando com compreensões em conferências e convenções, essa sinalização formal em relação à agenda do combate ao racismo se delineou a partir de articulações internacionais. Tivemos a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, ratificada pelo Brasil em 1968.

A constituição de 1988 é muito importante porque deu abertura para outras políticas. As ações afirmativas ocorrem um pouco mais adiante ampliando o debate nacional a partir das cotas e outras políticas de estímulo e permanência à estudantes negros e negras nas universidades. Posteriormente o governo federal verificamos implanta o sistema de cotas também para concursos públicos. Temos outras políticas no campo de enfrentamento e combate ao racismo, ou pelo menos de promoção da igualdade racial no âmbito dos governos e das casas legislativas, leis no campo da educação e outras áreas. A legislação por si só não vai causar efeitos de reversão do cenário de desigualdades sócio raciais, temos uma visão crítica nesse sentido, mas consideramos que esses avanços na legislação são demarcadores importantes para a constituição legítima de políticas públicas. Quem atua em gestão, em áreas específicas de promoção da igualdade racial ou em áreas transversais que tocam o racismo, tem condições de se assentar em bases legais a partir desse conjunto de leis que embasa políticas de promoção da igualdade racial ou de enfrentamento ao racismo.

Consequência da luta de décadas do movimento negro, a sociedade brasileira assiste a uma mudança de postura em relação às desigualdades raciais no país. Dentre a diversidade de temáticas, as cotas raciais é uma das que gerou mais debate da sociedade em geral. Que outros temas centrais e desafios necessitam de mais engajamento de toda sociedade brasileira?

Eu não sei se a sociedade brasileira adotou uma mudança de postura. A sociedade brasileira tem se posicionado mais claramente sobre o que pensa em relação ao racismo, especialmente nesse momento de um governo mais reacionário e declaradamente intolerante, racista, homofóbico. Tem também um grupo que acha ruim o Brasil ser um país racista, mas que não quer mexer nessa realidade e abrir mão de privilégios. Tanto que o tema das cotas, embora consolidado por conta das leis e mostrando resultados a algum tempo, é um assunto ainda controverso.

Acho que os movimentos sociais e políticas publicas tem conseguido arregimentar mais pessoas no momento em que elas começam a ficar mais bem informadas sobre o assunto. Conseguimos tencionar um pouco mais sobre o tema do racismo, a partir de décadas de luta do movimento negro. Inclusive, a gente pode observar agora a adesão de outros movimentos sociais em relação a desigualdade sócio racial e combate ao racismo. Foi muito importante e educador ter esse debate sobre cotas raciais no Brasil da maneira que foi, inicialmente dentro do tema da educação de nível superior. Falando sobre o mundo do trabalho, as cotas vêm ocorrer nos concursos públicos federais, com adoção de alguns estados e municípios pelo país afora.

Precisamos refletir sobre a educação básica, temos a lei 10.639 de 2003 que, além de instaurar o Dia Nacional da Consciência Negra, tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. Temos assuntos proeminentes que precisamos olhar com calma, carinho, força e dedicação, como o tema do genocídio da juventude negra, o hiper encarceramento das pessoas negras, a desigualdade no campo da educação.

O Brasil tem um número escandaloso de pessoas que não concluem o ensino fundamental e essas pessoas são majoritariamente negras, nos conduzindo para um processo de tragédia social que a gente precisa interromper. Tudo isso converge para um sinal de violência urbana geradora de ódio às pessoas que ficam em situações mais extremas de vulnerabilidade. Vemos o aumento de pessoas que são em situação de rua, que não têm onde morar. Essas pessoas têm baixa escolaridade, sobrevivem a partir de trabalhos precários e isso é uma realidade cada vez mais gritante na sociedade brasileira. O tema da política de drogas precisa ser olhado com cuidado por nós, vivemos numa sociedade que criminaliza o uso de drogas por pessoas negras, mas o uso de drogas por pessoas brancas é descriminalizado. As tratativas com um sujeito branco de classe média alta e com um sujeito negro de periferia são totalmente diferentes e essa é uma realidade cada vez mais gritante.

São temas caros que estão determinando os índices de prisão, a guerra às drogas que tem elevado os índices de mortalidade de jovens, pessoas na periferia e até crianças acometidas por essa situação de violência e a própria força policial, também abatida nessa relação ostensiva.

A presença de representantes negros nos diferentes espaços de poder e tomada de decisão pode impulsionar o desenvolvimento de políticas públicas para essa população. Que ações são necessárias para promover a justiça racial no processo eleitoral?

A representação negra nos espaços de poder e tomada de decisão é algo absolutamente importante. Vivo em Salvador, cidade que tem uma população de 85% de pessoas negras, mas nunca teve uma pessoa negra governando. Quer dizer, a cultura negra é pulsante, gera renda e gera recursos na cidade, mas essa renda é concentrada em pessoas brancas, o poder é concentrado em pessoas brancas.

Tem questões da realidade de uma pessoa negra em uma cidade, em determinados bairros e territórios que, por mais bem-intencionado que um politico branco de classe média alta seja, tem dimensões que ele jamais vai alcançar sobre as necessidades, sobre as ausências, sobre a forma de ser, de pensar e de viver que precisam ser consideradas na hora em que você elabora políticas públicas.

Negros e negras acabam também sendo preteridos e permanecendo fora desses espaços de decisão dentro dos partidos. No final das contas impera uma lógica que não responde às teses que os partidos de esquerda defendem declaradamente, de pluralidade, de inclusão, de combate ao racismo, à desigualdade de gênero. Há necessidade de ações mais efetivas para corrigir isso.

A presença negra na produção cinematográfica do Brasil

No mês da Consciência Negra, o Baobá – Fundo para Equidade Racial, aproveita para trazer à discussão temáticas pouco exploradas, mas extremamente relevantes para a sociedade brasileira, especialmente para a população negra.

Para contribuir com essas reflexões, especialistas respondem perguntas sobre diferentes temas.

Quem comenta sobre produções audiovisuais no Brasil é Joel Zito Araújo, cineasta e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

Joel Zito Araújo é diretor, roteirista, curador de festivais, escritor e pesquisador. É tido como um dos responsáveis pela implantação do chamado cinema negro, tanto na ficção quanto no documentário, com filmes que debatem o racismo e a desigualdade entre negros e brancos. O tema também se encontra em suas pesquisas universitárias, particularmente, na presença de afrodescendentes no audiovisual. Joel Zito dirigiu 29 curtas e médias documentais e ficcionais, lançando em 2000 “A Negação do Brasil”, longa documental que recebeu o título de melhor filme brasileiro do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, de 2001. Em 2004 finalizou seu primeiro longa-metragem de ficção, “As Filhas do Vento” e, em 2019 fez o lançamento mundial do seu novo longa, “Meu Amigo Fela”, em que o diretor brasileiro entrevista o africano-cubano Carlos Moore, amigo íntimo e biógrafo oficial de Fela, com o objetivo de tentar entender o homem que viveu atrás do mito de “excêntrico ídolo pop africano do gueto”. Diferente de qualquer narrativa anterior sobre o gênio musical nigeriano Fela Kuti, que frequentemente foi retratado como um excêntrico ídolo pop do gueto, neste filme Fela Kuti é finalmente apresentado como o líder político importante que foi. Com uma narrativa construída através dos olhos de seus amigos, especialmente do seu biógrafo oficial, o intelectual afro-cubano Carlos Moore, este documentário é dedicado a desvendar os altos e baixos e a complexidade da vida de Fela. Um exemplo das glórias e tragédias que moldaram a vida de sua geração de militantes pan-africanistas.

Como você avalia a presença negra na produção cinematográfica no Brasil?

Continuamos minoritários e sendo tratados como minoria, mas existe um evidente crescimento e reconhecimento. Os números revelados pelas pesquisas do GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa) e da ANCINE foram as pás de cal em cima daqueles que negavam o evidente racismo na produção audiovisual brasileira. Hoje temos um reconhecido cinema negro, com centenas de jovens cineastas fazendo curtas, médias e longas, além das pessoas de minha geração que continuam em evidência fazendo produções de impacto. É só ver o alcance dos nossos filmes em grandes festivais internacionais.

Mas, mesmo considerando um evidente avanço, a população negra e sua representação cinematográfica quando é conduzida pelas mãos de uma minoria branca, com poder audiovisual, continua, majoritariamente, sendo representada dentro dos estereótipos da subalternidade, ou como segmento indesejável do país. As telenovelas continuam sendo o melhor exemplo das dificuldades do país em dar um salto na representação audiovisual do segmento populacional negro (que é maior que 54% do total de nossa população total). Nela, a maioria dos atores, e dos melhores papéis continuam sendo somente para o segmento branco.

Que posições trabalhadorxs negrxs ocupam no cinema?

No cinema mainstream quase nenhuma. No cinema alternativo cresce a cada dia que passa. Tem uma velha e nova geração de realizadores e realizadoras brancas preocupadas em não incorrer nos mesmos erros do passado. Mas tem uma novidade mais positiva ainda, especialmente entre aquelas produtoras que desenvolvem produções para novas plataformas como Netflix, Amazon Prime e HBO, que tem suas matrizes nos EUA, onde a pressão pela diversidade é quase lei. Elas estão seriamente preocupadas com a diversidade racial e de gênero, e como consequência estão incorporando muitos profissionais nas frentes e atrás das câmeras em suas produções.

Como o momento de crise vivido pelo setor audiovisual brasileiro impacta a participação dessxs trabalhadorxs na produção de conteúdo?

Impacta muito. A maioria dxs novxs realizadorxs que estão na iminência de fazer os seus primeiros longas para a televisão ou salas de cinema, está com os seus projetos em compasso de espera em decorrência da paralização da ANCINE, boicotada pelo presidente de extrema direita. Ou seja, temos uma política destrutiva proposital para ceifar as cabeças culturais do país, e para impedir o desabrochar destas novas visões. 

Você tem uma vasta produção e um papel importante no cinema brasileiro. O que é preciso para que haja mais representatividade no audiovisual?

Eu não tenho uma vasta produção, talvez eu seja aquele que produziu mais entre nós, mas a minha média é de um filme a cada quatro anos. Eu achei que iria romper com esta média neste novo contexto que surgiu com o aumento dos recursos do FSA – Fundo Setorial do Audiovisual. Mas sou atingido da mesma forma que os novos. Não sei quando voltarei filmar, se depender de recursos do FSA ou de patrocínio de empresas brasileiras. Portanto, o que é preciso é que tenhamos recursos financeiros e que eles sejam democratizados e respeitem nossa diversidade racial, de gênero e cultural. 

Acompanhe aqui as novidades sobre o trabalho do cineasta.

Aviso de alteração

Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco

O Baobá – Fundo para Equidade Racial comunica as seguintes alterações nos editais “Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras” e “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”:

1 – Alteração do item 10 no edital “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras” e item 9 no edital “Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras”:  – Divulgação dos Resultados

A data de divulgação dos resultados, que a princípio seria no dia 20 de novembro de 2019, foi transferida para o dia 10 de dezembro de 2019.

Devido ao grande número de inscrições e também à necessidade de melhorias em nossa plataforma, foi necessário alterar a data final de envio de projetos para os dois editais do Programa de Aceleração, para garantir que todas as interessadas tivessem iguais condições de finalizar seu processo de inscrição. A mudança impactou diretamente no processo de seleção das propostas e, consequentemente, na data de divulgação dos resultados. A informação com as novas datas já havia sido divulgada nos dois editais disponíveis no nosso site oficial desde a alteração da data final de envio dos projetos em www.baoba.org.br/edital-pad.

2 – Edital “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”: Alteração do item 9 – 3ª Fase do processo de seleção

Em função das ações do mês de novembro relacionadas ao Dia Nacional da Consciência Negra, muitas organizações, grupos e coletivos estão envolvidos em atividades nos seus territórios.

Com o intuito de assegurar que todos os projetos selecionados para a 3ª Fase tenham a chance de passar pela avaliação, optou-se por substituir as visitas de campo por entrevistas a distância (por telefone ou videoconferência) e roteirizadas com as organizações, grupos e coletivos cujos projetos forem selecionados para essa fase.

O objetivo e critérios de análise desta fase permanecem inalterados, tal como descritos no item 9 – 3ª Fase do Edital.

O Fundo Baobá fará contato, apenas com as selecionadas, a partir do dia 21 de novembro, para agendar as entrevistas dessa fase. As organizações, grupos e coletivos devem estar preparados para que seus membros – lideranças e/ou colaboradoras, possam participar desse diálogo, mesmo estando em lugares diferentes.  

O Fundo Baobá reafirma seu compromisso de atender as expectativas e manter o diálogo permanente com as pessoas interessadas em participar de seus editais.

Agradecemos a compreensão e nos colocamos à disposição para adicionais esclarecimentos.

21 de novembro de 2019
Baobá – Fundo para Equidade Racial
baoba@baoba.org.br

Investimento Social Privado e equidade racial

No mês da Consciência Negra, o Baobá – Fundo para Equidade Racial, aproveita para trazer à discussão temáticas pouco exploradas, mas extremamente relevantes para a sociedade brasileira, especialmente para a população negra.

Para contribuir com essas reflexões, especialistas respondem perguntas sobre diferentes temas.

Quem comenta sobre Investimento Social Privado é Selma Moreira , Diretora Executiva no Fundo Baobá. Ela também atuou como Gerente de Responsabilidade Social do Instituto Walmart, Gerente de Sustentabilidade na Fundação Alphaville e Gerente de Projetos da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Fundação Getúlio Vargas (ITCP – FGV). É membra do Conselho Consultivo do Instituto Coca-Cola Brasil e da Assembleia Geral do Greenpeace Brasil. É formada em Administração de Empresas pela Fundação Instituto Tecnológico de Osasco, pós-graduada em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, pela Escola de Comunicação e Artes da USP, tem MBA em Gestão e Empreendedorismo Social, pela FIA.

A equidade racial é uma temática carente de investimentos sociais privados?

De acordo com o Censo GIFE 2016, as fundações, institutos e empresas brasileiras aplicaram o recurso de investimento social privado majoritariamente nas áreas da educação, formação profissional, cultura e artes. Apenas 2% dos associados apontam investimento com o recorte de relações raciais.

No Brasil, 54% da população se autodeclara negra. Por isso, entendemos ser fundamental que o tema da relações raciais entre na agenda estratégica dos investidores, a fim de garantir recursos que possam contribuir com ações de promoção da equidade racial.

Quais as possibilidades de atuação do investimento social privado em prol da equidade racial?

Há uma urgência na revisão das estratégias dos investidores sociais, a fim de contribuir para que organizações que atuam no campo dos direitos e relações raciais, possam executar suas missões. Hoje muitas organizações deste campo estão mais fragilizadas e demandam atenção e investimento a fim de garantir o cumprimento e sua missão.

O Fundo Baobá tem na sua forma de operação mobilizar recursos e pessoas para cumprir sua missão de promoção da equidade racial e busca através de alianças com investidores comprometidos com a mudança elaborar estratégias que permitam em parceria fortalecer o campo das relações raciais, seja para elaboração de implementação de programas e projetos, bem como, pelo fortalecimento da estratégia do consolidação do fundo patrimonial que em médio e longo prazos, nos permitirá dirigir mais recursos para promoção da agenda em prol da equidade racial no país.

Como as organizações podem refletir e rever suas práticas internas voltadas à equidade racial?

Temos um histórico de 388 anos de pais sob a égide do regime escravocrata e apenas 138 após a promulgação da lei Aurea. O contexto ainda é de extrema discriminação e acúmulos de vulnerabilidade sobre a população negra. Não se pode pensar ou planejar democracia fortalecida sem a inclusão de toda sociedade. Somos a maioria da população brasileira e é hora de implantar ações estruturantes que considerem a equidade racial como orientadora e não só mais uma ação pontual.

Para as organizações, é uma possibilidade de olhar para um tema urgente, altamente relevante, mas que não recebe a devida atenção.

Quer saber mais sobre as possibilidades de atuação em prol da equidade racial? Fale conosco no baoba@baoba.org.br

Dê uma Adunni. Empodere uma criança.

Entendendo a necessidade social de oferecer às crianças negras uma boneca que dialogue com suas identidades, fortaleça sua autoestima e também propicie uma conexão comportamental real com o brinquedo, o Baobá – Fundo para Equidade Racial – em parceria com a Ri-Happy e a Estrela lançaram no mercado, em 2016, a linha Adunni, que é composta por três bonecas (uma bebê e duas fashion doll), que buscam reforçar a representatividade das culturas e identidades negras em um país onde negros aparecem 7 vezes menos do que modelos brancos em campanhas publicitárias – segundos dados da agência de propaganda Heads, mesmo sendo um país majoritariamente negro (53% da população, segundo o IBGE), dificultando a formação e a reafirmação de estereótipos positivos de pessoas negras, especialmente entre crianças.

“Para uma menina, ganhar uma boneca negra que reflete suas características físicas, que via de regra não são vistas como padrão ou sinônimo de beleza pela sociedade, vai muito além de um simples brinquedo.. Esta boneca pode gerar uma conexão afetiva que vai além do conceito lúdico; ela vai reflete a identidade da criança, fazendo com que ela se sinta representada na boneca negra. Reconhecer a própria identidade em um brinquedo é fortalecer a autoestima da criança. Estes foram os motivadores para a criação da linha Adunni, que na Língua Iorubá significa a doçura chegou ao lar”, explica Selma Moreira, Diretora Executiva do Fundo Baobá.

A linha Adunni tem venda exclusiva nas lojas Ri-Happy em todo o Brasil. Para cada boneca vendida, a Ri-Happy vai destinar um percentual para o Fundo Baobá investir em iniciativas que promovam a equidade racial.

As Bonecas podem ser compradas nas lojas físicas da Ri Happy. Fizemos uma lista com as lojas que têm Adunni em estoque, atualizada às 10h do dia 08/10/2019. Vá até a loja mais próxima e consulte.

Saiba como foi o evento de lançamento!

O protagonismo da mulher negra na sociedade civil foi o mote do lançamento do “Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco” nesta segunda-feira, dia 2 de setembro, no MAR (Museu de Arte do Rio / RJ). Promovido pelo Baobá – Fundo Para Equidade Racial, primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, à promoção da equidade racial para a população negra do Brasil, o evento contou com a presença de líderes do movimento de mulheres negras, movimento negro, movimento feminista, acadêmicos, artistas, empresários e investidores.

Tendo como objetivo ampliar o número de líderes negras em posições estratégicas no setor público, privado, nas organizações da sociedade civil nacionais e internacionais, o Fundo passa a contemplar, a partir deste programa, organizações não formais e pessoas físicas. Enquadram-se no perfil mulheres negras cis gênero ou transgênero, residentes no Brasil, de áreas urbanas ou rurais, independente do nível de escolaridade ou filiação religiosa, de qualquer faixa etária a partir de 18 anos. A instituição entende como líderes mulheres presentes em variados setores da sociedade civil que vislumbram caminhos coletivos para o futuro, mobilizando outras pessoas para estarem consigo, construindo com criatividade e inovação soluções, revertendo positividades em prol do desenvolvimento coletivo.  

O nordeste, território onde se encontra o maior contingente populacional negro, incluindo a maior quantidade de jovens da maior população feminina negra do país, é região prioritária no apoio do Programa, seja dos projetos individuais ou coletivos. No Programa, o investimento financeiro terá teto de R$ 40 mil para pessoa física e R$ 170 mil para organizações, variando de acordo com o projeto e edital. As parcelas serão distribuídas ao longo de 18 meses. Além do recurso repassado diretamente, as contempladas no edital individual também irão participar de processos formativos políticos e na área de liderança, receberão apoio especializado para enfrentar os efeitos psicossociais do racismo e ainda passarão por sessões de coaching.Durante o evento, participantes refletiram sobre a realidade brasileira e as possibilidades de mudanças a partir do edital. “Infelizmente, a vida que a gente leva muitas vezes não nos permite sonhar estar num espaço social e profissional como o que eu ocupo hoje. Estou honrada em estar nesta posição e de desenvolver ações para pessoas que, por desigualdades injustificáveis, são impedidas de ter acesso a oportunidades”, contextualizou Selma Moreira, diretora executiva do Fundo Baobá.

“As mulheres negras integram o grupo mais representativo na sociedade brasileira, combinando duas características muito particulares: ao mesmo tempo em que é o grupo mais vulnerável, que sente os efeitos da desigualdade de uma forma muito direta e radical, é, paralelamente, o grupo que possui uma potência e força para enfrentar tais desafios, sendo uma fonte imensa de perspectiva de mudanças”, analisa André Degenszajn, diretor-presidente do Instituto Ibirapitanga, uma das instituições mobilizadoras de recursos ao lado da W. K. Kellogg Foundation, Fundação Ford e Open Society Foundation.

Rui Cordeiro, Diretor de Programas da América Latina e Caribe e, ao fundo, La June Tabron, Presidente e CEO da W. K. Kellogg Foundation

Prestes a completar 90 anos – 77 deles atuando no Brasil – a W. K. Kellogg Foundation tem há quase seis anos no cargo de presidência La June Montgomery Tabron, a primeira presidente mulher e primeira negra da instituição. De Beirute, onde estava no momento do evento, ela enviou seu recado através do Diretor de Programas da América Latina e Caribe, Rui Mesquita Cordeiro, relatando sobre a importância de Marielle Franco, homenageada do programa. “Aqui estamos com vocês, um ano e meio depois da morte de Marielle, lançando este Programa e a honrando”, destacou. “A aposta na formação de lideranças é contínua e, se perdemos uma liderança como Marielle, criamos centenas de outras. Se derrubam uma, a gente ergue mais 100. Se derrubam 100, erguemos mais 10 mil. Continuaremos fortalecendo este processo”, finalizou Rui.

Atila Roque, Presidente da Fundação Ford no Brasil

A Fundação Ford esteve representada pelo seu presidente local, Atila Roque. “Marielle está na imaginação de cada mulher negra que se recusa a calar, quando tudo se faz para que ela se cale; que recusa o destino do silenciamento e da invisibilidade. É o tipo que temos de melhor e mais potente, que reivindica seu lugar nos espaços de representação e, assim, representa tantas vozes que se levantam diariamente contra todo tipo de opressão. Temos orgulho de estar nesta caminhada com o Fundo Baobá, que constitui um capítulo central desta luta”, ressaltou.

O evento recebeu ainda a família da vereadora assassinada. “Ceifaram a vida da minha irmã, mas não calaram e nem calarão sua voz. Minha irmã vendeu sapato e roupa na feira para que eu pudesse estar nos EUA estudando e praticando vôlei durante quase 12 anos. Agradeço muito por honrarem seu legado e memória”, afirmou a professora Anielle Franco. “Nós somos a família de Marielle e também não seremos interrompidas”.

Adriana Couto, Mestre de Cerimônia e, ao fundo, Monica Benicio e Marielle Franco

Monica Benício, não estava no Brasil e não pôde participar do evento, desejou sucesso e reforçou a importância do Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco para que mulheres negras, na sua diversidade, estejam em espaços de poder e tomada de decisão.

A advogada Lígia Batista representou a Open Society Foundation, onde atua como Assessora Especial, e emocionou-se. “Historicamente, mulheres negras são forçadas a exercerem papéis de subalternidade social e econômica, estando absolutamente distantes dos papeis de tomada de decisão e proeminência. Começamos a ampliar esta presença, mas, ainda assim, há uma sub-representação – somos poucas nestes espaços e estamos muito longe de alcançar os patamares efetivos de representação. Porém, devemos, sim, acreditar que podemos ocupar espaços que sempre nos disseram que não poderíamos. É preciso reconhecer a importância das mulheres negras enquanto agentes de transformação da nossa história, da história do nosso país. Ou a revolução será constituída junto delas, ou não será”, reforçou.

“O Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco se propõe a honrar a memória da mulher cujo legado de coragem, luta e compromisso com as causas populares mais dramáticas e com um Brasil mais justo, pujante e sustentável, permanecerá iluminando as muitas outras mulheres negras que esse Programa tem o desejo de revelar”, considerou a filósofa e escritora Sueli Carneiro, integrante do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

“O objetivo do Programa não é contemplar as mesmas organizações de sempre e as mesmas pessoas de sempre. O objetivo do Programa é chegar onde normalmente os recursos não chegam. Onde há pessoas tão talentosas quanto as que nós já conhecemos, mas que não têm a oportunidade de ter suas trajetórias alavancadas”, complementa o executivo consultor e empreendedor social Giovanni Harvey, presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

As mulheres que tiverem interesse em apresentar projetos individuais ou coletivos devem fazer a inscrição até o dia 4 de outubro de 2019. As propostas serão cadastradas exclusivamente através do aplicativo do Fundo Baobá, disponível no site http://www.baoba.org.br/edital-pad – onde estão todos os detalhes sobre ambos os editais.

Perguntas e Respostas

Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco

O que é o Programa Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco?

O Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco é um projeto de investimento em organizações da sociedade civil e de formação técnica e política de lideranças femininas negras brasileiras. O investimento se dará por meio de apoio institucional para organizações da sociedade civil, grupos e coletivos e bolsas; oferta de formação em diversas áreas do conhecimento, coaching, apoio psicossocial e promoção de redes de relacionamento (networking) para as beneficiárias individuais. Espera-se que, no período de cinco anos, mulheres negras de diversas áreas de atuação possam ter seu desenvolvimento acelerado e acessar espaços estratégicos de tomada de decisão, transformar o mundo a partir de suas experiências e mobilizar mais pessoas para a luta antirracista, por justiça e equidade social e racial.

Qual o objetivo do Programa?

O objetivo do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras – Marielle Franco é contribuir para que mulheres negras, em sua diversidade, consolidem-se como lideranças políticas e ocupem espaços e posições de poder simbólico e material seja em espaços comunitários, sindicatos, associações, coletivos entre outros espaços não governamentais sem fins lucrativos; no setor privado; organizações internacionais; estruturas formais do Estado (poderes Executivo, Legislativo, Judiciário), em diferentes setores e áreas de atuação.

Ao final do Programa, o que vocês esperam alcançar?

O que se espera ao final desde período de 5 anos  é: (a) organizações, coletivos e grupos de mulheres fortalecidos em suas capacidades funcionais, atuando em rede e potencializando a liderança de mulheres negras; (b) lideranças negras fortalecidas em suas capacidades políticas e técnicas e atuando em espaços de poder na sociedade civil organizada, em organismos internacionais, no setor privado ou governamental.

Quem será apoiado? Quantas pessoas/instituições e a partir de quando?

Serão beneficiadas organizações da sociedade civil, além de lideranças femininas negras (com idade a partir de 18 anos), reconhecidas em suas comunidades, coletivos, grupos, movimentos e instituições e que já tenham experiência na área e setores em que atuam como ativistas e/ou profissionais. Estima-se que, com o recurso disponível neste momento, seja possível apoiar, aproximadamente, 20 organizações grupos e coletivos, de todas as regiões do País, e 120 mulheres, de 2019 a 2024.

Por que investir nas mulheres negras?

No último censo demográfico, realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população residente no País era de 194,890,682 pessoas. Dentre essas, 42 47,7% se declararam brancas; 7,6% pretas; 43,1% pardas; 1,1% amarelas; e 0,4% indígenas. A população negra (pretas ou pardas) corresponde a mais da metade daqueles que residem no Brasil e, neste universo, cerca de 53% é composto por mulheres.

A taxa de conclusão do ensino superior na faixa etária de 27 a 30 anos foi de 26,5/1000 para homens brancos; 31,6 para mulheres brancas; 9,4/1000 entre homens pretos ou pardos; e 14,6 entre mulheres pretas ou pardas.

No universo acadêmico, a proporção de bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que se identificou como preta ou parda não chegou a 30%, no período de 2013 a 2017. Entre os homens, mais de 30 mil cadastros não continham a informação sobre raça ou cor. E, entre as mulheres, quase 24 mil. Do total das bolsistas mulheres cadastradas, 15% são negras e 32% brancas. Trinta e cinco por cento das bolsas concedidas nas Ciências Exatas e da Terra ou Engenharias são destinadas às mulheres. Dentre as bolsistas, 4% declararam-se pretas e 22% pardas.

Mulheres negras com doutorado correspondem a 3% do total de docentes da pós-graduação. Já as professoras brancas com a mesma escolaridade na docência da pós são pouco mais de 10 mil, ou 19% do total de 53.995 professores nos cursos de doutorado, mestrado e especialização.

Segundo o IBGE, em 2016, a participação proporcional de mulheres em cargos gerenciais correspondia a 39,1% do total. Entre as 3.527.000 mulheres que ocupavam estes cargos, 2.511.000 eram brancas e 962.000 eram pretas ou pardas.

Em 2017, contabilizou-se 28 cargos ministeriais no governo, dos quais 7,1% eram ocupados por mulheres.

A última eleição (2019) indicou que haverá 50% mais mulheres na Câmara dos Deputados do que havia em 2015. Foram eleitas 77 deputadas federais, 26 a mais do que em 2014. Aumentou o número de negras – de 10 para 13 – e de brancas – 41 para 63[1].

Segundo o levantamento do Instituto Ethos feito junto às 500 maiores empresas que atuam no País, apenas 4,7% dos cargos executivos são ocupados por negros; 6,3% dos gerenciais; e 35,7% da folha funcional. Dentre esses, a minoria quase absoluta é composta por mulheres.

A revista Forbes, em sua edição de novembro de 2017, elegeu 40 mulheres poderosas seja porque recuperaram grandes organizações, porque as administram ou porque formam opiniões, ou ditam a moda e inspiram atitudes. Dentre elas, apenas uma era negra.

Vocês terão cotas para mulheres não negras? E as indígenas, migrantes e outros grupos historicamente discriminados?

Mulheres migrantes negras poderão ser candidatas e, uma vez selecionadas, poderão fazer parte do Programa, mulheres de outros segmentos populacionais não.  O Fundo Baobá é exclusivo para apoio a projetos, organizações e pessoas negras.

Menos de 15% das parlamentares no Brasil são mulheres. Parlamentares serão beneficiadas pelo programa? O programa beneficiará mulheres como o mesmo perfil da vereadora Marielle Franco?

Parlamentares negras também poderão se inscrever. Mas, o programa não é exclusivo para elas. O programa beneficiará lideranças femininas negras de diferentes idades (desde que maiores de 18 anos), orientações sexuais e identidades de gênero, residentes em diferentes estados da federação, nas zonas urbanas e rurais, nas periferias ou nas regiões centrais, e que atuem em diferentes áreas e setores poderão se inscrever.

Posso me inscrever no edital para lideranças e no edital para organizações, grupos ou coletivos ao mesmo tempo?

O Fundo Baobá preza pela igualdade de oportunidades e, por isso, caso haja 2 inscrições com o mesmo CPF, ambas serão desclassificadas.

E as organizações do movimento negro? Serão apoiadas? Quais?

As organizações, grupos e coletivos de mulheres negras também poderão se inscrever e buscar apoio. O chamamento será realizado por meio de edital e as organizações serão selecionadas a partir de critérios específicos expressos no documento (edital), a ser divulgado a partir de setembro de 2019.  O edital será exclusivo para organizações, grupos e coletivos de mulheres negras ou aqueles que tenham 85% e mais de mulheres negras em sua composição.

Como vocês pretendem alcançar as mulheres negras que não são ativistas?

As lideranças femininas negras atuam em diversos setores. Estão nas organizações do movimento social negro, nas organizações feministas, associação de moradores e outras agremiações de bairros, comunidades e favelas. Estão na academia, vinculadas às universidades. São parlamentares e também estão na iniciativa privada. Elas estão no campo e na cidade, são mulheres cis ou trans, algumas têm deficiência, estão em diferentes fases da vida. Pretendemos alcançar, inclusive, aquelas lideranças femininas negras que têm acesso restrito à internet.

Como se dará esse apoio e por quanto tempo?

O Fundo Baobá investirá ao longo de cinco anos, no Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras. Nesse período, pretende apoiar cerca de 20 organizações, grupos e coletivos, por período de no máximo 18 meses, cada e 120 mulheres por período de no máximo de 18 meses, cada. Para as mulheres, serão oferecidas bolsas individuais, cursos em diversas áreas, apoio psicossocial, coaching e construção de redes de relacionamento (networking).  Para as organizações, grupos e coletivos será oferecido apoio financeiro e técnico focado na ampliação de suas capacidades coletivas para: garantir a sistematização da memória e a transmissão de conhecimentos e práticas; comunicação, mobilização e engajamento de novas atrizes e atores para defender a causa; formação de novos quadros; uma gestão democrática e transparente. 

Qual será o valor do apoio às organizações, às mulheres e quais cursos serão oferecidos?

Cada organização ou grupo coletivo poderá receber apoio de até R$ 170 mil reais. As doações individuais serão no valor total de R$ 40 mil, por beneficiária.

Às mulheres que recebem apoio individual, o Fundo Baobá também irá ofertar formação política, coaching, formação em liderança, apoio psicossocial apra enfrentamento ao racismo e incentivos para o estabelecimento de novas redes de relacionamento.

Para as organizações, grupos e coletivos apoiados, o Fundo Baobá também irá proporcionar o estabelecimento de novas redes de relacionamento, ofertar assessoria técnica, indicar serviços e profissionais especializados em coaching institucional. As mulheres negras que lideram estas as organizações, grupos e coletivos,  também terão a oportunidade de participar em algumas das atividades formativas que compõem o edital de apoios individuais.

O que significa acelerar o desenvolvimento de lideranças?

Significa investir, oferecer oportunidades e ferramentas para observar as realidades, intervir e transformar. E outras palavras, em pouco mais de um ano, equipar essas mulheres com visão, mentalidade e o conjunto de habilidades necessárias para aumentar seu impacto e aproveitar todo o seu potencial de liderança criativa. Isso inclui processos formativos para a mediação de conflitos, gestão de riscos, coordenação e gestão de equipes, elaboração e implementação de planos sucessórios, comunicação assertiva, entre outros.

O programa Marielle Franco é um parceria com o Instituto Marielle Franco?

Não. O Programa de aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras é uma iniciativa do Baobá: Fundo para a promoção da equidade racial.

A família da Marielle acenou recentemente que várias pessoas e instituições têm se aproveitado da imagem da vereadora. Como vocês enxergam isso?

Essa definição foi construída com o objetivo de contribuir em uma pauta antiga e ainda necessária do movimento social negro: as mulheres. Portanto, o Fundo Baobá está seguindo a esteira da estratégia de atuação do movimento social negro desde a década de 1970. O assassinato da vereadora Marielle Franco precisa, portanto, foi um divisor de águas para reiterar que mulheres negras e, toda população negra, têm direito à vida e garantidas de que lideranças como ela não sejam ceifadas. Infelizmente, os recursos que buscamos para os projetos de fortalecimento de lideranças negras femininas chegaram após a morte da parlamentar. Investidores sociais buscaram o Fundo Baobá por ser o único a trabalhar exclusivamente com a promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. O Programa de aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras surge, então, como uma resposta a essa perda irreparável, para honrar a trajetória dela e impulsionar o desenvolvimento de lideranças no sentido de permitir que mais rapidamente mulheres ocupem espaços estratégicos, a partir dos investimentos que serão feitos nelas.  A família apoia e reitera a importância do Programa para a construção de uma sociedade mais justa, onde a equidade racial seja reconhecida como elemento fundamental, tanto que autorizou o uso do nome de Marielle Franco. 

Se o programa já estava sendo desenhado antes mesmo da morte da vereadora, porque só foi batizado com o nome dela depois?

O Fundo Baobá pretende contribuir para a construção de uma sociedade onde o lugar, as vozes e as ações de mulheres negras sejam devidamente reconhecidas como determinantes nos processos de desenvolvimento social, político, econômico, científico, cultural e ambiental.  Quanto ao nome do Programa, entendemos que seria uma maneira de homenagear a parlamentar negra e impulsionar o desenvolvimento de lideranças, como ela e outras, no sentido de permitir que mais rapidamente mulheres ocupem espaços estratégicos, em diversos espaços de atuação, a partir dos investimentos que serão feitos.

Um pouco depois da morte da vereadora saiu na imprensa que seriam investidos US$10 milhões (de dólares) no programa. Como esse recurso será investido? A partir de quando?

Essa informação não procede. O Programa de aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras: Marielle Franco contou com três apoiadores iniciais:Instituto Ibirapitanga, Ford Foundation e Open Society Foundation. Juntos, eles doaram U$ 3 milhões. Desse recurso, US$ 2,7 milhões (quase R$ 10 milhões de reais) serão aplicados no apoio às organizações da sociedade civil e também no apoio individual às 120 beneficiárias. Ao receber essa doação o Fundo Baobá recebeu um novo aporte da Kellogg Foundation, no valor de US$ 3,5 milhões, que serão empregados em atividades programáticas relacionadas ao Programa, outros projetos e, também, serão utilizados para alavancar o funcionamento do próprio Fundo.

E os outros quase US$ 7 milhões que foram incrementados com os recursos da Kellogg? Para onde vai esse dinheiro?

O novo aporte da Kellogg Foundation não é exclusivo para Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras. Esse recurso é destinado para custear atividades programáticas relacionadas ao Programa de Aceleração, outros projetos e, para alavancar o funcionamento e operação do próprio Fundo.

O que o Fundo Baobá tem feito para exigir justiça para o caso Marielle Franco?

O Fundo Baobá não é um órgão de monitoramento. Contudo, assim como toda a sociedade brasileira, apoia e aguarda com esperança o esclarecimento do caso e a responsabilização dos envolvidos.

Qual é a opinião do Fundo Baobá sobre o assassinato de Marielle? Vocês acham que a milícia e parlamentares estão envolvidos no caso?

Aguardamos com esperança o esclarecimento do caso e a responsabilização dos envolvidos.

Vocês acham que foi um crime de ódio, por ela ser negra, mulher, bissexual e favelada?

Não temos conhecimento de nenhum elemento que aponte para esse caminho. Aguardamos com esperança o esclarecimento do caso e a responsabilização dos envolvidos.


Fundo Baobá

O que é o Fundo Baobá? Qual é a sua missão? Como atua?

O Fundo Baobá é uma organização brasileira criada em 2011 que opera com exclusividade em prol da equidade racial para a população negra, mobilizando pessoas e recursos, no Brasil e no exterior.

Para o alcance de sua missão – promover a equidade racial no Brasil, o Fundo Baobá trabalha fortalecendo e investindo, por meio de editais e apoios direcionais, em organizações e lideranças negras, comprometidas com o enfrentamento ao racismo, a promoção da equidade racial e da justiça social.

Parte significativa do trabalho do Fundo Baobá está voltado para o investimento na região nordeste do país, por entender que essa região é estratégica para a promoção da equidade racial, por sua composição demográfica, seu histórico de resiliência e inovação neste campo. 

Porque o Nordeste é apresentado como território prioritário de atuação do Fundo Baobá?

A priorização da região nordeste deve-se ao compromisso assumido pela instituição quando de sua fundação, e ao fato de que, ao mesmo tempo em que a área encontra importantes desafios para o alcance da equidade racial, também é potência. É a região com a maior proporção de população negra do país, maior contingente jovem e feminino. Os investimentos corretos em educação, saúde e qualidade de vida; na ampliação do acesso no mercado de trabalho e qualificação dos quadros; uma apropriação da memória como elemento chave para a transformação do presente e do futuro,  podem surtir grande efeito na consolidação de um imaginário social positivo e na  mobilidade socioeconômica das famílias e comunidades do nordeste, trazendo contribuições significativas para o desenvolvimento do país como um todo.

Para o Fundo Baobá o que significa promover a equidade racial?

Promover a equidade racial é contribuir para criar resiliência e aumentar a capacidade individual, comunitária e institucional para o exercício à vida com dignidade, adaptação e crescimento com justiça, diante de crises severas, estresse crônico e exposição sistemática ao racismo.

Mas a missão do Fundo Baobá é promover a equidade racial para população negra. O que isto significa?

Para o Fundo Baobá promover a equidade racial para a população negra significa investir em organizações, projetos e pessoas capazes de reduzir e eliminar qualquer obstáculo colocado para a população negra brasileira no acesso a bens, serviços e direitos, para que ela possa alcançar e desfrutar, em patamar de igualdade, todas as oportunidades.  Também significa compreender as dinâmicas e intervir em contextos de desequilíbrios e abusos de poder subjacentes aos grupos raciais.  O Fundo Baobá entende que a promoção da equidade racial para a população negra é um processo contínuo, alicerçado no enfrentamento ao racismo e na reparação das desigualdades injustificáveis, já constituídas como iniquidades.

Para o Fundo Baobá, diversidade e equidade racial são sinônimos?

A Equidade é a justiça aplicada ao caso concreto e não está ligado ao exercício das leis e, sim, ao tribunal da consciência. Nós do Fundo Baobá distinguimos a justiça racial da diversidade.  Pode haver diversidade sem equidade.  Um foco de diversidade aborda principalmente os sintomas do racismo – com o objetivo de minimizar as tensões raciais e maximizar a capacidade das pessoas de tolerar a diferença e se dar bem.  Um enfoque de justiça racial aborda, principalmente, as causas da desigualdade e as soluções e estratégias para a produção de equidade.

Como funciona a composição do Fundo Patrimonial?

Para cada R$ 1,00 captado em território nacional, a Fundação Kellogg doa outros R$ 3,00. E, para cada R$ 1 captado no exterior, a mesma fundação doa outros R$ 2 – até que se alcance a meta de US$ 25 milhões. O objetivo é que esse valor arrecadado fique em uma espécie de poupança, de modo que, ao longo dos anos, seja possível financiar, com os rendimentos, projetos de organizações da sociedade civil afro-brasileira e/ou que contribuam para a causa da equidade racial a longo prazo. Grande parte dos esforços estão concentrados na captação de recursos para que isso ocorra no menor tempo possível.

Como o Fundo Baobá seleciona os projetos que apoia?

Prioritariamente por meio de editais e chamamentos públicos com indicadores e critérios de seleção específicos.

Quais são temas prioritários de investimento do Fundo Baobá? 

Estamos em um processo de consolidação e expansão de nossos investimentos. Temos 4 eixos prioritários: educação, desenvolvimento econômico, comunicação e memória, vida com dignidade. No eixo viver com dignidade apoiamos projetos de promoção à saúde da população negra e qualidade de vida; prevenção e atenção às vítimas de violência; exercício da sexualidade e dos direitos reprodutivos; acesso à terra, à infraestrutura em comunidades rurais e urbanas (água, luz, esgoto, asfaltamento, etc.); prevenção e atenção à vítimas de racismo religioso. No eixo educação apoiamos projetos que promovam ampliação das possibilidades de educação formal e não formal; livre formação política, incidência em espaços de poder e controle social; enfrentamento ao racismo no espaço escolar; ampliação das habilidades socioemocionais e construção de projetos de vida entre adolescentes;  formação avançada em universidades do exterior/; ou mesmo inovação na área de ciência e tecnologia. No eixo de comunicação e memória o Fundo apoia projetos de valorização e difusão de bens culturais materiais e simbólicos (produção artística – música, dança, canto, literatura etc.; práticas culturais tradicionais e inovadoras); mídia negra. No eixo de desenvolvimento econômico a centralidade dos investimentos está em iniciativas que visem a melhoria das condições socioeconômicas da população negra; e o empreendedorismo.