Selecionados para receber doações emergenciais de apoio à primeira infância no contexto da Covid-19

Muito obrigado a você que se inscreveu no edital de doações emergenciais de apoio à primeira infância no contexto da Covid-19! Esta iniciativa do Fundo Baobá, em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, a Porticus América Latina e a Imaginable Futures foi concebida para apoiar famílias com mulheres e adolescentes em estado de gravidez, mulheres em situação de parto recente, além de homens responsáveis ou corresponsáveis pelo cuidado de crianças de 0 a 6 anos no contexto da pandemia Covid-19.

Lançado no mês de julho, o edital teve mais de 200 pleiteantes entre os dias 6 de julho e 9 de agosto de 2020.  As inscrições vieram de vários estados do Brasil. Por regiões, o número de projetos contemplados é o seguinte: Nordeste – 24; Sudeste – 23; Norte – 4; Centro Oeste – 4; e Sul – 1.

Como o edital indicava, os critérios de seleção levaram em conta a coerência da proposta frente aos objetivos do edital, sua adequação e factibilidade frente às condições de vida e saúde e às singularidades dos sujeitos para os quais as ações seriam dirigidas  (por exemplo ações dirigidas a povos indígenas, quilombolas, migrantes ou refugiados, foram avaliadas em relação à sensibilidade cultural).

O processo de escolha também levou em consideração a adequação e factibilidade da proposta frente ao contexto de isolamento social imposto pela pandemia da COVID19 e buscou priorizar propostas voltadas para o apoio no campo da saúde, educação e assistência social à famílias que vivem em contextos de desigualdades sociais, violência urbana, violência intrafamiliar, desemprego, fome e outras adversidades agravadas no contexto da pandemia de COVID19.

O cruzamento desses critérios permitiu identificar 56 iniciativas que irão receber apoio no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).  A divulgação dos vencedores, como previsto no edital, é feita 45 dias após o término do período de inscrições. Os valores serão depositados para os vencedores dentro de 10 dias úteis e a prestação de contas deve ocorrer em até 90 dias após recebimento da doação.

O Fundo Baobá convida todas as pessoas selecionadas para uma reunião virtual no dia 1º de outubro, via plataforma zoom. Mais detalhes serão enviados por e-mail.

Confira a lista completa:

Nome da Pessoa Proponente Área de Atuação Estado Cidade Bairro Comunidade ou Território
1 – Ágata Parentes Ferreira Educação DF Brasília Ceilândia Sol Nascente
2 – Alessandra Danielly Cruz Educação PE Orocó Zona Rural Território Quilombola Águas do Velho Chico
3 – Aline Brauna Dos Santos Saúde CE Paracuru Freixeiras
4 – Aline Cardoso Côrtes Saúde DF Brasília Ceilândia Sol Nascente
5 – Aline Pedro De Moura Assistência Social RN Macaíba Zona Rural Comunidade Quilombola de Capoeiras
6 – Amanda Cristina Queiroz De Moraes Educação PA Ananindeua Curuçambá
7 – Ana Elisa Barbosa De Andrade Melo Assistência Social PE Recife Ibura Comunidade do Candeeiro
8 – Anny Waleska Saldanha Torres Educação BA Feira de Santana Santo Antonio dos Prazeres Território X
9 – Aristanan Pinto Nery Da Silva Saúde BA Água Fria Distrito de Pataiba Pataiba
10 – Ayodele Floriano Silva Assistência Social SP Itirapina Nova Itirapina Nova Itirapina
11 – Beatriz Raquel Silva Souza Saúde RJ Armação dos Búzios Cem Braças e Capão Cem Braças e Capão
12 – Bruna Rafaelly Cavalcanti Da Cruz Educação MA Centro Novo do Maranhão Sede e Povoados
13 – Caena Rodrigues Conceição Saúde BA Salvador Bairros Periféricos Comunidades em situação de vulnerabilidade
14 – Camila Britto Da Silva Educação SP Arujá Parque Rodrigo Barreto, Jd Mirante
15 – Carla Hemanuela Bezerra Assistência Social CE Crato Pimenta Casa do Imigrante
16 – Caroline Dias Gomes Padilha Educação RJ Rio de Janeiro Penha Penha
17 – Christiane Teixeira Mendes Assistência Social MA São Luis Coroadinho Polo Coroadinho
18 – Claudia Arantes Da Silva Mathias Educação SP São Paulo Região Central Região Central de São Paulo
19 – Cora Carolina De Paula Souza Assistência Social SP São Paulo Parque de Taipas Quilombo da Parada
20 – Daiane Da Fonseca Pereira Assistência Social BA Feira de Santana Matinha Comunidade Quilombola Candeal II
21 – Deyse Andrade Oliveira Educação SP Santo André Borda do Campo e Grande Vila Luzita Borda do Campo e Grande Vila Luzita
22 – Domingos Lemos Silva Saúde BA Vitória da Conquista Zona Rural Comunidade Quilombola São Joaquim do Sertão
23 – Edaildes Aparecida Rocha Saúde SP São Paulo Rio Pequeno Comunidades do Rio Pequeno e de Embu das Artes.
24 – Elisene Lemes De Oliveira Santos Educação AM Manaus Jorge Teixeira Comunidade Santa Ines
25 – Ester Oliveira Bayerl Educação RJ Rio de Janeiro Jacarepaguá Cidade de Deus
26 – Fernanda De Sá Sampaio Educação SP São Paulo Jardim Sydney Comunidade do Cantagalo
27 – Fernanda Flávia Cockell Silva Assistência Social SP Santos Nova Cintra Território dos Morros
28 – Helena Maria Tenderini Ferreira Da Silva Saúde PE Tracunhaém Bairro Novo
29 – Heloisa  Ferreira Da Silva Assistência Social BA Salvador Engenho Velho de Brotas Brotas
30 – Itamara Luiza Da Silva Assistência Social RN Assu Conjunto São Cristóvão e Conjunto Irmã Lindalva Bairro Frutilândia e Comunidade Baviera
31 – Jacqueline Leite Serafim Assistência Social PE Olinda Rio Doce Comunidade Beira Mangue
32 – Jaqueline Barbosa Dos Santos Heldt Assistência Social SP Pompéia Bairros Periféricos
33 – Jonatas Aparecido Silva Educação SP Campinas Oziel, Campo Grande, Campo Belo e Ouro Verde. Regiões Sul e Sudoeste.
34 – Kelly De Souza Prado Saúde SP Francisco Morato
35 – Lara De Paula Eduardo Saúde SP Embu das Artes Itatuba Região de Itatuba
36 – Layla Daniele Pedreira De Carvalho Assistência Social BA São Francisco do Conde e Santo Amaro
37 – Leandro Vilas Verde Cunha Assistência Social BA Salvador e Lauro de Freitas Comunidade do Ilê Axé Odé Yeyê Ibomin
38 – Lela Queiroz Assistência Social BA Salvador
39 – Liliane Santos Pereira Silva Saúde AL Batalha Zona Rural Comunidade Quilombola do Cajá dos Negros
40 – Marcy Maria Ferreira Gomes Educação RJ Duque de Caxias Centenário Mangueirinha
41 – Maria Carolina Ortiz Whitaker Saúde BA Salvador Ilha de Maré Praia Grande
42 – Maria Das Dores Faustino Saúde MG Belo Horizonte e Betim
43 – Maria Lúcia Dos Santos Rodrigues Assistência Social PA Região Metropolitana de Belém Águas Lindas Comunidade Moara e Área Adjacente
44 – Marlise Silva Lemos Educação RS Porto Alegre Cavalhada Sul e Extremo/ Restinga/ Cavalhada
45 – Meire Pereira De Oliveira Assistência Social BA Salvador Federação Comunidade de São Lazaro
46 – Minéia Miranda Santos De Oliveira Assistência Social SP São Paulo Ermelino Matarazzo Vila Santa Inês e Vila Godoy
47 – Natália Sevilha Stofel Assistência Social SP São Carlos Cidade Aracy
48 – Patricia Maria Barros Thomas Saúde RJ Rio de Janeiro Rocinha
49 – Paulo Henrique Do Nascimento Saúde RN Assu João Paulo II Favela Parati 2000
50 – Priscila Costa Saúde SP São Paulo Jabaquara Favela Alba
51 – Roberta Fernandes De Souza – Beth Fernandes Saúde GO Goiânia Região Noroeste
52 – Samily Maria Moreira Silva E Silva Assistência Social PA Belém Icoaraci, Terra Firme e Cotijuba. IBAMCA e Africanos de Icoaraci
53 – Silvia Aparecida Do Carmo Rangel Educação SP Suzano Miguel Badra Urbana
54 – Thays Fernanda Da Silva Saúde PE Recife Prado/ Zumbi/Cordeiro e Madalena Sítio do Berardo, Rua da lama e Sítio do Cardoso
55 – Tobias Pereira Soares Filho Assistência Social DF Brasília Ceilândia Sol Nascente
56 – Viviane Zerlotini Da Silva Assistência Social MG Belo Horizonte Baronesa Ocupações urbanas da região de Izidora

 

Vozes que transformam

Fazer ecoar as falas das mulheres negras e dar representatividade para elas no ambiente político e em toda a sociedade. Esse é o foco  destas duas iniciativas empreendidas por organizações apoiadas pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, que é apoiado pelo Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg.

Por meio do Programa, o Fundo Baobá oferecerá apoio financeiro, técnico e institucional a organizações da sociedade civil, grupos e coletivos liderados por mulheres negras. Acompanhe essas trajetórias cheias de emoção.

Romper as fronteiras impostas 

O coletivo Mulheres Negras Decidem nasceu há quase dois anos, a partir do engajamento de cinco mulheres (Juliana Marques, Ana Carolina Lourenço, Diana Mendes, Lorena Pereira e Gabrieli Roza). A ideia era organizar um espaço em que pudessem expor suas ideias e construir um ambiente político menos hostil para a mulher negra. O passo inicial foi a participação no Programa Minas de Dados, realizado em 2018. A partir dessa experiência, perceberam qual deveria ser o real propósito do coletivo dali em diante: dar voz e representatividade política à mulher negra. 

O assassinato da vereadora Marielle Franco, em março do mesmo ano, reforçou esse objetivo. “Nossa missão é qualificar e promover a agenda política liderada por mulheres negras na política institucional”, afirma Juliana Marques. Com o seu trabalho, elas querem não apenas dar visibilidade, mas impulsionar a atuação no meio político – em que homens brancos ainda são a maioria esmagadora.

Mulheres Negras Decidem – Foto: Wendy Andrade

Foi a partir do amadurecimento do grupo e do desejo de expandir, que o coletivo se inscreveu no Programa Marielle Franco com a iniciativa: “Um novo projeto de democracia”. Quando começou, as articuladoras estavam concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Agora, estão em mais 14 estados (AL, AM, BA, DF, ES, MA, MG, PB, PE, PI, PR, RO, SC e TO). 

Nestes 18 meses de existência, o coletivo já realizou ciclos de formação política, em 2018, nos quais foram discutidas regras do jogo eleitoral, e reconstruiu a participação de diversas mulheres negras na política, bem como os sistemas políticos que serviram de pano de fundo para as candidaturas. No ano passado, realizaram o Fórum Mulheres Negras Decidem para discutir a política brasileira sob um olhar antirracista e feminista.

“No contexto da pandemia, inspiradas pela intensa mobilização de mulheres negras para mitigar os impactos negativos em suas comunidades, realizamos também a pesquisa Para Onde Vamos?. Em parceria com o Instituto Marielle Franco, acessamos 245 mulheres negras de todo o território brasileiro e apresentamos um panorama do ativismo no Brasil”.  O apoio do Fundo Baobá permitiu ter condições materiais para fortalecer a capacidade de liderança com foco na governança e na sustentabilidade do coletivo. “Além disso, colaborou para nossa visibilidade dentro do movimento de mulheres negras e para a ampliação do alcance da nossa pauta.”

Espaços de troca, acolhimento e denúncia

O coletivo Marcha das Mulheres Negras de São Paulo foi criado a partir do processo de construção da Marcha Nacional das Mulheres Negras, que aconteceu em Brasília, em 18 de novembro de 2015. Desse processo, o núcleo que construiu a Marcha Nacional deu continuidade às ações e, em 2016, iniciou a Marcha em São Paulo. “Nosso objetivo é promover discussões sobre  a opressão e violência presentes nas estruturas políticas, sociais e econômicas do país  e, partir daí, traçar estratégias que, além de cobrar ações efetivas por parte do Estado, permitissem que a Marcha de Mulheres se consolidasse como canal de apoio a denúncias”, explica Andréia Alves.

A ideia é que, além de acolhidas, elas tenham formação política a partir de uma perspectiva negra, periférica e de mulheres. O coletivo faz questão de afirmar que o grupo é um espaço plural e diversificado, multirreligioso, não governamental e multipartidário, que articula, de forma descentralizada, e trabalha para o fortalecimento da democracia. “Buscamos, de forma permanente, estabelecer alianças e engajamento nas lutas sociais, fortalecendo a luta contra o racismo, o patriarcalismo, a lesbofobia, a bifobia, a transfobia, o classismo e todas as formas de preconceito e discriminação”, diz. O grupo é formado por mulheres negras  idosas, jovens, lésbicas, bissexuais, transexuais, com deficiência, das cidades e das periferias. “Mulheres múltiplas na existência e na resistência”, diz Andréia.

Marcha das Mulheres Negras de São Paulo

O coletivo viu no edital do Programa Marielle Franco a chance de capacitar essas militantes comunitárias, acadêmicas, independentes, estudantes e trabalhadoras de diversas áreas. “São mulheres brilhantes que, raramente, se enxergam como lideranças, embora sejam mais do que ninguém”, revela. A capacitação é o meio de romper com o racismo e o sexismo estruturais, que impedem a entrada e a permanência dessas mulheres em espaços de poder. “Quando detectamos a possibilidade de proporcionar formação política e técnica para mulheres negras, não perdemos tempo”, confirma.

O projeto inscrito –Aquilombar e Ampliar Universos – formação política para mulheres negras” – foi selecionado. Nestes seis meses iniciais de apoio, o grupo conseguiu não apenas a capacitar essas mulheres, mas estruturar a área de comunicação. Andréia destaca que o apoio do Fundo Baobá – da assessoria técnica qualificada ao suporte financeiro – permitiu colocar em prática ações planejadas, conhecer e criar redes com outros grupos, organizações e coletivos de mulheres negras em todo Brasil. Além disso, vai possibilitar colocar o site no ar e também criar conteúdos para  um canal no YouTube para divulgar, por exemplo, a primeira atividade de formação política.

Todos os anos, no dia 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Afro-latinoamericana e Caribenha e Dia Nacional de Teresa de Benguela – o grupo reúne milhares de pessoas nas ruas da capital paulista, em marcha contra o racismo, o machismo e a lesbotransfobia, entre outras formas de opressão. Este ano, por conta da pandemia, as atividades foram on-line, com ajuda das tecnologias digitais e da internet. “Nossa marcha on-line contou com uma programação ao vivo, além de transmissões de intervenções de rua, como faixas e videomap (projeção em edifícios). Os conteúdos gerados foram transmitidos em nossas redes sociais (youtube, facebook e instagram), em perfis de artistas e digital influencers que são parceiros”, relembra. Além de mais reportagens na mídia, aumentaram de 1700 para 4000 os seguidores no instagram.

Por ser on-line, a marcha teve a participação também de mulheres com deficiência. Segundo Andréia, elas contribuíram para melhorar a comunicação, incluindo as hashtags de acessibilidade  #paratodoslerem e #paracegoler e também a tradução em libras na maioria das lives. “Foi um processo ainda inicial, mas temos vontade e disposição para fazer e, mais do que isso, tomamos para nós a responsabilidade política de tornar a MNSP um espaço para todas as mulheres negras e suas especificidades”, afirma.

 

Vozes que transformam

Resgate da memória e o direito de ser quem você quiser: esse é o foco  destas duas iniciativas empreendidas por organizações apoiadas pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco,  que é apoiado pelo Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg.

Por meio do Programa, o Fundo Baobá oferecerá apoio financeiro, técnico e institucional a organizações da sociedade civil, grupos e coletivos liderados por mulheres negras e lideranças femininas negras. 

Igualdade e respeito como princípios de vida

Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria (Paraíba) começou seu trabalho em novembro de 2002, com o objetivo de combater a violência e o preconceito contra essas mulheres. Ancoradas no movimento gay, sentiam que suas pautas eram silenciadas e, para agravar a situação, sofriam violência por conta do machismo e da lesbofobia praticados ali. “Precisávamos de iniciativas que nos representassem além do HIV/Aids, resgatassem nossa cidadania e promovessem a autoestima dessas mulheres”, explica Cryss Pereira. O resultado foi a formação do coletivo.

Em 2019, quando foi aberto o edital para o Programa Marielle Franco, do Fundo Baobá,  o coletivo percebeu que era uma ótima oportunidade para se organizar e começar a expandir discussões e formações. O projeto inscrito –  “Equidade sim! Racismo não!” – foi um dos selecionados e permitiu dar mais visibilidade a elas, além de impulsionar e fortalecer as lideranças internas, especialmente nestes meses de pandemia, em que as atividades se concentraram no mundo virtual.

Antes da Covid-19, entre as ações que já desenvolveram, as que citam como mais relevantes são “Goleando contra LGBTfobia”, um torneio de futsal feminino no qual fortalecem as jovens para enfrentar a violência e o preconceito, e “Eu também sou cidadã”, projeto voltado para o empoderamento das mulheres privadas de liberdade.

Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria (Paraíba)

Olhar para a questão da violência contra a mulher, aliás, é um tema urgente e sempre presente para elas – sobretudo em tempos de pandemia, com o aumento dos casos. “Mas visualizamos também um avanço na disseminação de informações on-line, um maior envolvimento quanto às denúncias e quanto à propagação de postagens encorajadoras e empoderadoras para as mulheres”, confirma Cryss Pereira.

Segundo ela, o apoio do Fundo Baobá permitiu aprofundar o conhecimento quanto à própria história dessas mulheres, além de dar condições de ocupar as mídias sociais de forma qualificada, garantindo espaços de discussão. “Ter a oportunidade de fortalecer ativistas financeiramente trouxe para o grupo duas designers gráficas, que estão encarregadas da produção das peças virtuais. Além disso, elas também são ativistas. Portanto, é um sonho ter pessoas qualificadas na nossa comunicação”, afirma. Foi justamente no meio virtual, com a profissionalização da comunicação institucional, que conseguiram seguir com as atividades. 

Uma das mais recentes foi a live-show da cantora Bia Ferreira, em comemoração ao 29 de agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A artista possui forte atuação por meio da sua música contra o racismo e a favor dos direitos LGBT. O show,  uma construção coletiva, em parceria com a Secretaria da Mulher e Diversidade Humana e a Fundação Espaço Cultural (Funesc), ambas da Paraíba, foi ao ar no instagram do Maria Quitéria. 

Da moda para o jornalismo pela causa

O portal Blogueiras Negras se materializa a partir da Blogagem Coletiva Mulher Negra, em 2013. Na época, um grupo de mulheres negras organizadas em diferentes espaços on-line resolveu se reunir para escrever sobre a intersecção racismo e feminismo. “Compreendemos que era um território que esse grupo poderia explorar coletivamente”, relembra Larissa Santiago. A pergunta que deu início a esse processo foi: “onde estão as blogueiras negras de moda?”, publicada no blog Tempo Fashion. Provocadas, resolveram reunir demandas, temas e denúncias no endereço blogueirasnegras.wordpress.com e, mais tarde, no blogueirasnegras.org.  

O início foi difícil e elas quase desistiram, depois de ficar três meses fora do ar, em 2019. Mas foi aí que surgiu a possibilidade de fazer a inscrição no Programa Marielle Franco. “Foi um momento crucial. Resolvemos planejar como manter a memória. Assim, nos inscrevemos no edital na esperança de consolidar o sonho de gerir e manter a comunicação como o legado das mulheres negras”, revela Larissa Santiago.

O projeto inscrito – “Autonomia e Memória, consolidando o legado da comunicação no movimento de mulheres negras no Brasil” – foi selecionado e ajudou a fortalecer a capacidade interna de organização e sua gestão, consolidando o protagonismo do coletivo na comunicação do movimento de mulheres negras. Parte desse trabalho consiste na manutenção de uma plataforma com mais de 1300 textos, a maioria inédita e assinada por 400 autores. 

Da esquerda para a direita: Larissa Santiago, Charô Nunes (ao centro) e Viviane Gomes, na primeira vez em que se encontraram para dar início ao projeto Blogueiras Negras

Nesse processo e respondendo às demandas que surgiram, criaram um podcast para dar mais visibilidade aos efeitos da Covid-19 nas periferias. “Nossos posts sobre a infeliz morte de crianças negras aumentou significativamente nossa visibilidade.  Temos feito lives, inclusive internacionais, sobre cuidados digitais e outras áreas programáticas. Vale  acrescentar que reforçamos a comunicação com as profissionais de redes sociais com objetivo de  ampliar nossa presença e levar nossa experiência a um número maior de pessoas”, completa Charô Nunes, também do coletivo. 

Nestes anos de existência, o Blogueiras Negras desenvolveu várias trocas e aprendizados. Por conta disso, reconhecem que houve avanços para a mulher negra, mas ainda falta muito para equiparar condições de vida, empregos, saúde. “É notório perceber alguns avanços, apesar do contexto atual, mas esses números ainda são insuficientes. Precisamos de moradia, comida e estarmos nos espaços em que poderemos de fato tomar decisões para garantir, minimamente, o que está na constituição”, finaliza Viviane Gomes.

O apoio do Fundo Baobá permitiu dedicar tempo não apenas para pensar expansão, mas perceber potencialidades e desafios, além de incrementar áreas, como a comunicação nas redes sociais, o podcast e novas parcerias – especialmente em tempos de pandemia, em que, respeitando o distanciamento, elas tiveram que suspender as atividades presenciais. E, ainda assim, “propagar vozes das diferentes mulheres negras militantes”, como diz Charô Nunes.

Chamada para artigos, lançada pelo Fundo Baobá, tem como foco ações de filantropia pós-pandemia

O Fundo Baobá para Equidade Racial lançou, no início de agosto, uma chamada para artigos inéditos que contribuam para aprimorar a ação de filantropia para equidade racial no Brasil pós-pandemia da Covid-19. A iniciativa integra o projeto “Consolidando Capacidades e Ampliando Fronteiras”, em parceria com a Fundação Ford, e tem como objetivo orientar as doações que serão realizadas pelo Fundo Baobá para fortalecer a atuação de organizações e lideranças negras e, ao mesmo tempo, direcionar a captação de recursos.

As inscrições prosseguem até o dia 12 de outubro, às 23h59, aqui no site. O edital é aberto à comunidade acadêmica. O/a autor/a principal precisa ser especialista, ter título de mestrado ou doutorado com produção acadêmica concernentes às áreas priorizadas pela instituição. Serão selecionados até 20 artigos, que receberão apoio de R$ 2,5 mil cada, e farão parte de uma publicação bilíngue a ser lançada em 2021 ano em que o Fundo Baobá completa uma década de atuação.

Rebecca Reichmann Tavares, Presidente & CEO da Brazil Foundation e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá, explica que iniciativas assim são importantes porque vão ajudar a entender os efeitos da pandemia e, assim, apoiar as comunidades nessa nova fase ou no novo normal, como está sendo designada a fase posterior à emergência sanitária da Covid-19.

Além das mortes, que não foram poucas, a pandemia imprimiu nova ordem econômica e social. “Temos visto famílias  devastadas, sofrendo com a perda de vidas, desemprego e fome”, disse.  “Empresas que suspenderam atividades,  crianças sem oportunidades educacionais, e a exclusão racial e a discriminação agravando os impactos nesses locais.”

Rebecca Reichmann Tavares é presidente & CEO da Brazil Foundation e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá

Ela explica que, diante desse quadro, quem atua na filantropia deve basear decisões em evidências. “Temos que entender que, além da estratificação socioeconômica, os negros, mesmo em níveis semelhantes de renda e educação com suas contrapartidas de pele mais clara, sofrem os piores efeitos da pandemia. Em parte, é porque cuidam dos outros, usam transporte público e mantêm a cadeia de produção”, afirma.

Como se não bastasse, a população negra, com mais frequência vive em espaços que estão superlotados e sem saneamento básico, o que não apenas fere a dignidade humana, mas prejudica sua segurança física em tempos de pandemia. “As evidências trazidas pelos artigos, as diferentes leituras sobre realidades, necessidades e possíveis soluções, aliadas à escuta ativa que temos realizado junto aos grupos, coletivos e organizações negras que apoiamos, serão cruciais para aprimorar nossa atuação no campo da filantropia por justiça social e também para iluminar o ecossistema filantrópico em geral. Queremos engajar outros atores, trazer mais gente para  apoiar com recursos, a causa da equidade racial para a população negra”, explica Fernanda Lopes, diretora de programa do Fundo Baobá para Equidade Racial.

Agosto negro e o cuidado com a saúde mental

No mês passado, foi celebrado o “Agosto Negro”. Sua origem foi a luta do movimento negro nos Estados Unidos, na década de 1970, após a prisão e morte de George Lester Jackson, em 21 de agosto de 1971, na prisão de San Quentin, na Califórnia.  Ele foi preso e condenado à prisão perpétua depois de ter roubado 70 dólares em um posto de gasolina. 

Durante o tempo em que permaneceu preso, estudou economia política e, ao mesmo tempo, se destacou como líder da resistência negra – o que levou ao seu assassinato por um agente penitenciário. Sua morte fez com que milhares de pessoas fossem às ruas, clamando pelo fim do racismo e do extermínio da população negra. Quatro décadas depois, o povo negro continua nas ruas, mesmo diante de uma pandemia mundial,  afirmando que vidas negras importam, sim!

A luta antirracista requer resistência, é verdade, mas também demanda da sociedade uma análise aprofundada dos impactos do racismo em todas as fases da vida de suas vítimas,  que sofrem com o preconceito, a discriminação e desenvolvem uma série de traumas. Discutir o racismo e as suas consequências, além de frisar a importância dos cuidados com a saúde mental, é de extrema importância para a promoção da equidade racial. Iniciativas como a da Articulação de Psicólogos Negros, que dedica um mês à saúde mental e à luta antirracista, são fundamentais.

Apoiado pelo Fundo Baobá para Equidade Racial no edital de doações emergenciais no combate ao Coronavírus, o psicanalista, doutorando da PUC-SP e membro do Coletivo Margens Clínicas, Kwame Yonatan Poli dos Santos, organizou a cartilha “Saúde mental, relações raciais e Covid-19”, em parceria com a psicanalista Laura Lanari. A cartilha contém cinco textos que pretende dialogar com a população negra sobre os problemas relacionados à vivência do racismo. Confira sua entrevista: 

De qual forma o racismo impacta a saúde mental das pessoas negras?
Os efeitos das práticas do racismo na subjetividade devem sempre ser escutados na sua singularidade ou podemos incorrer no erro de universalizar que toda população negra se afeta, e responde da mesma maneira, com as práticas de racismo. Nossa aposta deve ser a construção de saídas singulares, coletivas ou individuais. No entanto,  se entendermos que o racismo é um dado estruturante das relações,  compreenderemos que é um sistema que estrutura o laço social, assim sendo,  temos que pensar como esse sistema atua em nós e como respondemos a ele. Isso significa que algumas pessoas e grupos construirão saídas mais ou menos a reexistir, ou seja,  afirmar a sua existência na sua diferença diante dessa ferida colonial que sangra. É importante mencionar que o racismo estrutura o campo das relações. E subjetiva tanto as pessoas negras quanto as brancas, pois não é possível silenciar, discriminar, humilhar, violentar, matar sem se tornar monstruoso, isto é,  desumanizar-se também nesse processo. Por fim,  possuímos indicadores no âmbito da saúde mental de que o racismo produz um sofrimento psíquico intenso em uma grande parcela da população negra, produzindo efeitos no horizonte do desejo. Cito o exemplo  dos dados de 2016 do Ministério da Saúde que mostram uma prevalência do aumento do suicídio em jovens negros, isso nos mostra uma face do genocídio .

Kwame Yonatan Poli dos Santos

O racismo sofrido durante a infância e adolescência interfere na vida adulta e nas relações pessoais do negro?
Como disse anteriormente,  o racismo é um dado estruturante das relações e pode deixar marcas no campo do desejo de modo a violentar, desde muito, a infância a população negra. Portanto, escuto muitas mulheres negras  e homens negros na clínica relatarem vivências violentíssimas na escola  e até mesmo na família, que deixaram sequelas profundas na forma de se posicionar diante do mundo até a vida adulta, chegando a internalizar como mecanismo de sobrevivência,  por exemplo:  adaptar-se o tempo todo para  ser aceito e/ou reconhecido por pessoas brancas. Como diz a psicanalista Neusa Santos Sousa, autora da obra Tornar-se Negro (1983), ser negro é estar submetido a uma dupla injunção: de odiar sua negritude (cabelo, história etc) e almejar os ideais da branquitude. Logo, é  preciso ressignificar constantemente a vivência da negritude de maneira a produzir linhas de singularização, da experiência de enegre-ser produzindo outros sentidos para além da captura binária resistência/sofrimento.

Como é falar da importância da saúde mental, sem demagogia, considerando as desigualdades sociais, o genocídio dos jovens negros, o encarceramento em massa da população negra, entre outros problemas?
É preciso compreender o genocídio de maneira ampla, isto é, para além daquele policial que atira ou do que enfia a faca. Existem os amoladores de faca (ideia do professor da UFRJ Luís Antônio Baptista) – ‘antes do punhal ser cravado nas costas do mestre Moa do Katende (capoeirista, compositor, percussionista, artesão e educador, assassinado em outubro de 2018)  existiram aqueles que amolaram o punhal, prepararam o terreno, autorizando a morte, enfraquecendo a vítima antes do golpe mortal. Nessa perspectiva, antes de o jovem negro ser preso, assassinado ou morrer de frio na rua, existe uma série de pessoas e instituições que amolaram o punhal. Logo, o genocídio é uma trama de poder que mata aos poucos. O genocídio também se refere aquilo que nos mata aos poucos  ao sequestrar o futuro daqueles que ainda nem viraram adultos. Quando apontamos os dados sobre prevalência do suicídio dos jovens negros,  essa é a ponta do iceberg, a parte imersa conta processos de subjetivação coloniais que sequestram a potência,  aniquilam as perspectivas de sonhar um futuro. Uma das piores formas de miséria humana é a de não poder sonhar mais. O cuidado em saúde mental deve produzir sonhos, isto é, por meio dele deve-se investir em estratégias de produção de energia vital,  revitalizando esse sujeito para que possa protagonizar sua vida.

Em junho de 2020, com o apoio do edital de doações emergenciais do Fundo Baobá para Equidade Racial, e em parceria com o coletivo Margens Clínicas, você, ao lado da Laura Lanari, organizou a cartilha “Saúde Mental, Relações Raciais e Covid-19”, fale sobre esse trabalho.
A cartilha é fruto de muitas mãos. Ela nasce em 2016 com um convite para realizar oficinas de relações raciais e saúde mental em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da zona sul de São Paulo. À medida que ia passando por outros Caps ia percebendo a dimensão racial como uma chave de análise da instituição. Então, por exemplo, lembro de uma equipe, majoritariamente branca, que não se sentia à vontade em fazer roda com os usuários e, consequentemente,  tinha várias dificuldades de se enxergar racializada. Com a pandemia temos a descaracterização dos serviços, mas também um ‘relançar dos dados’, a oportunidade dos Caps se reinventarem e fazerem a rede a partir da transversalização da temática racial. A cartilha traz a proposta do Aquilombamento da Rede Sul, em São Paulo (SP), que se reformulou com a pandemia para o formato on-line. Nessa perspectiva, o quilombo é um mundo sem os muros da colonialidade. Aquilombamento é a construção do comum que toca o plano singular, uma reorientação vital,  a partir da perspectiva  interseccional de uma analítica das relações de poder e seus efeitos no corpo. A cartilha tem cinco textos que versam sobre saúde mental, Covid-19, relações raciais,  psicanálise e saúde pública.

Cartilha Saúde Mental, Relações Raciais e Covid-19

Leia a cartilha “Saúde Mental, Relações Raciais e Covid-19” aqui

Fundo Baobá na imprensa em agosto

Durante o Agosto Negro, o Fundo Baobá para Equidade Racial divulgou dois editais na imprensa. O Já É: Educação para Equidade Racial foi destaque no Minuto Futura, do Canal Futura, em portais de mídia negra, como Mundo Negro, e também no site da Escola Aberta do Terceiro Setor.

O edital de chamada para artigos sobre promoção da equidade racial no Brasil no contexto pós-pandemia, lançado no dia 6 de agosto, foi citado na Revista Afirmativa, e nos sites de mídia negra Notícia Preta e Alma Preta.

A diretora de programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, concedeu entrevista ao jornal O Globo, para uma reportagem intitulada “Filantropia negra se volta para a inclusão social contra o racismo persistente e estrutural”. Na ocasião, Fernanda relembrou o edital de doações emergenciais no combate ao coronavírus que, em apenas 12 dias, recebeu mais de mil propostas. “A pandemia trouxe uma vivência exacerbada das desigualdades históricas e do racismo estrutural. Atuar captando fundos contra o racismo, num país que tem dificuldade em reconhecê-lo como operante na definição de todo o tecido social, é desafiador. Mas a população negra é uma potência e preservar suas vidas é preservar um ativo de transformação”, disse.

No dia 18 de agosto, o Jornal Nacional exibiu reportagem na qual citava as dificuldades dos empreendedores negros durante a quarentena. Segundo dados do Sebrae, 46% estão com dívidas em atraso, enquanto 61% dos que buscaram empréstimo não conseguiram. Na mesma abordagem foi apresentado o trabalho da Coalizão Editodos que, em parceria com o Fundo Baobá, vai apoiar até 500 empreendedores no âmbito do programa Emergências Econômicas. 

Veja aqui

Fundo Baobá participa de lives sobre filantropia colaborativa, igualdade racial e fortalecimento do empreendedor negro 

Selma Moreira, diretora-executiva do Fundo Baobá, participou em 4 de agosto do segundo dia do “3º Fórum Negócios de Impacto da Periferia”, organizado pela Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP). 

Na companhia de Adriana Barbosa (fundadora da Feira Preta) e Jéssica Rios (Vox Capital), com a mediação de Fabiana Ivo (Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia/ ANIP), Selma falou sobre como fortalecer investimentos e prover apoio ao empreendedor negro no campo de negócios de impacto, na perspectiva da equidade.

A diretora-executiva também foi uma das convidadas do ConCEJ 2020 (Congresso Catarinense de Empresários Juniores 2020), que ocorreu em 22 de agosto. Ela participou do debate “Combatendo Desigualdades”, que teve como cerne a igualdade racial, de gênero e para a comunidade LGBT QI+. A mesa virtual também contou com Yuri Trigo, vice-presidente de negócios da Brasil Júnior, e Letícia Medeiros, cofundadora da ONG Elas no Poder.

Por fim, no dia 27, aconteceu o 11º Congresso GIFE/Fronteiras da Ação Coletiva, com o tema Filantropia Colaborativa, e quem representou a organização foi o presidente do conselho deliberativo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey. Participaram também Denis Minze (Diretor Executivo da Fundação Lemann) e Peggy Saïller (Diretora Executiva da NEF – Network of European Foundation). O evento foi transmitido via Zoom e aprofundou os diferentes formatos de filantropia colaborativa, além de discutir e apontar caminhos e desafios em busca de formas mais articuladas e colaborativas para a mobilização, gestão e alocação de recursos privados para fins públicos.

Confira todas as reportagens de agosto sobre o Fundo Baobá:

Escola Aberta do Terceiro Setor – 04/08

NGOSource – 05/08

Notícia Preta – 15/08

Revista Afirmativa – 15/08

Alma Preta – 17/08

CEERT – 18/08

Jornal Nacional – 18/08

Mundo Negro – 18/08

Canal Futura – 25/08

O Globo – 26/08

Prosas – Edital Chamada para Artigos 

Prosas – Edital Já É 

Perguntas & Respostas – Chamada para Artigos sobre filantropia para promoção da equidade racial no Brasil no contexto pós-pandemia da Covid-19

1 – Como faço para me inscrever?

Basta preencher o formulário que se encontra aqui.

2 – Quem pode se inscrever?

A chamada é aberta a especialistas, mestres e doutores com produção acadêmica concernente às áreas priorizadas pelo Fundo Baobá para os seus investimentos programáticos: educação; população quilombola; juventude negra; racismo religioso; saúde da população negra; masculinidades negras; violência de gênero contra mulheres negras; violência de gênero contra lésbicas, gays, travestis, transsexuais, queers, intersex negrxs; racismo ambiental; violência racial;  população negra, ciência e tecnologia; população negra e desenvolvimento econômico; população negra, comunicação, arte  e memória.

3 – A inscrição precisa ser individual?

Sim, a inscrição é individual, ainda que o artigo seja assinado por mais de uma pessoa. Preferencialmente, a inscrição deve ser feita pelo(a) autor(a) principal. 

4 – Eu ainda não tenho mestrado, mas me especializei em um dos assuntos acima, que foi tema do meu TCC. Posso participar?

Sim, o edital é aberto a especialistas também.

5 – Eu ainda estou fazendo mestrado / doutorado.  Posso participar?

Se o tema de sua tese estiver alinhado a algum dos assuntos sobre os quais este chamado está aberto, sua participação é possível. Porém, é importante deixar claro essa especialização na ficha de inscrição.  

6 – Qual o tamanho do artigo?
Os artigos selecionados devem ter até 20 (vinte) páginas incluindo resumo, referências bibliográficas e anexos (gráficos, tabelas, figuras).  É importante que o artigo seja apresentado com a contagem descrita no formulário de inscrição, para cada uma das seções.

7 – Eu preciso enviar a versão em inglês do artigo também?

Não, a tradução será da responsabilidade do Fundo Baobá.

8 – Até quando posso me inscrever?
Até dia 12 de outubro de 2020, às 23h59.

8 – Quais os critérios de seleção dos artigos?

i)      Estrutura e conteúdo; 

ii)     Contextualização da situação‐problema, bem como a coerência entre os objetivos, a justificativa e a relevância social, além das hipóteses, se for o caso;

iii)    Metodologia do trabalho, verificando se está coerente e adequada com o que foi pretendido no edital e no estudo, e se está com o devido detalhamento para ser reproduzida;

iv)    Resultados adequadamente descritos e de acordo com o que foi coletado e informado na metodologia; 

v)     Uso de gráficos e tabelas facilita ver se há redundância de informações sobre os achados do estudo;

vi)   Discussão coerente e atual e em diálogo com os objetivos propostos e os resultados obtidos;

vii)  Conclusões ou recomendações relevantes para o campo da filantropia por equidade racial e justiça social.  

9 – Quem avaliará meu artigo?
Um grupo de especialistas ad hoc irá analisar todos os artigos e  preparar um parecer consubstanciado. Esse Grupo de Pareceristas será composto por pesquisadores com experiência comprovada na área e que tenham título de doutor por, no mínimo, cinco anos.

10 – No formulário de preenchimento, como eu faço pra saber se eu não ultrapassei o limite de caracteres solicitado?

Pedimos, por gentileza para, fazer um rascunho em word e efetuar todas as edições necessárias nele próprio, incluindo contagem de caracteres. Deixando pra colocar no formulário somente a versão final do texto. 

11 – Os avaliadores poderão pedir ajustes  no meu artigo?

Sim. Nesse caso, serão concedidos 30 dias para os ajustes solicitados.

12 – Como será o apoio do Fundo Baobá ao artigo? 

Os artigos selecionados receberão apoio financeiro de R$ 2,5 mil.

13 – Quando será a data da divulgação da seleção final?

A lista final dos artigos selecionados  será divulgada no site do Fundo Baobá até Baobá até o dia 22 de fevereiro de 2021.

14 – Após terminar o preenchimento eu não recebo um e-mail de confirmação. Como vou saber que meu projeto foi enviado? 

Quando todas as perguntas do formulário são respondidas, deve-se apertar o botão concluído. Neste momento aparece na tela uma mensagem de agradecimento pelo interesse. Ela então deve apertar concluído novamente para que o formulário entre no sistema.

15  – Como fico sabendo se fui selecionado?

A lista final dos artigos selecionados será divulgada no site do Fundo Baobá, que também entrará em contato por e-mail, porém ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE com as pessoas selecionadas. Por isso, é muito importante checar também a caixa de spam do e-mail.

16 – Mas se eu ainda tiver dúvidas, como faço? 

Envie e-mail para duvidaseditais@baoba.org.br

Fundo Baobá faz chamada para artigos que subsidiem a filantropia para promoção da equidade racial no Brasil no contexto pós-pandemia da Covid-19

O Fundo Baobá para Equidade Racial está lançando uma chamada para artigos inéditos que contribuam para aprimorar a ação de filantropia para equidade racial no Brasil pós-pandemia da Covid-19.  A iniciativa, que integra o projeto Consolidando Capacidades e Ampliando Fronteiras, realizado em parceria com a Fundação Ford, visa orientar as doações a serem realizadas pelo Fundo Baobá  com vistas a proporcionar impacto social fortalecendo a atuação de organizações e lideranças negras e, ao mesmo tempo, direcionar a captação. Serão selecionados até 20 artigos, que receberão um apoio de R$ 2,5 mil cada, e que serão reunidos em uma publicação bilíngue a ser lançada em 2021 – ano em que o Fundo Baobá completa uma década de atuação. 

Em 2018, o Fundo Baobá realizou um estudo para mapear, junto a organizações e lideranças do movimento negro brasileiro, temas urgentes e relevantes na atualidade. Em 2019, realizou novo estudo, este envolvendo apenas organizações, grupos e coletivos de mulheres negras, para mapear necessidades e expectativas relacionadas ao fortalecimento de capacidades. Os resultados obtidos foram utilizados para favorecer a tomada de decisões baseadas em evidências – uma das prioridades do Fundo Baobá para dirigir seus investimentos programáticos. Agora, esta chamada visa atualizar as informações em função dos impactos, ainda não totalmente conhecidos, da pandemia da Covid-19.

“Os números da Covid-19 não deixam dúvidas sobre quem são as principais vítimas: ao mesmo tempo em que a pandemia explicitou as consequências do racismo que permeia as estruturas sociais do Brasil, ela também acentuou as desigualdades que marcam nosso país”, destaca Selma Moreira, diretora-executiva do Fundo Baobá para Equidade Racial. “Com esta chamada, queremos entender esse novo cenário, que acentuou os problemas conhecidos e, agora, traz novos desafios para a promoção da equidade racial e da justiça social”, completa.

A chamada é aberta a especialistas, mestres e doutores com produção acadêmica concernentes às áreas priorizadas pelo Fundo Baobá para os seus investimentos programáticos: educação do ciclo básico à pós-graduação; população quilombola; juventude negra; racismo religioso; saúde da população negra e ciclo de vida; masculinidades negras; violência de gênero contra mulheres negras; violência de gênero contra lésbicas, gays, travestis, transsexuais, queers, intersex negrxs; violência racial: segurança cidadã; racismo ambiental; população negra, ciência e tecnologia; população negra e desenvolvimento econômico; população negra, comunicação e arte; população negra e memória.

As inscrições poderão ser realizadas de 06 de agosto a 12 de outubro de 2020, às 23h59, através deste link. A primeira etapa da seleção, que contará com o apoio de um grupo de pesquisadores com experiência comprovada na área e com título de doutor há pelo menos cinco anos para realizar análise crítica dos artigos, acontecerá de 26 de outubro a 10 de dezembro de 2020.  A lista final dos artigos que irão compor a publicação será divulgada no site do Fundo Baobá até o dia 22 de fevereiro de 2021. A publicação bilíngue deverá  ser lançada no primeiro semestre de 2021 em atividade específica em alusão aos 10 anos de fundação do Fundo Baobá para Equidade Racial.

No caso de dúvidas e para maiores informações, acesse aqui as principais perguntas e respostas sobre este edital.


Este é o quarto edital do Fundo Baobá no contexto da Covid-19. No início de abril, o fundo lançou um edital para doações emergenciais de até R$ 2,5 mil para ações de prevenção em comunidades e populações vulneráveis. No final deste mês, em parceria com o Desabafo Social, abriu edital para apoiar ideias e projetos com foco em pessoas em situação de risco em São Paulo e no Rio de Janeiro – iniciativa que, posteriormente, foi ampliada para todo o país. No início de julho, o Baobá, em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a Porticus América Latina e a Imaginable Futures,  lançou um edital com o objetivo de selecionar iniciativas de apoio a famílias que, em seu núcleo, tenham mulheres e adolescentes grávidas, mulheres que deram à luz, homens responsáveis e corresponsáveis pelo cuidado de crianças de 0 a 6 anos.

Caminho para o pleno exercício da cidadania

Educação é o meio legítimo para ampliar o repertório de direitos e a construção da autoestima

Instituída em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) estabelece a educação como um direito básico e fundamental a que todo ser humano deve ter acesso ao nascer e durante toda a sua vida. O documento é composto por 30 artigos, sendo que o 26º formaliza a obrigatoriedade da alfabetização gratuita, independentemente da idade. Embora seja um direito reconhecido há 72 anos, há uma longa distância entre o que está na declaração e a realidade. 

Não por acaso, o enfrentamento ao racismo na educação é um dos eixos programáticos de investimento do Fundo Baobá para Equidade Racial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também alertou que a pandemia escancarou desigualdades, produziu corte de recursos em todas as áreas, sem poupar a educação, aumentou a pobreza e forçará 9,7 milhões de jovens a abandonar os estudos até o fim de 2020. Quando é feita uma análise mais atenta de quem será afastado da escola – seja pela questão da falta de acesso ou mesmo pela necessidade de ajudar a família a sobreviver  –, não é difícil imaginar o perfil dos mais impactados.

O cenário que se desenha à frente será desalentador, caso nada seja feito. Segundo Antônio Carlos Malachias, Billy Malachias, como é mais conhecido no meio acadêmico, o primeiro passo é conceber a educação efetivamente como um direito e não um meio. Mestre em Geografia e pesquisador do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro (NEINB/USP), ele já participou de importantes projetos da área, como o Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação, além de ser professor da Fundação Poli Saber.

“A educação precisa ser pensada como princípio fundamental que amplia a noção de direitos, se for concebida como um direito e uma educação para direitos”, afirma. Nesse sentido, não pode estar dissociada da questão da equidade. “Mentalidade preconceituosa se modifica com formação. Quando as pessoas são alertadas com relação a isso, passam a rever suas práticas.”

Billy Malachias, mestre em Geografia e pesquisador do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro (NEINB/USP) – (Foto: Rosana Barbosa)

Malachias explica que a inexistência de um projeto de Estado para a educação, debatido por todos os envolvidos, prejudica a criação de uma política para o ensino de qualidade. “Além disso, é essencial também promover melhorias nas condições de trabalho, nas jornadas e na formação dos professores e educadores do ensino público e particular”, conclui.

Em um país tão desigual e de extensão continental como o Brasil, o professor defende que experiências positivas de ensino sejam amplamente divulgadas para estimular o surgimento de outros modelos bem-sucedidos. “É primordial identificar estudantes que precisam de atendimento diferenciado em relação ao grupo, ver as potencialidades e necessidades de cada um, para melhor conduzir o processo de ensino.”

Ou seja: esses estudantes devem ser estimulados a ter ambição e reconhecer a importância do ingresso na universidade como conquista pessoal, mas também como necessidade de formação qualificada para o país.  “Cada um de nós deve ter o compromisso de tornar este país mais democrático e igualitário”, afirma. O professor confirma que a Covid-19 também lançou luz sobre a falta de estrutura e de investimentos em educação, revelando condições desiguais dentro de uma mesma cidade, como no caso de São Paulo, por exemplo. O que falar então quando se avança Brasil adentro?

A doença revelou a falta de equipamentos, muitas pessoas vivendo em espaços mínimos e sem acesso à infraestrutura necessária para estudar ou dar aulas. “Além de todos os problemas de transmissão do vírus, temos espaços exíguos para instalar um computador e estudar, por exemplo”, afirma. Na verdade, a pandemia acentuou a distância entre ricos e pobres, pretos e brancos. Aliado a isso, o que se vê é a sobreposição do racismo surgindo como um componente que dificulta o reconhecimento da igualdade de direitos entre os diferentes grupos em uma mesma sala de aula. “Racismo se combate com ações afirmativas, e a pobreza com políticas de renda”, diz.

Como ele explica, muitas vezes o cenário é de professores que não possuem equipamentos, não conseguem acessar internet de qualidade e têm condição econômica muito semelhante às das pessoas para quem ministram aulas. “Então, há uma necessidade proeminente de pensar esse espaço como forma de superação das desigualdades e do racismo.”

O racismo, segundo Malachias, precisa ser denunciado e punido pela justiça de forma exemplar para inibir sua repetição. “É sistêmico e estrutural. Por isso, não há a menor chance de pensar em mudanças que promovam a equidade se não for combatendo-o”.  O professor defende que os brancos também comecem a ouvir as questões levantadas pelos grupos discriminados. “Temos mais de 300 anos em que o racismo não muda a realidade dessa sociedade. Portanto, é o momento de repensar essa estrutura que não nos deixa avançar.”

Para ele, a participação no movimento negro abriu portas e ajudou a ter contato com intelectuais – o que o estimulou a mirar o ensino superior. “Foram pessoas que me serviram de referência”, relembra. “O movimento me fez perceber a maneira como o racismo opera e de que forma dificulta a trajetória profissional e escolar”. O ativismo também contribuiu para construir uma trajetória profissional importante e, principalmente, criar em si mesmo a capacidade de prestar atenção e se desafiar com as oportunidades que surgiam. A estrutura familiar também foi o empuxo de que necessitava.

A força veio especialmente da mãe, que trabalhava como inspetora escolar, e da avó, servente em uma escola. “Meu pai era metalúrgico. Nenhum deles tinha nível superior, mas por parte especial das mulheres fui muito cobrado e estimulado a estudar”, relembra. Foi justamente estudar – e muito – o que o ajudou a consolidar uma extensa e importante carreira acadêmica.

É por isso que Billy Malachias defende que, para o estudante realmente se apropriar do seu ingresso na faculdade, é necessária a criação de políticas que o mantenham ali. “Que tipo de incentivo vamos oferecer para que esse estudante possa alcançar o máximo potencial nesse espaço? Por isso, precisamos de políticas de acesso e de permanência, que potencializem sua capacidade”. Sua defesa é para que sejam monitorados desde o ingresso no ambiente escolar como forma de estimular o melhor rendimento. “Se já é bom, precisa se transformar em ótimo, visando ainda a excelência intelectual do país”, diz. 

Necessário também é investir no chamado “capital cultural”: capacidade de ler livros, frequentar espaços culturais, museus, cinemas, teatros e ampliar a possibilidade de interpretar o mundo à sua volta. Para isso, estudantes precisam de apoio e de espaços que ofereçam a oportunidade de alargar fronteiras.  “Estudantes de todas as etapas e níveis escolares precisam ser estimulados a investigar, questionar, pensar e refletir. Isso é fundamental para transformar.”


Educação para Equidade Racial é tônica do edital Já É

Lançado no dia 10 de julho, o programa Já É: Educação para Equidade Racial, é uma iniciativa do Fundo Baobá para Equidade Racial em parceria com a Fundação Citibank para jovens entre 17 e 25 anos da cidade de São Paulo e região metropolitana.

A premissa deste edital é o fato de que o racismo no ambiente escolar é um dos mais severos gargalos à equidade racial do Brasil.  Por isso a educação é um dos quatro eixos nos quais a missão estratégica do Fundo Baobá está focada. 

Em dados apresentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que no ensino superior, apenas 25,2% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam ou concluem a faculdade. Entretanto, quando os dados são desagregados por raça/cor, fica ainda mais evidente a desigualdade racial em nosso país, considerando que o percentual de jovens brancos que frequentam ou concluem o ensino superior (36,1%) é praticamente o dobro do percentual de jovens pretos ou pardos (18,3%) na faixa de 18 a 24 anos.

Para além dos dados citados anteriormente, existem muitas informações que reiteram a ausência de negros nas universidades. O mesmo IBGE apresentou uma pesquisa em 2018 que mostra que um terço dos brasileiros entre 19 e 24 anos não haviam conseguido concluir o ensino médio, naquele ano. Deste número, 44,2% dos homens negros não concluíram esta etapa. Muitos dos motivos que mostram a evasão escolar corresponde ao fato do jovem negro ingressar mais cedo no mercado de trabalho. 

Na mesma pesquisa, dados mostram que o percentual de jovens negros de 15 a 17 anos, que apenas trabalham, sem estudar é de 5,7%, enquanto o percentual de jovens brancos é 4,9%. Ainda tem o caso de jovens que estudam e trabalham, não sobrando espaço para uma preparação adequada ao vestibular: “Quando a gente fala de prestar um vestibular, todo mundo vai prestar a mesma prova, só que algumas pessoas tiveram a chance de se preparar para esse vestibular a vida toda. Enquanto, para outras pessoas, existe a realidade de conciliar a escola com o trabalho”, diz a diretora-executiva do Fundo Baobá, Selma Moreira.

Portanto, o Já É vem para mudar essa realidade. O programa inclui uma bolsa de estudos em um cursinho preparatório para o vestibular, atividades voltadas para o enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e para a ampliação das habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria. Além dos itens citados, as despesas de transporte e alimentação também serão custeadas ao longo do programa, que deve ter duração de 12 meses a partir de março de 2021.

Para se inscrever, o jovem tem que estar na faixa etária de 17 e 25 anos, já ter concluído ou estar cursando, em 2021, o 3º ano do ensino médio em escolas públicas e morar na cidade de São Paulo ou nas cidades da região metropolitana (neste link consta quais são os municípios da região metropolitana).

Aberto a jovens de ambos os sexos, o Programa Já É prioriza jovens de sexo masculino, jovens transsexuais, jovens mães, jovens que tenham cumprido medidas socioeducativas, e jovens que residem em bairros, territórios ou comunidades periféricas.

“Nós queremos mais jovens negros nas universidades, portanto esse programa está aberto a todos os jovens negros, mas estamos convidando especialmente quem menos entra na faculdade hoje, que segundo dados estatísticos, são os meninos. Portanto, o Já É convida os meninos negros, e também as meninas que são mães, porque muitas vezes, em função da maternidade, não conseguem voltar pra escola, além de jovens trans. Então, a gente faz esse convite para jovens que fazem parte dos grupos que sofrem inúmeras discriminações e que venham construir conosco novas trilhas na educação”, afirma Selma.


As inscrições estão abertas até o dia 31 de agosto de 2020, para as pessoas interessadas, é só preencher o formulário que se encontra aqui.

Educação como passaporte para o resgate das origens

Givânia Maria da Silva, 54 anos, é doutoranda do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), graduada em Letras, mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação, também pela UnB, e autora do livro “Educação e Luta política no quilombo de Conceição das Crioulas” (Ed. Appris). Nascida nesse quilombo, no interior de Pernambuco – comunidade que surgiu no início do século XIX a partir da organização de um grupo de mulheres, – ela foi a primeira a se formar como professora. Longe de ser motivo de orgulho, esse é um fator de inquietação porque mostra as dificuldades de acesso a tudo, principalmente ao ensino, direito básico e fundamental de qualquer pessoa. Acompanhe sua entrevista.

Boletim Você nasceu no quilombo. Como foi ultrapassar tantas barreiras e se tornar professora?

Givânia – Fui a primeira na comunidade a me formar professora. Formei-me cedo, tendo o compromisso de olhar para o lado e ver que as da minha idade e as mais velhas não chegaram onde cheguei. Foi um processo complexo porque até aquela época, os homens completavam o Fundamental e tinham como destino ir para São Paulo. As terras já tinham sido invadidas e a agricultura se desvalorizava. Então, o destino era ir para São Paulo se tornar a força braçal dessa metrópole que, embora tenha sido construída com a mão de todos, reconhece poucos. Mulheres se tornavam empregadas domésticas ou permaneciam na agricultura com os problemas que já citei. Sou um pouco o desnível dessa curva de trajetória daquele momento. Saio do lugar onde ninguém estudou porque não teve oportunidade para ser professora desse lugar e, por meio da educação, alcançar outras possibilidades. Não conto com alegria o fato de ter sido a primeira a me graduar no território. Significa que o direito à educação nos foi negado.

Boletim Quando você olha a sua trajetória, o que foi mais impactante nessa caminhada e quais os principais desafios?

Givânia – Tornando-me professora e tomando  consciência dessa comunidade (foi um processo de reconstrução, pois não aprendemos sobre isso na escola, mas nas articulações com o movimento negro e na pastoral da juventude), faço desses aprendizados um lugar de inquietação. Em 89, passei a querer saber quem éramos, de onde tínhamos vindo. Então, fomos construir a história das Crioulas. Em 95, com a mudança de gestão do município, elegemos uma professora e pleiteamos a construção de uma escola na comunidade. Foi difícil, mas conseguimos e eu me tornei a primeira diretora. Implantamos a proposta de pensar a educação a partir do território. Aos poucos, esse projeto foi se consolidando e, este ano, completou 25 anos. Foi essa proposta que inspirou a construção das diretrizes curriculares para a educação escolar quilombola. Hoje, é possível completar até o ensino médio ali e isso tudo é fruto da luta e mobilização dessa comunidade.

Givânia Maria da Silva, doutoranda do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB)

Boletim – Qual o saldo desses esforços?

Givânia – Temos  na comunidade um projeto politico-pedagógico que orienta quatro escolas do território. Existe uma lei municipal determinando que essas escolas realizem concurso público para admitir professores quilombolas. Sim, existe o professor quilombola e isso é assegurado por lei. Todos os professores têm curso superior e alguns possuem mestrado. Tudo foi construído a partir de uma pessoa que se formou e entrou na universidade privada. Nada é mérito meu, mas da construção coletiva. Há pessoas com 70, 74 anos que voltaram a estudar. Minha tia, Maria Antônia, se formou aos 60 anos em magistério (que depois virou Normal médio). Para nós, a educação precisa ser compreendida como direito e instrumento de luta política. Continuo acreditando que a educação é um dos fenômenos importantes para a mudança na vida das pessoas, desde que esteja relacionada à vida delas. 

Boletim – O que ainda falta para construirmos uma sociedade mais igualitária?

Givânia – Acho que deixarmos de pensar em uma possibilidade única de conhecimento e de modelo de vida, transformando essa visão em conhecimento que se complemente e não que divirja. É curioso como o Brasil se apropria tanto da cultura negra e não reconhece os donos da cultura.  Toma de assalto a cultura africana, mas não reconhece. Eu ficaria apenas com a música e culinária para não me estender a outros temas. Fala um português que não é de Portugal, mas a mistura do indígena, do negro e português. Mas só reconhece o português como sua legítima língua. Por isso, não falo mais que índios usam dialetos. Se a língua portuguesa é uma língua, as outras também são. Outra questão é que uma sociedade que se pauta e foi construída a partir de invasão de terra e estupro e acredita que o embranquecimento é um valor importante para desenvolvimento é difícil de se reconstruir. A escola continua silenciando esses povos e a gente não gosta do que não conhece. Continuo acreditando que a educação é o elo de transformação social e de mudança de perspectiva de vida. 

Boletim – De que forma? 

Givânia – Quando falo de educação, não me refiro ao sentido formal. As universidades e os centros de formulação do pensamento perdem pela falta de humildade em reconhecer que a academia não é o único lugar de formulação de conhecimento. Perdem de aprender e de recontar a história do Brasil de forma mais justa, pois a história que conhecemos hoje é a que foi contada pelos colonizadores. Em Conceição, construirmos nossa história a partir do quilombo. Esse território negro, quilombola, misturado com indígena e descendente de africanos me dá responsabilidade e traz os elementos que preciso buscar para debater essa história pela educação. 

Boletim – Qual a mensagem que você gostaria de deixar para reflexão das pessoas?

Givânia – Nós negros precisamos disputar espaços na universidade. Estou na universidade pelo único objetivo de disputar pensamento lá dentro. Mas é o lugar de estar presente. Começo o ano perguntando aos meus alunos o que sabem de autores negros e negras. Sabem pouco porque não tiveram essa oportunidade. Então, a mensagem que deixo aqui é para olharmos para nós mesmos e não nos contentarmos em ser apenas sensíveis ao racismo. A sociedade falhou. Todos falhamos, família, escola… A mensagem então é para olharmos para dentro de si e ver o tamanho do opressor. Somos todos frutos de uma sociedade racista.  Precisamos olhar para dentro e não calarmos mais. É hora de brancos e negros se unirem para não só combater, mas exterminar o racismo.

Força coletiva, ancestral e sororidade

Foi também a partir do ativismo negro que um projeto começou com o propósito de unir forças e discutir, entre outros temas, questões relacionadas à mulher negra. A iniciativa pulou rapidamente do campo das ideias para o de realizações para virar uma potência com foco em estimular a educação no campo da justiça. Assim começou a história do grupo Abayomi Juristas Negras, de Pernambuco, há exatamente um ano.

“Inicialmente, nos conhecemos em um evento na OAB Pernambuco no dia da mulher negra em julho de 2019. A professora universitária e procuradora federal Chiara Ramos expôs a vontade de ter amigas negras, pois sempre foi a única nos espaços em que circulava”, relembra Patrícia Oliveira, uma das oito integrantes e diretora. No coletivo, cada uma delas tem uma função específica, como captação de recursos, administração etc.

Chiara montou um grupo em uma rede social e propôs uma reunião em sua casa. Na época, explicou a vontade de criar um quilombo para unir potencialidades. “Ela também falou da dificuldade de ver mulheres negras em espaços na justiça”, relembra Patrícia. Ainda durante a reunião viram como seria importante dar nome e forma ao grupo para debater racismo e outras questões essenciais. O nome Abayomi, o mesmo da boneca, foi sugerido pela também advogada Lígia Verner. À medida que falavam sobre a iniciativa de Chiara Ramos, despertaram o interesse de outras mulheres. “Muitas se identificaram com as pautas discutidas e o grupo cresceu. Em pouco tempo, éramos mais de 30 abayomis”, relembra Débora Gonçalves.

Abayomi Juristas Negras – Pernambuco

Poucos dias depois da criação do coletivo – que tem como propósito o afroempreendedorismo social para combater o racismo estrutural por meio da capacitação e inclusão da população negra em espaços de poder e saber, com foco na ocupação de cargos nos órgãos que compõem o Sistema de Justiça Brasileiro –, surgiu a chance de participar do edital do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, iniciativa do Fundo Baobá em parceria com Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg.

Hoje, elas fazem questão de afirmar que o foco do grupo não é apenas a educação e a tarefa de preparar as mulheres para disputar e conquistar espaços no campo da Justiça, mas cuidar também dos aspectos físicos, emocionais, espirituais e psicológicos de cada uma durante esse percurso. “Nós as ajudamos a entender os desafios que vão enfrentar no campo da Justiça, por exemplo, pois ainda é um espaço muito embranquecido, falamos de feminismo negro e as ajudamos a entender que o nosso lugar, como mulheres negras, é onde quisermos estar”, afirma Sabrina Santos.

No momento, o Coletivo Abayomi atua em três frentes:  Metodologia Abayomi de aprovação em concursos públicos ou Mada (com mentoria, coaching, treinamento estratégico e estudo em grupo afrocentrado), a Metodologia Abayomi de Aprovação na Primeira fase da OAB e Coaching Individual para aprovação.

O método que elas chamam de Mada foi idealizado por Chiara Ramos – ela é conhecida por ter disputado e passado em vários concursos públicos difíceis quando concluía a universidade. Em função disso, criou uma  estratégia de estudo para ajudar outras a conquistarem o mesmo sonho.

Elas não cobram mensalidade por esses programas. Quem pode, contribui com valores entre 100 e 150 reais para viabilizar a participação de mulheres que não têm como custear as despesas de transporte, por exemplo, pois antes da pandemia as reuniões eram presenciais. Hoje, aproximadamente 60% das alunas são bolsistas.

Com a pandemia, a agenda de atividades se ampliou. Agora, via redes sociais  – o que ajudou a aumentar a base de seguidores de 900 para quase 7 mil. “Realizamos uma mentoria com encontros semanais e metas estabelecidas”, explica Débora. “Fazemos também simulados, promovemos debates com juízes e procuradores e publicamos artigos científicos”, confirma Sabrina.

Mas as atividades não param por aí. Além da mentoria de como estudar, as mulheres têm aulas de zumba, reiki, acompanhamento com psicóloga. “Falamos sobre afroempreendedorismo, damos dicas de direito para concursos, exibimos vídeos sobre cultura africana, feminismo negro, motivação”, fala Sabrina. Além de ajudar a mulher negra a fortalecer sua educação para realizar o sonho de ser aprovada em concursos da área jurídica, o objetivo do Coletivo Abayomi é empoderar essa mulher para conquistar seu espaço de direito na sociedade.

A grande dificuldade, agravada pela pandemia, é conseguir patrocinadores que abracem a causa.  “Como não temos fins lucrativos, procuramos quem deseja investir nesse projeto”, conta Débora. Por isso, elas já pensam em implementar em breve algumas mudanças, como oferecer em contrapartida ao dinheiro investido cursos específicos sobre cultura antirracista e direito administrativo, entre outras ideias que são assuntos de conhecimento do grupo de oito advogadas da Abayomi. Em breve, elas também terão aulas de coaching.

“Só o fato de ser um coletivo de mulheres negras já é desafiador porque o sistema de Justiça não está pautado pelas nossas causas nem preocupado com a nossa inclusão”, desabafa Patrícia. Então, são espaços que precisam ser demarcados todos os dias. “Hoje, nós nos desdobramos para estudar e passar em um concurso e, assim, ajudarmos outras a passarem também”, completa Débora.

Ao contrário de pará-las, as dificuldades parecem ser o motor que as impulsiona. Sabrina afirma que, no processo de conhecimento de sua ancestralidade, foi importante aderir à cultura de quilombo das abayomis.  “Quando encontrei essas mulheres, elas me trouxeram toda a potência e o poder que vem do conhecimento da nossa ancestralidade”, afirma.

Por isso, elas insistem que o objetivo é continuar estimulando mulheres que queiram, com sua presença e conquistas, romper com as barreiras impostas pelo racismo. “Ninguém tem o direito de impor crenças que limitem você nem de dizer o que você pode ou não fazer e os espaços que deve ocupar”, desabafa Patrícia. É justamente isso que elas fazem: ajudam as mulheres a descobrir o potencial que cada uma tem.

“Rompi fronteiras e preconceitos”

Conheça a história de Dandara Rudan, a advogada que está focada em obter a licença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para fazer diferença no enfrentamento à transfobia e ao racismo estrutural

Estudo realizado em 2016 pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (ABGLT) revela que 73% de estudantes que não se denominam heteressexuais já sofreram agressões verbais nas escolas, especialmente com comentários negativos sobre a sexualidade. E isso é um dos principais fatores para abandonar os estudos.

O que a pesquisa mostrou em números, Dandara Rudsan, 30 anos, natural de Santarém, no Pará, sentiu na pele. Preta, transexual, antirracista e antiproibicionista, como se define, desde cedo esbarrou em preconceitos. O impulso para superá-los veio da educação. “Sem dúvida, o acesso à educação foi e é fundamental para a conquista de espaços e habilidades estratégicas para a luta. Mas é necessário destacar que, sem a determinação, a priori, não é possível exercer esse acesso”, explica.

Sua trajetória, como a de tantas mulheres transexuais, é marcada por processos de exclusão, agressão, violação de direitos e tentativas de aniquilação no enfrentamento ao machismo. “Nascemos em uma estrutura social que, definitivamente, não reconhece a existência de nossos corpos transexuais e esse ‘não existir’ se reflete nas leis, políticas públicas e, consequentemente, na educação”,  diz.

O que não a derrubou, fortaleceu.  “Além das dificuldades que a estrutura patriarcal e racista impõe à vida das mulheres transexuais negras, a luta contra a invisibilidade (em diversos espaços) tem sido uma das principais dificuldades para se chegar até aqui.”

Dandara Rudsan, do projeto “Atitude TRANSversal: Mulher Negra Transexual da Amazônia tecendo Redes e Ampliando Horizontes

Vencidos os preconceitos iniciais, foi a vez de encarar espaços educacionais onde, longe de se praticar e estimular o livre ser e pensar, a realidade era de mais exclusão e afastamento. “Quando sobrevivemos minimamente à marginalização de nossas vidas e conseguimos entrar em espaços educacionais tradicionais, como escola e universidades, nos deparamos com um sistema que não nos cabe, não respeita e não  reconhece como legítimas nossas realidades, vivências e experiências. E aí entra a determinação.”

Dandara fala que, se fosse comparar sua luta a um carro, o acesso à educação seria o motor e a determinação o combustível para avançar. “A partir do momento que nós, travestis e transexuais, colocamos nosso primeiro pé na educação formal, tudo é enfrentamento e aí só a determinação pode nos manter lutando ou suportando as violações, o racismo, a transfobia.”

Nesse processo, foi necessário criar estratégias para ultrapassar obstáculos. “Se algo não nos cabe, a gente pega e inventa uma maneira de caber”, diz. “Minha determinação, criatividade e inovação foram cruciais para as conquistas e para trazer mais pessoas para a luta, mas reconheço que sem o apoio de uma comunidade inteira de mulheres negras cis isso não seria possível.”

Selecionada no Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, iniciativa do Fundo Baobá em parceria com Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg, com o projeto “Atitude TRANSversal: Mulher Negra Transexual da Amazônia tecendo Redes e Ampliando Horizontes”, ela afirma que as dificuldades enfrentadas no Pará por ela não se distanciam das histórias de outras mulheres trans e pretas que lutam para conquistar seus direitos.

Viver naquela região impõe dificuldades específicas, como a obrigação de lutar pela terra, pelo território e pelo meio ambiente. “O problema é que o imaginário ‘cis heteronormativo’ e a invisibilidade desses corpos, dentro dos movimentos sociais, não permite que, em um primeiro momento, se perceba a luta das mulheres transexuais e travestis que estão nesse contexto”, afirma.

A advogada reconhece que muitas companheiras transexuais e travestis, assim como a comunidade LGBTQI+, estão encabeçando lutas importantíssimas no país, atuando nas agendas de enfrentamento ao HIV, à aids e à homotransfobia, em defesa do empreendedorismo de mulheres trans. “Existem mulheres, mulheres travestis e mulheres transexuais atuando fortemente na agricultura familiar, na pesca artesanal, no extrativismo e na coleta de sementes e, mesmo assim, quase não ouvimos falar delas”, desabafa.

Desafios não faltaram nesse caminho. O maior deles foi se estruturar e apoiar a família, quando começou a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que começou em 2011 e perdurou até 2019. Sua família, assim como a comunidade, foi removida e transferida para assentamentos urbanos coletivos. Todas essas dificuldades a fortaleceram e abriram caminho para outras que vieram depois.  

Mulheres transexuais e travestis, assim como cis, aliaram-se à luta anti LGBTfobia na região da Transamazônica, criando o Coletivo Amazônico LesBiTrans, o primeiro grupo de luta exclusivamente LGBTQI+ da Cidade de Altamira e, por meio de seu projeto no Programa Marielle Franco, estabeleceram a Rede de Cooperação  Negra e LGBTQI+ Pretas & Coloridas, além do Laboratório de Ciberativismo Zarabatana Info.

Além de simbólica, a aprovação na OAB representa o fechamento de um ciclo de estudos, lutas, dificuldades. Para Dandara, que atua em postos de coordenação no Centro de Formação do(a) Negro(a) da Transamazônica e Xingu (CFNTX) e no Coletivo Amazônico LesBiTrans, isso permitirá atuar em diversos espaços do Poder Judiciário, ampliando a capacidade de enfrentamento de questões raciais e de gênero. “Para mim e para todas as mulheres pretas e trans, será a mensagem de que podemos ser e chegar aonde quisermos”, conclui.

Foco na igualdade de oportunidades

Conheça os propósitos que norteiam a Citi Foundation no Brasil e no mundo

Trabalhar para promover o progresso econômico e melhorar a vida das pessoas em comunidades de baixa renda em todo o mundo. Com essa visão, a Citi Foundation, associação de investimento social do Citibank, apoia diversas causas filantrópicas e desenvolve parcerias com organizações comunitárias que buscam acelerar mudanças na sociedade, por meio de soluções inovadoras e eficientes.

Presente em diversos países, sua atuação é marcada também por grandes números. Entre 2017 e 2019, foram investidos US$ 194 milhões no combate ao desemprego juvenil. Para os próximos 10 anos serão alocados US$ 164 bilhões para apoiar frentes de Environmental, Social and Governance (ESG). No Brasil, a Citi Foundation atua desde 1999 e já investiu R$ 7 milhões em projetos no período de 2019 a 2020. Nesta edição, a história que faz diferença na vida de milhares de pessoas é contada por Katia Oliveira, head de Public Affairs do Citi Brasil

Boletim Desde quando você está à frente da área de Marketing e Relações Públicas da Citi Foundation no Brasil? No nosso país, qual o principal foco de atuação?

Katia Oliveira – Ingressei no Citi em novembro de 2018. O foco dos projetos da Citi Foundation são: inclusão financeira, oportunidades econômicas para jovens e transformação urbana. No momento, as instituições apoiadas são: o Fundo Baobá para Equidade Racial, o Instituto Reciclar, a Laboratória, a Organização dos Estados Americanos (OAS, na sigla em inglês) e a NESsT. Além disso, em meio à pandemia global, um projeto envolveu também o Citi e mais de US$ 65 milhões até o momento em apoio aos esforços de ajuda comunitária relacionados à Covid-19. O Citi continua a tomar medidas proativas para preservar o bem-estar dos funcionários em todo o mundo, incluindo prêmios de remuneração especial para 75 mil colegas, para ajudar a aliviar os encargos financeiros dessa situação. No Brasil, a associação doou R$ 1 milhão para o Hospital Santa Marcelina, localizado na zona leste da cidade de São Paulo. Esse valor ajudará na criação de uma Central de Orientação sobre a Covid-19, por meio da qual pacientes poderão receber informações e orientações médicas, mesmo de locais distantes, por meio da telemedicina. O projeto contará com 96 médicos(as), 30 técnicos(as) de enfermagem, 6 enfermeiros(as) e 30 computadores.  

Boletim Como são enfrentadas as questões de cunho racial nos Estados Unidos e no Brasil? Por que investir em projetos de fundações, ONGs, institutos e fundos que lutam pela equidade?

Katia Oliveira – Um dos pilares do Citi no mundo é contribuir para uma sociedade mais igualitária e justa. O banco anunciou a doação de US$ 10 milhões para ajudar organizações que trabalham para aumentar oportunidades e combater a desigualdade. Esse valor será dividido da seguinte forma: US$ 8 milhões serão doados para quatro instituições de direitos civis e justiça racial, abordando uma série de questões como direitos de voto, disparidades de renda e riqueza e discriminação habitacional. São elas:  NAACP Legal Defense FundLawyers’ Committee for Civil RightsNational Urban LeagueNational Fair Housing Alliance. Outros US$ 2 milhões serão destinados a uma campanha interna para incentivar os funcionários a ajudar organizações de suas escolhas, que lutem por igualdade racial e direitos humanos. A cada US$ 1 doado por funcionários (as), o Citi doará US$4 para UNCFManagement Leadership for Tomorrow.

Boletim Qual é o papel de fundações, como a do Citi, na busca por um mundo mais justo e igualitário?

Katia Oliveira – Somos uma organização que defende a diversidade e a inclusão e estamos dispostos a defender esses valores quando são ameaçados. Acreditamos que devemos apoiar as comunidades em que atuamos para diminuir as desigualdades sociais. Por isso, apoiamos projetos que contribuem para a formação de jovens e seu ingresso no mercado de trabalho, para as finanças inclusivas e para a melhoria urbana.

Katia Oliveira, head de Public Affairs do Citi Brasil

Boletim Além da parceria com o Fundo Baobá, em que tipo de iniciativa (ou áreas) a Citi Foundation investe?

Katia Oliveira – Apoiamos as quatro instituições já citadas. O Instituto Reciclar atua na formação e inserção de jovens de 15 a 19 anos da rede pública no mercado de trabalho, a Laboratoria tem um programa para recrutar, treinar e inserir mulheres jovens de baixa renda como desenvolvedoras web no Brasil, contribuindo para sua inclusão social, a OAS prepara prepara jovens urbanos de baixa renda do Brasil para carreiras em segurança cibernética, e a NESsT tem projetos que apoiam o empreendedorismo, a inclusão financeira e a criação de empregos no Brasil.

Boletim Para finalizar, que recado você gostaria de deixar?

Katia Oliveira Vivemos um dos períodos mais desafiadores da história recente com a pandemia da Covid-19. Sabemos que essa crise tem um impacto expressivo nas comunidades mais vulneráveis no mundo todo. Nos próximos anos, os bancos terão um papel importante para ajudar as pessoas e a sociedade a se recuperarem dessa pandemia. O Citi continuará focado em apoiar seus clientes e as comunidades nas quais está presente.

Fundo Baobá participa de lives sobre luta antirracista e equidade racial no mercado de trabalho

A luta antirracista, o mercado de trabalho, a pandemia do novo coronavírus  e o impacto na população negra foram alguns dos temas das lives e webinars que contaram com a participação do Fundo Baobá para Equidade Racial, na figura das suas diretoras Selma Moreira e Fernanda Lopes, durante o mês de julho.

A primeira live do mês aconteceu no dia 1º de julho. Com o tema “Como as práticas integrativas e complementares podem ajudar no cuidado da saúde mental em tempos de isolamento social”, o evento virtual foi organizado e mediado por Evânia Maria, socióloga, ativista, educadora em saúde e apoiada pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, iniciativa do Fundo Baobá em parceria com Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg, e contou com as participações da diretora de programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, bem como da médica da família e comunidade, Iracema Benevides. Em sua participação, Fernanda Lopes, falou sobre os objetivos e prioridades de investimentos do Fundo Baobá, sobre ações desenvolvidas para apoiar pessoas e comunidades no combate ao coronavírus. Comentou também sobre o Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, e dos aspectos relacionados a saúde das mulheres negras no contexto da pandemia e sobre como o Fundo Baobá tem dado suporte para aquelas que estão sendo apoiadas atualmente.

No dia 3, foi a vez de Selma Moreira participar do bate-papo “Raça e Mercado – O Impacto do Racismo no Mercado”, uma iniciativa co-liderada por Afrobusiness, Diáspora Black, FGV EAESP e Preta Hub. Além da diretora-executiva do Fundo Baobá, participaram também Daniel Teixeira (CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade), Marcelo Paixão (Professor – The University of Texas at Austin) e Marcio Macedo (Professor FGV EAESP). 

 

Fernanda Lopes foi uma das convidadas do programa Sala de Convidados do Canal Saúde, da Fiocruz, no dia 10, junto com a psicóloga e representante do Instituto Amma Psique Negritude Clélia Prestes e com o Sociólogo da Fundação Hermínio Ometto, Danilo Morais.  Com apresentação de Yasmine Saboya e com o tema “Racismo e Manifestações na Pandemia”, teve como ponto de partida o caso George Floyd nos Estados Unidos, que desencadeou uma série de protestos antirracistas no mundo, mesmo diante de uma pandemia mundial. Em sua fala, Fernanda frisou. “Nós precisamos falar em como construir uma sociedade justa, na qual todas as vidas importam e que a dignidade seja um valor real a ser experimentado por todas as pessoas. Quando o movimento chama a atenção para a necessidade de discutirmos justiça e de enfrentarmos o racismo, nós também reiteramos a certeza de que o racismo fere, desequilibra, adoece e mata. É isso que a gente precisa discutir todos os dias para construir caminhos de transformação e de mudança sustentável.” 

https://youtu.be/NwS4_iOVqeg

Na mesma semana (12) Fernanda Lopes também participou da live “Ação Catadoras”, uma iniciativa para ajudar as catadoras de materiais recicláveis a desenvolverem os seus projetos. O bate-papo foi conduzido pelo ator e produtor cultural Max Mu e contou com a participação da Presidenta da Cooperativa Granja Julieta, Mara Sobral. Na ocasião, Fernanda falou da importância dos editais lançados pelo Fundo Baobá neste mês – Edital Para Primeira Infância no Contexto da Covid-19 e o Programa Já É. “É essencial esse espaço de trabalhar as bases e de garantir que nós tenhamos voz e vezes, não apenas uma vez, mas vezes, para que a gente possa ser o que a gente quiser, e não o que acreditam que nós devamos ser”, ressaltou.  

https://youtu.be/mjMo58_XJlo

Já no dia 21, contamos com Selma Moreira em dose dupla. Às 15 horas, ela participou ao vivo do programa de Nice Lima na “Frei Caneca FM”, de Recife, também falando sobre os editais lançados em julho e do trabalho da organização na promoção da equidade racial. “O Fundo Baobá nasce na perspectiva de ofertar oportunidades de inclusão e desenvolvimento para a população negra”.

https://www.instagram.com/tv/CC6gy0OHFgE/?igshid=yeon5dzqtb66

E às 17 horas, foi a vez do bate-papo “O papel da comunicação na luta antirracista”, organizado pela Rede Narrativas, e que também contou com a participação de Cristina Fernandes (Podcast Ideias Negras e Instituto Vladimir Herzog), Fernanda Nobre (Fundação Tide Setubal), Mohara Valle (Instituto Ibirapitanga), e mediação de Andréia Coutinho (Instituto Clima e Sociedade). 

Sobre o tema principal, Selma disse: “As organizações sociais do movimento negro, em geral, a grande maioria, não tem orçamento para operar na sua essência e para desenvolver a sua atividade final. Portanto, a gente precisa encontrar os meios para garantir que mais recursos alcancem as instituições, para o seu fortalecimento e, por consequência, para o desenvolvimento de uma estratégia de comunicação adequada à finalidade da pauta de luta antirracista e da promoção da equidade racial”

Veja aqui

Selma Moreira participou de mais uma live, desta vez no dia 23, organizada pela Escola Social do Varejo, sobre “Raça Gênero e Mundo do Trabalho”. Na ocasião, ela divulgou o Edital Já É e falou das dificuldades de jovens negros para o acesso ao ensino superior: “No caso da população negra, as dificuldades são ainda maiores. Quando a gente fala de prestar um vestibular, todo mundo vai prestar a mesma prova, só que algumas pessoas tiveram a chance de se preparar para esse vestibular a vida toda. Enquanto, para outras pessoas, existe a realidade de conciliar a escola com o trabalho”.

Veja aqui  

E no dia 24, na véspera do Dia da Mulher Negra, o Fundo Baobá esteve em duas lives. Fernanda Lopes participou às 19h da 2ª edição do “Buyìn Dudu: Recontando Nossas Histórias”, organizado pela coletiva Abayomi Mulheres Negras – Paraíba. Na ocasião, foi concedida uma premiação para as mulheres negras que atuam na perspectiva da afirmação da identidade negra e do enfrentamento ao racismo na Paraíba, em diferentes espaços de atuação. Já Selma Moreira participou às 20h do Congresso “Mulheres Negras: Entre Dororidade e Potencialidade”, organizado pela Abayomi Juristas Negras e OAB – Pernambuco, no painel “Mulheres Negras em Espaços de Poder”.

2ª edição do “Buyìn Dudu: Recontando Nossas Histórias” – Abayomi Mulheres Negras – Paraíba

Baobá na imprensa em julho

Julho foi um mês repleto de atividades no Fundo Baobá para Equidade Racial que repercutiram na imprensa. No dia 6, tivemos o lançamento do Edital Para Primeira Infância no Contexto da Covid-19, e na semana seguinte, no dia 10, foi a vez do Programa Já É: Educação para Equidade Racial, e ambos ganharam espaço na mídia. Enquanto o Primeira Infância foi destaque no Minuto Futura do Canal Futura, na Revista Afirmativa e no Portal Mundo Negro. Já É foi mencionado na entrevista da diretora-executiva Selma Moreira no portal Setor3 do Senac. 

O caso George Floyd, ocorrido em maio deste ano, nos Estados Unidos, que deflagrou protestos antirracistas em todas as partes do mundo, ainda foi pautado pela mídia em julho, quando Selma Moreira participou da reportagem do UOL “Empresas contra o racismo”, que trouxe o questionamento de como uma empresa pode ser antirracista. Em sua fala, Selma disse. “Contratar é importante, mas a inclusão é fundamental. Portanto, tanto a equipe de seleção como a que for receber os colaboradores negros precisarão de preparo para que sejam sensíveis às questões raciais e saibam lidar com as situações.” 

Em virtude do dia 25 de julho, no qual se celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também, no Brasil, é comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em honra a escrava que virou rainha e liderou o Quilombo do Quariterê no Século 18, o mês é conhecido como o Julho das Pretas. No próprio dia 25 de julho, o portal Exame fez uma matéria com cinco mulheres negras empreendedoras, entre elas, a diretora-executiva do Fundo Baobá, Selma Moreira. “Promover o protagonismo da mulher negra, contribui para reduzir desigualdades de salário, de educação e de representatividade. É um desafio urgente e prioritário para termos um país menos desigual”, disse.

As mulheres apoiadas pelo Fundo Baobá também foram destaque na imprensa. A campanha “Negras Que Movem”, formada por mulheres selecionadas pelo Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Negras: Marielle Franco, iniciativa do Fundo Baobá em parceria com Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford, Open Society Foundations e Fundação Kellogg, foi destaque no Portal Geledés, na Carta Capital, na Revista Afirmativa, na Folha de Pernambuco e no Bahia Notícias. A premissa do movimento é divulgar projetos para promover e dar visibilidade a iniciativas de mulheres negras em diferentes setores. Outras apoiadas pelo Fundo Baobá também tiveram destaque na mídia: a cantora e percucionista brasiliense Nãnan Matos foi matéria no Correio Braziliense. A terceira edição do “Uyelê das Pretas”, ação organizada pelo Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria em parceria com o Slam das Minas da Paraíba, foi destaque no Paraíba Já. O Coletivo Mulheres da Parada, de São Gonçalo (RJ), selecionado no edital Doações Emergenciais no Combate à Covid-19, foi entrevistado em uma matéria especial no portal Yahoo. E a coletiva Abayomi Juristas Negras, de Pernambuco, ganhou matéria na Folha de Pernambuco.

Confira os destaques:

Primeira Infância

Revista Afirmativa – 06/07
https://revistaafirmativa.com.br/fundo-baoba-lanca-edital-para-primeira-infancia-no-contexto-da-pandemia-da-covid-1/

Revista Amazônia – 07/07  https://revistaamazonia.com.br/equidade-racial-fundo-baoba-lanca-edital-para-primeira-infancia-no-contexto-da-pandemia-da-covid-19/

Tribuna do Recôncavo – 07/07
https://tribunadoreconcavo.com/fundo-baoba-lanca-edital-para-primeira-infancia-no-contexto-da-pandemia-da-covid-19/

Setor3 – 10/07

http://setor3.com.br/edital-beneficia-iniciativas-que-apoiam-familias/

Minuto Futura (TV futura) – 14/07

https://www.youtube.com/watch?v=F8DBU3TjWWw&feature=youtu.be

Mundo Negro – 15/07

https://mundonegro.inf.br/fundo-baoba-ajudara-projetos-que-aborda-familias-com-criancas-em-vulnerabilidade-social/

Julho das Pretas

Folha de Pernambuco – 09/07

https://www.folhape.com.br/noticias/juristas-negras-e-a-luta-por-espacos-no-mundo-do-direito/146536/

Paraíba Já – 13/07

https://paraibaja.com.br/terceira-edicao-do-uyele-das-pretas-acontece-de-20-a-25-de-julho-na-pb/

Yahoo – 15/07

https://br.noticias.yahoo.com/mulheres-criam-mercado-solidario-para-familias-afetadas-pela-pandemia-133042887.html

Correio Braziliense – 16/07

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2020/07/16/interna_diversao_arte,872830/nanan-matos-compartilha-conhecimento-musical-e-ancestral-com-a-comunid.shtml

Bahia Notícias – 19/07

https://www.bahianoticias.com.br/noticia/250872-campanha-que-divulga-profissionais-negras-de-todo-o-brasil-tem-baiana-na-coordenacao.html

Revista Afirmativa – 21/07

https://revistaafirmativa.com.br/campanha-inspirada-em-tais-araujo/

Folha de Pernambuco – 22/07

https://www.folhape.com.br/cultura/campanha-inspirada-em-tais-araujo-une-mulheres-negras-ao-redor-do-pais/148086/

Entrevista Selma Moreira

Revista Alliance – 10/07

https://www.alliancemagazine.org/blog/follow-kelloggs-foundations-lead-by-backing-racial-justice-brazil/

Setor3 – 23/07

http://setor3.com.br/diretora-executiva-do-fundo-baoba-enfatiza-recursos-para-iniciativas-da-populacao-negra/

Exame – 25/07

https://exame.com/negocios/essas-5-mulheres-comandam-negocios-que-voce-deveria-conhecer/

UOL – 26/07

https://economia.uol.com.br/reportagens-especiais/como-empresas-podem-ser-antirracistas/?aff_source=56d95533a8284936a374e3a6da3d7996

PROGRAMA JÁ É: EDUCAÇÃO PARA EQUIDADE RACIAL

Educação é um dos quatro eixos nos quais a missão estratégica do Fundo Baobá para Equidade Racial está focada. E não podia ser diferente: o racismo no ambiente escolar é um dos mais severos gargalos à equidade racial do Brasil. 

Se liga nos números: no ensino fundamental tem quase o mesmo percentual de entre crianças brancas e negras de 6 a 10 anos (96,5% e 95,8%, respectivamente). Na faculdade, a matemática é outra: na média, só 25,2% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam ou concluem o ensino superior, segundo o IBGE. Só que o percentual de jovens de cor ou raça branca que frequentam ou concluem o ensino superior (36,1%) é praticamente o dobro do percentual de jovens pretos ou pardos (18,3%) na faixa de 18 a 24 anos.

Por trás desses números tem muita história: tem escola pública fraca, tem dificuldade para chegar – e para pagar – o cursinho preparatório.  Tem racismo na escola. Tem tudo para fazer o jovem desistir. 

É para transformar essa realidade entre jovens da cidade de São Paulo e região metropolitana que o Fundo Baobá está lançando, em parceria com a Fundação Citibank, o programa Já É: Educação para Equidade Racial. O programa inclui não só uma bolsa de estudos em cursinho preparatório para o vestibular, como também atividades voltadas para o enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e para a ampliação das habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria. Além da mensalidade do cursinho, as despesas de transporte e alimentação também serão custeadas ao longo do programa, que deve ter duração de 12 meses a partir de março de 2021.

Para se inscrever, você precisa ter entre 17 e 25 anos, já ter concluído ou estar cursando, em 2021, o 3º ano do ensino médio em escolas públicas e morar na cidade de São Paulo ou nas cidades da região metropolitana. Aberto a jovens de ambos os sexos, o Programa Já É prioriza jovens de sexo masculino, jovens transsexuais, jovens mães, jovens que tenham cumprido medidas socioeducativas, e jovens que residem em bairros, territórios ou comunidades periféricas.

Faça a inscrição aqui e preencha o formulário. Aqui você encontra orientações sobre seu preenchimento. Mas se liga: as inscrições vão só até 31 de agosto de 2020.

A primeira etapa da seleção será eliminatória, com base na análise desses materiais de inscrição, e acontecerá no período de 4 a 23 de setembro de 2020. A segunda etapa de seleção será classificatória e acontecerá de 5 de outubro a 10 de novembro. Ela incluirá entrevista individual, realizada em ambiente virtual, conduzida por profissionais especializados. Uma terceira etapa, também classificatória, acontecerá entre 23 a 30 de novembro de 2020. Ela será realizada por um comitê de seleção composto por membros dos órgãos de governança e especialistas na área de educação.  A lista final dos 100 escolhidos selecionadas será divulgada no site do Fundo Baobá e redes sociais até o dia 10 de dezembro deste ano. Tudo para começar 2021 com o pé no ensino superior.

Com apoio do Baobá, agora Já É!

Perguntas & Respostas – Ja É

1 – Como faço para me inscrever?

Basta preencher um o formulário que se encontra aqui.

2 – Quais são os pré-requisitos para participar desse edital?

Poderão se inscrever jovens de 17 a 25 anos, de ambos os sexos, diferentes identidades de gênero e orientação sexual, residentes em São Paulo e região metropolitana, que já tenham concluído ou estejam cursando o 3º ano do ensino médio, em 2021, em escolas públicas e morar na cidade de São Paulo ou nas cidades da região metropolitana. O Programa prioriza jovens de sexo masculino, jovens transsexuais, jovens mães, jovens que tenham cumprido medidas socioeducativas, jovens que residem em bairros, territórios ou comunidades periféricas. 

3 – Eu moro em São Paulo mas estudo em outro município da Grande São Paulo. Posso participar?

Sim, o edital é para pessoas que residem em São Paulo e região metropolitana de São Paulo.
A região metropolitana de São Paulo é formada pelos seguintes municípios: Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Carapicuíba, Cajamar, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Francisco Morato, Franco da Rocha, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Itapecerica da Serra, Itapevi, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Poá, Pirapora do Bom Jesus, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.

4 – Eu faço 17 anos em 2021. Posso participar?

Sim, desde que esteja cursando o terceiro ano do ensino médio. A seleção ocorre este ano, mas o programa começa em 2021. 

5 – Eu faço 26 anos em 2021. Posso participar?

Não porque o programa começa em 2021 e o limite é para jovens com até 25 anos. 

6 – Vou concluir o terceiro ano do ensino médio em 2021. Posso participar?

Sim – o edital é para jovens que tenham concluído ou estejam cursando, em 2021, o 3º ano do ensino médio em escolas públicas e que residam na cidade de São Paulo ou região metropolitana. 

7 – Eu deveria estar no terceiro ano do ensino médio em 2020 mas por causa da pandemia não estou conseguindo estudar e talvez repita o segundo ano este ano. Posso participar?

Não. O edital é para quem esteja cursando o terceiro ano do ensino médio ou para quem já concluiu. 

8 – Além de financiar o cursinho pré vestibular, o que mais o edital irá oferecer? 

Uma vez selecionadas, as e os jovens receberão bolsa de estudos em um cursinho preparatório para o vestibular, terão as despesas de transporte e alimentação custeadas, participarão de atividades voltadas para o enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e outras que contribuam para a ampliação de suas habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria.

9 – Eu irei receber dinheiro do Fundo Baobá para custear essas despesas?

Não. O apoio do Fundo Baobá às pessoas selecionadas não envolve doação de recursos financeiros. O apoio será disponibilizado por meio da prestação de serviços (pagamento das despesas mensais do cursinho pré-vestibular, assessoria psicossocial, assessoria para atividades socioculturais, vale transporte e alimentação). 

10 – Serei cobrado de resultados? Sou obrigado a passar no vestibular ao fim do programa? 

O objetivo do programa é proporcionar condições que favoreçam a entrada na universidade, mas caso as pessoas apoiadas não sejam aprovadas em vestibulares que ocorrem em 2021, elas terão direito a mais 06 (seis) meses de curso preparatório, demais serviços e benefícios incluídos no programa. Porém ao longo do programa as pessoas serão avaliadas e caso a presença em atividades obrigatórias seja inferior a 75% e os relatórios não sejam apresentados, o apoio poderá ser suspenso. 

11 – Que tipo de relatório eu terei que apresentar?

As(os) jovens selecionados(as) receberão modelos e orientações sobre como apresentar relatórios mostrando seu desempenho ao longo do projeto.

12 – Se eu precisar me ausentar durante alguns meses do projeto, por motivo de força maior, poderei retornar depois ou no ano seguinte?

O caso será avaliado. 

13  – Como será a seleção?

Serão três etapas:

  • A primeira etapa (de 4 a 23 de setembro) será eliminatória, feita com base na análise do formulário de requerimento. Serão levados em conta o perfil etário, local de residência e trajetória educacional das pessoas interessadas.   
  • A segunda etapa (de 5 de outubro a 10 de novembro) será classificatória e incluirá entrevista individual, realizada em ambiente virtual,  conduzida por profissionais especializados.  
  • A terceira etapa (de 23 a 30 de novembro) também será classificatória e será realizada por um comitê de seleção composto por membros dos órgãos de governança e especialistas na área de educação para o ingresso no ensino superior.

14 – Quando será a data da divulgação da seleção final?

 A lista de pessoas selecionadas será divulgada no site do Fundo Baobá e redes sociais, até o dia 10 de dezembro de 2020.

15  – Como fico sabendo se fui selecionado?

Em todas as etapas de seleção o Fundo Baobá entrará em contato por e-mail ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE com as pessoas selecionadas. Por isso, é muito importante checar também a caixa de spam do e-mail.

16 – Após terminar o preenchimento do formulário, eu não recebo um e-mail de confirmação. Como vou saber que meu projeto foi enviado? 

Quando todas as perguntas do formulário são respondidas, deve-se apertar o botão concluído. Neste momento aparece na tela uma mensagem de agradecimento pelo interesse. Ela então deve apertar concluído novamente para que o formulário entre no sistema.


17 – Quando começam iniciam as atividades?

As pessoas selecionadas assinarão contrato com o Fundo Baobá em fevereiro. As atividades terão início em março de 2021

18  – Haverá lista de espera?

Sim, caso haja desistência as pessoas selecionadas, aquelas que estiverem na lista de espera serão convocadas. Nesse caso, a convocação irá acontecer no início de março de 2021.

19  – Eu posso perder a bolsa? 

Caso a presença em atividades obrigatórias seja inferior a 75% e os relatórios não sejam apresentados, o apoio poderá ser suspenso. 

20 – Como receberei o auxílio para transporte e alimentação?

Em forma de vale transporte e vale alimentação 

21 – Eu precisarei prestar contas do dinheiro gasto com transporte e alimentação?

Não será necessário.

22 – Eu posso escolher o cursinho pré-vestibular ou vocês escolhem?

A escolha do cursinho será feita pelo próprio Fundo Baobá, através de um convênio pré estabelecido com a entidade.

23 – Em qual cidade irá acontecer as aulas?

As aulas irão acontecer somente no município de São Paulo

24 – Não tenho e-mail, preciso criar um? 

Sim. É primordial criar um endereço de e-mail porque, a partir a inscrição, este será o canal de comunicação do Fundo Baobá para Equidade Racial com todos os candidatos. Então, é necessário criar e verificar novas mensagens com frequência.

25 – Mas se eu ainda tiver dúvidas, como faço?

Envie e-mail para duvidaseditais@baoba.org.br.

EDITAL PROGRAMA “JÁ É”: EDUCAÇÃO E EQUIDADE RACIAL

CAPÍTULO I – O FUNDO BAOBÁ PARA EQUIDADE RACIAL

Art. 1 O Fundo Baobá para Equidade Racial é o primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, para a promoção da equidade racial para a população negra no Brasil.  Criado em 2011, tem por objetivo mobilizar pessoas e recursos, no Brasil e no exterior, para o apoio a projetos e ações pró-equidade racial. Os recursos captados pelo Fundo Baobá são doados por meio de editais e apoios direcionados,  a  grupos, coletivos, organizações e lideranças negras, comprometidas com o enfrentamento ao racismo, a promoção da equidade racial e da justiça social.

Art. 2 O Fundo apoia iniciativas que ofereçam oportunidades para que a população negra desenvolva seu pleno potencial em diferentes setores e áreas, prioritariamente na Região Nordeste do país porque ali encontra-se a maior proporção de população negra com destaque para as mulheres e a juventude e, não por acaso, os piores índices de desenvolvimento humano.

CAPÍTULO II – O PROGRAMA JÁ É: EDUCAÇÃO E EQUIDADE RACIAL

Art. 3 O Programa “Já é”: Educação e Equidade Racial é uma iniciativa do Fundo Baobá para Equidade Racial em parceria com a Fundação Citibank. O Programa é dirigido a jovens de 17 a 25 anos que já tenham concluído ou estejam cursando o 3º ano do ensino médio em escolas públicas e que residam no município de São Paulo e região metropolitana.

Art. 4 Uma vez selecionadas, as e os jovens receberão bolsa de estudos em um cursinho preparatório para o vestibular, terão as despesas de transporte e alimentação custeadas, participarão de atividades voltadas para o enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e outras que contribuam para a ampliação de suas habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria. 

Art. 5 Serão apoiados até 100 (cem) jovens. O apoio terá início em março de 2021 e se estenderá por 12 (doze) meses.

Parágrafo único: O apoio será formalizado por meio de um contrato assinado onde constam, entre outros,  compromissos e obrigações de cada uma das partes, durante os 12 (doze) meses de vigência.

Art. 6 O Programa prioriza jovens de sexo masculino, jovens transsexuais, jovens mães, jovens que tenham cumprido medidas socioeducativas, jovens que residem em bairros, territórios ou comunidades periféricas.

CAPÍTULO III – O EDITAL 

Art. 7 O presente documento tem por objetivo estabelecer regras e procedimentos para inscrição no Edital do Programa Já É.  

Art. 8 O  apoio do Fundo Baobá às pessoas selecionadas não envolve doação de recursos financeiros. O apoio será disponibilizado por meio da prestação de serviços (pagamento das despesas mensais do cursinho pré-vestibular, assessoria psicossocial, assessoria para atividades socioculturais, vale transporte e alimentação).

CAPÍTULO IV – PROCEDIMENTOS

Seção I – Requerimento de Apoio  

Art. 9 Poderão se inscrever jovens de 17 a 25 anos, de ambos os sexos, diferentes identidades de gênero e orientação sexual, residentes em São Paulo e região metropolitana,  que já tenham concluído ou estejam cursando o 3º ano do ensino médio em escolas públicas.

Art. 10 As inscrições poderão ser realizadas de 10 de julho a 31 de agosto de 2020, às 23h59, pelo site do Fundo Baobá. 

Art. 11 Todas as pessoas interessadas devem preencher formulário de requerimento disponibilizado pelo Fundo Baobá.

Seção II – Etapas do processo seletivo

Art. 12 A primeira etapa da seleção será eliminatória e acontecerá no período de 04 a 23 de setembro de 2020.  

Nesta fase a seleção incluirá análise do formulário de requerimento e levará em conta variáveis sociodemográficas e econômicas, local de residência e trajetória educacional das pessoas interessadas. 

  1. A convocação para a segunda etapa de seleção será feita por meio e-mail. 
  2. O Fundo Baobá entrará em contato ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE com as pessoas selecionadas para a próxima etapa.

Art. 13 A segunda etapa de seleção será classificatória e acontecerá no período de  05  de outubro  a  10 de novembro. 

  1. Nesta fase a seleção incluirá entrevista individual, realizada em ambiente virtual,  conduzida por profissionais especializados.  
  2.  A convocação para a terceira etapa de seleção será feita por e-mail. 
  3.  O Fundo Baobá entrará em contato ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE com as pessoas selecionadas para a próxima etapa.

Art. 14 A terceira etapa de seleção também será classificatória e acontecerá entre 23 a 30 de novembro de 2020. 

  1. Esta fase será realizada por um comitê de seleção composto por membros dos órgãos de governança e especialistas na área de educação para o ingresso no ensino superior. 
  2. A lista de pessoas selecionadas será divulgada no site do Fundo Baobá e redes sociais, até o dia 10 de dezembro de 2020
  3. O Fundo Baobá também entrará em contato por e-mail, ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE,  com as pessoas selecionadas 
  4. O processo de contratualização acontece em fevereiro de 2021. 
  5. Haverá lista de espera. Caso haja desistência as pessoas que estiverem na lista de espera serão convocadas. A convocação irá acontecer no início de março de 2021.

Art. 15 As e os jovens selecionadas(os) pelo Programa JÁ É serão periodicamente avaliadas por profissionais especializados em relação ao seu desempenho e performance no processo preparatório para o vestibular e, além disso deverão frequentar as atividades obrigatórias e apresentar relatórios periódicos de progresso, seguindo as orientações e formulários disponibilizados pelo Fundo Baobá. 

Parágrafo Único: Caso a presença em atividades obrigatórias sejam inferiores a 75% e os relatórios não sejam apresentados, a/o jovem poderá deixar de receber apoio.

CAPÍTULO VDISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 16 Lacunas ou controvérsias relacionadas a este documento serão solucionadas pela Diretoria do Baobá. 

Edital para primeira infância no contexto da pandemia da Covid-19

Qual o pai ou a mãe que não quer uma vida melhor para seus filhos? É nas futuras gerações que vemos a oportunidade de corrigir aquilo que prejudicou nossa vida – um sonho crucial, no caso de quem vive em condições de desigualdade e que fica mais distante no contexto da pandemia da Covid-19. As crianças que estão nascendo agora em 2020 correm o risco de passar a primeira infância em um ambiente ainda mais pauperizado e vulnerável do ponto de vista social e econômico. 

Esse cenário levou o Fundo Baobá, em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a Porticus América Latina e a Imaginable Futures, a lançar um edital para selecionar iniciativas de apoio a famílias que, em seu núcleo, tenham mulheres e adolescentes grávidas, mulheres que deram à luz e homens responsáveis e corresponsáveis pelo cuidado de crianças de 0 a 6 anos no contexto da pandemia Covid-19 para receberem apoio emergencial no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

Podem pleitear a doação pessoas físicas que atuem nas áreas de saúde, educação e assistência social, com experiência prévia comprovada em formular e implementar ações dirigidas a crianças de 0 a 6 anos, seus familiares e cuidadores, incluindo homens; mulheres e adolescentes grávidas ou que acabaram de dar à luz. 

Serão priorizadas propostas apresentadas por profissionais das áreas citadas acima e que se autodeclarem negros (as), indígenas, migrantes ou refugiados (as) e que estejam voltados para o apoio às famílias que vivem em contextos de desigualdades sociais, violência urbana e/ou intrafamiliar, desemprego, fome e outras adversidades agravadas no contexto da pandemia da Covid-19.

Se você se encaixa nesses critérios e gostaria de ter suas ações apoiadas, elabore sua proposta, preencha o formulário, detalhando o estado, cidade, bairro (s) e comunidade (s) onde serão realizadas as ações, suas impressões relacionadas às necessidades das famílias, as ações a serem realizadas e os resultados esperados. Aqui, você encontra resposta às dúvidas mais frequentes sobre o preenchimento do formulário e sobre o edital, que pode ser conferido neste link.

O edital permanecerá aberto até o dia 9 de agosto às 23h59, e a lista de selecionados será divulgada no site e nas redes sociais do Fundo Baobá em até 45 dias após o encerramento das inscrições.  

Após a seleção, as doações serão creditadas em até dez dias úteis na conta bancária indicada no formulário. Os contemplados pela doação emergencial terão até 90 (noventa dias) após o recebimento dos valores para prestar contas, seguindo as orientações e formulários eletrônicos disponíveis no Fundo Baobá.