Corinthians doa camisa-manifesto contra o racismo para o Fundo Baobá

Corinthians doa camisa-manifesto contra o racismo para o Fundo Baobá

O combate ao crime de racismo ganhou um novo manifesto: uma camisa oficial do clube paulistano com a ilustração na gola “Racismo é Crime. Denuncie”. Após injúrias raciais sofridas pelo jogador Vini Jr., e pelo goleiro Hugo Souza, o Corinthians decidiu transformar a indignação em atitude e criou a camisa. 

camisa oficial do Corinthians com a ilustração na gola “Racismo é Crime. Denuncie”

Arquivo Fundo Baobá

A peça, doada ao Fundo Baobá, é um lembrete de que o enfrentamento ao racismo exige ação e é um chamado à responsabilidade coletiva. Além da mensagem, ela conta com um QR code que direciona a uma página do clube com orientações práticas sobre o que fazer em caso de ser vítima ou presenciar injúria racial. Seu significado vai além dos gramados. O gesto de vestir a camisa, símbolo de pertencimento e compromisso, reforça que o combate ao racismo é responsabilidade de todos e deve ser contínuo.

O clube buscou o Fundo Baobá e outras organizações que atuam pela promoção da equidade racial para entregar oficialmente a camisa. A iniciativa reforça a força do símbolo como ferramenta de luta por respeito e justiça racial em todos os espaços da sociedade.

A entrega ocorreu em 23 de abril. A equipe do Fundo Baobá foi recebida por Rafael Garcia, Gestor de ESG e Marketing do Corinthians. 

A ação reforça a urgência de promover iniciativas e debates que ampliem a conscientização e o combate ao racismo em todas as esferas da sociedade.

O Fundo Baobá reconhece este posicionamento, e reforça que promover equidade racial no país sempre envolve ação.

Governança ativa, participação coletiva e visão estratégica marcam os 15 anos de Fundo Baobá

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes.

Os quinze anos de caminhada do Fundo Baobá ensinaram que construir caminhos para a equidade racial exige tanto planejamento, quanto escuta das organizações, comunidades e pessoas que apoiamos e das gerações que vieram antes. É a partir dessa trajetória coletiva, marcada por aprendizados e melhorias ao longo do tempo, que o Fundo Baobá segue fortalecendo sua atuação e um modelo de governança que está na base dos nossos passos.

Atualmente, o Fundo Baobá conta com uma equipe de 20 profissionais e uma governança ativa, permitindo que o crescimento amplie o alcance de iniciativas voltadas à promoção da equidade racial. Entre elas estão programas de formação acadêmica internacional, acesso ao ensino superior, desenvolvimento de lideranças femininas negras e ações emergenciais, como o apoio durante a pandemia da Covid-19. São iniciativas que contribuem para que pessoas negras ocupem espaços historicamente negados à sua presença e ao seu conhecimento.

Para Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá, os 15 anos da organização marcam também o início de um novo ciclo estratégico. Nesse momento, a construção de processos eficientes, a gestão participativa e a adoção de tecnologias alinhadas à segurança, transparência e impacto social, são pilares para garantir continuidade ao trabalho desenvolvido.

Hebe da Silva, Gerente de Operações do Fundo Baobá

Crédito fotográfico: Thalita Novais

Mais do que administrar recursos, a área de Operações atua como suporte para todas as demais áreas organizacionais, apoiando estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e a sustentabilidade financeira.

“O Fundo Baobá é para sempre”, resume Hebe, ao falar sobre o compromisso de longo prazo da organização com a promoção da equidade racial no Brasil. Uma permanência construída coletivamente, com raízes firmadas no fortalecimento das iniciativas negras e na construção de futuros mais equitativos.

Em entrevista, Hebe fala mais sobre o ponto de vista da área de Operações sobre os 15 anos do Fundo Baobá.

Em janeiro, Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá, falou que os 15 anos do Fundo Baobá não eram apenas uma celebração, eram uma  preparação para um novo ciclo estratégico. Como a sua área, Gestão Operacional, define esse novo ciclo estratégico?
Uma etapa que apresenta novas demandas exige novos esforços. A área de Operações presta suporte às atividades das demais áreas. Somos uma das fontes para pensarmos estratégias de editais, articulações com a sociedade civil e captação de recursos. Pensar nas novas tecnologias do mercado e como podemos adotá-las, sem prejuízo ou risco à equipe e ao nosso público, será a contribuição da área de Operações no desenho deste novo ciclo.

Na mesma matéria, você fala em uma gestão participativa para garantir a sustentabilidade do Fundo Baobá. No dia a dia do trabalho, como acontece essa gestão participativa? 

Todas as pessoas da equipe são responsáveis pela gestão dos recursos. O alinhamento dos nossos gestores é tarefa cotidiana entre as áreas. Quem desejamos alcançar? Qual a melhor forma de fazer isso? Qual a maneira mais eficiente de gerir o recurso disponível? Todas essas variáveis são analisadas em equipe, que comunga do princípio de oferecer excelência no atendimento, seja qual for a atividade. Isso agiliza os ajustes processuais e nos fortalece enquanto grupo.

Você fala também em “olhar para a perenidade do Fundo Baobá”. Como gestora financeira, é possível prever um Fundo Baobá atuante daqui a 20, 30 anos ou mais que isso? Quais as diretrizes econômicas para atingir essas marcas?  

O Fundo Baobá é para sempre. Para os que estão aqui agora e para os que virão depois. Em 20, 30 anos as demandas da população podem mudar, o que influenciará nas nossas estratégias de atuação, mas o sentido de nossa existência permanecerá. Sendo otimista, vislumbro um futuro com todas as organizações da sociedade civil brasileira comprometidas com a promoção da equidade racial, mesmo que em menores níveis de prioridade. As diretrizes já estabelecidas pelo nosso conselho deliberativo nos dão suporte para essa perenidade: transparência, planejamento e governança participativa.

Como o Fundo Baobá define os valores investidos em seus editais, programas e ações a partir da rentabilidade do Fundo Patrimonial? Como essa estratégia de uso dos rendimentos contribui para a sustentabilidade e o planejamento de longo prazo da organização? 

O valor é definido entre nosso Conselho e Equipe Executiva. A depender dos reflexos deste alinhamento, o valor pode ser maior que o previsto inicialmente. Isso aconteceu no edital Black Stem, quando decidimos ampliar o número de vagas ofertadas no edital. Isso impactou em todo orçamento do projeto, mas obtivemos sucesso na decisão.

Auxílio emergencial no período da pandemia da Covid-19, programas voltados para educação, para o desenvolvimento de lideranças e enfrentamento à violência racial. Para quem trabalha com gestão financeira, como você definiria seu sentimento ao ver o impacto dessas iniciativas nas vidas das pessoas apoiadas?

O sentimento é de que um objetivo ambicioso e desafiador está sendo cumprido. Ver nossos projetos impactando diferentes atuações na causa racial, promovendo mudanças econômicas em grupos populacionais sub-representados, qualificando um público que nunca acessou recursos da filantropia, tudo isso reverbera no nosso sentimento de importância na sociedade brasileira e no nosso dever de continuar trabalhando com excelência.

Quais resultados do Fundo Baobá chamam mais a atenção de quem não faz parte da organização? 

Autossuficiência, execução bem-sucedida do planejamento estratégico e meta de construção do Fundo Patrimonial alcançada com êxito. 

Quais foram as estruturas invisíveis mais importantes para que o fundo chegasse até aqui?

Equipe comprometida com a preservação dos ativos institucionais: nossa relação com donatários, gestão eficiente dos recursos e uma governança atuante. Também é muito importante possuir uma assessoria jurídica qualificada para lidar com as especificidades de uma organização do terceiro setor que possui um Fundo Patrimonial.

Existe alguma decisão operacional tomada anos atrás que hoje vocês entendem como fundamental para a longevidade do fundo? 

O acordo com a Kellogg Foundation previa que os aportes financeiros ao Fundo Patrimonial seriam realizados mediante apresentação de um relatório de auditoria externa, aprovado pelo nosso Conselho. Isso colaborou para o fortalecimento de nossa transparência. Aprimoramos nossas ferramentas de trabalho para alcançar, com a maior agilidade possível, informações sobre a nossa gestão. Isso colabora não apenas para o gerenciamento financeiro, mas também para atender tempestivamente qualquer due diligence (levantamento sobre um parceiro de negócio) que algum financiador nos faça. Estamos preparados para falar de nossa história através dos números registrados aqui.

 O que mudou na forma de operar da organização ao longo destes 15 anos? 

O aumento da equipe refletiu na possibilidade de ampliação de nossas atividades. Houve um período em que fomos apenas 3 pessoas. Hoje somos 20. Isso mudou nossa estrutura física, nos possibilitou melhoria das ferramentas e demanda um esforço conjunto para construir a ambientação de cada nova pessoa que integra a equipe, incluindo a governança. Um time de trabalho empenhado e que se sente livre e seguro para opinar, propor e fazer.

Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

Fundo Baobá participa do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, na Suíça

O Fundo Baobá marcou presença no Fórum Permanente sobre Afrodescendentes, em Genebra, representado pelo seu Diretor Executivo, Giovanni Harvey, e pela gerente de Articulação Social, Caroline Almeida. A participação no evento, realizado em abril, ocorre em um momento de intensa mobilização internacional. O encontro na Suíça dá sequência a uma série de movimentações estratégicas promovidas pela ONU, como a histórica resolução aprovada pela Assembleia Geral em março, que reconheceu o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade 

A reunião marcou ainda o 25º aniversário da Declaração e Programa de Ação de Durban. O documento, que permanece como o principal marco normativo das Nações Unidas no combate à discriminação, reconhece que a escravidão, o tráfico e o colonialismo produziram desigualdades estruturais profundas e duradouras. Ao relembrar essa data, o fórum reforça o chamado para que os Estados repudiem o racismo e adotem políticas ativas de igualdade e reparação.

O evento reuniu 80 países membros das Nações Unidas, além de diversos atores da sociedade civil envolvidos na promoção dos direitos humanos das pessoas de ascendência africana, assim como agências e órgãos especializados da ONU. Como principal destino da diáspora africana, os países da América Latina e Caribe tiveram forte atuação nos debates, com destaque para o Brasil e Colômbia. Gana, que junto com a União Africana apresentou a resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade, também participou ativamente.

Instituições nacionais de direitos humanos e organizações de igualdade racial, além do Fundo Baobá, também estiveram presentes, junto com outros representantes da sociedade civil. Para Caroline Almeida, gerente de Articulação do Fundo Baobá, um ponto de atenção é a necessidade de avançar nas discussões para a implementação de políticas de combate à discriminação, ao racismo e à promoção da equidade racial. 

“É bastante positivo e importante espaços como este, porém, ainda é evidente as lacunas que existem na implementação das ações”, assinala. O próprio balanço dos 25 anos de Durban comprova isso. Embora 180 dos 193 países que são membros plenos da ONU tenham aderido à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, apenas 42 adotaram ou reformaram políticas e medidas antidiscriminação, criando 35 organismos nacionais de igualdade racial.

Caroline também destaca o painel sobre juventudes, que reforçou a necessidade de inclusão dos jovens nos espaços de decisão. “Foi um momento de forte sintonia entre gerações. Os jovens cobraram mais escuta e participação e os mais velhos destacaram a importância de passar o bastão para as novas gerações”, comenta. As novas gerações também pediram mais atenção a temas como saúde mental e violência policial.

Fundo Baobá chega aos 15 anos promovendo equidade racial no mundo do trabalho

Fundo Baobá chega aos 15 anos promovendo equidade racial no mundo do trabalho

Embora as ações afirmativas tenham ampliado o acesso de pessoas negras ao ensino superior, esse avanço não se reflete na mesma proporção no mercado de trabalho. Segundo pesquisa do Pacto de Promoção da Equidade Racial e da Fundação Itaú, divulgada no fim de 2025, jovens negros  qualificados seguem enfrentando barreiras estruturais que limitam sua inserção em espaços de decisão e crescimento profissional   mesmo em contextos onde a diversidade e inclusão no ambiente de trabalho são cada vez mais discutidas.

Dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), baseados na PNAD Contínua do IBGE do segundo semestre de 2025, revelam que a população negra forma um contingente de 120 milhões de pessoas no Brasil. Deste total, a taxa de ocupação formal é de 56,7%, enquanto 59,4% estão fora do mercado formal de trabalho, em funções sem carteira assinada e mecanismos de proteção social ou sem qualquer ocupação. A desigualdade é maior no recorte de gênero: mulheres negras estão mais expostas a baixos salários e ao emprego doméstico. O cenário de desigualdade se acentua em cargos de gerência e direção, onde negros ocupam apenas 33% das posições (14% de mulheres e 19% de homens), conforme o DIEESE. 

Para transformar esse cenário, o Fundo Baobá atua, há 15 anos, na mobilização de recursos para construir pontes entre o conhecimento da população negra e oportunidades concretas. Nossa atuação é criar condições para que cada pessoa apoiada defina sua trajetória, para que possa aprimorar suas habilidades, seu trabalho e suas redes, transformando a autonomia em inovação e liderança. Um exemplo é o Programa Carreiras em Movimento, que vai além da orientação profissional. É um espaço de desenvolvimento de habilidades para que cada pessoa ocupe seu lugar com autonomia e propósito.

A pernambucana Daniela Marreira, graduada em Comunicação com habilitação em Rádio, TV e Internet, é um exemplo que mostra o poder dessa abordagem. Após ter a trajetória interrompida pela pandemia, ela foi selecionada pelo edital em 2023 e recebeu R$10 mil para aprimorar habilidades. “Utilizei 60% do recurso em aulas de conversação de inglês e os outros 40% na aquisição de equipamentos e cursos livres complementares”, revela.

Após o investimento, Daniela conquistou uma vaga em uma empresa global de design. “Fui selecionada e atingi o nível C2 de proficiência em inglês. Hoje sou Senior Product Operations e não teria conseguido a vaga sem o incentivo do edital, que me permitiu focar no idioma”, afirma.

A pernambucana Daniela Marreira, graduada em Comunicação com habilitação em Rádio, TV e Internet, é um exemplo que mostra o poder dessa abordagem.
Daniela Marreira | Crédito: Arquivo pessoal.

No setor de ciências exatas, onde a presença de pessoas negras é minoritária ainda, o Fundo Baobá criou o edital Educação em Tecnologia. Nele, empresas negras e organizações que contribuem para a ampliação da capacidade de pessoas negras se inserirem no mercado de trabalho no segmento da tecnologia são apoiadas. Já o programa Black STEM tem como foco estudantes brasileiros negros e negras que buscam formação acadêmica no exterior nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Eles recebem suporte financeiro e mentoria qualificada visando  continuidade em seus cursos, o que poderá garantir posições de destaque dentro desse segmento. 

”A discussão sobre empregabilidade negra é fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Não existe país próspero sem a inclusão da maioria de sua população”, afirma Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá. “Precisamos urgentemente avançar nas políticas de cotas raciais e vagas inclusivas para ações que incidam diretamente nos gargalos que impedem a juventude negra de acessar uma educação superior de qualidade. Esse é um pré-requisito básico para elevar a presença negra nas posições de tomada de decisão e liderança que poderão movimentar um ciclo virtuoso de inclusão social”, completa.

Em 15 anos, o Fundo Baobá investiu mais de R$22,4 milhões em 1.209 iniciativas, muitas com o foco de ampliar oportunidades para pessoas negras no mundo do trabalho. Esse investimento já alcançou 1,35 milhão de beneficiários indiretos, com investimentos nas cinco regiões do país. Provando que, quando a população negra tem acesso a recursos, participação em redes e desenvolvimento de suas habilidades, transforma os espaços onde atua. 

Fundo Baobá apoia programa de pós-graduação no exterior

Fundo Baobá apoia programa de pós-graduação no exterior

Estão abertas as inscrições para a Bolsa Complementar Alcance, uma iniciativa da Fundação Lemann com apoio do Fundo Baobá. A oportunidade é voltada para estudantes brasileiros negros, pardos e indígenas que já estão matriculados em programas de mestrado e doutorado no exterior.

A bolsa tem o objetivo de apoiar a permanência desses estudantes, contribuindo com despesas essenciais do cotidiano acadêmico, como alimentação, transporte, moradia, materiais e outros custos que compõem a vida de quem estuda fora do país. É um suporte concreto para que a jornada não seja interrompida no meio do caminho.

Além do valor de USD 7 mil ao longo de 12 meses, com possibilidade de renovação, a iniciativa também oferece acompanhamento psicológico e acesso a redes de conexão entre estudantes brasileiros no exterior. As pessoas selecionadas também passam a integrar comunidades e iniciativas de conexão vinculadas ao programa. 

O Fundo Baobá participa da iniciativa com apoio técnico e financeiro, no âmbito da parceria vigente.As inscrições para a Bolsa Complementar Alcance vão até 11 de maio. Se essa oportunidade tem relação com a sua caminhada ou com a de alguém próximo, confira o edital e saiba mais.

Programa Black STEM abre oportunidade de apoio a estudo no exterior para estudantes brasileiros

Edital Black Stem 2026

O Fundo Baobá anunciou, no dia 26 de março, a terceira edição do Programa Black STEM, voltado ao apoio de estudantes negros brasileiros que desejam cursar a graduação no exterior. A iniciativa, com apoio da B3 Social e parceria da BRASA, fortalece um ecossistema que acredita na educação como ferramenta real de transformação.

A proposta é simples e potente ao mesmo tempo: ampliar o acesso de pessoas negras às áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (as famosas STEM) em universidades de ponta ao redor do mundo. Mas o programa vai além do acesso, ele também garante a permanência dos estudantes na universidade.

Nesta nova edição, até três estudantes serão contemplados com bolsas anuais de R$ 42 mil, que apoiam os custos desde moradia até o material acadêmico Os selecionados também terão apoio com mentorias, acompanhamentos psicológicos, conexão com lideranças negras e uma rede que faz toda diferença na jornada internacional. 

As inscrições, com início em 26 de março, vão até 7 de maio. O processo seletivo inclui análise de perfil, vídeo de apresentação e entrevista. É aquele tipo de oportunidade que exige preparo, mas que também pode mudar completamente o rumo da história de estudantes negros e negras do Brasil. 

O Black STEM acumula diversas histórias inspiradoras pelo mundo. São estudantes de diferentes cantos do Brasil que hoje ocupam universidades reconhecidas, como Enio Barbosa (Ciência da Computação na Stanford University – EUA), Gabriel Menezes (Física e Ciência da Computação no Massachusetts Institute of Technology – EUA), Gabriela Marques Ferreira  (Engenharia Química e Biomolecular na University of Notre Dame EUA).  Essas trajetórias mostram que estudar fora do país é ocupar espaços historicamente negados, mas hoje permitem também mostrar como a ciência é produzida no mundo.

As áreas STEM estão no centro das grandes mudanças do planeta: da tecnologia que usamos no dia a dia às soluções para saúde e meio ambiente. E mesmo com toda contribuição histórica da população negra, ainda existe sub-representação nessas áreas. O Black STEM chega justamente para  transformar nesse cenário, incentivando, apoiando e confirmando, na prática, que pessoas negras não só pertencem a esses lugares como sempre fizeram parte da construção da ciência.

O programa Black STEM constrói pontes, fortalece trajetórias e amplia o futuro de pessoas negras, afinal quando uma pessoa negra acessa a universidade, no Brasil ou no exterior, ela não vai sozinha. Ela leva consigo sua história, sua comunidade e abre caminho para muita gente que ainda virá.

Fundo Baobá investe em mulheres negras como parte de uma estratégia ampla para equidade racial

Fundo Baobá investe no fortalecimento de mulheres negras no país

O investimento em mulheres negras, por meio de programas técnicos e de qualificação, é uma das estratégias adotadas pelo Fundo Baobá para enfrentar desigualdades e impulsionar transformações duradouras na sociedade brasileira.

Nestes 15 anos, o Fundo Baobá tem direcionado recursos para diferentes iniciativas, conectando lideranças, organizações e territórios. Nesse percurso, o apoio a mulheres negras se consolida como uma frente relevante, que mostra que o investimento feito é um mecanismo de impacto estrutural para o país.

Na prática, em um contexto de disparidades de gênero e raça, o Fundo Baobá investe no fortalecimento de lideranças e iniciativas que posicionam mulheres negras como executoras de estratégias sociais. A organização mapeia a liderança exercida por essas mulheres em diferentes contextos de desigualdade, utilizando editais para fortalecer sua atuação como agentes de mudança. 

O Programa Marielle Franco, por exemplo, oferece suporte para a ampliação da incidência política e a ocupação de espaços de tomada de decisão. A iniciativa foca no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade de gênero e raça, apoiando trajetórias individuais e coletivas em diversas regiões do Brasil.

Entre as ações recentes, o Fundo destinou R$1,25 milhão à Marcha das Mulheres Negras 2025, viabilizando a mobilização nos 26 estados e no Distrito Federal. O aporte concentrou-se em logística e articulação estadual, com atenção especial à participação de mulheres quilombolas, fortalecendo sua presença no debate sobre reparação e bem viver. 

O papel do Fundo Baobá consiste em conectar trajetórias e garantir que lideranças negras tenham acesso a oportunidades de continuidade, reduzindo os impactos da violência racial e de gênero. O investimento em mulheres negras faz parte de uma decisão estratégica de desenvolvimento do país. Quando mulheres negras têm condições de incidir em decisões, elas fortalecem redes, criam soluções e ampliam o acesso a direitos para todas as pessoas.

Fundo Baobá participa de articulação internacional por justiça racial em cúpula das Américas

O Fundo Baobá participou do encontro em Porto Rico que reuniu organizações e lideranças para fortalecer estratégias de equidade racial em escala regional.

O diretor executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey, participou do painel “Investimento estratégico em iniciativas afrolatinas”, durante o Racial Equity Builders Dialogue (REBD), realizado em Porto Rico nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro. A conversa foi mediada por Arelis Diaz, da W. K. Kellogg Foundation, organização que incentivou a formação do Fundo Baobá em 2011.

O encontro reuniu lideranças, organizações filantrópicas e especialistas para discutir formas de ampliar o investimento em comunidades afro-latinas nos Estados Unidos e nas Américas. Durante sua participação, Giovanni Harvey destacou a importância de fortalecer investimentos que promovam autonomia e preservem a integridade cultural das iniciativas apoiadas nos territórios. Ele também abordou caminhos de acesso ao financiamento para organizações negras, a participação nas discussões do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e o impacto do apoio da Kellogg ao longo dos 15 anos do Fundo Baobá.

Com o lema “A Hora é Agora: Um Diálogo para Ação em Todas as Américas”, o encontro refletiu sobre a urgência do papel da filantropia no fortalecimento de democracias inclusivas, e na construção de respostas coletivas para enfrentar o racismo em escala global.

O REBD é um encontro internacional que reúne organizações, articuladores sociais, filantropos e especialistas em equidade racial para discutir estratégias, fortalecer redes e promover o intercâmbio de experiências sobre justiça racial e desenvolvimento comunitário. A edição deste ano teve como foco avançar da reflexão para a ação, buscando transformar propostas de equidade racial em ações coordenadas, baseadas em aprendizado compartilhado e na defesa coletiva de lideranças comunitárias, parceiros filantrópicos e especialistas internacionais.

Pela segunda vez, o Fundo Baobá participou do evento, sendo a única organização brasileira presente nesta edição. A participação ampliou a visibilidade do Brasil em um espaço estratégico de diálogo internacional sobre equidade racial. Durante o encontro, organizações presentes demonstraram interesse em conhecer a experiência brasileira na promoção da equidade racial. 

Entre os temas discutidos estavam: funcionamento das instituições democráticas brasileiras em contextos recentes, o acompanhamento internacional de casos emblemáticos de violência racial no Brasil, como a condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e de Anderson, além do papel da cultura brasileira como elemento de conexão e projeção internacional, e o reconhecimento do Brasil como ator relevante nas agendas globais de justiça racial.

Fundo Baobá participa do desfile que homenageou a missão do Geledés

Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”

No último dia 13/02, a Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, uma homenagem à força ancestral das mulheres negras e à missão do Geledés – Instituto da Mulher Negra, por sua missão institucional na luta contra o racismo, o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras.

A convite do Geledés, o Fundo Baobá esteve presente na avenida para celebrar esse momento simbólico. O samba-enredo exaltou a potência das mulheres negras em uma narrativa que uniu ancestralidade, luta e celebração. Com participação e curadoria do Geledés, a escola transformou o desfile em um verdadeiro manifesto cultural.

Integrantes da equipe do Fundo Baobá participaram da homenagem em reconhecimento a essa trajetória. Ao longo de 15 anos, o Fundo Baobá atua no fortalecimento de organizações e lideranças negras, com foco prioritário nas regiões Norte e Nordeste do país, investindo em educação, em vida com dignidade, em desenvolvimento econômico, em comunicação e memória.

Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, relatou que ver o homenageado Geledés, todas as mulheres que o construíram e tantas outras que, de alguma forma, contribuíram e participaram da história da instituição, é reconhecer a importância da luta das mulheres negras no Brasil contra o racismo e o sexismo:
“Que bom poder ver essa homenagem acontecendo a essa instituição, que é uma referência para todas nós, e que bom poder ver essas mulheres sendo reconhecidas e lembradas. É uma grande felicidade quando uma escola de samba, que é símbolo de um pilar tão importante da nossa cultura, como o carnaval, é uma ferramenta pedagógica importantíssima para nossa sociedade”, afirmou Tainá.

O desfile reforçou que a trajetória das mulheres negras deve ser contada por elas mesmas, e que o lugar delas é na história, na academia, no samba, na política, na cultura e onde mais decidirem ocupar. 

Para além das alegorias, a agremiação apresentou uma narrativa de inteligência, organização coletiva e resistência histórica.

Maria Paula, assistente de diretoria do Fundo Baobá, confirmou que desfilar em uma escola que homenageou Gueledés foi mais do que atravessar a avenida: foi atravessar a história. Segundo ela, o samba exaltou mulheres negras que abriram caminhos e evidenciou a intelectualidade e a liderança das que hoje seguem construindo novas possibilidades. “Porque o futuro é ancestral”, resumiu.


A construção visual da Mocidade Unida da Mooca integrou ancestralidade e futuro. A comissão de frente destacava a origem da mulher negra como sustentação e transformação para as sociedades. Ao longo da avenida, vieram referências às irmandades, aos quilombos, às tecnologias ancestrais, à organização coletiva e às múltiplas formas de resistência construídas ao longo do tempo.

“Foi uma honra receber o convite para desfilar em uma escola de samba que homenageou o Geledés, esse instituto que eu conheci ainda criança, através de conversa na minha família e foi emocionante voltar a desfilar depois de 15 anos numa escola que ressalta a importância da mulher negra”, contou Juliana Vargem, assistente executiva do Fundo Baobá.

Maria Sylvia, advogada e diretora executiva do Geledés, ressaltou a importância de apresentar a trajetória da instituição à sociedade brasileira, ampliando o reconhecimento das mulheres negras como protagonistas na construção social do país. “Que essa homenagem inspire mais escutas, mais diálogos e mais respeito às nossas trajetórias. Obrigada à Mocidade Unida da Mooca por fazer da arte um instrumento de memória, reconhecimento e continuidade”, afirmou.
O refrão: Quero ver… casa-grande vai tremer, No meu Quilombo é noite de Xirê! A MOOCA FAZ REVOLUÇÃO, É Guèledés: A LIBERTAÇÃO, ecoou nos ensaios e na avenida, transformando o desfile em celebração e afirmação coletiva. O desfile foi um gesto público de memória, reconhecimento e continuidade. Uma noite que reafirmou que o futuro é ancestral — e que a história das mulheres negras segue sendo escrita com coragem, inteligência e organização.

Winsana  N’Tchala: Do Programa Já É para o curso de Medicina

Winsana N’Tchala: do Programa Já É para o curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná

Há histórias que são sobre conquistas e resistência. A de Winsana N’Tchala é sobre as duas coisas, mas também sobre amor, propósito e educação como ferramenta de transformação. Aos 21 anos, essa jovem curitibana realizou o sonho de infância: foi aprovada em Medicina na Universidade Federal do Paraná. E não foi por acaso.

A trajetória de Winsana ganhou reforço importante quando ela conheceu o Programa Já É: Educação e Equidade Racial, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial. A indicação veio da cunhada, Byanka, que acompanhava as ações do Fundo Baobá e enviou o link de inscrição pelo WhatsApp.

O Já É, que está em sua segunda edição, foi criado para ampliar as oportunidades de acesso ao ensino superior para pessoas negras de 20 a 25 anos, com ensino médio completo em escola pública. Nesta segunda edição, até 30 jovens receberam bolsa mensal de R$ 700 por 17 meses, além de mentorias coletivas e individuais, acompanhamento psicológico e atividades formativas. Um investimento na permanência e na potência da presença negra na academia, que amplia perspectivas e fortalece a produção de conhecimento.

Para Winsana, o impacto foi concreto.“O Já É agregou muito ao meu conhecimento de mundo, ao meu desenvolvimento pessoal e trouxe uma estabilidade financeira melhor do que eu tinha antes. A bolsa ajudou, e ainda ajuda, a custear gastos com os estudos.”

Mais do que apoio financeiro, o programa oferece algo essencial: pertencimento e orientação. Para muitos jovens negros, entrar e permanecer na universidade envolve desafios que vão além do desempenho acadêmico, e contar com uma rede de apoio faz diferença.

O sonho da menina da periferia que  nasceu e cresceu em Curitiba hoje se concretiza com o alicerce da família. A mãe, Claudia Maria Ferreira; o pai, Francisco N’Tchalá, natural de Guiné-Bissau; e os irmãos Watena, Yabna e Abayomi.

A infância simples, marcada por desafios financeiros, mas também por algo fundamental: incentivo. “Meus pais nunca deixaram faltar nada. Sempre me incentivaram a fazer uma graduação e ter orgulho da minha negritude”, conta.

Aos 6 anos, em uma conversa sobre profissões com o pai, nasceu a vontade de estudar Medicina. Quando ele morreu, vítima de insuficiência renal, ela tinha apenas 10 anos. A experiência de cuidar dele reforçou o desejo: queria ser médica. Queria cuidar de pessoas.

Sua formação se deu por completa em escolas públicas, como tantos jovens negros e negras no Brasil que enfrentam as defasagens estruturais da educação básica. Nas últimas décadas, houve avanços importantes no acesso ao ensino superior, mas pessoas negras ainda estão sub-representadas nas universidades. Em cursos altamente concorridos, como Medicina, a desigualdade é ainda mais visível.

“Foram quatro anos de dedicação total aos estudos. Parei de fazer coisas que eu gostava, sofri com matérias que tinha dificuldade. Não foi fácil. Mas valeu a pena”, afirma.

Nesse percurso, ela prestou vestibular para a PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), onde conquistou o segundo lugar. Mesmo assim, a escolha já  estava feita: seguir na UFPR. “Foi a realização de um sonho para mim e para minha família.” E a sensação da aprovação? “Foi como quando uma criança ganha um presente que queria muito”, afirma. 

Segundo o IBGE 2022, embora a presença de pessoas pretas e pardas com ensino superior tenha crescido, a proporção de jovens brancos de 18 a 24 anos com ensino superior completo ainda é mais que o dobro da registrada entre pretos e pardos. Além disso, milhões de jovens brasileiros não concluem sequer o ensino médio. E a maioria é negra.

Esses dados evidenciam que a desigualdade não está na capacidade, mas no acesso às oportunidades e nas condições de permanência.

Quando perguntada sobre o futuro, Winsana responde com simplicidade e firmeza:
“Quero ser uma médica humanizada, que escuta com atenção os pacientes, uma profissional de excelência.” Ela ainda não decidiu a especialidade. Mas já decidiu o principal: fará tudo com dedicação.

Para quem sonha em participar do Programa Já É, ela deixa um conselho direto: “Não vai ser fácil. Mas não desistam. A única forma que tenho certeza que nós, pessoas de baixa renda e negras, temos de ter ascensão social é por meio dos estudos.”

A aprovação de Winsana na UFPR é, sim, uma conquista individual. Mas também é a prova de que quando existe investimento, acompanhamento e confiança na juventude negra, os resultados aparecem. O Fundo Baobá acredita nisso. O Já É aposta nisso.
E Winsana N´Tchala é a prova viva de que já é tempo de ocupar todos os espaços,  inclusive aqueles que, historicamente, sempre foram negados ao povo preto.

Além de Winsana N´Tchala, o Fundo Baobá comemora também o sucesso de outros estudantes apoiados pela segunda edição do Programa Já É: Aryele Costa, Administração na Universidade Federal do Maranhão; Christian Leal, Arquivologia na Universidade Federal da Bahia; Denagnon Gogo, Engenharia na Universidade Federal do Espírito Santo; Gabriele Marques, Medicina na Universidade Federal de Pelotas; Joicilene Cabral, Medicina na Universidade Federal do Pará e Lara Dias, Jornalismo na Universidade Salvador (Unifacs).

15 anos do Fundo Baobá: do primeiro apoio ao próximo capítulo

15 anos do Fundo Baobá: do primeiro apoio ao próximo capítulo

Em 2014, a Cia Um Brasil de Teatro e Artes foi uma das organizações apoiadas na primeira chamada pública do Fundo Baobá. Anos depois, em 2019, lançou o emocionante curta-documentário Nossa Família. Agora, prepara um novo capítulo: o longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas da história.

Essa trajetória, que atravessa mais de uma década, mostra como investimento, confiança e memória caminham juntos. Ao completar 15 anos, o Fundo Baobá celebra justamente isso: não apenas os projetos apoiados no passado, mas as histórias que seguem vivas, se transformando e criando novos futuros.

Em 2014, quando o Fundo Baobá lançou sua primeira chamada para apoiar organizações negras, a Cia Um foi uma das selecionadas. Na direção do projeto estava Max Mu, ator, dramaturgo, diretor, cineasta e produtor cultural, que há mais de 20 anos pesquisa e transforma em arte histórias de um Brasil invisibilizado. Foram essas histórias que ganharam espaço no documentário Nossa Família.

O curta, lançado na Festa Literária Internacional de Paraty em 2019, segue disponível ao público, emocionando quem o assiste. A narrativa acompanha o cotidiano de duas catadoras de materiais recicláveis que adotaram, respectivamente, 25 e 45 filhos. Isso mesmo! Uma filosofia de vida baseada no cuidado, na partilha e no amor. Um retrato sensível de mulheres que transformaram a própria realidade e a de dezenas de crianças com coragem e afeto.

A produção atravessou mudanças e desafios ao longo do caminho. Em meio a esse processo, Max assumiu integralmente a condução da obra e levou o projeto até o fim. O apoio do Fundo Baobá foi decisivo. Mais do que financeiro, foi um gesto de confiança que ajudou a tirar o roteiro do papel e registrar uma memória viva da cultura brasileira.

É justamente esse movimento que o Fundo Baobá deseja mostrar ao celebrar seus 15 anos.

Hoje a história segue sendo contada. A Cia Um Brasil está produzindo um longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas do curta, agora com 85 anos. Para viabilizar o filme, a companhia lançou uma campanha de captação direta chamada “Ciclo Positivo”, uma proposta que busca mobilizar apoiadores individuais para tornar o filme possível e apoio que retorna em forma de gratidão.

Diante de um cenário em que mecanismos de financiamento seguem modelos baseados em referências externas à realidade brasileira, o Fundo Baobá escolhe apoiar a partir da memória, das práticas comunitárias e das estratégias históricas da população negra. 

Como afirma Max Mu, “é sobre reconhecer quem nos enxergou quando quase ninguém nos via. É sobre fortalecer a missão de fazer ‘Um Brasil’ cada vez mais visto.” 

Celebrar 15 anos é também olhar para trás e perguntar: onde estão hoje aqueles que apoiamos? A resposta está em histórias como esta — que continuam crescendo.

Conheça o projeto, assista a Nossa Família e acompanhe os próximos capítulos dessa trajetória. Registrar memórias é investir no futuro.

Ciência negra sem fronteiras: caminhos e dicas para uma carreira global em STEM

dicas para uma carreira global em STEM

As áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) estão no centro das grandes transformações do mundo contemporâneo. É nesses campos que surgem soluções para a saúde, o meio ambiente, a mobilidade e até mesmo para os desafios sociais que vivemos diariamente. No entanto, quando pensamos em quem tem ocupado esses espaços, é impossível ignorar a baixa presença de pessoas negras. Embora a população negra sempre tenha contribuído para a ciência, essa participação histórica e atual frequentemente é invisibilizada nos círculos acadêmicos. Para universitários negros em STEM, o desafio é duplo: superar as barreiras de acesso ao ensino superior e, uma vez dentro, garantir que suas perspectivas sejam valorizadas.

A potência da formação internacional em STEM

Quando estudantes negros brasileiros chegam a universidades internacionais, eles não levam apenas suas mochilas, mas também suas histórias, seus territórios e suas referências culturais. Essa presença muda não só a trajetória individual, mas também a forma como a ciência é produzida globalmente, enquanto se redobram os desafios, sejam eles linguísticos, culturais ou financeiros. Para estudantes negros, ocupar esses espaços é também um ato de reafirmar que a produção científica negra existe, é potente e precisa ser valorizada.

A brasileira Luana Marques Ferreira, de 29 anos, atualmente estudante de doutorado em Ciência de Polímeros e Engenharia, na Universidade de Massachusetts Amherst, Cidade de Amherst, Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos da América (EUA), relatou que mesmo durante toda a graduação no Brasil, na área de STEM, precisou se desdobrar em várias atividades para custear a sua permanência na universidade, além de contribuir com as despesas de casa, e que:

Crédito: Acervo pessoal (2025). Legenda: Imagem de Luana Marques no campus da Universidade de Massachusetts Amherst 
 

“Por isso, quando surgiu a oportunidade de vir para os Estados Unidos, mesmo com a bolsa da universidade, eu tinha receio dos novos desafios que enfrentaria, especialmente o elevado custo de vida do estado que moro e a incerteza financeira até o recebimento da primeira bolsa”, relatou a estudante.

É verdade que o caminho da formação internacional apresenta desafios únicos, desde a adaptação cultural até o enfrentamento de microagressões. Mas cada obstáculo superado fortalece a convicção de que você pertence a esse espaço e de que sua perspectiva no ensino superior é fundamental. O mais importante é saber que, para cada barreira, existe uma rede de apoio e uma solução possível.

Por onde começar sua jornada internacional no STEM 

É hora de sair do sonho e entrar na estratégia! Sabemos que fazer uma graduação exige um planejamento minucioso. Por isso, preparamos um guia com os primeiros passos práticos e estratégicos para você começar a construir sua jornada internacional agora:

•   Defina opções de cursos ou áreas: Engenharia, por exemplo, é um campo amplo, com formações que se conectam entre si, como Materiais, Química, Ambiental ou Biomédica. Ter mais de uma opção não reduz seu caminho, apenas aumenta as possibilidades de encontrar um programa que combine com seus interesses e objetivos acadêmicos. Importante lembrar que o mesmo acontece para a área de saúde ou humanidades, crie uma lista de cursos prioritários.

•   ENEM: Identificar países que aceitam o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como forma de ingresso direto em universidades estrangeiras pode ser um diferencial, porque o exame que já conhecemos no Brasil também abre portas no exterior. Portugal, por exemplo, possui acordos com diversas instituições que recebem a nota do ENEM no processo seletivo. Além disso, outros países na América Latina e até na Europa já vêm reconhecendo o exame como critério de admissão. Confira aqui a indicação dos países que aceitaram o ENEM em 2025.

•   Busque Bolsas Específicas: Concentre-se em editais que valorizam a diversidade, como o Black STEM, mas também em fundações e programas das próprias universidades que focam na permanência estudantil.

•   Invista no Idioma e na Rede: A proficiência em idiomas é essencial. Construa sua rede de apoio com professores, colegas, organizações negras e comunidades acadêmicas. Use o LinkedIn para encontrar egressos do seu curso ou universidade de interesse.

•   Experiências Extracurriculares: Um ponto que pode ser a grande diferença da sua candidatura são as experiências fora da sala de aula. Participar de projetos voluntários, grêmios estudantis, associações culturais, esportes, música ou feiras acadêmicas demonstra disciplina, liderança e capacidade de impacto. Até mesmo o bom desempenho em esportes ou artes conta, mostrando comprometimento e trabalho em equipe. Essas experiências revelam quem você é além das notas, e fortalecem suas chances de ingresso e adaptação na universidade. E essa dica vale para a maioria dos cursos.

Rede de Apoio: A Força da Permanência

Em muitas das situações, o mais difícil não é ser aceito para uma graduação em um outro país, mas sim permanecer. Um dos diferenciais do Black STEM é oferecer não apenas o apoio financeiro, mas também suporte acadêmico, psicológico e uma rede de contatos que acompanha cada bolsista ao longo da jornada. Essa rede é fundamental para garantir que os estudantes consolidem sua trajetória nas universidades. Luana Marques também destaca que: 

“Na área de STEM, os custos com workshops, viagens e eventos científicos muitas vezes tornam o ambiente inacessível para quem vem de contextos menos privilegiados. Programas como esse não apenas viabilizam a permanência de estudantes em ambientes internacionais, mas também ampliam a diversidade e o impacto das nossas vozes na ciência”, relatou a brasileira.

Estudar fora do país envolve desafios que vão além das aulas. Moradia, alimentação, materiais acadêmicos e transporte exigem organização financeira, ao mesmo tempo em que o estudante precisa lidar com a distância da família, o choque cultural e o idioma. Para quem está entrando no ensino superior agora, essa transição já é grande. Para jovens negros em países onde o racismo segue permeando algumas relações, tudo se torna ainda mais delicado. Por isso, o apoio à permanência é tão importante quanto o acesso: é o que garante que esses estudantes possam não só chegar, mas permanecer e crescer nesses novos espaços.

Conheça mais sobre o trabalho, as experiências e as conquistas de Luana Marques através dos seus perfis no Linkedln e no Instagram. Lembre-se de que o objetivo final vai além da obtenção de um diploma internacional. É sobre fortalecer a presença de pessoas negras no cenário científico e acadêmico global, incentivando descobertas, inovação e o surgimento de uma nova geração de líderes em STEM. 

Não espere chegar à universidade para dar o primeiro passo. Desde o Ensino Médio, suas escolhas já podem abrir portas para o exterior. Quem sabe se o próximo capítulo da ciência pode ser escrito por você?

Fundo Baobá anuncia as selecionadas da segunda edição do Programa Marielle Franco – Edital de Apoio Individual

É com alegria que o Fundo Baobá anuncia os nomes das selecionadas na segunda edição do edital de apoio individual do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. Ao todo, são 30 mulheres negras de todas as regiões do país, cis, trans ou travestis, maiores de 18 anos, residentes em diferentes estados e do Distrito Federal, que passarão a integrar o programa. O apoio inclui bolsas mensais de R$3.500,00 por 18 meses, além de mentorias individuais e coletivas voltadas ao fortalecimento e à aceleração de trajetórias de liderança já em curso, com foco no fortalecimento de competências técnicas, socioemocionais e à ampliação de incidência em espaços de decisão.

O Programa Marielle Franco é uma oportunidade de ampliar a capacidade de atuação, incidência e ocupação de espaços de tomada de decisão por mulheres negras, contribuindo para o enfrentamento ao racismo e promoção da equidade racial e de gênero.

A segunda edição do edital de apoio individual evidenciou a dimensão e complexidade desse desafio. Ao todo, foram recebidas 3793 candidaturas de todas as regiões do país. Desse total, após análise, 2188 candidaturas foram consideradas válidas, por atenderem integralmente a todos os pré-requisitos do edital. Cada uma dessas candidaturas foi efetivamente lida e avaliada segundo critérios estabelecidos no edital, em um processo que envolveu múltiplas etapas.

Após a etapa de análise técnica, conduzida por consultoria externa especializada, foram elaborados pareceres individuais para as mais de 2000 candidaturas válidas, consolidando a avaliação realizada com base nos critérios do processo seletivo.

O volume e a profundidade dessa etapa evidenciam a complexidade do edital e o nível de estrutura necessário para conduzir uma seleção dessa dimensão, em um cenário marcado por alta demanda e poucas oportunidades de apoio similares. Ainda sim, todas as candidatas aprovadas ou não receberão devolutiva sobre sua participação no processo.

O processo seletivo incluiu uma etapa de entrevistas individuais, que envolveu 24 avaliadoras convidadas, mulheres negras que são referências atuando no setor público, setor privado, na academia e no terceiro setor, em organizações nacionais e internacionais, distribuídas em nove painéis de avaliação. Os painéis dividiram-se para realizar as entrevistas com as 42 candidatas presentes nesta etapa, e entrevistou de quatro a cinco candidatas, produzindo um novo parecer técnico correspondente a essa etapa.

“Foi uma alegria enorme participar como avaliadora do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. Todas as mulheres, em sua diversidade, que chegaram nesta fase da seleção, apresentaram trajetórias de resiliência e de impacto presente e condições reais de transformação futura pelo fim do racismo e o bem-viver para todas as pessoas. O programa é um sucesso e deveria ser escalado, para alcançar e impulsionar ainda mais mulheres negras”, afirma Rachel Quintiliano, jornalista, escritora e fundadora da Quintiliano: Planejamento e Comunicação.

Amalia Fischer e Sueli Carneiro na etapa final de seleção

A etapa final contou com a composição de um Comitê de Seleção liderado por Sueli Carneiro e Amália Fischer, respectivamente Presidente e Vice-Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá. A divulgação das selecionadas marca o encerramento de um processo seletivo complexo e multifacetado, marcado pela qualidade e diversidade das candidaturas analisadas e a articulação de diferentes olhares avaliativos ao longo de todas as etapas.

Para Sueli Carneiro, o Programa Marielle Franco é surpreendente a cada edição, pois “é uma agradável surpresa presenciar candidaturas tão ousadas, altivas e super qualificadas, afirmando que é um florescimento desse segmento social vencendo barreiras e disputando lugares estratégicos da sociedade”, ressalta. “Quando temos a oportunidade de lançamento de um edital como esse, podemos constatar como as mulheres negras estão se desenvolvendo de maneira extraordinária, desafiando um conjunto de ideologias que amarram, que interditam a presença das mulheres negras em determinados espaços”, afirma.

A metodologia do Programa Mariele Franco e dos demais editais do Fundo Baobá, é fruto dos 15 anos de atuação do fundo na implementação de editais voltados à promoção da equidade racial, com processos que vêm sendo aprimorados a cada edição a partir da experiência acumulada e da escuta contínua de lideranças, organizações e especialistas do campo da equidade racial.

“Celebramos as admiráveis trajetórias de mulheres negras, cis, trans e travestis, que constroem trajetórias pessoais, acadêmicas e profissionais comprometidas com a equidade de gênero e raça. As 30 mulheres selecionadas representam um retrato importante das mulheres negras brasileiras, abrangendo diferentes territórios, faixas etárias, áreas de atuação mas principalmente refletindo toda a sua densidade, força e brilhantismo”, afirma Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá.

Grande parte do grupo das mulheres selecionadas é composto por mulheres entre 35 e 59 anos, com trajetórias de liderança em curso. A seleção inclui ainda mulheres pertencentes a grupos sub-representados, como quilombolas, ribeirinhas, de povos e comunidades tradicionais, mulheres trans e travestis, mulheres com deficiência e LBTQIA+, refletindo a diversidade de experiências, territórios e identidades que marcam esta edição.

A alta qualificação das candidaturas e o grande volume de inscrições evidenciam a escassez de iniciativas de apoio a lideranças negras no país, especialmente femininas. Há trajetórias qualificadas e projetos sólidos, mas poucas oportunidades capazes de responder a essa demanda. O Programa Marielle Franco se insere nesse cenário como uma resposta concreta, ao acelerar o desenvolvimento de lideranças em áreas como Direitos, Justiça e Cidadania, Saúde, Finanças, Meio Ambiente, Tecnologia e Engenharias, entre outras.

Para Amália Fischer, o edital revela a potência das mulheres negras em diferentes contextos do país. “Frente a um mundo totalmente patriarcal em que a palavra de mulheres negras não vale nada, a gente observa através deste edital que o que elas se dedicam elas cumprem com lealdade e honestidade”, afirma. Ela destaca ainda a importância de ampliar o investimento filantrópico em iniciativas como o Programa Marielle Franco, diante do papel estratégico que essas lideranças exercem na defesa da democracia e da justiça social.

Desde a fundação, o Fundo Baobá investiu mais de R$22,4 milhões em 1209 iniciativas e ações ao longo dessa jornada. Já são mais de 1 milhão e 350 mil beneficiários indiretos, com investimentos nas cinco regiões do país. O Programa Marielle Franco é um dos pilares dessa atuação, e a cada edição, reafirmamos nosso compromisso com o legado de Marielle e com a construção de um futuro onde todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas.

Fundo Baobá celebra 15 anos de atuação voltada à equidade racial no Brasil

Em 2026, o Fundo Baobá celebra 15 anos de uma trajetória construída a partir do diálogo, da escuta e da ação coletiva junto a movimentos sociais e lideranças negras em todo o Brasil. Desde o início, sua atuação incide sobre pilares estratégicos para a promoção da equidade racial no Brasil, somando 15 anos de trabalho contínuo para transformar vidas e histórias.

Celebrar esse aniversário não é só uma oportunidade de reconhecer conquistas, mas de valorizar uma trajetória em permanente construção e aprimoramento. A partir dos aprendizados acumulados, das relações e dos desafios vividos, o Fundo Baobá inicia um novo ciclo que aprofunda o modo de atuar, fortalecendo parcerias e inovando para ampliar o impacto de suas ações.

Neste início de 2026, o Baobá – Fundo para Equidade Racial convida você a conhecer o que vem por aí no decorrer do ano nas palavras das lideranças da organização, que antecipam algumas decisões da equipe executiva, prioridades programáticas, estratégias de articulação social, caminhos da mobilização de recursos, avanços em comunicação e aprimoramentos na área de operações.

Com a palavra, Giovanni Harvey, Diretor Executivo: “Os 15 anos não são apenas uma celebração, mas também um momento de preparação para um novo ciclo estratégico. O período recente representou um ponto de virada para o Fundo Baobá, impulsionado pela doação de US$ 5 milhões da Mackenzie Scott”, afirma. Esse aporte marcou a emancipação financeira do Fundo e garantiu autonomia para realização da primeira doação estratégica. Foi possível destinar inicialmente R$500 mil à Sociedade Protetora dos Desvalidos e, posteriormente, R$ 1.25  milhão, para a Marcha das Mulheres Negras 2025. Ele destaca ainda que a atuação da organização está fincada em um plano estratégico e que esse planejamento está no final de um ciclo de 10 anos, que marca a conclusão de propostas estruturantes previstas, e o início de uma nova fase. 

Giovanni nos conta que ao longo do ano será lançada a nova marca da organização, que expressa esse novo momento institucional e que dialoga com maturidade, autonomia e o impacto construídos ao longo desses 15 anos. Serão realizadas diversas ações com parceiros estratégicos, fazendo dos 15 anos um espaço de diálogo. “A proposta é ampliar a conversa com diferentes segmentos da sociedade que são aliados da equidade racial e que, como o Baobá, atuam na defesa da democracia em um contexto marcado por intensas polarizações”, afirma o diretor.


Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, relata que o Fundo Baobá espera retomar ações de apoio que já tiveram destaque em alguns dos editais, como o fortalecimento institucional de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras, além de iniciativas de apoio à ampliação do potencial de empregabilidade de pessoas negras. Outra prioridade é continuar estruturando e fortalecendo o primeiro programa próprio e perene de bolsas complementares para estudantes de STEM que irão cursar a graduação completa em instituições internacionais.

“Não apenas a área programática mas a instituição Fundo Baobá desafia o campo filantrópico a ir além do tradicional e colocar a causa da equidade racial no centro de sua atuação. Esperamos que essa centralidade possa influenciar cada vez mais o setor, sensibilizando sobre a importância de destinar recursos diretos e contínuos a grupos, coletivos, organizações, movimentos e lideranças negras, e de assumir publicamente esse compromisso”, afirmou. Esse apoio é fundamental porque reconhece o conhecimento, a capacidade de ação e a liderança da população negra na construção de soluções para os problemas que a afetam diretamente.


Tainá ressalta ainda que uma das principais lições destes 15 anos é sobre a importância do acompanhamento contínuo, que constitui uma ação essencial do trabalho desenvolvido. É o acompanhamento e a escuta que proporcionam aprendizados e fortalecem uma relação de confiança com o campo. Da mesma forma, os investimentos indiretos (formações, mentorias e assessorias) têm mostrado que, além de complementar as doações financeiras, contribuem para o fortalecimento e a autonomia das organizações e pessoas apoiadas. Segundo ela, assegurar um processo sistemático de avaliação para cada iniciativa implementada é importante para garantir a análise e o aprimoramento, sempre com a incorporação de novas respostas baseadas nas lições aprendidas. “Investir nessas ações nos permite oferecer respostas cada vez mais coerentes e alinhadas, tanto aos objetivos institucionais quanto às necessidades apresentadas pelo campo”, afirma.

Para Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, o ano de 2026 permitirá avançar na qualificação do diálogo com atores fundamentais  (movimentos sociais, filantropia, academia, esfera pública, entre outros), ampliando alianças e contribuindo para que o Fundo Baobá atue de forma cada vez mais conectada, coerente e intencional no enfrentamento ao racismo e na promoção da equidade racial.

“O principal desafio é aprimorar uma área que já está  em processo de amadurecimento, adaptando  processos, metodologias e formas de atuação para melhor dialogar com a complexidade dos contextos sociais e políticos nos quais o Fundo Baobá está inserido”, afirma Caroline. Para ela, o desafio é ampliar a escuta qualificada do campo nas diversas regiões do país para reunir informações que contribuam para a tomada de decisões cada vez mais consistentes e alinhadas ao propósito do Fundo Baobá, levando sempre em consideração o fortalecimento de redes e o reconhecimento do papel dos movimentos como sujeitos centrais na produção de conhecimento e transformação social.

Janaina Barbosa, Gerente de Comunicação e Mobilização de Recursos, explica que a comunicação terá um papel-chave nos 15 anos do Fundo Baobá. “Queremos contar um pouco da nossa história, do nosso legado, das mais de 1200 iniciativas negras apoiadas até o momento”. Com relação aos caminhos a seguir em 2026, a gerente de comunicação deseja que as relações já estabelecidas com veículos e jornalistas da mídia negra e independentes continuem sendo uma das prioridades da organização, tendo como objetivo uma comunicação direta com a comunidade negra sobre o posicionamento e propósito do Fundo Baobá.

Na gestão de Operações, Hebe da Silva, que atua na gerência da área, afirma que para garantir a sustentabilidade do Fundo em 2026 é preciso uma gestão participativa com todas as pessoas da equipe. Ela diz que a transparência é um valor institucional, registrado no Estatuto do Fundo Baobá. “Dialogar diariamente com a equipe sobre os nossos números e o alcance que temos na sociedade é uma ferramenta para alavancar as doações recebidas e gerir nossos recursos financeiros de maneira sustentável, olhando sempre para a nossa perenidade”, afirma.

O que se projeta para o futuro é a continuidade de uma atuação comprometida com impacto real, aliada à inovação e à responsabilidade histórica. Em permanente movimento desde a sua fundação, o Fundo Baobá é um mecanismo  que constrói seu legado diariamente ao criar condições para que esse horizonte se realize, seguindo na construção concreta da equidade racial como base para um país justo e democrático.

Fundo Baobá fecha 2025 com saldo positivo  de ações pela equidade racial

Em 2025, o Fundo Baobá seguiu fortalecendo a luta por equidade racial no Brasil, ampliando o alcance de seus programas, apoiando uma agenda pública em prol da justiça social e acompanhando de perto as trajetórias de pessoas e organizações negras em diferentes territórios, que movimentam a luta por um país mais justo.  Em cada ação, foi possível constatar que a filantropia pode ser, antes de tudo, um compromisso com a vida, com a dignidade e com a construção de futuros onde ninguém fica para trás.

Entre as raízes antigas ao longo do ano, está a Marcha das Mulheres Negras, que reeditou um momento histórico de dez anos atrás, quando mulheres foram à rua em Brasília para reafirmar um projeto de sociedade mais democrático, inclusivo e comprometido com o bem viver de todas as pessoas.. A marcha de 25 de novembro na capital do país, foi o ápice de um amplo e delicado trabalho realizado ao longo do ano, inserindo representações dos 27 estados brasileiros em uma construção coletiva, democrática e potente. Esse movimento foi apoiado pelo Fundo Baobá, que destinou R$ 1,25 milhão para sua realização, e pela presença de toda sua equipe que, ao lado de milhares de mulheres, caminhou junto, participando, aprendendo e colaborando com a transformação que queremos.

O Fundo Baobá também levou cinco jornalistas da imprensa negra e independente – uma de cada região do país – para uma cobertura in loco que contribuísse com uma visibilidade mais completa e aprofundada da marcha, produzida pelo olhar de quem vive e movimenta essa luta de acordo com as realidades locais. As convidadas foram: Luciana Santos, representando a região norte, da Revista Cenarium; Camila Rodrigues, da região sudeste, do Alma Preta;  Alane Reis, representando o nordeste, pela Revista Afirmativa; Kelly Ribeiro, representando o Portal Catarinas, da região sul; e Mari Magalhães, representando o centro-oeste. 

A força das mulheres negras que atuam em seus territórios, liderando soluções e impulsionando mudanças foi apoiada pelo Fundo Baobá com o lançamento da 2ª edição do Programa Marielle Franco. A oportunidade visa contemplar 30 mulheres negras de todo país para desenvolver suas habilidades pessoais e aperfeiçoar suas competências de liderança em suas comunidades ou nos segmentos em que atuam. O objetivo é fortalecer lideranças femininas que desejam ampliar sua capacidade de atuação e transformação social.

No campo da educação, Programas já conhecidos ganharam novos capítulos. É o caso do Edital Black STEM, que teve uma segunda edição em 2025. STEM é a sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Mesmo sendo áreas promissoras, a presença de estudantes negros ainda é baixa – especialmente no exterior, onde ficam as instituições de ensino de ponta desses segmentos. Assim como na primeira edição, os estudantes selecionados pelo Black STEM receberam bolsas de estudos para apoiá-los na permanência durante todo o curso. Os selecionados foram: Enio Ferreira Barbosa (Engenharia Eletrônica, Imperial College London), Gabriel Hemetrio de Menezes (Engenharia Elétrica e Eletrônica, Universidade de Glasgow), Gabriela Torreão Marques Ferreira (Engenharia Biomédica, University of Southampton) e Maria Luiza Storck Ferreira Neurociência Cognitiva, University of Amsterdam). 

Gabriela Torreão, Gabriel Hemetrio, Maria Luiza Stock e Enio Ferreira

O Programa Já É também teve uma segunda edição, para apoiar o acesso de 30 estudantes negros ao ensino superior, ampliando oportunidades de trabalho e desenvolvimento pessoal. Na primeira edição, o programa acompanhou estudantes que se tornaram os primeiros de suas famílias a disputar vagas em universidades de referência ou que descobriram novos caminhos profissionais, histórias que mostram como o Já É amplia projetos de vida e abre possibilidades concretas de futuro. Com formação educacional em cursos preparatórios para vestibulares, o programa oferece uma rede de apoio completa para garantir que os estudantes possam focar apenas nos estudos. Na edição 2025, foram selecionados 30 estudantes. 

Tanto o Black STEM como o Já É são iniciativas que têm um objetivo de longo prazo: ampliar horizontes, transformar futuros e criar condições reais para que esses jovens ocupem espaços estratégicos — na ciência, no mercado, na tecnologia e em outros setores onde novas lideranças podem redefinir caminhos e enfrentar desigualdades estruturais.

30 jovens aprovados para a 2ª edição do Programa Já É

Novos conselheiros se juntam à governança

A governança do Fundo Baobá se fortaleceu em 2025 com a chegada de três nomes comprometidos com a agenda da equidade racial: Nelson Narciso, Gabriela Mendes Chaves e Michael França. Cada um deles traz vivências e perspectivas que enriquecem o Conselho — e reafirmam o compromisso voluntário com a causa.

Com mais de quatro décadas dedicadas ao setor de energia, Nelson Narciso passou a integrar o Conselho Deliberativo do Fundo. Engenheiro mecânico com carreira nacional e internacional, atuou em grandes empresas e foi diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde contribuiu para políticas públicas de impacto duradouro nesse setor. Sua experiência técnica, aliada a uma visão estratégica e ao compromisso com a equidade racial — tema que acompanha sua vida desde a juventude — fortalece ainda mais o propósito institucional do Fundo Baobá. Para ele, fazer parte do Conselho é unir propósito, responsabilidade e futuro: “Cada projeto é a chance de transformar conhecimento em impacto”.

Chega também ao Fundo Baobá a economista Gabriela Mendes Chaves, mais conhecida como Gaby Chaves. Fundadora da NoFront – Empoderamento Financeiro, ela se tornou referência na democratização do conhecimento econômico, especialmente para públicos historicamente excluídos das discussões sobre finanças. Sua atuação conecta educação, estratégia e cuidado, abrindo caminhos para que mais pessoas compreendam, acessem e ocupem o mercado financeiro. Como conselheira, Gabriela traz uma visão contemporânea e a capacidade de traduzir temas complexos em caminhos possíveis.

Completa o trio o economista e pesquisador Michael França. Doutor pela Universidade de São Paulo, colunista da Folha de S.Paulo e vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, Michael é fundador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper. Seu trabalho rigoroso sobre desigualdades sociais e formulação de políticas públicas o transformou em uma das vozes mais importantes do país quando o assunto é equidade racial baseada em evidências. A experiência internacional como professor visitante em Columbia e Stanford amplia ainda mais a perspectiva acadêmica e estratégica que traz agora ao Fundo Baobá.

Juntos, Nelson, Gabriela e Michael somam experiências e saberes que se entrelaçam e se complementam — técnica, educação, pesquisa, gestão, inovação e compromisso social. Suas chegadas fortalecem o Fundo Baobá em um momento especial: a preparação para celebrar 15 anos de atuação em 2026. Um marco que simboliza permanência, resistência e a força coletiva de uma organização que olha para o futuro com coragem e estratégia.

Selo de Igualdade Racial

O ano de 2025 também trouxe para o Fundo Baobá o Selo Igualdade Racial, concedido pela Prefeitura de São Paulo junto com outras 120 instituições selecionadas no resultado preliminar publicado em outubro. O Selo busca incentivar políticas afirmativas, ampliar a igualdade étnico-racial, reparar desigualdades históricas e combater práticas discriminatórias. Essa certificação reconhece o compromisso do Fundo com a promoção da equidade racial no mercado de trabalho.

Presença na mídia como estratégia de visibilidade para a pauta negra

Outro destaque do ano de 2025 foi a presença do Fundo Baobá na imprensa nacional. Estivemos presentes em veículos da mídia negra e independente, como o Alma Preta Jornalismo, Notícia Preta e Mundo Negro. Também participamos de matérias em veículos como Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Folha de Pernambuco

Encerramos 2025 com a certeza de que cada iniciativa apoiada, cada estudante que avançou, cada liderança fortalecida e cada articulação construída transforma de verdade o cenário da equidade racial no Brasil. O caminho não se faz sozinho: é resultado da ação conjunta de quem acredita que a mudança é possível agora, e trabalha para torná-la real. Em 2026, seguimos aprofundando parcerias, fortalecendo territórios e impulsionando histórias que movem o país para um futuro melhor.

Crédito para as fotos: Thalita Guimarães e Katarina Silva


Faculdades e Universidades Historicamente Negras (HBCUs): um caminho para estudantes negros brasileiros

Da luta por acesso à referência mundial em pesquisa e tecnologia

Quando se fala em estudar no exterior, a maioria das pessoas pensa imediatamente nas tradicionais universidades dos Estados Unidos. No entanto, existe um grupo de instituições igualmente importantes e transformadoras, com uma história e missão singulares: as HBCUs (Historically Black Colleges and Universities).

Essas faculdades e universidades foram criadas para fornecer educação superior à comunidade negra estadunidense em um período de segregação, quando o acesso a outras instituições era negado. Hoje, elas continuam sendo um pilar vital do ensino superior, oferecendo uma experiência acadêmica de alta qualidade, um forte senso de comunidade e uma rede de apoio poderosa para estudantes negros. Atualmente, existem mais de 100 HBCUs nos EUA, formando cerca de 300 mil alunos anualmente. Conheça a lista completa de instituições. 

Para estudantes brasileiros, especialmente aqueles que se identificam como negros, as HBCUs podem representar um espaço de pertencimento e empoderamento. Elas não só oferecem excelência acadêmica, com programas reconhecidos em diversas áreas como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), negócios e artes, mas também promovem um ambiente onde a identidade e as experiências negras são valorizadas e celebradas.

O processo de aplicação é igual ao das universidades sem a mesma missão histórica, elas são inclusivas, recebendo estudantes de diversas nacionalidades, raças e etnias, fomentando um ambiente intercultural. Além disso, muitas dessas instituições oferecem assistência financeira generosa na forma de bolsas, empréstimos e subsídios, tornando o sonho de estudar nos EUA mais acessível.

Nomes como a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris (formada em Howard University), e a apresentadora Oprah Winfrey (Tennessee State University) são apenas alguns exemplos de líderes e personalidades globais que se formaram em HBCUs, mostrando o impacto duradouro dessas instituições na formação de talentos.

3 HBCUs de peso para sua jornada em STEM!

Instituições como Howard University, North Carolina A&T State University e Spelman College estão impulsionando a presença negra nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e criando impacto global.

Estudar em uma HBCU (Historically Black College or University) com destaque em STEM significa estar em um ambiente que une tradição, excelência acadêmica e compromisso com a representatividade. Para estudantes negros do Brasil e do mundo, essa é uma chance de desenvolver habilidades técnicas de alto nível, criar conexões globais e contribuir ativamente para a inovação científica e tecnológica, enquanto se sente parte de um legado histórico de transformação social. Conheça um pouco mais sobre três destas universidades:

1. Howard University – Localizada em Washington, D.C., Howard é uma das HBCUs mais prestigiadas do mundo. Seu College of Engineering and Architecture é referência em formação de engenheiros negros e está conectado a centros de pesquisa de ponta, como a NASA e empresas líderes em tecnologia. A universidade também se destaca pela produção científica em áreas como engenharia elétrica, ciência da computação e inteligência artificial. Acesse o site oficial da instituição aqui.

2. North Carolina A&T State University – Considerada a maior HBCU dos Estados Unidos, localizada em Greensboro, Carolina do Norte, é a número 1 na formação de engenheiros negros nos EUA. Com programas robustos de Engenharia Mecânica, Engenharia Química e Ciência da Computação, a instituição mantém parcerias estratégicas com empresas como Boeing, Lockheed Martin e IBM, garantindo aos alunos experiências práticas e oportunidades de carreira de alto impacto. Acesse o site oficial da instituição aqui.

3. Spelman College – Localizado em Atlanta, Geórgia, é um dos mais renomados colleges femininos do mundo e referência na formação de mulheres negras na área de STEM. Seu Departamento de Ciências Naturais e Matemática é reconhecido pela alta taxa de graduação e colocação de alunas em programas de pós-graduação de elite. Spelman tem sido destaque no incentivo à participação feminina negra em áreas historicamente dominadas por homens, como ciência da computação, biotecnologia e física. Acesse o site oficial da instituição aqui.

Se você está pronto para mergulhar no universo STEM e quer uma experiência universitária que combine excelência acadêmica com um ambiente de pertencimento, as HBCUs são o seu destino. Escolher uma HBCU é mais do que optar por uma universidade; é fazer parte de uma história de resistência, excelência e ativismo, onde você pode se desenvolver plenamente enquanto contribui para um futuro com equidade racial.

E lembre-se, você não está sozinho nessa jornada! O programa Black STEM, uma iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial, oferece bolsas de graduação exclusivas para estudantes negros(as) aceitos em universidades estrangeiras e em cursos STEM. 

Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.

A oportunidade está batendo à sua porta. Você tem o que é preciso para abri-la!

Imagem de formandos da Howard University em 2023 | Fonte: Howard Magazine

Fundo Baobá marca presença na histórica segunda Marcha das Mulheres Negras em Brasília

Milhares de mulheres negras (cerca de 300 mil, segundo estimativas) das 27 capitais brasileiras, junto com representantes de mais de 40 países, se reuniram no dia 25 de novembro, em Brasília. Dez anos depois da primeira marcha reivindicando direitos básicos e enfrentando o racismo e o sexismo sofrido por elas, elas caminharam pela capital federal mostrando para a sociedade brasileira que não há democracia sem a participação efetiva de mulheres negras. 

Para a filósofa Sueli Carneiro, Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá, “lutar é uma condição existencial que temos em legítima defesa das nossas vidas e dos nossos, pois estamos em um país que está determinado a nos exterminar. E para que de fato a democracia seja libertária e emancipatória, se faz necessário que o avanço organizativo e de mobilização das mulheres negras continue crescente em todas as esferas da sociedade.”

Após um ano de mobilização em diversas frentes, a equipe do Fundo Baobá, comprometida há quinze anos com a promoção da equidade racial no Brasil, celebrou a marcha com entusiasmo e compromisso. O apoio institucional se deu em três eixos principais, um aporte financeiro direto de pouco mais de R$ 1,3 milhão para a mobilização nacional, logística e articulação estadual, com atenção especial à garantia de presença de mulheres quilombolas; um fundo emergencial para garantir a presença de representantes de estados com desafios logísticos; e a atuação no campo filantrópico para engajar outras instituições para apoiar o movimento. 

Como ação de comunicação, o Fundo Baobá convidou 5 jornalistas negras, cada uma representando uma região do Brasil, para fazerem a cobertura da Marcha. A iniciativa buscou promover uma cobertura plural e amplificar as vozes das diferentes realidades de cada região, e contou com a presença de: Luciana Santos representando a região norte, da Revista Cenarium, Camila Rodrigues da região sudeste, da Alma Preta, Alane Reis, representando o nordeste pela Revista Afirmativa, Kelly Ribeiro, representando o Portal Catarinas da região sul e Mari Magalhães, jornalista independente do centro-oeste.

Caroline Almeida, gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, enaltece o apoio da instituição à Marcha e faça dos efeitos positivos que isso pode trazer. “Ao apoiar uma mobilização como essa, contribuímos para que mais mulheres negras estejam conectadas em rede, com mais condições de influenciar políticas públicas, disputar narrativas e ocupar espaços de decisão. Esse investimento reforça o compromisso do Fundo Baobá com a promoção da equidade racial e com o fortalecimento de lideranças que atuam nos territórios, nas organizações e nos movimentos sociais”, afirma. 

Além da presença de toda a equipe do Fundo Baobá, o nosso grupo ainda incluiu membras da governança da organização e parceiros da filantropia, reforçando nosso compromisso coletivo com a causa. 

Para Tainá Medeiros, Coordenadora de Projetos do Fundo Baobá, ver a Marcha se materializar com o apoio do Baobá é ter a certeza de que a instituição está cumprindo com o seu papel de apoiar a agenda racial e os movimentos negros do Brasil. Ela destaca inclusive que estar presente com mulheres de tantas gerações “é gratificante, pois dá a dimensão do quanto elas foram fundamentais para a construção de muitos direitos que hoje são usufruídos pelas gerações mais novas.” 

Ao marcharem, as mulheres fizeram a leitura do novo manifesto político da Marcha, documento que atualiza as urgências do movimento em um contexto marcado por retrocessos, desigualdades e impactos climáticos. O texto reforça que o projeto político é constituído por outras matrizes, de outros conhecimentos e fazeres, de outras percepções e filosofias, o que significa a luta constante contra o racismo patriarcal. A reparação é apontada como urgência para a reinvenção do mundo.

Fernanda Lopes, Diretora de Programa do Fundo Baobá, afirma que “ver o produto final entregue é reiterar mais uma vez que a instituição está comprometida com a dignidade e a promoção das mulheres negras“. Ela também reforça que as mulheres negras movem o mundo, mas que ainda lutam arduamente por políticas reparatórias que sejam de fato eficientes para construção de mundos utópicos e revolucionários.

Fotos: Katarina Silva

Conheça a força coletiva que move Goiás rumo a Brasília no próximo dia 25

Em Goiás, o Comitê Estadual da Marcha das Mulheres Negras tem mostrado que a organização coletiva é um ato de resistência, mas também de transformações concretas. A mobilização começou com a formação de um grupo de 156 voluntárias, integrantes da Rede Goiana de Mulheres Negras, espalhadas por diferentes territórios urbanos e rurais do estado. São mulheres cis e trans, com idades entre 16 e 89 anos, ligadas a organizações de mulheres negras, movimentos populares, coletivos feministas e também mulheres independentes.

A estrutura do Comitê reflete a diversidade dessa rede: há comitês operativos, como o Executivo e o de Comunicadoras, e comitês temáticos, que atuam diretamente em  assuntos como educação antirracista, justiça climática, saúde, cultura, saberes ancestrais e participação política. Cada grupo reúne cerca de 12 mulheres, que articulam ações e mobilizam territórios, fortalecendo a capilaridade da Marcha em mais de 50% dos municípios goianos.

Nos últimos meses, as ações do Comitê se expandiram por todo o estado: rodas de conversa, encontros formativos, campanhas de prevenção à violência, oficinas de comunicação antirracista e desfiles carnavalescos com o estandarte da Marcha. Foram mais de 200 eventos e iniciativas, incluindo feiras de economia criativa, cursos de capacitação, incidência política, ações em escolas e universidades, produções audiovisuais e atividades culturais com foco na valorização das mulheres negras do Cerrado.

Essas experiências fortalecem a identidade coletiva, ampliam a formação política e conectam gerações, especialmente para as mais jovens, que vêm ganhando protagonismo no processo.Segundo levantamento do Comitê, 38,4% das participantes têm entre 16 e 29 anos. Essas jovens estão introduzindo novas linguagens, tecnologias e sua energia transformadora para o movimento. Atualmente, mulheres jovens lideram grupos temáticos estratégicos, como os de Justiça Ambiental, Cultura e Comunicação.

Além disso, está em formação a Organização Mulheres Negras Jovens em Marcha, iniciativa que surge de um processo de mentoria, escuta e afeto, voltado à construção de projetos de vida e ao fortalecimento das lideranças negras do futuro.

Os desafios são muitos, desde conciliar pautas diversas, superar as desigualdades regionais até enfrentar a falta de recursos e lidar com a sobrecarga das múltiplas jornadas das mulheres. Mas, porém como destacam as articuladoras, cada obstáculo se converte em um convite à invenção coletiva.

Entre as estratégias que fortalecem o grupo destacam-se: a criação de agendas compartilhadas, o mapeamento de demandas territoriais, a escuta como prática política, e o rodízio na liderança dos processos. As ações ações formativas também são prioridade, mostrando-se fundamentais para fortalecer vínculos e ampliar o protagonismo das mulheres negras, especialmente as da base, que hoje assumem o centro das decisões e a condução de comitês e projetos.

Nos últimos meses, o Comitê de Goiás concentrou esforços na realização de três Encontros Regionais e um Encontro Estadual, preparando diretamente a Caravana para Brasília, onde milhares de mulheres negras de todo o país se reunirão na Segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, no dia 25 de novembro. Além disso, seguem em curso as atividades de comunicação, capacitação e planejamento para o pós-Marcha, assegurando que o legado desse processo permaneça vivo nos territórios.

“Estaremos juntas no caminho de luta e afeto que herdamos das gerações que nos antecederam. Nossa história carrega o legado da justa reparação. A construção do bem viver é condição possível para o futuro. Levante das Pretas 2025,” afirma Janira Sobre, coordenadora do Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras de Goiás.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!

Mulheres Negras em Movimento: a força da articulação capixaba na construção da Marcha das Mulheres Negras 2025

O Núcleo da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo, também conhecido como Núcleo Impulsor Capixaba, organizou-se em 2014 com a missão de mobilizar e organizar as mulheres negras do estado para a histórica Iª Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em 2015, em Brasília. Desde então, o Núcleo se consolidou como uma importante referência na luta antirracista e feminista, fortalecendo o protagonismo das mulheres negras capixabas e ampliando sua presença nos espaços de decisão e nas políticas públicas.

A criação do Núcleo inaugurou um novo momento na articulação política das mulheres negras no Espírito Santo, reafirmando a importância da organização coletiva em torno da justiça social, da equidade de gênero e do enfrentamento às múltiplas formas de opressão. Nesse percurso, foram inúmeros encontros, formações, campanhas e mobilizações. Entre os marcos dessa trajetória destacam-se o Encontro Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo de 2017, a participação em eventos nacionais e a realização da Iª Marcha Estadual das Mulheres Negras Capixabas, em 2024, que convocou mulheres, homens e crianças em defesa do direito à vida, à saúde, à economia e pelo fim da violência e do racismo.

Em 2025, o Núcleo intensificou sua agenda com atividades que reafirmam a força e a vitalidade do movimento. Entre elas, o Encontro do Coletivo Sudeste, que articulou lideranças de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além de reuniões itinerantes em diferentes municípios, como Serra, Colatina e Vila Velha, e a Marcha Estadual das Mulheres Negras Capixabas, realizada em julho, seguida do Encontro Estadual de Mulheres Negras Capixabas, ambos voltados à formação, avaliação e planejamento estratégico do movimento no estado.

Essas ações integram um esforço contínuo de descentralização e interiorização da mobilização, ampliando a escuta das mulheres negras em diferentes territórios e fortalecendo a Marcha nas comunidades. As reuniões itinerantes têm sido espaços fundamentais para o diálogo com as mulheres dos municípios, possibilitando trocas, escutas e a construção de agendas locais que se conectam à luta nacional pelo Bem Viver.

A mobilização de novas mulheres é uma prioridade do Comitê. Por meio das redes sociais, de participações em audiências públicas, eventos e campanhas, o Núcleo amplia sua base e integra jovens lideranças ao movimento. Hoje, um grupo no WhatsApp reúne mais de 200 mulheres de todo o estado, funcionando como um espaço ativo de comunicação, troca e articulação política.

Nos últimos meses, o Núcleo também passa por um processo de renovação, com a chegada de jovens mulheres negras ao grupo de comunicação e à coordenação das atividades itinerantes. Essa integração intergeracional fortalece o movimento, ampliando sua presença digital e diversificando as estratégias de mobilização. “A entrada de novas vozes é fundamental para a continuidade e a vitalidade da nossa luta”, afirma a coordenadora estadual Marilene Pereira.

Apesar da força do movimento, alguns desafios persistem. A falta de recursos financeiros e logísticos representam entraves à realização de atividades no interior do estado e à ampliação da presença digital. A ausência de suporte técnico para comunicação e a dificuldade de financiamento de transporte e alimentação impactam diretamente a capacidade de mobilização. Ainda assim, o Núcleo busca caminhos criativos para seguir adiante por meio de parcerias, voluntariado ou apoios, como os do Fundo Baobá e o Edital Nilda Bentes, que têm sido sustentado a atuação do movimento e viabilizado eventos como a Marcha Estadual e o Encontro de 2025.

Para os próximos meses, o Núcleo Impulsor Capixaba seguirá em marcha. Estão programadas novas reuniões itinerantes nos municípios de São Mateus, Linhares e Cariacica, além da organização da delegação capixaba para a Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontecerá em novembro, em Brasília.“ Cada passo, cada encontro e cada voz reafirmam que o futuro será negro, feminino e coletivo. Porque nossas vidas importam e o Bem Viver é o horizonte que seguimos tecendo juntas,” afirma Marilene.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!

Nota de posicionamento

O Fundo Baobá para Equidade Racial reitera seu profundo pesar e repúdio à condução da operação policial realizada no último dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de mais de 120 pessoas, considerada a mais letal da história do país.

 

O episódio agride a população da cidade do Rio de Janeiro, a sociedade brasileira e a comunidade internacional.

 

As características desta “operação policial” evidenciam uma grave violação aos protocolos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) decorrentes de episódios anteriores, amplamente divulgados pela imprensa nacional e internacional.

 

O Governo do Estado optou por uma estratégia que resultou na morte de 4 policiais e 117 pessoas supostamente mortas em confronto.

 

A dimensão dos fatos é agravada pelo comportamento subsequente das autoridades policiais do estado do Rio de Janeiro. Elas ignoraram o abandono de mais de 60 cadáveres na mata, desviaram o foco e passaram a intimidar a população local, sob a alegação de interferência na cena do crime.

 

São chocantes os relatos de constrangimentos impostos aos familiares das vítimas durante o reconhecimento dos corpos no IML do Rio de Janeiro. Tais atitudes violam todos os princípios do direito, o que configura a revitimização institucional dessas pessoas.

 

A narrativa que reduz vidas perdidas a “danos colaterais” ou “consequência de guerra” é perversa e desumana. Viola não apenas o direito à vida, mas também o direito de toda uma comunidade à paz, à mobilidade e à dignidade. Uma cidade inteira foi refém da violência, e suas marcas permanecerão.

 

O Fundo Baobá solidariza-se com todas as famílias enlutadas, tanto de moradores locais quanto de policiais que foram expostos a riscos pelas ações irresponsáveis, com evidente motivação eleitoral, por parte dos governantes do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em conjunto com outras instituições filantrópicas, daremos continuidade às iniciativas em defesa dos direitos humanos e ao enfrentamento ao racismo que naturaliza a morte da população negra.

 

O respeito ao Estado Democrático de Direito, ao devido processo legal e ao direito de defesa não são negociáveis e exigem o firme repúdio de toda a sociedade brasileira.