Fundo Baobá participa do desfile que homenageou a missão do Geledés

Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”

No último dia 13/02, a Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, uma homenagem à força ancestral das mulheres negras e à missão do Geledés – Instituto da Mulher Negra, por sua missão institucional na luta contra o racismo, o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras.

A convite do Geledés, o Fundo Baobá esteve presente na avenida para celebrar esse momento simbólico. O samba-enredo exaltou a potência das mulheres negras em uma narrativa que uniu ancestralidade, luta e celebração. Com participação e curadoria do Geledés, a escola transformou o desfile em um verdadeiro manifesto cultural.

Integrantes da equipe do Fundo Baobá participaram da homenagem em reconhecimento a essa trajetória. Ao longo de 15 anos, o Fundo Baobá atua no fortalecimento de organizações e lideranças negras, com foco prioritário nas regiões Norte e Nordeste do país, investindo em educação, em vida com dignidade, em desenvolvimento econômico, em comunicação e memória.

Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, relatou que ver o homenageado Geledés, todas as mulheres que o construíram e tantas outras que, de alguma forma, contribuíram e participaram da história da instituição, é reconhecer a importância da luta das mulheres negras no Brasil contra o racismo e o sexismo:
“Que bom poder ver essa homenagem acontecendo a essa instituição, que é uma referência para todas nós, e que bom poder ver essas mulheres sendo reconhecidas e lembradas. É uma grande felicidade quando uma escola de samba, que é símbolo de um pilar tão importante da nossa cultura, como o carnaval, é uma ferramenta pedagógica importantíssima para nossa sociedade”, afirmou Tainá.

O desfile reforçou que a trajetória das mulheres negras deve ser contada por elas mesmas, e que o lugar delas é na história, na academia, no samba, na política, na cultura e onde mais decidirem ocupar. 

Para além das alegorias, a agremiação apresentou uma narrativa de inteligência, organização coletiva e resistência histórica.

Maria Paula, assistente de diretoria do Fundo Baobá, confirmou que desfilar em uma escola que homenageou Gueledés foi mais do que atravessar a avenida: foi atravessar a história. Segundo ela, o samba exaltou mulheres negras que abriram caminhos e evidenciou a intelectualidade e a liderança das que hoje seguem construindo novas possibilidades. “Porque o futuro é ancestral”, resumiu.


A construção visual da Mocidade Unida da Mooca integrou ancestralidade e futuro. A comissão de frente destacava a origem da mulher negra como sustentação e transformação para as sociedades. Ao longo da avenida, vieram referências às irmandades, aos quilombos, às tecnologias ancestrais, à organização coletiva e às múltiplas formas de resistência construídas ao longo do tempo.

“Foi uma honra receber o convite para desfilar em uma escola de samba que homenageou o Geledés, esse instituto que eu conheci ainda criança, através de conversa na minha família e foi emocionante voltar a desfilar depois de 15 anos numa escola que ressalta a importância da mulher negra”, contou Juliana Vargem, assistente executiva do Fundo Baobá.

Maria Sylvia, advogada e diretora executiva do Geledés, ressaltou a importância de apresentar a trajetória da instituição à sociedade brasileira, ampliando o reconhecimento das mulheres negras como protagonistas na construção social do país. “Que essa homenagem inspire mais escutas, mais diálogos e mais respeito às nossas trajetórias. Obrigada à Mocidade Unida da Mooca por fazer da arte um instrumento de memória, reconhecimento e continuidade”, afirmou.
O refrão: Quero ver… casa-grande vai tremer, No meu Quilombo é noite de Xirê! A MOOCA FAZ REVOLUÇÃO, É Guèledés: A LIBERTAÇÃO, ecoou nos ensaios e na avenida, transformando o desfile em celebração e afirmação coletiva. O desfile foi um gesto público de memória, reconhecimento e continuidade. Uma noite que reafirmou que o futuro é ancestral — e que a história das mulheres negras segue sendo escrita com coragem, inteligência e organização.

Winsana  N’Tchala: Do Programa Já É para o curso de Medicina

Winsana N’Tchala: do Programa Já É para o curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná

Há histórias que são sobre conquistas e resistência. A de Winsana N’Tchala é sobre as duas coisas, mas também sobre amor, propósito e educação como ferramenta de transformação. Aos 21 anos, essa jovem curitibana realizou o sonho de infância: foi aprovada em Medicina na Universidade Federal do Paraná. E não foi por acaso.

A trajetória de Winsana ganhou reforço importante quando ela conheceu o Programa Já É: Educação e Equidade Racial, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial. A indicação veio da cunhada, Byanka, que acompanhava as ações do Fundo Baobá e enviou o link de inscrição pelo WhatsApp.

O Já É, que está em sua segunda edição, foi criado para ampliar as oportunidades de acesso ao ensino superior para pessoas negras de 20 a 25 anos, com ensino médio completo em escola pública. Nesta segunda edição, até 30 jovens receberam bolsa mensal de R$ 700 por 17 meses, além de mentorias coletivas e individuais, acompanhamento psicológico e atividades formativas. Um investimento na permanência e na potência da presença negra na academia, que amplia perspectivas e fortalece a produção de conhecimento.

Para Winsana, o impacto foi concreto.“O Já É agregou muito ao meu conhecimento de mundo, ao meu desenvolvimento pessoal e trouxe uma estabilidade financeira melhor do que eu tinha antes. A bolsa ajudou, e ainda ajuda, a custear gastos com os estudos.”

Mais do que apoio financeiro, o programa oferece algo essencial: pertencimento e orientação. Para muitos jovens negros, entrar e permanecer na universidade envolve desafios que vão além do desempenho acadêmico, e contar com uma rede de apoio faz diferença.

O sonho da menina da periferia que  nasceu e cresceu em Curitiba hoje se concretiza com o alicerce da família. A mãe, Claudia Maria Ferreira; o pai, Francisco N’Tchalá, natural de Guiné-Bissau; e os irmãos Watena, Yabna e Abayomi.

A infância simples, marcada por desafios financeiros, mas também por algo fundamental: incentivo. “Meus pais nunca deixaram faltar nada. Sempre me incentivaram a fazer uma graduação e ter orgulho da minha negritude”, conta.

Aos 6 anos, em uma conversa sobre profissões com o pai, nasceu a vontade de estudar Medicina. Quando ele morreu, vítima de insuficiência renal, ela tinha apenas 10 anos. A experiência de cuidar dele reforçou o desejo: queria ser médica. Queria cuidar de pessoas.

Sua formação se deu por completa em escolas públicas, como tantos jovens negros e negras no Brasil que enfrentam as defasagens estruturais da educação básica. Nas últimas décadas, houve avanços importantes no acesso ao ensino superior, mas pessoas negras ainda estão sub-representadas nas universidades. Em cursos altamente concorridos, como Medicina, a desigualdade é ainda mais visível.

“Foram quatro anos de dedicação total aos estudos. Parei de fazer coisas que eu gostava, sofri com matérias que tinha dificuldade. Não foi fácil. Mas valeu a pena”, afirma.

Nesse percurso, ela prestou vestibular para a PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), onde conquistou o segundo lugar. Mesmo assim, a escolha já  estava feita: seguir na UFPR. “Foi a realização de um sonho para mim e para minha família.” E a sensação da aprovação? “Foi como quando uma criança ganha um presente que queria muito”, afirma. 

Segundo o IBGE 2022, embora a presença de pessoas pretas e pardas com ensino superior tenha crescido, a proporção de jovens brancos de 18 a 24 anos com ensino superior completo ainda é mais que o dobro da registrada entre pretos e pardos. Além disso, milhões de jovens brasileiros não concluem sequer o ensino médio. E a maioria é negra.

Esses dados evidenciam que a desigualdade não está na capacidade, mas no acesso às oportunidades e nas condições de permanência.

Quando perguntada sobre o futuro, Winsana responde com simplicidade e firmeza:
“Quero ser uma médica humanizada, que escuta com atenção os pacientes, uma profissional de excelência.” Ela ainda não decidiu a especialidade. Mas já decidiu o principal: fará tudo com dedicação.

Para quem sonha em participar do Programa Já É, ela deixa um conselho direto: “Não vai ser fácil. Mas não desistam. A única forma que tenho certeza que nós, pessoas de baixa renda e negras, temos de ter ascensão social é por meio dos estudos.”

A aprovação de Winsana na UFPR é, sim, uma conquista individual. Mas também é a prova de que quando existe investimento, acompanhamento e confiança na juventude negra, os resultados aparecem. O Fundo Baobá acredita nisso. O Já É aposta nisso.
E Winsana N´Tchala é a prova viva de que já é tempo de ocupar todos os espaços,  inclusive aqueles que, historicamente, sempre foram negados ao povo preto.

Além de Winsana N´Tchala, o Fundo Baobá comemora também o sucesso de outros estudantes apoiados pela segunda edição do Programa Já É: Aryele Costa, Administração na Universidade Federal do Maranhão; Christian Leal, Arquivologia na Universidade Federal da Bahia; Denagnon Gogo, Engenharia na Universidade Federal do Espírito Santo; Gabriele Marques, Medicina na Universidade Federal de Pelotas; Joicilene Cabral, Medicina na Universidade Federal do Pará e Lara Dias, Jornalismo na Universidade Salvador (Unifacs).

15 anos do Fundo Baobá: do primeiro apoio ao próximo capítulo

15 anos do Fundo Baobá: do primeiro apoio ao próximo capítulo

Em 2014, a Cia Um Brasil de Teatro e Artes foi uma das organizações apoiadas na primeira chamada pública do Fundo Baobá. Anos depois, em 2019, lançou o emocionante curta-documentário Nossa Família. Agora, prepara um novo capítulo: o longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas da história.

Essa trajetória, que atravessa mais de uma década, mostra como investimento, confiança e memória caminham juntos. Ao completar 15 anos, o Fundo Baobá celebra justamente isso: não apenas os projetos apoiados no passado, mas as histórias que seguem vivas, se transformando e criando novos futuros.

Em 2014, quando o Fundo Baobá lançou sua primeira chamada para apoiar organizações negras, a Cia Um foi uma das selecionadas. Na direção do projeto estava Max Mu, ator, dramaturgo, diretor, cineasta e produtor cultural, que há mais de 20 anos pesquisa e transforma em arte histórias de um Brasil invisibilizado. Foram essas histórias que ganharam espaço no documentário Nossa Família.

O curta, lançado na Festa Literária Internacional de Paraty em 2019, segue disponível ao público, emocionando quem o assiste. A narrativa acompanha o cotidiano de duas catadoras de materiais recicláveis que adotaram, respectivamente, 25 e 45 filhos. Isso mesmo! Uma filosofia de vida baseada no cuidado, na partilha e no amor. Um retrato sensível de mulheres que transformaram a própria realidade e a de dezenas de crianças com coragem e afeto.

A produção atravessou mudanças e desafios ao longo do caminho. Em meio a esse processo, Max assumiu integralmente a condução da obra e levou o projeto até o fim. O apoio do Fundo Baobá foi decisivo. Mais do que financeiro, foi um gesto de confiança que ajudou a tirar o roteiro do papel e registrar uma memória viva da cultura brasileira.

É justamente esse movimento que o Fundo Baobá deseja mostrar ao celebrar seus 15 anos.

Hoje a história segue sendo contada. A Cia Um Brasil está produzindo um longa-metragem sobre Dona Tereza, uma das protagonistas do curta, agora com 85 anos. Para viabilizar o filme, a companhia lançou uma campanha de captação direta chamada “Ciclo Positivo”, uma proposta que busca mobilizar apoiadores individuais para tornar o filme possível e apoio que retorna em forma de gratidão.

Diante de um cenário em que mecanismos de financiamento seguem modelos baseados em referências externas à realidade brasileira, o Fundo Baobá escolhe apoiar a partir da memória, das práticas comunitárias e das estratégias históricas da população negra. 

Como afirma Max Mu, “é sobre reconhecer quem nos enxergou quando quase ninguém nos via. É sobre fortalecer a missão de fazer ‘Um Brasil’ cada vez mais visto.” 

Celebrar 15 anos é também olhar para trás e perguntar: onde estão hoje aqueles que apoiamos? A resposta está em histórias como esta — que continuam crescendo.

Conheça o projeto, assista a Nossa Família e acompanhe os próximos capítulos dessa trajetória. Registrar memórias é investir no futuro.

Veja o resultado Edital “Cultura Negra em Foco”, parceria do Fundo Baobá com a Coca-Cola Brasil!

Edital “Cultura Negra em Foco” recebeu 900 propostas entre os mais variados temas.

 

Lançado em janeiro deste ano, o Edital “Cultura Negra em Foco” teve como objetivo selecionar organizações com ou sem fins lucrativos que desenvolvam projetos inovadores na divulgação da cultura e da identidade negras no Brasil.

Ao todo serão destinados R$ 400 mil a dez iniciativas escolhidas pela Comissão de Seleção, formada por representantes indicados pela Coca-Cola Brasil e pelo Fundo Baobá, com base em critérios como: capacidade de promover a cultura e a identidade negra, a presença de afrodescendentes na coordenação e no desenvolvimento dos projetos, o alcance do impacto dos recursos, inovação e sustentabilidade.

O tema que mais recebeu proposta foi Audiovisual. Já os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia foram os que tiveram o maior número de propostas inscritas.

As organizações selecionadas no Edital “Cultura Negra em Foco” foram:

 

Associação Artística Nóis de Teatro – CE

Associação Burlantins – MG

Associação Comunitária Assentamento Gurugi II – PB

Associação Move Cultura – MG

Casa Preta – PA

Crespinhos S.A.– RJ

Bantu Cultural – SP

Black Brazil Art – RS

Fazendo Milagres Cineclube – PE

Kbra Produções Artísticas – RJ

 

Parabéns! O Fundo Baobá entrará em contato com as organizações.

Ao longo do mês de julho falaremos sobre cada projeto para que todos e todas possam conhecer um pouco mais cada iniciativa.

E fiquem de olho nas notícias de nosso site e em nossas redes sociais.

Adiamento do resultado do edital

O Fundo Baobá e a Coca-Cola Brasil agradecem a todos e a todas que demonstraram interesse e enviaram propostas ao edital “Cultura Negra em Foco”.

A chamada foi um enorme sucesso que resultou no recebimento de mais de 900 propostas. Como prezamos por um processo seletivo rigoroso, precisaremos dedicar um tempo maior do que o previsto para a análise do conjunto de propostas recebidas.

Diante disso, o resultado do processo seletivo será adiado para o dia 30 de junho de 2016. As organizações selecionadas serão contatadas por e-mail ou telefone e seus nomes serão divulgados nas mídias sociais do Fundo Baobá.