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Arquivos Notícias - Baobá

Programa Marielle Franco bate recorde e demonstra a força das mulheres negras

Um feito para celebrar: O Baobá – Fundo para Equidade Racial alcançou um número recorde com a segunda edição do Programa Marielle Franco: 3.793 inscrições oriundas de todos os estados brasileiros, um crescimento de 19 vezes em relação à primeira edição, realizada em 2019.

Esse salto demonstra não apenas o crescimento do programa, mas também o engajamento e a força das mulheres negras em todo o país, que seguem se organizando, se fortalecendo e se reconhecendo como protagonistas de suas próprias trajetórias.

Cada inscrição carrega em si uma história de perseverança e de luta, além de uma visão potente de transformação social. Diante da alta qualidade e diversidade das inscrições recebidas, o Fundo Baobá vai precisar de um tempo adicional para realizar a avaliação minuciosa que cada candidatura merece. Por isso, a divulgação do resultado final, que estava prevista para 09 de janeiro, passou a ser 09 de fevereiro de 2026.

Este volume expressivo de inscrições comprova a urgência de iniciativas como essa e a necessidade de mais instituições que estejam comprometidas a se somarem a esta causa. É mais uma evidência de que há potência, criatividade e liderança feminina negra pulsando em todos os cantos do Brasil. 

O Fundo Baobá também reafirma o compromisso de seguir fortalecendo caminhos de justiça e liberdade, honrando o legado de Marielle Franco.

“Filantropia com propósito é um sonho carregado de ação. Sem propósito, ela não passa de passatempo”

Conexões em Movimento, a newsletter mensal do Movimento Bem Maior, inspira filantropos, promove a troca de ideias e fortalece conexões para a justiça social. Neste mês, nossa conversa é com Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, uma das mais importantes instituições de promoção da equidade racial no Brasil.

Na filantropia, Giovanni Harvey é uma exceção que busca questionar as regras sob as quais o campo funciona. Ocupa uma posição singular, à frente de uma organização única no contexto brasileiro, o Fundo Baobá para Equidade Racial . Suas bases construídas nos movimentos sociais e na vivência como homem negro sustentam o pensamento crítico que marca sua trajetória.

Com 61 anos, Giovanni é de uma geração que se constituiu politicamente no final dos anos 1970, em meio ao fim do regime militar e às mobilizações pela redemocratização do país. Aproximou-se do movimento negro aos 17 anos — não apenas para “se associar”, mas, como ele diz, para “se alistar”, assumindo um compromisso vitalício com a causa.

Hoje, lidera um endowment que garante a sustentabilidade da própria organização e permite que toda captação seja destinada exclusivamente a ampliar as doações, enquanto o patrimônio continua crescendo. Ao mesmo tempo, atua para incidir sobre o ecossistema da filantropia, ocupando espaços de governança e atraindo novos investidores para agendas historicamente negligenciadas.

Na entrevista a seguir, Giovanni fala sobre os desafios e contradições do campo filantrópico, o conceito de “filantropia recreativa” e o que considera essencial para o amadurecimento do debate racial no Brasil.

  • Você provoca reflexões diretas sobre o papel da filantropia e do investimento social privado. Queria começar com uma que você trouxe no Congresso do GIFE, sobre “filantropia recreativa”. Como você vê essa prática no campo hoje?

Quando eu fui chamado pela Sueli Carneiro e pelo Hélio Santos para o Baobá, eu sou obrigado a refletir sobre qual é o meu papel como ativista político, qual é o papel dessa instituição e quais são as contradições nas quais a instituição está inserida.

Uma instituição que tem hoje 170 milhões de reais aplicados no mercado financeiro, comparativamente com outras instituições filantrópicas financeiras, é um fundo pequeno, mas está em uma condição completamente diferente das organizações do movimento negro tradicionais. Isso me empurra a olhar o que está sendo feito a minha volta.

Percebo que existem várias filantropias e que algumas não têm alinhamento com causa alguma. Se constituem em verdadeiros jardins de diversão, onde as pessoas muitas vezes estão mais preocupadas em ilustrar suas biografias, suprir suas próprias carências e preencher um determinado tipo de vazio do que, servir a uma causa.

Foi isso que chamei de uma filantropia sem propósito, uma filantropia recreativa. É como qualquer outra atividade na vida. Se eu não tenho objetivo claro para estudar, trabalhar, praticar uma atividade física… aquilo vira apenas recreação.

Gosto de uma formulação do futurista norte-americano Joel Barker: uma visão de futuro é um sonho carregado de ação, e um sonho que não gere ação é só um passatempo. Para mim, filantropia com propósito é um sonho carregado de ação; sem propósito, ela não passa de passatempo.

  • O Fundo Baobá tem uma trajetória singular — e, infelizmente, ainda ocupa um espaço único em termos de capacidade de investimento e articulação de organizações negras. De que forma vocês têm posicionado o Baobá no ecossistema atual?

Somos um fundo patrimonial independente, cuja gestão é feita integralmente por nossa equipe — liderada por Hebe Da Silva , uma mulher negra, do Mato Grosso. Nosso fundo patrimonial é de R$ 170 milhões, oriundos principalmente da Fundação Kellogg, Fundação Lemann , B3 , Mackenzie Scott e outros parceiros estratégicos. Além disso, gerimos cerca de R$ 20 milhões de recursos de terceiros, como Fundação Ford, Instituto Ibirapitanga , Open Society Foundations e Instituto Unibanco .

Ao longo de 15 anos, já doamos mais de R$ 22,4 milhões, via 23 editais, apoiando mais de 1.200 iniciativas em todas as regiões do país, nas áreas de educação, desenvolvimento econômico, comunicação, memória e direitos humanos. Estamos baseados em São Paulo, com uma equipe de 20 pessoas, e em breve teremos sede própria.

A própria Fundação Kellogg afirma não ter outra experiência semelhante à do Baobá em seu histórico. Mesmo no campo da equidade racial, há pouquíssimas iniciativas com essa capacidade de investimento e nosso objetivo é ampliá-la.

Nossa visão de futuro é alcançar R$ 250 milhões de fundo patrimonial até 2026/2027 e nosso endowment cresce porque reinvestimos anualmente 95% do rendimento médio dos últimos três anos, retirando no máximo 5%. Hoje já somos autossustentáveis operacionalmente, de modo que toda captação adicional é destinada exclusivamente a doações.

O segundo foco é a incidência sobre o ecossistema da filantropia. Participamos ativamente de redes como o GIFE e a Rede Comuá , que, no nosso entendimento, têm atuação complementar: o GIFE, mais voltado para o investimento social privado; e a Comuá, voltada para fundos independentes ligados à base social ou territorial. O Baobá é a única instituição da filantropia brasileira com assento no Conselho da Rede Comuá e no Conselho Deliberativo do GIFE, além de fazer parte de instâncias colegiadas e de gestão de várias outras organizações, como o Motriz , Todos Pela Educação e a Plataforma Alas, da Fundação Tide Setubal .

Buscamos incidir sobre o ecossistema levando nossa visão de filantropia e, muitas vezes, atraindo investidores ao colocar nosso próprio recurso à frente para que outros se engajem. Partimos do pressuposto de que, quando investimos, estamos enviando uma mensagem clara de que aquela agenda é importante. É o caso do apoio à Sociedade Protetora dos Desvalidos, a mais antiga instituição filantrópica em operação no Brasil, e à Marcha das Mulheres Negras. No entanto, mesmo assim, quase ninguém mais colocou recursos.

No apoio à Marcha das Mulheres Negras, destinamos R$ 1,25 milhão, tornando-nos seu maior doador até agora. Comparando nosso tamanho com outras instituições, fica evidente a falta de alinhamento do campo com uma agenda de extrema importância e que, em 2025, será a maior manifestação popular de luta por direitos no Brasil, em novembro, em Brasília.

  • Como você enxerga essa distância que ainda existe entre grandes investidores sociais e os movimentos de base?

Eu acho que, primeiro, tem uma “financeirização”, uma absorção de uma cultura de mercado por várias dimensões da vida social. A educação, por exemplo. A linguagem no ambiente educacional está cada vez mais mercadológica. É “entrega”. Então, o aluno é avaliado pelas entregas que faz. Eu tenho severas críticas a esse tipo de linguagem. Acho que isso deseduca, isso adoece as pessoas.

Há uma “mercadologização” que está impregnando a sociedade brasileira. A filantropia começa a falar em entrega, não fala mais em causa. E, em alguma medida, passa a ser vista apenas como um campo de trabalho para o qual as pessoas podem migrar sem ter nenhum tipo de compromisso com causa alguma. Essas pessoas vão constituir burocracias que lidam com o investimento filantrópico e com o investimento social privado como se estivessem fabricando salsicha ou peça automotiva — sem perceber que estão lidando com pessoas, com anseios, com traumas, com lutas políticas, com processos históricos que, na maior parte das vezes, sequer são compreendidos.

Essa burocratização, falta de compreensão e despolitização fazem parte do pano de fundo dessa “recreação”. Nós nos contrapomos a isso. Defendemos filantropia com propósito. Não necessariamente o mesmo que o nosso, porque existe mais de um tipo. Toda filantropia é legítima. O que eu cobro é que se diga: “Eu faço filantropia para isso.” “Eu faço filantropia para a caridade, eu acredito que o assistencialismo é importante…” E é. Eu li a entrevista que Fernanda Camargo concedeu aqui em que ela diz que até certa linha, precisamos do assistencialismo para poder olhar para impacto. O primeiro impacto é ter oferta de comida.

Voltando à nossa visão: defendemos que quem faz filantropia coloque na mesa o que faz e para quê faz. E que tenha certa sofisticação intelectual para não cometer o equívoco — e eu falei isso no congresso do GIFE anterior — de confundir atender pessoas negras com enfrentar o racismo. Ter clientela negra não significa que a iniciativa enfrente o racismo. Posso apoiar iniciativas que atendem pessoas negras e, ainda assim, reproduzem relações de dominação.

É preciso que se diga: “Eu atendo pessoas negras para isso. Minha estratégia é essa, meu propósito é esse.” Eu não critico os propósitos. Critico a falta de transparência e a tentativa de confundir, fazendo uma análise equivocada que confunde público com causa.

  • Em ambientes da filantropia e do ISP, vemos que algumas pautas — especialmente equidade racial — quando colocadas na mesa geram desconforto e são questionadas sobre de fato serem endereçadas. A que você atribui esse fenômeno?

A questão racial, para nós, ativistas do movimento negro, não é uma escolha. Somos colocados cotidianamente diante de situações nas quais precisamos nos posicionar – porque se não o fizermos, ninguém fará. E, quando um problema real não é enfrentado, a omissão só o agrava.

O debate racial no Brasil está na origem da nossa constituição como sociedade, no período pós-abolição, que coincide com o processo de construção da República. Isso funda as relações no país e desconhecer esse contexto é um equívoco histórico profundo. Ao tratar as desigualdades étnicas como se ninguém tivesse responsabilidade sobre elas, cria-se a ilusão de que, por “não termos mais escravidão”, o problema se resolveria por geração espontânea. Mas não foi algo que surgiu espontaneamente; foi construído e reforçado por decisões políticas, incluindo decretos presidenciais.

Essa distorção histórica alimenta um imaginário — presente na literatura, na sociologia e até na filantropia — de que o problema da população negra se resolve com escolarização. A ideia de que brancos e ricos “vão salvar” negros oferecendo oportunidades é um subproduto dessa concepção. Em ambientes onde está pacificado que “o problema do negro é falta de escolarização” e que “a culpa é da escravidão, mas o presente nada tem a ver com isso”, qualquer tentativa de cobrar ação efetiva dos atores políticos provoca desconforto.

Inclusive na filantropia, que muitas vezes se vê num “faz de conta” de doar para iniciativas que, na prática, reproduzem desigualdades, formam para profissões obsoletas e que nem sequer arranham a concentração de renda. Não há debate real sobre temas estruturantes como rentismo, taxas de juros e distribuição de riqueza. Assim, exceções são tratadas como regra, usadas para legitimar a ideia de que, quem não conseguiu furar esses bloqueios é mal sucedido e que a responsabilidade, por isso, são delas.

  • Muitas lideranças negras se veem obrigadas a modular o tom, a linguagem e até omitir posicionamentos para conseguir “caber” em determinados espaços institucionais, mesmo na filantropia. É possível encontrar equilíbrio entre se fazer ouvir e manter a integridade do discurso?

Eu acho que é um desafio. E falo de um lugar confortável porque as condições do Baobá me permitem verbalizar coisas que sinto obrigação de dizer. Lembro de uma fala recente do presidente da República, na posse do atual presidente do BNDES. Ele disse: “Espero que você possa criticar as taxas de juros, porque eu não posso. Me elegi, e quando critico, gera problema. Alguém aqui precisa poder falar.”

Fazendo um paralelo: alguém precisa dizer determinadas coisas. Uma das contradições de uma sociedade que busca manter privilégios é a tentativa de silenciar as pessoas com a ilusão de algum benefício — pessoal ou institucional — se elas “se comportarem” e não afrontarem o status quo. Isso também acontece na filantropia. Lideranças de várias causas e segmentos modulam seu discurso para se tornarem “palatáveis” e aptas a receber recursos.

Não considero errado. Jamais cobraria de uma instituição que se inviabilizasse no ecossistema por não fazer algum tipo de modulação. Mas faltam sinais, especialmente do investimento social privado. Quanto mais o interesse empresarial impacta essa agenda, mais difícil é aceitar a crítica. Vejo mais abertura na filantropia, com exemplos como o de Neca Setubal , que reconhece que parte da fortuna da família tem origem em relações de dominação no passado — algo corajoso e coerente. Essa postura permite conversar sem o “bode na sala” que limita tantas discussões.

Mesmo no Baobá, não saio falando tudo o que penso. É uma questão de responsabilidade no ecossistema e de preservar um mínimo de civilidade. Venho de uma geração que aprendeu, no movimento estudantil, a respeitar quem pensa diferente. Críticas precisam ser feitas de forma respeitosa, sem a pretensão de sermos donos da verdade ou apontar o dedo o tempo todo. Precisamos buscar consensos, elevar o nível do debate e encontrar soluções sustentáveis e honestas, capazes de mostrar à sociedade que, mesmo em um país que mantém historicamente segmentos em posição subalterna, ainda é possível construir caminhos de mobilidade e mudança.

  • Em uma entrevista à Rede GIFE, você disse que “a subsistência de práticas ilusórias de inclusão de pessoas negras reflete o estágio de compreensão e da maturidade da sociedade brasileira”. Qual seria o passo possível nesse processo de amadurecimento?

Eu posso dizer a você, com todas as críticas que ainda faço à realidade brasileira, que me orgulho do estágio que o país alcançou no debate racial. Não imaginava que estaria vivo para ver a sociedade brasileira discutindo essa questão da forma como temos feito.

Demos saltos enormes na compreensão do tema, porque não poderia continuar sendo um debate restrito a nós, negros e negras — ele pertence à sociedade brasileira. Quando vejo, por exemplo, o Movimento Bem Maior, a Fundação Lemann, a Imaginable Futures pautando a questão racial, sinto orgulho.

Como próximos passos, acho que nós, movimento negro, e as pessoas comprometidas com essa causa, precisamos garantir que não haja retrocesso: que os espaços conquistados e a ampliação de atores e atrizes políticas que discutem o tema não recuem, garantindo que alianças estratégicas não retrocedam.

O segundo ponto é construir consensos mínimos: uma agenda qualificada que eduque sobre o que é, de fato, enfrentamento ao racismo e promoção da equidade racial, reduzindo a quantidade de pessoas que ainda acreditam que atender pessoas negras é o mesmo que enfrentar o racismo. O debate racial no Brasil exige estudo, esse é um debate científico, no sentido de que é preciso estudar história, sociologia… não depende de títulos acadêmicos para chegar nessa compreensão.

O terceiro ponto depende de todos, inclusive de nós, pessoas negras: precisamos nos apresentar para a sociedade como sujeitos que pensam o país, e não apenas nossos próprios problemas. Eu, como dirigente de organização social e ex-gestor público, sempre pensei a sociedade brasileira a partir do meu compromisso com soluções para a questão racial, mas sem restringir minha atuação a isso. O problema racial é o que mais me afeta, mas não é o único que existe.

As pessoas negras precisam discutir projetos de país, e as pessoas brancas em posições de gestão, seja monocrática ou colegiada, precisam se abrir a ouvir o que temos a dizer para além da questão racial. Eu, por exemplo, me recuso a ser o “bedel” que só fala sobre isso nos conselhos de que participo. Se o tema surge, muitas vezes fico calado. Quando me perguntam: “Você não vai se manifestar?”, respondo: “Quero ouvir o que vocês têm a dizer.”

Resumindo, são três pontos: não recuar, qualificar o debate para educar e discutir, conjuntamente, projetos para o país.

Entrevista e edição: Emanuely Lima / Analista de Comunicação no Movimento Bem Maior. Publicado originalmente na newsletter Conexões em Movimento, do Movimento Bem Maior. Fotos: Thalita Guimarães

Seu futuro começa aqui!

Graduação no exterior: essa pode ser a sua chance!

Descubra como estudar no exterior pode abrir portas para o futuro e transformar a realidade de pessoas negras.

Se você está considerando fazer uma graduação no exterior, saiba que essa decisão vai muito além do desenvolvimento acadêmico. Esse intercâmbio pode ser a chave para romper barreiras históricas, construir um futuro profissional sólido e abrir caminhos antes considerados impossíveis. O mundo está esperando por você, e você merece ocupar esse espaço, não só como aprendiz, mas também como protagonista na produção de conhecimento.

Para pessoas negras, essa jornada tem ainda mais potência: ao acessar espaços historicamente excludentes, sua presença transforma e amplia as possibilidades do que se entende por excelência acadêmica. A academia global tem muito a ganhar com a diversidade de experiências, saberes e perspectivas que você carrega.


Em áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), essa vivência pode ser especialmente impactante. Universidades internacionais oferecem infraestrutura de ponta, acesso a pesquisas avançadas e contato com especialistas do mundo todo. Tudo isso enquanto você se desenvolve pessoal e profissionalmente em um ambiente multicultural, contribuindo ativamente para o avanço do conhecimento em escala global.

Você já se perguntou se morar e estudar fora é para você?

É verdade que o caminho pode apresentar desafios – como o idioma, as burocracias ou a sensação de estar longe de casa. Mas é justamente ao encarar esses obstáculos que se abre espaço para o amadurecimento e a superação. Para cada barreira, existe uma rede de apoio, uma estratégia, uma solução possível.

O mais importante é saber que não é preciso estar completamente pronto para começar, mas sim disposto a dar o primeiro passo. Porque, mesmo com as dificuldades, existem inúmeras possibilidades esperando para serem exploradas. E você é capaz de alcançá-las. 

Por onde começar sua jornada internacional: um passo a passo

Sabemos que dar o primeiro passo pode parecer desafiador, então aqui vão algumas dicas práticas para começar:

  1. Defina seus objetivos: Quer fazer uma graduação completa ou pós-graduação? Um intercâmbio de curta duração? Um curso de verão? Seu objetivo deve estar alinhado com sua realidade atual: se você ainda está na graduação, é recém-formado ou já tem uma pós. Entender seu momento profissional é essencial para escolher o melhor caminho.
  2. Pesquise universidades e programas: Use sites como QS World University Rankings e Study Portals como ponto de partida. Mas o mais importante é verificar diretamente nos sites das universidades, salvar os contatos e não hesitar em perguntar: a comunidade acadêmica costuma ser bastante solícita.
  3. Mapeie os custos e busque bolsas de estudo: Existem bolsas parciais e integrais, públicas e privadas. Algumas dessas bolsas são fruto de parcerias entre universidades brasileiras — que podem incluir até a sua própria — e instituições estrangeiras. Outras bolsas você pode encontrar diretamente nos portais das universidades internacionais do seu interesse.
  4. Dedique-se ao aprendizado de idiomas: A proficiência em inglês ou em outros idiomas é um requisito essencial para acessar oportunidades acadêmicas internacionais. Ferramentas como Duolingo e cursos gratuitos podem ser aliadas importantes. Vale lembrar que, embora o inglês seja amplamente exigido, línguas como o espanhol e o francês também abrem muitas portas no universo da educação global, especialmente em países da América Latina, Europa e África. 
  5. Conecte-se com quem já fez: Buscar histórias de estudantes negros pode te inspirar e ajudar a entender melhor o caminho. Busque por vivências de outros estudantes nas redes sociais como Youtube, LinkedIn ou mesmo TikTok. Utilize o algoritmo a seu favor.

Conte com iniciativas que querem te ver brilhar!

O Black STEM, edital criado pelo Fundo Baobá, é uma dessas iniciativas que ajudam a transformar o sonho de uma graduação no exterior em realidade. Ele oferece bolsas, suporte acadêmico, apoio psicológico e cria uma rede de apoio desde a inscrição até a conclusão do curso.

Diovanna Aguiar, estudante de Ciência da Computação na New York University (NYU) em Xangai

“Eu estou aqui não só por mim, mas pelas pessoas que estão comigo”

Diovanna Aguiar, estudante de Ciência da Computação na New York University (NYU) em Xangai, foi uma das primeiras pessoas contempladas pelo edital Black STEM. Em sua fala, ela destaca o impacto coletivo dessa conquista: “A faculdade é muito interessante também. Ajuda a gente a ir mais longe, chegar e conquistar o que a gente quer. Mas efetivamente, eu acho que o maior impacto é eu estar aqui não só por mim, mas pelas pessoas que estão comigo. As crianças da minha comunidade de jovens negros, jovens como eu que nasceram na zona leste de São Paulo na periferia, e que me dão força. Os meus sonhos não são só meus, mas deles também”.

Diovanna também compartilhou como o apoio da família foi fundamental: “Eu fui a primeira da minha família a ter um passaporte. A primeira a aprender inglês. Quando eu dizia que queria ir para Nova York, ninguém da minha família achava que inglês era necessário. Mesmo sem entender exatamente para que serviria aquilo, eles me apoiaram”.

Por isso, o objetivo vai além de garantir acesso: é também fortalecer a presença de pessoas negras no cenário científico e acadêmico global, incentivando descobertas, inovações e a valorização de saberes diversos. Assim como Diovanna Aguiar está realizando o sonho de estudar no exterior, você também pode – e merece – tornar o seu sonho realidade.

Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.

Siga a Diovanna para acompanhar sua jornada na universidade. 

A hora é agora. O mundo te espera, e você tem tudo para chegar lá!

O sonho de estudar nas melhores universidades do mundo continua ganhando novos capítulos. A 2ª edição do Programa Black STEM, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial em parceria com a B3 Social, acaba de selecionar quatro jovens negros que, a partir de 2025, vão levar sua inteligência, talento e história para além das fronteiras do Brasil.

🌍 Eles são os protagonistas dessa nova jornada:

Enio Ferreira Barbosa (Salvador, BA) – Ciência da Computação, Stanford University (EUA)

Gabriel Hemetrio de Menezes (Belo Horizonte, MG) – Física e Ciência da Computação, Massachusetts Institute of Technology – MIT (EUA)

Gabriela Torreão Marques Ferreira (Fortaleza, CE) – Engenharia Química e Biomolecular, University of Notre Dame (EUA)

Maria Luiza Storck Ferreira (Rio de Janeiro, RJ) – Engenharia Química, Universidad de Jaén (Espanha)

Gabriela Torreão, Gabriel Hemetrio, Maria Luiza Storck e Enio Ferreira

Mais do que bolsas de estudo, o programa oferece apoio financeiro, mentoria e uma rede que acredita no poder da educação para transformar realidades. Cada passo que eles derem no exterior será também um passo para abrir portas a quem virá depois.O Black STEM não forma apenas estudantes. Forma referências.

🔗 Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.
A hora é agora. O mundo te espera, e você tem tudo para chegar lá!

Fundo Baobá recebe os Selos de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo

Fundo Baobá recebe os Selos de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo

O Fundo Baobá para Equidade Racial foi reconhecido pela Prefeitura de São Paulo com os Selos de Direitos Humanos e de Igualdade Racial, reafirmando sua atuação na promoção da equidade racial, na inclusão social e no fomento à educação para a população negra. O anúncio foi feito em dezembro de 2024, destacando a relevância do trabalho da organização.

A cerimônia de premiação ocorreu em São Paulo, nos dias 9 e 10 de dezembro, reunindo mais de 400 organizações inscritas. No total, 235 entidades foram premiadas pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, reconhecendo suas iniciativas em prol da diversidade, inclusão e justiça social.

Selo de Direitos Humanos e Diversidade

O Edital Educação em Tecnologia, promovido pelo Fundo Baobá, foi contemplado com o Selo de Direitos Humanos e Diversidade em sua 7ª edição, um reconhecimento concedido a organizações que realizam ações concretas para a inclusão e a promoção dos direitos humanos.

Lançado para fortalecer a inserção da população negra no mercado de tecnologia, o edital Educação em Tecnologia apoia organizações e empresas lideradas por pessoas negras que possam contribuir, por meio de processos formativos, tanto para a entrada de novos profissionais negros no setor quanto para a permanência daqueles que já atuam, desenvolvendo suas competências.

Ao todo, quatro organizações foram selecionadas para receber apoio financeiro, com bolsas que variam entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, permitindo que essas iniciativas expandam seu impacto e capacitem mais profissionais negros para o setor tecnológico.

Selo Igualdade Racial

Além do reconhecimento pelo edital, o próprio Fundo Baobá recebeu o Selo Igualdade Racial, uma certificação concedida a organizações que demonstram compromisso com a diversidade racial e a inclusão no ambiente de trabalho.

Criado pela Lei Municipal 16.340/2015 e regulamentado pelo Decreto 57.987/2017, esse selo é destinado a organizações que possuem, no mínimo, 20% de profissionais negros em diferentes níveis hierárquicos, incluindo cargos de direção, gerência e coordenação.

No Fundo Baobá, a equipe executiva é composta majoritariamente por pessoas negras, reforçando seu compromisso com a equidade racial, o desenvolvimento de lideranças negras e a transformação social.

O impacto do reconhecimento

Os selos conquistados pelo Fundo Baobá não apenas reconhecem suas iniciativas de impacto social, mas também fortalecem o compromisso da organização com a construção de um futuro mais igualitário para a população negra no Brasil.

Com essas premiações, o Fundo Baobá reafirma seu papel na promoção da equidade racial e justiça social, contribuindo para um mercado de trabalho mais representativo.

Baobá na imprensa em Junho

Por Ingrid Ferreira

No mês de junho o Fundo Baobá para Equidade Racial foi citado em diferentes veículos da mídia, tais como o Valor, que contou com a entrevista do Diretor Executivo, Giovanni Harvey, na matéria “Fundo Baobá ganha reforço de US$ 5 milhões”, falou a respeito da doação realizada pela bilionária Mackenzie Scott. O texto também ganhou espaço na versão impressa do jornal e foi compartilhado pela Demarest Advogados.

O site Tozzi publicou o título “Captação e rentabilidade: desafios institucionais na gestão de fundos patrimoniais no Brasil” em que explica a funcionalidade e o que é um fundo patrimonial. O Diário do Litoral citou o Baobá no texto “Instituto Procomum e Coletivo Afrotu recebem Encontro Afrolab, em Santos”, destacando a parceria entre o Fundo e o Pretahub, realizador do Afrolab.

O GIFE mencionou o Baobá na matéria “Apenas 2,7% das Organizações da Sociedade Civil receberam recursos federais entre 2010 e 2018”, em que o Fundo é usado como exemplo, para falar da importância dos investimentos em instituições com histórico de atuação em ações de  promoção da igualdade e da equidade racial.

As redes sociais também foram palco para o Baobá, a Tribuna Afro Brasileira no Facebook postou “O Fundo Baobá está há 10 anos dedicado na promoção da equidade racial no Brasil e precisa da sua ajuda para seguir investindo em projetos”. 

APOIADAS DO FUNDO BAOBÁ:

O Coletiva Negras Que Movem do Portal Gelédes teve um grande fluxo de matérias no mês de junho, sendo elas: “2022, um ano de muitos questionamentos e dúvidas: Como será o amanhã nas escolas públicas?”; “Rede de mulheres negras discute justiça social em campanha intitulada “Meu Corpo É Templo”’; “A musculatura dos afetos. É preciso dançar o xirê da dignidade” e “A questão racial no Brasil hoje: O que eu aprendi com Sueli Carneiro?”.

A Tayna Maisa também publicou no instagram um post falando sobre o seu novo cardápio de comidas afro juninas, e mencionou o Baobá apontando o Fundo como um mecanismo muito importante para auxiliar pessoas pretas a enxergarem suas pautas e encontrarem caminhos para tornarem-se pessoas prósperas.

O @canalmynews no instagram entrevistou a apoiada Clara Marinho (@claramp), que falou: “O Brasil pode ser um país rico, com distribuição de renda adequada, que valorize os talentos das pessoas negras”. E a Julia Moa (@juliamoa___), mencionou o Baobá ao falar: “Tive o privilégio de integrar o corpo de jornalistas que produziu as reportagens sobre os frutos do primeiro ‘Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Negras: Marielle Franco’, iniciativa do @fundobaoba”.

Sueli Carneiro completa 72 anos 

Por Ingrid Ferreira

No dia 24 de junho de 1950 nasceu em São Paulo Sueli Carneiro, atual Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá. Primeira filha de Eva e José Horácio e,  até seus 4 anos de idade, filha única, até que a prole do casal começou a crescer. Sueli foi alfabetizada pela mãe, que além de ensinar as letras ensinou às filhas a importância de serem independentes.

A filha mais velha do casal sempre carregou os conhecimentos da mãe, que ensinou aos seus descendentes como era crucial nunca permitirem que ninguém usasse do racismo para lhes ofender, e Sueli,  como boa filha de Ogum, sempre esteve pronta para guerrear e lutar pelos seus direitos.

Mas a sua trajetória foi e continua sendo árdua, sua vida não só daria um livro, como de fato resultou na biografia escrita por Bianca Santana, que carrega o nome “Continuo Preta – A Vida de Sueli Carneiro”, em que Sueli abriu seu coração e contou os fatos que cercaram sua vida pessoal, profissional, acadêmica, militante, amorosa e familiar.

Sueli ingressou no curso de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) no ano de 1971, durante a ditadura militar, e mesmo estando naquele período de tensão da época, foi o momento em que ela se aproximou do movimento negro e feminista. E foi ali que iniciou os seus feitos casando militância e produções acadêmicas, como encontra-se na Enciclopédia de Antropologia da USP: “Além da forte militância, Carneiro é responsável por uma vasta produção voltada para relações raciais e de gênero na sociedade brasileira, que encontra repercussão em diversas áreas do conhecimento, também na Antropologia. São mais de 150 artigos publicados em jornais e revistas, assim como 17 em livros, que buscam fazer convergir ativismo e reflexão teórica, por exemplo: Mulher negra (1995), Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil (2011) e Escritos de uma vida (2018).”

Sueli além de ser a atual Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá, é fundadora e atual Coordenadora de Difusão e Gestão da Memória Institucional do Geledés (Instituto da Mulher Negra),  membro do Grupo de Pesquisa “Discriminação, Preconceito e Estigma” da Faculdade de Educação da USP, membro do Conselho Consultivo do projeto Saúde das Mulheres Negras do Conectas em parceria com o Geledés, do Conselho Consultivo da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Conselho Consultivo do Projeto Mil Mulheres, e membro da Articulação Nacional de Ongs de Mulheres Negras Brasileiras; fellow da Ashoka Empreendedores Sociais.

Como consta no Portal Geledés: “Em 1988,  Sueli foi convidada a integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina, em Brasília. Após denúncias de um grupo de cantores de rap da cidade de São Paulo, que queriam proteção porque eram vítimas frequentes de agressão policial. Ela decidiu criar em 1992 um plano específico para a juventude negra, o Projeto Rappers, onde os jovens são agentes de denúncia e também multiplicadores da consciência de cidadania dos demais jovens”.

Não por acaso, há poucas semanas, Sueli participou do podcast Mano a Mano, apresentado pelo rapper Mano Brown no Spotify, episódio que teve grande repercussão na mídia, após falarem de sociedade, racismo, primórdios do rap no Brasil e a conexão com movimentos negros da época, além de visões de futuro para o povo brasileiro.

Sem dúvidas, Sueli é uma grande referência para a sua geração e posteridade.

Edital Negros, Negócios e Alimentação: Confira a lista com os classificados da primeira etapa 

O Fundo Baobá para Equidade Racial divulga hoje (terça, 08) a lista de propostas aprovadas para a 2a fase do processo seletivo do edital Negros, Negócios e Alimentação. O edital é específico para a região metropolitana de Recife e foi lançado na segunda quinzena de novembro de 2021, com apoio da General Mills. 

O objetivo do edital Negros, Negócios e Alimentação é promover a recuperação econômica de negócios voltados para o ramo da gastronomia e, ao mesmo tempo, fortalecer as e os proprietários negros ou negras em sua atuação. A sustentabilidade de um negócio depende de fatores como planejamento, gestão, inovação, parcerias e outros. Porém, para que isso seja atingido, também é necessário promover o saber dentro dessas áreas e não apenas prover o apoio financeiro.

No que tange à promoção do saber, as pessoas negras  responsaveis pelos 12 (doze) negócios selecionados após as 3 (três) etapas classificatórias, irão participar de atividades formativas, além de mentorias e trocas de experiências com outros empreendedores e especialistas do setor da alimentação e do comércio. Cada um dos projetos receberá R$ 30 mil. 

Este edital voltado para o desenvolvimento econômico se mostra necessário frente à crise econômica, agravada durante este período de pandemia da Covid-19 que impactou, de forma negativa e severa, os negócios de alimentação comandados por negros e negras na região metropolitana de Recife,  composta pelas seguintes cidades: Jaboatão dos Guararapes, Olinda Paulista, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Abreu de Lima, Ipojuca, São Lourenço da Mata, Igarassu, Moreno, Itapissuma, Ilha de Itamaracá e Araçoiaba.

Para que o edital fosse conhecido e para que houvesse maior adesão por empreendedoras e  empreendedores locais, além das ações de mobilização comunitária que estavam sendo realizadas nos territórios, uma missão do Fundo Baobá foi deslocada até Recife, onde permaneceu por cinco dias promovendo encontros com comerciantes locais que tinham dúvidas sobre a forma de participar do edital. Para mobilizar empreendedores e empreendedoras negros e negras, obter visibilidade na mídia com ampla divulgação do edital Negros, Negócios e Alimentação, o Fundo Baobá contou com apoio da Retruco, agência de jornalismo independente, idealizada por jovens jornalistas, cineastas  e designers de Pernambuco. Dúvidas dirimidas, foram recebidas 60 inscrições. Para a segunda etapa do processo seletivo foram classificadas 46 propostas. A lista pode ser acessada neste link

 

Perfil das Propostas

As propostas selecionadas estão concentradas em 8 dos 14 municípios da Grande Recife e envolvem, prioritariamente, negócios liderados por mulheres ou pessoas de gênero feminino (76,08%), com  escolaridade que varia do fundamental incompleto à pós-graduação. Os negócios estão mais na zona urbana (97,82%) e alguns funcionam desde a década de 1970.

 

Município dos projetos selecionados para a 2ª Fase do Edital:

  • Recife – 29 (63, 04%)
  • Olinda – 8 (17,39 %)
  • Paulista – 2 (4,34%)
  • São Lourenço da Mata – 2 (4,34%)
  • Ipojuca – 2 (4,34%)
  • Cabo de Santo Agostinho – 1 (2,17%)
  • Camaragibe – 1 (2,17%)
  • Jaboatão dos Guararapes – 1 (2,17%)

 

Atuação no ramo alimentício do(a) empreendedor(a)  selecionades para a 2ª Fase do Edital:

  • Bares – 3 (6,52%)
  • Buffet, comida para festas e outros eventos – 7 (15,21%)
  • Comida por encomenda ou para entrega (delivery) – 25 (54, 34%)
  • Food trucks – 1 (2,17%)
  • Restaurantes – 7 (15,21%)
  • Delivery e na feira de orgânicos – 1 (2,17%)
  • Tapiocaria itinerante – 1 (2,17%)
  • Doceria e delicatessen – 1 (2,17%)

 

Próximas listas classificatórias

Seguindo o que determina o cronograma do edital Negros, Negócios e Alimentação, a lista com os classificados na segunda etapa será divulgada no dia 10 de março de 2022 após as 19 horas. A lista final, por sua vez, sairá em 31 de março, também após as 19 horas

Para acompanhar todas as atualizações e novidades do Edital Negros, Negócios e Alimentação, clique aqui.

Banco BV no Projeto de Recuperação Econômica

Tiago Soares, gerente executivo de sustentabilidade e patrocínios no BV  fala sobre a participação da instituição no Programa de Recuperação Econômica.

Por Ingrid Ferreira

O Programa de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores (as) Negros (as), criado em 2020 durante a pandemia, foi uma ferramenta de urgência que teve como objetivo apoiar nano e pequenos empreendedores(as) negros(as) que tiveram os seus negócios afetados pela pandemia da covid-19, em especial pelo lockdown que ocorreu na tentativa de barrar a disseminação do vírus.

Essa iniciativa do Fundo Baobá para Equidade Racial contou com apoio da Coca-Cola Foundation, Instituto Coca-Cola Brasil, Banco BV e Instituto Votorantim. Para além do apoio financeiro de R$30 mil por iniciativa (R$ 10 mil por empreendedor/a), as e os participantes tiveram formações sobre empreendedorismo, gestão e planejamento dos negócios, controle de finanças, marketing, precificação, entre outros temas, para auxiliá-los na administração de seus negócios. Na matéria Fundo Baobá divulga a Avaliação do Programa de Recuperação Econômica  de Pequenos Negócios de Empreendedores(as) Negros(as) é possível ver os resultados alcançados pelo Programa. 

Pensando em compreender um pouco mais a experiência das instituições que fazem o investimento social privado no segundo ano em que o mundo ainda se encontra nesta grave pandemia, o Fundo Baobá entrevistou Tiago Soares, gerente executivo de sustentabilidade e patrocínios no Banco BV, para compreender a visão de impacto adotada pelo BV nesta parceria para apoiar empreendedoras negras e empreendedores negros e estimular pequenos arranjos produtivos locais em todo o país.

Tiago Soares – Gerente Executivo de Sustentabilidade e Patrocínios no Banco BV

Ao ser questionado sobre o motivo do apoio do BV ao edital de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores Negros e Negras do Fundo Baobá, Tiago diz: “O propósito do BV é levar leveza para a vida financeira das pessoas. Por isso, entende que seu papel é ser viabilizador do sucesso de empreendedores que, com a ajuda do Baobá, estão oferecendo informação e subsídio e podem promover um país com menos desigualdade”. 

Tiago Soares também explicou que, recentemente, o BV anunciou publicamente o  projeto que carrega o nome: “Compromissos para um futuro mais leve 2030”. Segundo ele, esse projeto encontra-se alinhado aos pilares ESG (sigla usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio), em que a instituição compromete-se com metas de inclusão social.

De forma muito responsável, o gerente executivo  faz uma ressalva valiosa ao afirmar que “a parceria do BV com a Baobá tem o poder de impactar a vida de muitas pessoas, não apenas dos empreendedores, mas de toda a comunidade de pessoas ao redor. O apoio vai auxiliar os empreendedores a ampliarem seus negócios, e em um futuro próximo geram novos empregos nas comunidades onde atuam”. Tiago acredita que o aporte financeiro oferecido no Programa de Recuperação Econômica tem esse intuito, de apoiar pessoas negras para que elas também possam apoiar as pessoas à sua volta e assim criar  uma corrente em que um possa apoiar o outro.

Além da parceria com o Fundo Baobá, o BV também conta com outro projeto, lançado no ano de 2021,  o Edital Cultural , que tem como objetivo selecionar projetos que fomentem as produções culturais criadas e realizadas por mulheres negras de todo o Brasil: “O edital prioriza iniciativas das regiões norte e nordeste a fim de, não só ampliar as possibilidades de acesso a uma cultura mais representativa e diversa, mas também produzir desenvolvimento social por meio da produção e acesso à cultura de e para populações em situação de vulnerabilidade social e econômica”, afirma. 

Ainda sobre o Programa de Recuperação Econômica, Tiago Soares finaliza falando sobre como o edital do Fundo Baobá se alinha aos  ideais do BV: “Tanto pelo fato de que, cada projeto apoiado, precisava ter pelo menos 3 pessoas empreendedoras envolvidas, reforçando assim alguns dos princípios do BV, como o de ser correto e parceiro. Além de atender à  pauta de dar visibilidade a pessoas negras”, finaliza.

Programa Marielle Franco: esforços, resultados e impactos produzidos pelo edital

Experiência de três organizações selecionadas no edital,  lançado em 2019, mostra a eficiência do Programa e sua influência em seus territórios de atuação 

Por  Wagner Prado

Para o mercado, a eficácia de um projeto pode ser dimensionada de várias formas: grandiosidade, lucratividade, alcance, número de envolvidos (beneficiários diretos e indiretos). Nos projetos e programas criados pelo Fundo Baobá para Equidade Racial a análise é feita a partir de fatores que estão muito além da frieza de planilhas, de números enormes, as vezes sem vida e sem história. O fato de os projetos e programas do Baobá serem voltados para o desenvolvimento e a justiça social torna o olho no olho, a relação pessoal, as pequenas e as grandes mudanças individuais, e tantos outros  aspectos, em algo muito mais que relevante. 

O Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, lançado em setembro de 2019, em sua primeira edição, teve dois editais. O primeiro, voltado para o apoio de grupos, coletivos e organizações de mulheres negras. O segundo, de apoio individual a lideranças negras. Aqui, vamos focar nas 14 organizações escolhidas entre as 15 que foram selecionadas. Aqui vamos focar em 3 das 14 organizações que seguiram até o final do Programa (originalmente foram 15 organizações, grupos e coletivas selecionadas).

Mapa das Organizações, Grupos e Coletivas Apoiadas

O objetivo do edital é fazer com que as coletivas, organizações e grupos de mulheres negras sejam fortalecidas  em todas as suas capacidades, conheçam e desenvolvam ainda mais suas potencialidades, incrementando a liderança de mulheres negras. A partir disso,  mobilizar e engajar outras pessoas e instituições na busca por justiça, equidade racial e social. O Programa é uma parceria do Fundo Baobá com a Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations.  

Para exemplificarmos as transformações ocorridas com as organizações que participaram do Programa, convidamos  três delas para o diálogo: Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba;  Movimento de Mulheres do Subúrbio Ginga (Salvador, Bahia) e Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.  

A Abayomi/PB atua na proteção e promoção dos Direitos das Mulheres. incluindo enfrentamento à violência. O Ginga/BA e a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco estão alinhadas à mesma área temática. A variação está no projeto que cada uma apresentou. 

A coletiva paraibana Abayomi inscreveu-se com o projeto Obirim Dudu: Movimentando as Estruturas Contra o Racismo. Ele consiste na produção e difusão de informações sobre as condições das mulheres negras da Paraíba, com o objetivo de contribuir para o combate das questões raciais, garantindo suporte intelectual e, por consequência, material, e fortalecendo o institucional das organizações. O Ginga trouxe o projeto Mulheres Negras, Elaborando Estratégias, Fortalecendo Saberes, que procurou instrumentalizar as entidades para concorrer, de modo mais equânime, à captação de recursos através de editais. O objetivo geral foi capacitar mulheres atuantes em movimentos sociais e lideranças de entidades em prol de outras mulheres, especialmente as negras, na captação de recursos, através da formação em elaboração de projetos de intervenção social em Salvador e região metropolitana. Já a  Rede de Mulheres Negras de Pernambuco implementou o Olori: Mulheres Negras e Periféricas Produzindo Liderança, cujo foco foi promover um processo de formação política para várias mulheres visando a construção de um projeto coletivo no futuro. O primeiro passo foi o fortalecimento institucional de três organizações que já funcionavam em parceria para que ganhassem condições de oferecer esses cursos de formação política e formação técnica para as militantes, que serão futuras lideranças. 

Transformação

Aplicar-se em um edital do Fundo Baobá não é simplesmente conseguir a classificação e  receber a dotação financeira. A organização sabe, desde o primeiro momento, que vai passar por um intenso processo de transformação.  No caso do Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, o objetivo ao final de cinco anos, tempo previsto para duração do Programa, é ter um leque de organizações, coletivos e grupos de mulheres negras fortalecidos em suas mais diversas funcionalidades, o que vai potencializar e gerar maior  protagonismo das entidades comandadas por mulheres negras.  

Com o objetivo de potencializar ação destas organizações e fomentar a ação em rede, foram implementadas atividades formativas. A Ong Criola e o Instituto Amma Psique e Negritude foram facilitadores dessa implementação.  Com a Criola foram 14 encontros, com duração de 3 horas cada, de abril a novembro de 2020, e que versaram sobre racismo, sexismo, lesbo e transfobia, políticas públicas e controle social, liderança feminina negra, segurança ativista. Cada um desses encontros teve público médio de 90 pessoas. Já o Amma trabalhou a questão do enfrentamento ao racismo e seus efeitos psicossociais. Foram 5 encontros, também com duração de 3 horas cada, com público médio de 20 pessoas por turma em cada um deles. Foram disponibilizadas três turmas. 

Para as lideranças do edital de apoio individual foram oferecidas  sessões de coach para dar suporte e garantir a implementação de seus projetos de desenvolvimento individual, além das atividades formativas anteriormente citadas. 

O Fundo Baobá ainda programou e realizou reuniões virtuais (individuais e em grupo) para atendimento visando despertar e fortalecer potenciais. De março a dezembro de 2021 foram 190 atendimentos individualizados e outros 700, por mensagem e telefone, dirimindo as dúvidas, derrubando inseguranças e esclarecendo as incertezas surgidas principalmente no contexto da pandemia. As reuniões e atendimentos contribuíram para que elas pudessem criar condições favoráveis para alcançar seus objetivos individuais e coletivos. 

Parcerias

Alcançar excelência requer esforço, foco, resiliência e união.  Para que as barreiras que surjam em jornadas de transformação sejam suplantadas, atuar de forma isolada não é o melhor caminho. Firmar parcerias é algo de extrema importância. As lideranças apoiadas individual ou coletivamente pelo Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco reiteraram que a busca de parceiros (ou o fortalecimento de parcerias já estabelecidas) é algo que pode viabilizar o alcance de resultados, dada às experiências que podem ser compartilhadas, responsabilidades que podem ser divididas, habilidades que podem ser complementadas, ligações externas que se pode alcançar, aporte financeiro que pode ser gerado, além de muitas outras variáveis. Entre as 14 organizações escolhidas, 43% reconheceram ter ampliado sua capacidade de mobilizar novos parceiros; 36% disseram que essa capacidade estava em franca construção e 7% foram unânimes no diagnóstico de que a capacidade de mobilizar novos parceiros era plena. 

Entre as lideranças femininas negras apoiadas individualmente, o estabelecimento de parcerias visando o alcance dos objetivos pretendidos foi total.  365 apoiadas firmaram parcerias com instituições; 187, com indivíduos e 85% declararam ter se juntado a outras também apoiadas. 

Olhando o futuro

Após  a jornada de aprendizado e transformação e cientes de suas novas potencialidades, fazer projeções futuras de crescimento e realizações passou a ser o objetivo dessas organizações. 

Abayomi: 

O apoio do Fundo Baobá nos projetou como uma organização capaz de executar projetos e nos evidenciou para outras apoiadoras. Sendo assim, pretendemos seguir nesse caminho de pleitear outros financiamentos para sustentar nossa ação política. Nossos planos para os próximos 12 meses são, a partir do projeto (aprovado) do FBDH (Fundo Brasil de Direitos Humanos), a continuidade das ações nos territórios, o fortalecimento institucional e a manutenção de articulações e mobilizações políticas em conjunto com as organizações e movimentos locais, regionais e nacionais. Em nosso planejamento consta o envio de propostas de projeto para a produção de conteúdos e informações e realização de cursos e capacitações. Pretendemos também incorporar a questão da violência contra as mulheres negras e saúde de população negra como prioritárias para os próximos dois anos“,  afirmou Durvalina Rodrigues Lima, representante da organização. 

Movimento de Mulheres do Subúrbio Ginga

“Com base no aprendizado adquirido com a execução desse projeto, iremos nos lançar em editais mais complexos, com maior segurança acerca da gestão. Essa experiência também nos proporcionou novas articulações e ações em rede, as quais pretendemos dar continuidade, como, por exemplo, a realização de lives mensais com representantes das entidades que compõem essa nova rede estabelecida, para o diálogo sobre temáticas alinhadas aos objetivos do nosso coletivo. Estamos iniciando o projeto da horta comunitária, com o apoio da Terra Vida Soluções Ecológicas, a partir do sistema de compostagem urbana, o qual poderá contribuir para que o nosso grupo possa se tornar um ponto de referência no território, como multiplicador de práticas sustentáveis”, diz Carine Lustosa, integrante do Ginga.  

Rede de Mulheres Negras de Pernambuco: 

“Cidadania Feminina – manter o diálogo com as mulheres que participaram das formações, para contribuir com o fortalecimento dessas lideranças nos seus territórios. Exercitar o aprendizado sobre planejamento organizacional nas atividades e ações da instituição. Buscar e concorrer a editais para apresentação de projetos. Espaço Mulher – buscar parcerias. Com a possibilidade do CNPJ vamos buscar editais para nossa sustentabilidade financeira. E vamos continuar o que já fazemos:  cuidar, acolher, apoiar e fortalecer as mulheres não só do grupo, mas também da comunidade de Passarinho “, afirma Rosita Maria Marques, da direção da Rede. 

Impactos

As ações promovidas pelas organizações Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba;  Movimento de Mulheres do Subúrbio Ginga (Salvador) e Rede de Mulheres Negras de Pernambuco dão a ideia do impacto que elas e as demais 11 organizações têm provocado nas comunidades dos territórios em que atuam.  Os trabalhos executados por elas alcançaram 20.066 pessoas, sendo 17.056 mulheres (85%)  e 3.010 homens (15%). As ações de compartilhamento de saberes e aprendizados alcançaram 9.741 pessoas negras (mulheres e homens – 74%) e 3.370 não negras (26%). 

Beneficiários Indiretos – edital de apoio coletivo

Entre outras realizações, o Abayomi  conseguiu: a) maior circulação de informações sobre a população negra para subsidiar a luta contra o racismo; b) comunidades fortalecidas e a ampliação do debate sobre as condições das mulheres negras no contexto da pandemia; c) manteve a articulação com diferentes ativistas e organizações, entre eles o Minicurso Aya. 

O Ginga promoveu: a) capacitação de mulheres atuantes em movimentos sociais e lideranças de entidades em prol de mulheres, especialmente negras; b) formação em elaboração de projetos de intervenção social em Salvador e região metropolitana; c) o curso promovido pelo Ginga foi adaptado para o formato remoto, devido à pandemia da Covid-19, possibilitando alcançar entidades do interior do estado.

A Rede de Mulheres Negras de Pernambuco organizou: a) processos de formação políticas para qualificar cada vez sua própria atuação e apoiar o surgimento de outras lideranças e referências; b)processo de formação política junto a mulheres das entidades Espaço Mulher e Cidadania Feminina e executou um projeto coletivamente pela primeira vez; c) o despertar da liderança em suas líderes, que  superaram  o medo de trabalhar de maneira virtual, manuseando as plataformas digitais. 

20.505

Os projetos idealizados pelas organizações,grupos e coletivos de mulheres negras apoiados pelo Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco beneficiaram indiretamente 20.505 pessoas, em diferentes fases do ciclo da vida, dentro e fora do país, residentes em zona urbana e rural, com ou sem acesso a educação formal. Essas, com certeza, terão o poder de influenciar outras tantas, a partir dos relacionamentos que foram estabelecidos e dos conhecimentos que conseguiram alcançar.  

Gratidão

Sulamita Rosa da Silva, licenciada em Pedagogia e Mestra em Educação pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e doutoranda em Educação Pela Universidade de São Paulo, foi contemplada no edital de apoio individual do Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. Líder da Rede Mulherações – Rede de Formações para Negras, Afro Indígenas e Indígenas do Acre,  demonstra sua gratidão pelo apoio recebido: “Compartilhei aprendizagens e saberes em forma de cursos, eventos, podcasts, publicações entre outros, contribuindo com a comunicação e memória de intelectuais negras, que tanto contribuíram para a compreensão da cultura brasileira de modo decolonial. Desenvolvi podcasts também como forma de popularização do conhecimento científico, além de começar a articular a escrita acadêmica com o pensamento feminista negro, visando uma educação emancipadora e autodefinida. Tive uma narrativa curta publicada no livro –  Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras, resultado este do processo formativo da Festa Literária da Periferia (Flup),  contando com 180 autoras negras de todo o Brasil”, disse. 

No edital que selecionou 63 mulheres e que, ao final, contou com 59 apoiadas, os estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraiba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) concentraram o maior número de apoiadas: 26. As lideranças femininas negras apoiadas compartilharam aprendizados com mais de 500 mil pessoas em suas redes profissionais, de estudo e de militância. Entre as pessoas alcançadas estão pessoas não binárias, transgêneres e travestis, quilombolas, migrantes, refugiados, adultos, adolescentes, jovens e idosos. 

O Fundo Baobá para Equidade Racial fez um trabalho de análise e tabulação de dados  do Programa de Aceleração de Lideranças Femininas: Marielle Franco. Para obter mais detalhes, acesse este link.

Inscrições para o edital Negros, Negócios e Alimentação serão encerradas nesta quinta-feira, 27 de janeiro

As inscrições do edital Negros, Negócios e Alimentação se encerram hoje, dia 27 de janeiro, às 17 horas. O edital é voltado para empreendedores (as) negros (as) do ramo da alimentação no Recife. Esta será a última oportunidade para que os empreendedores interessados possam se inscrever. O projeto do Fundo Baobá para Equidade Racial tem apoio da General Mills, empresa global de alimentos dona de marcas como Yoki, Kitano e Häagen-Dazs no país.

O edital foi lançado em novembro de 2021, com o intuito de contribuir para a recuperação econômica de negócios do ramo da gastronomia, voltado para os empreendedores e empreendedoras negros(as) e vai contribuir para a ampliação de suas capacidades de planejar, fazer gestão, inovar, ampliar ou estabelecer uma infraestrutura mínima para sustentabilidade de seus negócios.

Os inscritos devem ser empreendedores(as) negros(as) do setor gastronômico, com 18 anos ou mais, que tenham negócio instalado e em funcionamento há 3 anos ou mais, que trabalhem com alimentação de consumo imediato, como almoços, jantares, salgados, bolos, pratos típicos e regionais, dentre todas as opções de cardápio; empresários que trabalhem com  food truck, comida de rua e que sejam ambulantes também podem participar.

Os empreendimentos devem estar localizados no estado de Pernambuco, nas seguintes cidades: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda,  Paulista, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Abreu de Lima, Ipojuca, São Lourenço da Mata, Igarassu, Moreno, Itapissuma, Ilha de Itamaracá e Araçoiaba. As propostas apresentadas por mulheres negras cis ou trans e de empreendedores(as) negros(as) que nunca foram apoiadas(os) pelo Fundo Baobá para Equidade Racial serão priorizadas.

Os selecionados receberão um aporte financeiro de R$ 30 mil, além de assessoria e suporte técnico, e terão 09 (nove) meses para executar os seus projetos  e apresentar a prestação de contas final.

Os interessados podem se inscrever através do link oficial do edital na página do Fundo Baobá, onde encontram-se os critérios de elegibilidade do programa. Ressaltando que a regra da obrigatoriedade de ter CNPJ foi retirada, como consta na matéria Fundo Baobá altera regras de edital de apoio a empreendedores negros da alimentação na Região Metropolitana do Recife.

Realizadores

Criado em 2011, o Fundo Baobá para Equidade Racial é o primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, para a promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. Orientado pelos princípios de ética, transparência e gestão, mobiliza recursos financeiros e humanos, dentro e fora do país, e investe em iniciativas da sociedade civil negra para o enfrentamento ao racismo e promoção da justiça social.

A General Mills é uma empresa líder global em alimentos e trabalha “fazendo os alimentos que o mundo ama”. Com sede em Minneapolis, Minnesota, EUA, a companhia chegou ao Brasil em 1997. Em novembro de 2020, assumiu publicamente o compromisso de ser um instrumento importante de mudança promovendo iniciativas práticas para equidade racial. Ao reconhecer que o racismo deixa marcas todos os dias em diversas sociedades, há séculos, a empresa se mobiliza e busca contribuir para os avanços em políticas de inclusão e, sobretudo, de preservação da vida de pessoas negras.

 O Edital Doações Emergenciais Transformou o Cenário de Combate da Covid-19

O Fundo Baobá para Equidade Racial agiu de forma atemporal ao compreender as necessidades sociais que surgiriam com a pandemia do novo Coronavírus.

Por Ingrid Ferreira

O ano de 2020 foi marcado pelo início da pandemia da Covid-19 no país, e com a crise sanitária, a população sofreu. Os impactos da crise econômica foram intensificados, as restrições impostas pelo isolamento social afetaram, principalmente, as pessoas que já viviam em condições de vulnerabilidade.

Avaliando esse cenário, o Fundo Baobá para Equidade Racial, usando recursos próprios e remanejando outros vindos da Fundação Ford e que seriam destinados a atividades voltadas para o seu próprio fortalecimento institucional, lançou no dia 5 de abril de 2020 o edital “Doações Emergenciais no Contexto da Pandemia da Covid-19”, para apoiar iniciativas individuais ou de organizações que respondessem às necessidades mais imediatas da comunidade negra naquele momento.

A seleção priorizou ações de prevenção e apoio às pessoas, famílias e comunidades mais carentes em todo o Brasil. As iniciativas selecionadas, em sua maioria, eram voltadas à aquisição, fabricação e distribuição de insumos de prevenção como máscaras, produtos de higiene pessoal e de limpeza; aquisição e distribuição de cestas básicas e/ou marmitas, além da produção de conteúdos e disseminação de informações sobre a Covid-19 .

O edital foi pensado e implementado em tempo recorde, dada à emergência  e à possibilidade do colapso social que estava por vir e, de fato, veio. De acordo com o boletim da Fiocruz “Observatório Covid-19”, o ano de 2021 terminou com mais de 600 mil óbitos e 22 milhões de casos registrados por Covid-19; no estudo realizado pela Rede de Pesquisa Solidária  “Boletim do Políticas Públicas & Sociedade, é apresentado que homens negros morrem mais por Covid-19 quando comparados aos  homens brancos, ainda que em ocupações socialmente interpretadas como de elite (engenharia, direito, arquitetura).Mulheres negras morrem mais que todos os demais segmentos populacionais (homens negros e brancos e mulheres brancas) em quase todas os setores em que estejam atuando profissionalmente.  

Segundo dados que se encontram no e-book “O que aprendemos com nossas respostas à pandemia?”, que foi feito com o intuito de apresentar as ações emergenciais realizadas pelo Fundo Baobá no início da pandemia e seus resultados: Em apenas 12 dias, o edital recebeu 1.037 inscrições de todas as regiões do país, sendo 387 iniciativas de organizações sociais e 650 iniciativas de pessoas (indivíduos). Foram selecionadas 215 propostas individuais e 135 propostas de organizações. Cada iniciativa recebeu até R$ 2,5 mil para ações de prevenção em comunidades periféricas, de difícil acesso e populações vulneráveis.

Distribuição das propostas apoiadas por região do país (apoios para indivíduos e organizações)

Ao analisar relatórios e ouvir relatos observou-se que o maior desafio enfrentado pelos indivíduos apoiados pelo Baobá foi de atender todas as demandas apresentadas pelas pessoas atendidas, representado por 32,3%;  já no caso das organizações, 28,6% afirmam que a maior dificuldade foi conscientizar a população acerca dos riscos da pandemia. Foi acertado o investimento do Baobá em iniciativas individuais porque as lideranças recebendo um primeiro apoio, poderiam buscar outros, não por acaso entre os indivíduos apoiados o menor desafio enfrentado foi mobilizar parceiros/atores estratégicos (4,0%), o medo de se infectar existia, mas não foi impeditivo (ainda que alguns tenham adoecido ou perdido familiares durante o período de implementação das ações). Entre as organizações o menor desafio foi o de proteger voluntários (1,8%). 

No depoimento da selecionada Pâmella Santos, do bairro da Pavuna, no Rio de Janeiro, é possível perceber a grandiosidade das ações que o edital ajudou a promover: “Eu e mais quatro jovens mapeamos uma comunidade muito vulnerável, dentro do Complexo da Pedreira, que tinha esgoto a céu aberto, e levamos kits de higiene. Mesmo usando máscara, era nítida a felicidade no olhar em receber algo que eles não tinham condições de comprar”.

O contexto de emergência sanitária deixou ainda mais nítida a necessidade do enfrentamento ao racismo estrutural vivenciado por diferentes grupos negros. Como descrito no e-book: “As iniciativas incluíram ações dirigidas à população negra no geral, comunidades periféricas, idosos, população em situação de rua, prostitutas, travestis e transgêneres, quilombolas, indígenas, migrantes e refugiados e crianças matriculadas nos primeiros anos do ciclo básico, pessoas residentes em territórios urbanos ou rurais, centrais ou periféricos.”

Mais  de 54 mil pessoas (prioritariamente pessoas negras, de sexo feminino e idade superior a 30 anos) foram indiretamente beneficiadas pelo Baobá a partir das ações implementadas por indivíduos e mais de 57 mil pessoas (prioritariamente pessoas negras ou indígenas, de sexo feminino e idade superior a 30 anos) por meio das ações realizadas  pelas organizações.

É possível observar a grandiosidade da iniciativa  nos relatos das (os) apoiadas (os), como é o caso da fala da Francisca Luciene da Silva de Natal no Rio Grande do Norte: “O projeto do Baobá abriu portas para que outras instituições, outros parceiros viessem e dessem a sua contribuição”. A apoiada Thalyta Cunha, da região de Del Castilho no Rio de Janeiro em seu depoimento também mostra a importância desse projeto a longo prazo quando fala que “Eu sou fruto de um projeto assim, e hoje eu me vejo como uma ferramenta, para que essas pessoas passem pela mesma evolução que eu passei”. 

Para acessar o material do e-book, clique aqui.

Fundo Baobá altera regras de edital de apoio a empreendedores negros da alimentação na Região Metropolitana do Recife

Por Eduarda Nunes e Luane Ferraz

O Fundo Baobá, em parceria com a General Mills, comunica a alteração da regra da exigência de CNPJ ativo até 2019 para a validação da inscrição do empreendedor no edital “Negros, Negócios e Alimentação”. A mudança se dá devido aos avanços da Covid-19, influenza e Ômicron em Pernambuco e em todo o país e, por consequência, o agravamento da vulnerabilidade econômica para empreendoras negras  e empreendedores negros.

Com a mudança, qualquer pessoa negra que tenha um empreendimento, instalado e em funcionamento há 3 anos ou mais, na área de alimentação, gastronomia e culinária, no Recife e região metropolitana, seja de maneira formal ou informal,  torna-se apta para a seleção.

Além disso, entre os próximos dias 20 (19h às 21h), 21 (9h às 12h) e 24 (9h às 17h), as pessoas interessadas podem se dirigir ao Hotel Central (Av. Manoel Borba, 209 – Boa Vista) para tirar dúvidas e se inscrever com apoio da equipe executiva do Fundo Baobá.

Em função da pandemia, esta é a primeira atividade presencial da instituição  para divulgação de um edital,  desde setembro de 2019. Na estadia em Recife, a direção do Fundo Baobá se encontrará com lideranças locais e potenciais candidatos ao  edital vigente, além de pessoas e organizações que já foram apoiadas pelo Baobá em editais passados.

A visita marca também o retorno à cidade que foi o local de origem e a primeira sede do Fundo Baobá para Equidade Racial.

A iniciativa

Pensando em contribuir na recuperação econômica desses negócios e promover às empreendedoras e  empreendedores negros uma ampliação de suas capacidades de planejar e fazer gestão, esta iniciativa do Fundo Baobá, em parceria com a General Mills, vai apoiar 12 (doze) empreendimentos negros do ramo de alimentação de consumo imediato, instalados e em funcionamento há 3 anos ou mais na Região Metropolitana de Recife.

As empreendedoras e empreendedores selecionados receberão um aporte financeiro de R$ 30.000 (trinta mil reais), além de assessoria e suporte técnico. Terão 8 (oito) meses para executar os seus projetos  e 30 dias para apresentar a prestação de contas final. Ou seja, o projeto terá duração de 9 meses.

Serão priorizadas propostas que envolvam negócios da gastronomia negra, formalizados (com CNPJ) e aqueles situados em Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Cabo de Santo Agostinho e Camaragibe, dado que estas cidades concentram 90% dos negócios deste setor. Além de inscrições feitas por mulheres negras cis ou trans e de empreendedores(as) negros(as) que nunca foram apoiadas(os) pelo Fundo Baobá para Equidade Racial.

Para as pessoas negras que empreendem, o ramo alimentício está entre as 10 áreas de maior presença no mercado. Entretanto, com a crise econômica agravada pela pandemia da Covid-19, muitos pontos de venda fixos foram impactados negativamente, em especial os negócios formalizados (com CNPJ), cujos donos eram mulheres ou pessoas com idade entre 35 e 54 anos.

Inscrições

As inscrições para o edital Negros, Negócios e Alimentação estarão abertas até o próximo dia 27 às 17h. Pessoas interessadas devem preencher o formulário eletrônico disponível exclusivamente neste link.  

Vale lembrar que o processo de seleção contará com três etapas eliminatórias. O resultado final será divulgado no dia 31 de março de 2022, após as 19h, no site oficial do Fundo Baobá (baoba.org.br). 

Para entender melhor os critérios de elegibilidade do programa, basta acessar o edital através deste link

Fundo Baobá divulga a Avaliação do Programa de Recuperação Econômica  de Pequenos Negócios de Empreendedores(as) Negros(as)

Por Jessica Moreira

A população negra sempre empreendeu. Diante de tantos desafios e do próprio racismo estrutural, precisou aprender na prática como criar seus próprios negócios, mesmo sem incentivos ou políticas públicas que dessem conta de tantas necessidades.

Negros e negras são protagonistas quando o assunto é inovação e jeito de empreender. Com modelos de negócios que realmente impactam as comunidades onde estão inseridos, fazem a diferença com formatos mais circulares e comunitários que fogem da lógica capitalista tradicional.

Mas será que, em meio à pandemia, esses empreendedores conseguiram manter seus negócios ativos? Quais foram os maiores desafios? Quais foram as políticas de incentivo criadas ou não para apoiar esses líderes de negócios que atuam nas comunidades que foram as mais impactadas pela pandemia?

Pensando nos mais diversos desafios que se apresentavam e que ainda se estendem em todo o país, o Fundo Baobá para Equidade Racial, em parceria com Coca Cola Foundation, Instituto Coca Cola Brasil, BV e Instituto Votorantim, lançou em novembro de 2020 o Programa de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores(as) Negros(as).

Junto ao Fa.vela — um hub de educação e aprendizagem empreendedora, inovadora, digital e inclusiva — acompanhamos 46 iniciativas e 137 empreendedores de todo o Brasil durante todo o ano de 2021, e as mesmas receberam o apoio financeiro de R$30 mil por iniciativa.

Com consultorias, oficinas e processos de troca e aprendizagem de modo virtual, entendemos a potência de apoiar financeiramente esses empreendimentos, chegando ao fim de 2021 celebrando a permanência desses pequenos negócios, que não só fortalecem o ecossistema do afroempreendedorismo no Brasil, como também de todas as territorialidades onde atuam.

Por que apoiar empreendimentos negros?

Com uma vasta diversidade de negócios, podemos notar mais uma vez as potências criativas que vêm das bordas, tanto das cidades quanto do campo, entendendo que apoiá-las e incentivá-las a crescer também é uma forma de pensar a autonomia financeira da população negra, que ainda sofre com o racismo em nosso país.

Mais da metade da população brasileira é negra, composta por cerca de 56% de pretos e pardos. Desses, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que, pelo menos, 14 milhões sejam empreendedores. Um mercado que chega a movimentar anualmente até 1,73 trilhão da economia do país.

Com a pandemia, todo o ecossistema de negócios foi abalado. A Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2020), realizada no Brasil em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o IBPQ (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade),  mostrou que, de 2019 para 2020, o número de empreendedores no Brasil caiu de 53,4 milhões para 43,9 milhões.

Mas se tem um nicho que sofreu ainda mais, esse com certeza foi o dos pequenos empreendedores, principalmente negros e periféricos:

A pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) com 7.403 empresários, em junho de 2020, mostra que os negócios liderados pela população negra foram os mais impactados, principalmente por atenderem essencialmente de modo presencial (45%). Entre os brancos, a proporção foi de 36%.

De todos os entrevistados, 70% dos negócios eram conduzidos por negros que moravam em municípios onde ocorreram o fechamento parcial ou total dos estabelecimentos. Neste cenário, a maioria era jovem, mulheres e com baixo nível de escolaridade.

O necessário isolamento para frear o novo coronavírus veio cheio de dificuldades para a manutenção dos próprios negócios. A mesma pesquisa aponta que 46% dos empreendimentos conduzidos por negros tiveram que interromper temporariamente seu funcionamento.

Em meio a um cenário de crise, empreendedores negros ainda tiveram mais recusa na hora de pedir empréstimo (61%) quando comparado aos brancos (55%), mesmo o valor solicitado por negros (R$28 mil) sendo 26% mais baixo do que de brancos (R$37 mil).

Levando todo esse cenário em consideração, nosso objetivo com o Programa de Recuperação Econômica foi apoiar empreendedoras e empreendedores negros das periferias a atravessar esse momento de crise causado pela pandemia da Covid-19.

Ao final do programa, realizamos um processo de avaliação de resultados, com objetivo de contar como essas mulheres e homens, distribuídos por todos os cantos do Brasil, estão fazendo a diferença em seus territórios. Mesmo diante de uma crise também econômica, eles continuam girando a economia local, além de multiplicarem seus saberes e serviços a outros e novos empreendedores.

Caminhos da avaliação

Para chegar aos resultados do programa, contamos com o apoio de uma consultoria externa, a Janela 8, e percorremos alguns caminhos em conjunto com apoiadores, executores e participantes do programa. O primeiro passo foi a análise de informações e documentos coletados durante o programa, como o levantamento das inscrições e demais bases de dados de participantes nos processos produtivos, relatórios narrativos e prestação de contas elaboradas pelos próprios empreendedores e empreendedoras.

Os relatórios elaborados pelo Hub Fa.vela também foram importantes referências para chegarmos ao detalhamento da avaliação, e também para definir os principais pontos de transformação desejados pelo programa por meio de uma Teoria da Mudança.

A Teoria da Mudança permitiu delimitar o impacto desejado do programa: a promoção de uma vida digna a sujeitos e famílias negras por meio da melhoria de suas condições financeiras. Além disso, foram destacados os principais resultados, produtos, intervenções e público-alvo, bem como as premissas da realização do Programa.

A partir daí, foram realizadas entrevistas com stakeholders e grupos de escutas com participantes do programa. Os dados e informações coletados foram analisados e consolidados em um relatório completo e em um resumo executivo (disponível para download aqui).

Perfil dos participantes

“Não existem editais que apoiam o nordeste e a população negra”, foi uma frase recorrente no processo de avaliação do programa.

Entendendo a importância da diversidade geográfica e a realidade das iniciativas localizadas na região norte e nordeste, com apoio aquém do que necessitam, o Programa de Recuperação Econômica priorizou essas regiões na seleção de empreendedores(as).

O Nordeste é o local onde estão concentradas a maioria das iniciativas selecionadas, com destaque para a Bahia (37%). Falar em território neste momento de pandemia é lembrar que a Covid-19 não afetou as populações apenas nos mais altos picos da doença, mas também economicamente, inclusive na pós-primeira onda da doença.

Com o desemprego batendo recordes em 2021, muitas pessoas precisaram recorrer a trabalhos informais ou, então, erguer seus próprios meios de sobrevivência e sustentabilidade. O programa foi importante por apoiar negócios de pessoas que trabalham principalmente sozinhas (44%) ou com suas famílias (31%). Além disso, mais de 60% dos empreendimentos apoiados empregavam pelo menos 1 (uma) pessoa na sua atividade (de maneira informal ou formal) ao longo da execução do Programa.

Mulheres negras: lideranças de negócios

Selecionamos 46 iniciativas compostas por três empreendedores e empreendedoras negras em todo o Brasil, contemplando ao todo 137 empreendedores(as). A principal faixa etária de participação está entre 25 e 35 anos (43%), seguida de pessoas que têm entre 36 e 50 anos (36%). Mais da metade dos empreendimentos (56%) é formado unicamente por mulheres, mostrando como o programa impactou principalmente as mulheres negras.

Já em relação à escolaridade houve uma distribuição importante entre pessoas com diferentes níveis de formação: 25% possui ensino médio completo, 24% superior incompleto e 26% superior completo.

Empreendedorismo a partir das periferias

Dentre os negócios apoiados pelo programa, a maioria se enquadra em quatro segmentos:

alimentação (19%), artesanato (13%), agricultura (12%), costura (12%) e beleza (8%). O Programa também apoiou iniciativas nas áreas de moda e vestuário, turismo, saúde, comunicação, cultura e eventos, educação, pesca e prestação de serviços.

As iniciativas contempladas estão localizadas essencialmente em áreas urbanas (73%) e nas periferias (77%), mostrando a importância, mais uma vez, dos negócios locais.

Estar nas periferias também simbolizou um desafio, diante das longas distâncias, já que algumas iniciativas optaram pelo formato de delivery, exigindo pensar meios de transporte para essas entregas, como podemos ver neste depoimento.

“A gente já tinha dado início ao empreendimento e o projeto deu um incentivo pra gente dar continuidade. Nesse tempo de pandemia tivemos que dar uma pausa no atendimento por conta das aglomerações. A gente teve que pausar 1 ano e meio. Surgiu outra ideia que a gente teve pra não ficar totalmente parada. A gente teve a ideia de entregar bolo, mas a cidade fica a 13 km da nossa comunidade. O projeto surgiu em uma hora de um grande desafio, aprimorou a iniciativa.

O impacto nas comunidades

Os empreendedores se relacionaram com suas comunidades das mais diferentes formas, seja pela disseminação de conteúdo, pelo compartilhamento dos aprendizados adquiridos ao longo do programa ou, então, apoiando a doação de cestas básicas diante da insegurança alimentar que se impôs em todo o território brasileiro em meio à crise sanitária.

Segundo os relatos dos empreendedores, ao menos 16% afirmam que suas comunidades são um importante público consumidor. Além disso, 27% dos negócios geram empregos no território, como podemos notar ao ouvir alguns relatos como este: “Conseguimos dar mais visibilidade, aumentar a mão de obra e aumentar o espaço. Com o espaço maior, deu mais visibilidade e atraiu mais público. Fez muita diferença. Hoje nossa iniciativa tem mais condições de receber o público que a gente tá recebendo hoje. Conseguimos também ajudar mais gente na comunidade”, apontam.

O programa foi um grande fomentador do sentimento de pertencimento em relação à comunidade, uma vez que havia incentivo para olhar ao redor e pensar o negócio por meio da população local, além de fortalecer os próprios territórios, como diz uma das empreendedoras: “Para nós, é importante o impacto das nossas atividades e empreendimentos para a comunidade, pois acreditamos que podemos crescer juntas. Sendo assim, realizamos oficinas, formações, rodas de conversa aprimorando as técnicas de cada empreendedora e dialogando o saber com a comunidade.”

Achados e potências do programa

Da chegada ao programa até o processo de avaliação, os empreendedores negros e negras foram adquirindo diversos aprendizados, capazes de garantir a sobrevida de seus negócios e também ampliar o impacto que já tinham em seus locais.

Segundo as próprias lideranças dos negócios, 3.020 pessoas que vivem nas comunidades próximas aos projetos foram indiretamente beneficiadas, já que o programa fomentou positivamente o espírito de pertencimento às comunidades onde estão inseridos e incentivou a realização de ações locais.

De todo o programa, os processos formativos foram o coração da jornada. No total, foram 447 horas dedicadas a aprender, sendo 282 dessas dedicadas às mentorias customizadas a cada negócio.

Sendo as periferias espaços já conhecidos de partilha de conhecimento – prática herdada pela experiência vivida em comunidade por quilombos e territórios indígenas –, no programa essa experiência de dividir os aprendizados também ficou evidente nos depoimentos colhidos.

Empreendedores narraram a realização de ações de disseminação de conteúdo e recursos para as comunidades onde estão inseridas, o que colaborou nessa ampliação em maior escala do programa, fortalecendo também os laços dos negócios, especialmente entre as mulheres negras.

As mentorias também foram benéficas para ampliar o entendimento sobre os projetos, definir prioridades, tirar dúvidas e também realizar planejamentos de mais longo prazo, já que o programa muniu essas pessoas de ferramentas sobre a prática empreendedora.

De acordo com relatos dos participantes, 69% declaram que superaram os principais desafios que tinham no início do programa. Além disso, houve um aumento de em 22% na formalização de negócios.

Tudo isso se deu a partir da ampliação da consciência sobre a importância de elementos-chave para a manutenção e continuação do negócio, como documentação, prestação de contas e planejamento de comunicação.

Muito além do programa: subjetividades em construção

Se há um elemento que atravessou toda a sociedade brasileira em meio à pandemia, isso com certeza foi o acesso à internet. Seja para estar próximo da família ou dos amigos ou, então, para acessar direitos básicos, como o Auxílio Emergencial, a internet se mostrou fundamental.

O país, no entanto, ainda possui um grande desafio quando falamos em acesso, principalmente em territórios mais afastados das regiões centrais. Esse cenário não foi diferente quando olhamos para a realidade dos empreendedores contemplados no programa.

Pelo menos 82% deles afirmam que, com o programa, conseguiram superar os desafios e inseriram seu negócio no universo virtual, fazendo da inclusão digital um dos grandes ganhos do programa, já que era permitido investir em compra de computadores ou pontos de internet.

É possível entender a importância do programa ao ouvir os próprios empreendedores. “Não tínhamos perspectiva de nada. Tínhamos um negócio que começava aos poucos. Com o edital eu fiquei um tempão sem acreditar no que tinha acontecido. Compramos matéria prima, equipamentos que tínhamos necessidade”.

Os desafios das mulheres negras que empreendem

Quando falamos em empreendedorismo, é importante lembrar que, mesmo cheia de criatividade e ótimas ideias, a população negra ainda enfrenta desafios estruturais para acessar o mercado do empreendedorismo.

Esse fato também pôde ser notado durante a realização do projeto, diante do fato de que muitas pessoas não conseguiam se dedicar integralmente ao seu negócio, pois precisavam complementar a renda das mais diversas formas, não sobrando tempo para focar no seu projeto pessoal. Dos empreendedores e empreendedoras apoiados, 53% tinham no empreendimento uma fonte de renda complementar e para 47% o negócio era a principal fonte de renda. De alguma forma, o programa também conseguiu apoiar essas pessoas, que em alguns casos estavam quase desistindo de investir tempo em suas ideias.

Sobre isso, elas refletem a respeito das dificuldades de viver do próprio negócio. “A gente sabe que mulheres negras empreendendo, muitas vezes a gente tá ali tentando fazer com que nosso negócio se torne nossa fonte de renda principal, mas a gente tem outras relações empregatícias para conseguir complementar a renda”.

Saúde Mental e Autoestima da população negra

A saúde mental e a autoestima das mulheres negras também são impactos não mensurados que valem nota, pois dizem sobre o fortalecimento pessoal dessas lideranças e a possibilidade de darem continuidade aos seus projetos com autonomia.

“Não acreditávamos que um projeto poderia visar pessoas negras e pobres sem querer nada em troca. Não acreditávamos que teríamos visibilidade”, é o que diz uma das empreendedoras ouvidas.

Ao ouvirmos o público apoiado pelo projeto, a questão racial também esteve em evidência. Para eles e elas, o programa foi um modo de, mais uma vez, refletir sobre os preconceitos raciais que vivenciam enquanto pessoas negras inclusive para empreender, tornando-se um limitador do próprio trabalho.

Para uma delas, se existe um jeito de “bater na cara do sistema” é quando mulheres negras conseguem mostrar suas capacidades. “É quando a gente coloca a cara a tapa e prova que é possível, principalmente nós, mulheres, negras, jovens, rurais, quilombolas. Tem toda uma bagagem que está fora do padrão de uma sociedade preconceituosa do jeito que é a nossa”, aponta.

Impacto e processo de aprendizagem contínua

Mais do que recursos financeiros, fica confirmada a importância de munir os empreendedores de ferramentas que os possibilitem continuar seus negócios, mesmo depois do fim de recursos iguais aos do programa.

“O edital não dava só o dinheiro, ensinava também como seguir, mostrava outros caminhos”, apontaram alguns dos empreendedores ouvidos e ouvidas.

Mostrar caminhos de autonomia, principalmente financeira, e formas de empreender que deem continuidade à ideia central é um jeito de continuar impactando tanto os empreendimentos, quanto as próprias comunidades. Dentre os cursos preferidos, estão aqueles ligados a questões financeiras, além de vendas e marketing digital. Pelo menos 68% dos participantes declararam ter aprendido com o programa.

“O dinheiro era uma coisa que nos faltava. Ter um edital que nos possibilitasse  movimentar de alguma forma era muito bom. Quando descobrimos que ainda ia ter os processos formativos, isso casava muito com aquilo que a gente já vinha conversando. O projeto já veio com um pacote completo. Foram os três percursos ideais que a gente nem esperava, mas vinha no pacote.

Reflexões finais

O programa atendeu uma demanda real de aumento de vulnerabilidade do pequeno e nano empreendedor, causada pelo agravamento da pandemia, podendo perceber que, mesmo o objetivo sendo a recuperação econômica, o projeto também teve impactos indiretos e pessoais para cada pessoa selecionada.

Mesmo não sendo possível mensurar como os recursos financeiros irão continuar colaborando para a manutenção dos negócios, com o fim do programa, é possível dizer que as mentorias e consultorias fortaleceram principalmente os empreendedores e empreendedoras com conhecimentos essenciais para continuarem seguindo com seus empreendimentos.

Destacamos que é sempre importante considerar os aspectos de desenvolvimento de capacidades e habilidades pessoais, pois esses se mostram os maiores destaques ao final do projeto, influenciando também na continuidade das atividades empreendedoras pós intervenção.

Destacamos alguns dos maiores resultados:

# 46 iniciativas e 137 empreendedores(as)  impactados diretamente

# 3.020 pessoas ligadas às comunidades dos empreendimentos foram impactadas indiretamente, com 77% das iniciativas concentradas nas periferias.

# 88% dos empreendedores afirmaram utilizar parte do recurso para aquisição de equipamentos eletrônicos para participação nas atividades virtuais do programa

# 40% dos gastos incluídos na categoria outras despesas estão relacionados a cursos e/ou consultorias técnicas para apoio aos negócios, o que demonstra como esses e essas empreendedoras estão pensando em seus negócios também a médio e longo prazo.

# Pelo menos 68% dos participantes declararam ter aprendido com o programa. Foram 447 horas de formação, sendo 282 dessas dedicadas às mentorias customizadas a cada negócio.

# 69% dos(as) empreendedores(as) superaram os principais desafios que tinham no início do programa.

# Houve um aumento de em 22% na formalização de negócios.

# Pelo menos 82% deles contaram que, com o programa, conseguiram superar os desafios e inseriram seus negócios no universo virtual.

# 78% adquiriram matéria-prima e realizaram aquisição ou manutenção de equipamentos.

# 75% compraram de fornecedores(as) da comunidade e 57% declararam  que a clientela aumentou consideravelmente.

# O Edital do Fundo Baobá foi, para muitos, a primeira oportunidade de mobilização de recursos externos, impactando na autoconfiança dos participantes.

# As falas de fortalecimento entre mulheres negras apareceram espontaneamente no processo de avaliação, mostrando a importância de ações de ampliação de autoestima e autoconfiança.

# A criação de redes de networking entre empreendedores de diferentes locais neste momento de crise pode ser encarada como um dos maiores ganhos subjetivos e qualitativos do projeto.

Morre o ator Sidney Poitier aos 94 anos

Sidney Poitier, ator norte-americano de 94 anos, morreu nesta sexta-feira, 7 de janeiro. O anúncio oficial de seu passamento foi feito pelo ministro das Relações Exteriores das Bahamas, Fred Mitchell.

Sidney Poitier nasceu em Miami, nos Estados Unidos, mas mudou-se para as Bahamas, país do Caribe, ainda criança. Voltou para os Estados Unidos aos 15 anos. Ele tinha tanto a nacionalidade do país caribenho quanto a dos Estados Unidos. Exerceu o cargo de Embaixador das Bahamas no Japão em 1997 e em 2007.

Poitier chamou a atenção mundial ao se tornar o primeiro ator negro a receber o Oscar, em 1964. por sua atuação em “Lilies of The Field” (Uma Voz nas Sombras). Ele fez o papel de Homer Smith, um homem que sofre uma pane em seu carro, para em uma propriedade rural cuidada por freiras. Elas acreditam ser ele um enviado de Deus para a construção de uma igreja no local.

A partir do Oscar, Sidney Poitier estrelou outras obras marcantes como “Adivinhe Quem Vem para Jantar” e “No Calor da Noite”. Poitier recebeu em 2001 outro Oscar, este honorário, pelo conjunto de sua obra.

Novo tempo: O 2021 do Fundo Baobá

No novo tempo / Apesar dos castigos
Estamos crescidos / Estamos atentos / Estamos mais vivos /
Pra nos socorrer / Pra nos socorrer / Pra nos socorrer

Novo Tempo: Ivan Lins e Vitor Martins

O Fundo Baobá para Equidade Racial quer fazer uma proposta a você: uma reflexão sobre aquilo que de positivo aconteceu em 2021. Todos sabemos que, de 2020 para cá, não tem sido fácil para ninguém. Mas não podemos nos vergar. A Ciência em muito contribuiu para nos guiar por caminhos seguros. As ondas de otimismo emanadas por cada um de nós foram se juntando para formar uma espécie de escudo de proteção, cuja energia se chama esperança. 

É com muitas expectativas que o Baobá encerra 2021 e vê a aproximação de 2022. E por que disso? Porque se foi possível atuar bem em um ano complicado, é um sonho que vai nos mover para fazer ainda melhor em 2022.

Em 2021, o Fundo Baobá para Equidade Racial está comemorando uma década de atividades dedicadas a mobilizar pessoas e recursos para promover mudanças sociais estruturantes e o enfrentamento ao racismo contra a população negra. 

O Baobá já conquistou muito, mas é preciso ir além. Os recursos são direcionados, via editais, para pessoas físicas, organizações, grupos e coletivos que atuem na promoção da equidade racial e da justiça social para a população negra do Brasil. 

No ano de 2021, os números do Baobá foram os seguintes: 

Doações 

R$ 2.909.814,43 ou US$ 646.625,43 (US$ 1 = R$ 4,50)

 

Editais em curso 

Programa Já é – 75 jovens
Projeto A Cidade que Queremos – 08 organizações
Projeto Vidas Negras: Dignidade e Justiça – 10 iniciativas
Quilombolas em Defesa: Vidas, Direitos e Justiça – 35 iniciativas

 

Editais com inscrições abertas

Negros, Negocios, Alimentacao: Recife e Regiao Metropolitana – 12 empreendimentos

 

Editais em  fase de conclusão

Programa Marielle Franco – 59 lideranças e 14 organizações
Programa Recuperação Econômica – 137 empreendedores (as)

É de extrema importância para o Fundo Baobá salientar a presença de quem firmou parceria conosco. Os parceiros são fundamentais para que possamos implementar tantos projetos que estão contribuindo para a transformação de um sem número de pessoas. Ao longo de 2021 firmamos 11 parcerias aqui destacadas: Google.org, Global Given, Cargill, Accenture do Brasil Ltda, IAF Rede de Fundos Parc, Wellspring, General Mills, Met Life, Mover, Instituto Unibanco e Verizon.  

Muito mais que números, o Fundo Baobá está preocupado em apoiar o crescimento das pessoas, fortalecer as organizações, grupos e coletivos. Daí o procedimento de, junto com a doação, incentivarmos o saber individual e organizacional. Como explica a diretora de programa, Fernanda Lopes: “a filantropia para promoção da equidade racial prescinde de recursos e oportunidades para o desenvolvimento. Desde 2019 temos construído espaços de trocas e trilhas de aprendizagem para e com os nossos apoiados. Temos aprendido muito e agora estamos organizando, para todos os editais Jornadas Formativas. É um casamento: apoio financeiro e formação, as atividades geralmente ocorrem em tempo real. No edital Vidas Negras: Dignidade e Justiça, inovamos disponibilizando conteúdos inéditos para acesso remoto. Seria algo exclusivo para as  organizações selecionadas neste edital. Mas após diálogos internos e externos, optamos por disponibilizar os conteúdos para todas as pessoas físicas e jurídicas apoiadas pelo Baobá em seus 10 anos de atuação. Aos poucos vamos ampliando o acesso, construindo novos materiais que dialoguem com os diferentes segmentos da população negra com quem atuamos em parceria. “Somos uma organização negra, a única no ecossistema de filantropia no Brasil, precisamos construir uma relação diferente com nossos donatários, uma relação que vá além do apoio financeiro. É isso que poderá fomentar mudanças”, complementa Lopes.

Os temas que compõem esta Jornada Formativa são diversos: Segurança Digital e da Informação; Registros e Memória Institucional; Governança; Defesa do Direito de Defesa; Monitoramento e Avaliação; Comunicação Estratégica; Planejamento e Gestão; Justiça Racial; Justiça Criminal e Capacidades Institucionais. Portanto, a relação do Baobá com seus donatários vai bem além do apoio financeiro. 

O Fundo Baobá vai iniciar 2022 ainda com mais foco na ampliação de oportunidades para o  desenvolvimento das organizações, grupos, coletivos negros e das pessoas negras em movimento. São elas a razão do empenho que temos demonstrado nesses 10 anos de existência. Que os nossos esforços e de muitos outros engajados, engajadas, engajades na busca pela equidade racial nos leve a um mundo equânime.

O Fundo Baobá está indo ao encontro desse novo tempo de vidas valorizadas e direitos efetivados!

Consciência Negra: os muitos caminhos que podem levar a ela

O parecer de quem trabalha com a economia,  na busca por justiça
e
valorização da mulher sobre o que é ter posicionamento étnico

Por Wagner Prado

Os filósofos definiam o termo Movimento como toda a alteração de uma realidade. A mudança qualitativa de um corpo (a semente que se torna em árvore ou a criança que se torna adulta) pode ser classificada como Movimento. A tomada de consciência sobre algo também pode ser classificada da mesma maneira. Adquirir consciência negra pode ser algo como libertar a mente de tudo o que foi imposto culturalmente e formar, a partir do conhecimento da realidade, uma identidade própria. A identidade negra.

Mas a vida é composta de vários temas que influenciam nossos pensamentos e ações. Economia, Cultura, Educação, Saúde e Trabalho, por exemplo, influenciam a maneira de ser da maioria das pessoas. Ouvimos a administradora Clara Marinho  e duas representantes do Mulheres Negras Decidem (MND), Diana Mendes e Tainah Pereira, cujos projetos foram apoiados pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, e o diretor executivo da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, Dudu Ribeiro. A Iniciativa Negra é um dos donatários do Fundo Baobá no edital Vidas Negras, Dignidade e Justiça, e também duas representantes do Mulheres Negras Decidem (MND), Diana Mendes e Tainah Pereira. 

Graduada em Administração pela Universidade Federal da Bahia, com mestrado em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Clara Maria Guimarães Marinho Pereira, ou Clara Marinho, é analista de Planejamento e Orçamento desde 2017 e atua na Coordenação de Acompanhamento de Programas da Educação da Secretaria de Orçamento Federal do Ministério da Economia. Ela vive em Brasília e no ano de 2018 foi uma das selecionadas do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco com o projeto Construindo a Liderança na Administração Pública Federal. 

Clara Marinho, relacionada pela ONU como uma das pessoas negras mais influentes no mundo

Em 2021 Clara Marinho foi eleita pelo projeto Década Internacional dos Afrodescendentes (2015 a 2024) como uma das pessoas afrodescendentes mais influentes no mundo. O projeto é da Organização das Nações Unidas e reúne pessoas indicadas pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, especificamente no trabalho à promoção dos direitos do povo negro. 

Para a administradora, ter Consciência Negra é ter o conhecimento do passado e a percepção do que ocorre no presente e poderá ocorrer no futuro . “É um termo sobretudo com uma consciência histórica de passado, de presente e de futuro, sobre passado significa entender que há uma contribuição profunda do continente africano à humanidade. Ela foi uma contribuição em variados campos do conhecimento, que foi sistematicamente apagada, destruída das suas origens. Toda a individualidade do continente africano é apagada para o ocidente. Então, a primeira coisa é entender que há uma contribuição milenar dessa população (negra) à humanidade. Sobre o presente,  significa entender que  esse apagamento significa que nós fomos empobrecidos, empobrecidos nas nossas referências, empobrecidos das nossas riquezas. Entender que nós não viemos para o novo mundo a passeio. A nossa diáspora não aconteceu a passeio, né? Mas, a despeito de tudo isso, nós construímos essas nações. Então, diz respeito a entender a nossa contribuição para o desenvolvimento cultural, econômico, social dessa sociedade, do novo mundo. Sobre o futuro, significa entender que não há projetos de sociedades inclusivas que não levem em consideração o nosso trabalho e a nossa contribuição.  Então, é uma consciência de trânsito entre os tempos, mas que aponta para um futuro melhor, para um futuro promissor. É assim que eu vejo a consciência negra: uma consciência sobre a integração da humanidade nos seus melhores aspectos”, afirma. 

O coletivo Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas teve o projeto “Iniciativa Negra por Direitos, Reparação e Justiça” classificado entre os 12 escolhidos pelo Fundo Baobá no edital Vidas Negras, Dignidade e Justiça, que conta com apoio do Google.Org . 

Dentro da principal premissa do edital: apoiar entidades negras que atuam no enfrentamento do racismo e incorreções que ocorrem dentro do sistema de Justiça Criminal no Brasil, o Iniciativa Negra foca a atual política de combate às drogas no país e como ela está sendo usada como ferramenta de opressão à população negra. 

Dudu Ribeiro, co-fundador e diretor executivo do Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, é formado em História pela Universidade Federal da Bahia, tem especialização em Gestão Estratégica de Políticas Públicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é mestrando do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia. Para ele, se olharmos pelo prisma da população negra brasileira, historicamente discriminada, consciência negra é “uma das construções fundamentais do movimento negro brasileiro, tanto para construir um percurso positivo da participação negra na sociedade brasileira como também para apresentar uma agenda antirracista para a sociedade brasileira. A consciência negra faz parte da disputa narrativa sobre a construção do Brasil, o que coloca a questão racial no centro da sua elaboração”, define. 

Dudu Ribeiro, diretor executivo da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas

Clara Marinho fala, agora, especificamente sobre a questão da consciência negra frente à questão econômica. “Ser um negro ou negra  consciente  no campo da Economia significa assumir que ela,  a economia,  não é neutra. Ela é sujeita a interesses, sujeita a ideologias, a relações de poder.  Qualquer que seja o referencial teórico, entendam que essa é a questão principal.  Então,  você pode trabalhar com modelos que  tentam quantificar a discriminação racial no mercado de trabalho, você pode pensar também em termos de relações internacionais de produção e trabalho,  pensar que existe uma extração de valor de mercadorias que são menos sofisticadas em relação às produzidas nos países do centro do capitalismo. Mas você sabe quem são as populações que estão produzindo isso;  quem são essas populações exploradas; quais são os territórios que estão sendo vulnerabilizados. Então, eu entendo que  isso tenha que ser  levado em consideração. O racismo é o elemento fundamental da organização da sociedade capitalista e ignorar que isso existe é um erro. Penso assim!” 

A educação cidadã é outro ponto de fundamental importância para se observar o nível de conscientização das pessoas. Organização apoiada pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, iniciativa do Fundo Baobá em parceria com a Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations, a coletiva Mulheres Negras Decidem trabalha na qualificação e promoção de uma agenda que seja liderada por mulheres negras na política institucional. O objetivo é fazer com que elas tenham maior representatividade na política, já que são o maior grupo demográfico do país (28%), mas ocupam apenas 2% das cadeiras no Congresso. Participar da vida política brasileira é uma forma de ter consciência e contribuir com mudanças. “Uma compreensão madura sobre de que forma participar da política na sua cidade, estado ou país advém, sobretudo, da experiência. E o despertar para essa necessidade de estar implicada ou implicado no processo político depende, muitas vezes, de estímulos externos. No caso de crianças e jovens negros e negras esse ponto de partida pode estar na escola ou na família. Mesmo crianças são capazes de compreender a importância da luta pela afirmação de identidades e garantias de direitos”, afirma a bacharel em Relações Internacionais e em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC), Diana Mendes, co-fundadora do Mulheres Negras Decidem. 

Diana Mendes, co-fundadora do Mulheres Negras Decidem

A mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estácio de Sá, Tainah Pereira, é também conselheira do Mulheres Negras Decidem. Ela fala sobre a consciência política no voto da população negra. “Significa votar por um projeto de país que leva em conta vidas interseccionais, que enfrentam racismo, sexismo, pobreza, transfobia e outras situações. Quando se é uma pessoa negra no Brasil,  não se resume a enfrentarmos apenas questões étnico-raciais, é considerar no nosso voto condições de vida digna e respeitosa que garantam nossos direitos”, conclui.

Tainah Pereira – Conselheira do Mulheres Negras Decidem

A Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas tem atuação forte no sentido de buscar a reparação para vítimas do sistema judiciário brasileiro. Seu diretor executivo, Dudu Ribeiro, responde sobre o fato de a população negra estar sendo enredada por políticas que condenam antes mesmo de julgar. “Bom, há um julgamento, uma condenação da população negra antes mesmo de qualquer realização individual, coletiva, até porque há uma criminalização do ser negro no Brasil. O processo fundamental da escravização e da colonialidade foi a desumanização das pessoas e o processo de constituição da república impôs um olhar sobre pena, castigo, crime e punição oriundos dos quintais da casa grande,  que julga e condena a população negra. A priori,  nós temos as vidas condenadas, nós temos a pele alvo e nós temos a marca desse alvo nas costas, desde que nascemos no Brasil”, analisa. 

A análise de Dudu Ribeiro leva à reflexão de Clara Marinho sobre a importância da ocupação de espaços (de poder) pela população negra. Os gestores negros e negras têm papel fundamental para que o quadro de desigualdade e de não acesso seja quebrado. “É preciso reconhecer que as empresas e o serviço público brasileiro nascem das principais esferas de decisão. São espaços profundamente racializados e são brancos. Têm um marcador de gênero profundamente claro:  é masculino. Também têm uma sexualidade muito definida: cisgênero. Então, nós  precisamos desfazer esse estado de coisas, tomando um conjunto de ações concretas. A primeira coisa é incorporar. Incorporar é fazer com que essa força de trabalho e o processo de tomada de decisão reflita a sociedade brasileira minimamente. Há uma dificuldade histórica dessas instituições de incorporar a cara do Brasil”, declara Clara Marinho. 

Diana Mendes, do Mulheres Negras Decidem, dá o arremate final para o que considera ser uma postura de consciência de todo o povo negro. Ela cita, inclusive, um provérbio africano.  “Ter a consciência de que é necessária a valorização da nossa construção histórica e cultural enquanto um país que é fruto da diáspora africana.  ‘Até que os leões inventem as suas histórias, os caçadores sempre serão os heróis das narrativas de caça’. Ou seja,  compreender a importância de resgatar e reafirmar a nossa história enquanto população negra desde a escravização, visibilizando lideranças significativas como Zumbi dos Palmares, mas também tantas mulheres negras dos quilombos,  como Dandara, Luísa Mahin, Tia Ciata, entre outras. Além disso, valorizar em vida o legado de pessoas negras que fazem a diferença até os dias de hoje, para garantia de direitos visando um país com mais equidade racial e respeito à identidade.”

Conheça Giovanni Harvey, novo diretor executivo do Fundo Baobá

Em entrevista, ex-presidente do conselho deliberativo fala do que estava sendo realizado

Por Ingrid Ferreira e Wagner Prado

No dia 9 de dezembro, o Fundo Baobá para Equidade Racial passou por uma grande mudança em sua direção executiva. Giovanni Harvey, presidente do conselho deliberativo desde 2018, assumiu o cargo de diretor executivo da organização.

Em entrevista para o boletim do Fundo Baobá, Harvey fala sobre a sua trajetória profissional, suas expectativas, contribuições e planos futuros para o Fundo Baobá, com ele à frente da gestão executiva. 

Você sai do Conselho Deliberativo e assume a Diretoria Executiva do Fundo Baobá para Equidade Racial. Em qual sentido a experiência como presidente do Conselho vai contribuir para o trabalho do Diretor Executivo?  

Giovanni Harvey – A minha relação profissional com o Fundo Baobá começou em 2017,  quando fui contratado para estruturar o Plano Estratégico da instituição para o período de 2017 a 2026. Após a conclusão do trabalho,  fui convidado a integrar o conselho deliberativo e, em 2018, fui eleito presidente do mencionado colegiado. Em abril de 2021 fui reeleito para um segundo mandato, até 2024, ao qual renunciei para assumir a diretoria executiva.

Para realizar a consultoria, em 2017, precisei estudar toda a história do Fundo Baobá com o objetivo de entender o seu funcionamento, definir os principais objetivos, conhecer as potencialidades e identificar os desafios. O trabalho incluiu a realização de uma série de entrevistas com os fundadores, com os parceiros e com os financiadores.  Foi com base nestes conhecimentos, aliados à minha experiência ao longo dos últimos 30 anos, que me pautei no exercício da presidência do conselho deliberativo.

As funções que exerci no conselho deliberativo são diferentes das funções que vou exercer na diretoria executiva. O conselho deliberativo é a instância responsável pela formulação da estratégia institucional, pela representação política (em sentido amplo) do Fundo Baobá e pelo controle social da gestão. A diretoria executiva é a instância responsável pela operacionalização da estratégia traçada pelo conselho deliberativo, pela articulação institucional (em sentido estrito), pela gestão do fundo patrimonial e pela implementação das diretrizes programáticas estabelecidas.

Acredito que o meu percurso no Fundo Baobá, aliado às experiências que tive como gestor de empresas, organizações sociais e políticas públicas (no nível municipal, estadual e federal) contribuirão para que eu tenha condições de dar continuidade ao trabalho que foi desenvolvido ao longo dos últimos sete anos pela minha antecessora na função, a executiva Selma Moreira.  

Como diretor executivo, quais são suas metas para o Fundo Baobá?  

Giovanny Harvey – Meta é o objetivo quantificado. Partindo deste pressuposto,  eu vou trabalhar para aumentar o fundo patrimonial na direção de um valor, que estimo hoje em R$ 250 milhões, que nos permita fazer retiradas anuais capazes de atender as demandas mais sensíveis das organizações e pessoas que atuam no movimento negro.  

O Baobá tem ações centradas em análises de contexto e escuta ativa do campo. Ou seja: os editais surgem na medida em que necessidades vão sendo mapeadas. O Baobá é empírico e científico ao mesmo tempo?  

Giovanni Harvey – O objetivo estratégico do Fundo Baobá é disponibilizar recursos financeiros, oriundos do percentual de rendimentos do fundo patrimonial que pode ser sacado anualmente ou da captação que é realizada junto a pessoas físicas e jurídicas, para financiar (através de doações não reembolsáveis) organizações, grupos, coletivos e lideranças negras que atuam no enfrentamento ao racismo, defesa e garantia de direitos e promoção da equidade racial. 

A qualidade da oferta dos recursos financeiros que o Fundo Baobá disponibiliza para estas organizações e pessoas depende, principalmente, de três fatores: 

  1. Alinhamento das diretrizes programáticas do Fundo Baobá às demandas das organizações, grupos, coletivos e lideranças negras;
  2. Grau de autonomia do Fundo Baobá para direcionar os recursos na direção destas demandas das organizações, grupos, coletivos e lideranças negras;
  3. Mensuração dos resultados alcançados.  

Estes três fatores exigem, não apenas do Fundo Baobá, mas de qualquer instituição que se proponha a atuar no enfrentamento ao racismo estrutural e às assimetrias que têm como base o preconceito e a discriminação étnica, um composto que envolve legitimidade, conhecimento científico e capacidade de dialogar com as pessoas negras que lideram iniciativas de  enfretamento ao racismo e promoção da equidade racial nos mais variados setores da sociedade. Soma-se a isto a capacidade de ouvir, dialogar e contribuir de forma positiva para a construção de consensos dentro do ecossistema da filantropia, do investimento social privado, da Rede de Fundos para a Justiça Social e da cooperação internacional. 

Giovanni Harvey – Diretor Executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial

A criação do Comitê de Investimento, entre outras coisas, levou o Baobá a um endowment de mais de R$ 60 milhões. Em que número você pretende chegar?  

Giovanni Harvey – A criação do Comitê de Investimentos, constituído por três profissionais do mais alto nível (Felipe Souto Mayor, Leonardo Letelier e Gilvan Bueno) reflete o grau de maturidade institucional do Fundo Baobá e seu compromisso com a excelência na gestão do Fundo Patrimonial.

Além do Comitê de Investimentos nós contamos com um Conselho Fiscal (Mário Nelson Carvalho, Marco Fujihara e Fábio Santiago) que tem contribuído com recomendações que resultaram na adoção das melhores práticas de compliance.  

Com a segurança fornecida por estes lastros institucionais, e pela reputação destas pessoas, vou trabalhar na direção dos 250 milhões de reais de endowment.  

Mais que números, quais suas aspirações como o novo diretor executivo?  

Giovanni Harvey – Dar continuidade ao processo de investimento nos profissionais que trabalham no Fundo Baobá, contribuindo para a permanência do ambiente fraterno e colaborativo que encontrei; ampliar o uso de soluções tecnológicas que nos permitam melhorar a performance da instituição nas três dimensões definidas no Plano Estratégico: mobilização de recursos, articulação institucional e investimentos programáticos; e contribuir para o fortalecimento das instituições e das redes que atuam no campo da filantropia, do investimento social privado e da justiça social. 

Há algo que o Baobá não tenha feito durante seu período como presidente do conselho e agora você queira implantar?  

Giovanni Harvey – Não, muito pelo contrário. A principal razão que levou o conselho deliberativo a me designar para suceder a executiva Selma Moreira foi garantir a continuidade do que estava sendo realizado. Não é hora de “inventar a roda” e nem de “balançar o barco”. 

Que análise você faz sobre o Círculo de Doação iniciado pelo Fundo Baobá?  O papel do Executivo Gilberto Costa (JP Morgan) e da Executiva Rita Oliveira (The Walt Disney) é importante em que sentido?

Giovanni Harvey – O “Círculo de Doação” é uma estratégia de captação desenvolvida pela equipe do Fundo Baobá, sob a liderança de Selma Moreira, Fernanda Lopes e Ana Flávia Godoi. Um dos pressupostos desta estratégia é o reconhecimento do protagonismo das pessoas negras nos processos de mobilização de recursos (em sentido amplo) em prol da causa da Equidade Racial. Neste sentido o Fundo Baobá tem o privilégio de contar com o engajamento de dois profissionais do mais alto gabarito, Gilberto Costa que é Diretor Executivo do Pacto pela Equidade Racial e Diretor Executivo do JP Morgan e Rita Oliveira é Head de Diversidade e Inclusão LatAm da Walt Disney Company, nas ações e atividades que começaram a ser desenvolvidas no âmbito do “Círculo de Doação”. 

O Fundo Baobá está confiante na mobilização pela cultura de doação entre pessoas físicas? É possível levar a essa motivação pessoas que vivem em um país com economia tão precária? 

Giovanni Harvey – O percentual de participação das doações realizadas por pessoas físicas para o Fundo Baobá vem crescendo nos últimos anos e todos os indicadores apontam para o crescimento desta modalidade de captação de recursos financeiros (junto a pessoas físicas e jurídicas)

A contribuição das pessoas físicas em prol da causa da Equidade Racial faz parte da história do Brasil e remonta à luta que as pessoas negras empreenderam em busca da liberdade e às diversas iniciativas que constituíram o movimento abolicionista.  

O processo de construção do mecanismo impulsor, financiado pela Fundação Kellogg há quase 15 anos, que mobilizou aproximadamente 200 pessoas e/ou organizações negras com atuação na região nordeste e resultou na criação do Fundo Baobá,  teve como ponto de partida o legado da filantropia negra na luta contra a escravização.  

Por estas razões eu tenho a mais absoluta convicção de que nós vamos ampliar o engajamento das pessoas físicas e vamos investir em instrumentos de comunicação para que as pessoas possam acompanhar o que nós fazemos com os recursos arrecadados e, principalmente, os resultados que estão sendo alcançados.  

A contribuição das pessoas físicas e a retirada dos rendimentos do fundo patrimonial foram fundamentais para que o Fundo Baobá tivesse os recursos necessários para lançar, no início de abril de 2020, o Edital de Apoio Emergencial para Ações de Prevenção ao Coronavírus. Foi a primeira ação desta natureza realizada no Brasil, menos de 30 dias após a edição do primeiro decreto de calamidade pública em função da pandemia. 215 pessoas e 135 organizações foram beneficiadas com estes recursos. 

Pensando em termos de doação, que chamamento você faria para que as pessoas façam doações? 

Giovanni Harvey – O Fundo Baobá tem realizado uma série de iniciativas e campanhas com o objetivo de mobilizar recursos e, na minha opinião, elas atendem a todas as nossas expectativas de comunicação. 

O Conselho Deliberativo, que tem a honra de ter agora Sueli Carneiro como presidenta e Amalia Fischer como vice-presidenta, e é constituído por André Luiz de Figueiredo Lázaro, Edson Lopes Cardoso, Elias de Oliveira Sampaio, Felipe da Silva Freitas, Martha Rosa Figueira Queiroz, Rebecca Reichmann Tavares, Taís Araújo e Tricia Viviane Lima Calmon, está debruçado sobre o tema e, oportunamente, contribuirá para que os chamamentos que temos fortaleçam as iniciativas de captação que já estão sendo executadas, com elevado nível de dedicação e profissionalismo.

O meu compromisso como gestor é continuar a investir na melhoria da performance do Fundo Baobá para retroalimentar as iniciativas e campanhas de captação com informações (cada vez mais detalhadas) sobre como os recursos são utilizados e com indicadores científicos que evidenciem os resultados que estão sendo alcançados.  

O Fundo Baobá continuará a cumprir com a sua missão institucional, fortalecerá os laços com as organizações, grupos, coletivos e lideranças do movimento negro que estão na base da sua fundação, com a rede que ​compõe o GIFE – Grupo de Fundos, Fundações e Empresas. Vamos trabalhar para fortalecer e promover a diversidade no ecossistema da filantropia no Brasil e no exterior.

A importância de fazer doações para o Fundo Baobá

Doação é uma ação transformadora para quem faz e para quem a recebe

Por Wagner Prado

Você já ouviu falar no conceito de sociedade co-responsável? Nela, o fundamento primordial no pensamento e atitude das pessoas é: Necessariamente, eu não vivo essa situação. Mas não posso ignorá-la. Ela me diz respeito, pois atinge outras pessoas e isso me incomoda a ponto de me fazer um agente de transformação. 

Uma forma de contribuir para a transformação e fazer parte da sociedade co-responsável é exercendo a doação. Dos mais favorecidos economicamente aos não tão bem favorecidos assim, todos podem doar. 

O Fundo Baobá para Equidade Racial, primeiro e único fundo dedicado,  exclusivamente, à promoção da equidade racial para a população negra no Brasil, vem realizando seu trabalho de captação de recursos há 10 anos. Tem encontrado, principalmente entre fundações ed institutos, parceiros que têm dado importante suporte financeiro propiciando, ao longo dessa jornada, o investimento de mais de R$ 14 milhões por meio de  16 editais e alguns apoios pontuais, financiados por 21 importantes parceiros. 

Agora, o Fundo Baobá está voltado também para um outro segmento: o das pessoas físicas. O Fundo já conta com pessoas físicas que decidiram doar e fazer parte da sociedade co-responsável, mas esse número precisa crescer significativamente. Juntar  muito mais gente que considere que, com a força delas, o Brasil será um país justo. Daí a promoção da filantropia para a equidade racial. 

Os mais diversos sentimentos levam as pessoas a praticar o ato da doação. Nos depoimentos aqui, por questões de confidencialidade e segurança, não serão divulgados nomes de doadoras e doadores. O objetivo dos contatos foi saber o que os move a fazer doações para o Fundo Baobá, como disse um doador de sexo masculino,  de São Paulo.  

Ao longo dos últimos anos, as questões de equidade racial vêm ganhando força em diversos âmbitos: nas empresas, na educação e na sociedade em geral. O Fundo Baobá tem um importante papel no desenvolvimento e na maturação dessa conversa. Especialmente porque a visão da organização vai além da inclusão. O Fundo Baobá dialoga com questões mais profundas da população negra, como racismo estrutural, cultura negra e ancestralidade”

Mulher com forte perfil como ativista política. Esse ativismo a fez despertar para as causas sociais. 

 “Trabalho no Terceiro Setor em defesa das causas feministas. Acredito na igualdade de direitos em todos os sentidos. Esse meu ativismo me levou também a ser doadora do Fundo Baobá. Quero contribuir para uma sociedade plural e igualitária” 

Homem de São Paulo afirmou que sua contribuição foi pequena, mas quando acompanha as notícias sobre os editais lançados pelo Fundo Baobá, sente que seu ato de doação foi transformador. 

“Saber que o pouco que eu coloquei no Fundo Baobá pode ter ajudado uma criança, uma mulher negra mãe, empreendedora, quilombola, um jovem negro ou uma jovem negra estudante que sonha chegar ao ensino superior público, isso dá uma grande satisfação. O que coloquei lá foi pouco, mas sei que foi muito bem empregado” 

Os depoimentos acima corroboram o que falou o professor Helio Santos, doutor em Administração e Mestre em Finanças, um dos fundadores do Baobá. Para ele, a grande transformação da sociedade brasileira está na filantropia para a equidade racial. 

“A filantropia racial hoje é o tema da sociedade brasileira. O Fundo Baobá tem muito a ver com isso, porque ele é o primeiro Fundo criado com essa vertente e organização. A missão dele é exatamente transferir e fomentar recursos para as organizações negras”  

Helio Santos, doutor em Administração, mestre em Finanças e professor convidado na Universidade do Estado da Bahia (Uneb)

No Dia de Doar (30 de novembro), o Fundo Baobá lança seu primeiro Círculo de Doação.   Motivar e estimular  lideranças negras em prol da filantropia e apoio à doação pela equidade racial no Brasil é o que os dois primeiros embaixadores, Rita Oliveira, Head de Diversidade e Inclusão LatAm da Walt Disney Company, e Gilberto Costa, Diretor Executivo do Pacto pela Equidade Racial e Diretor Executivo do JP Morgan irão iniciar. Caberá a ambos motivar suas redes de relacionamento para que elas agreguem mais pessoas, formando uma grande onda de apoio financeiro pela equidade racial. Em paralelo, o Baobá coloca nas redes sociais sua primeira campanha com propagandas motivacionais sobre equidade racial, batizada de Equidade Racial: Conhecer e Sensibilizar para Doar. 

Fundo Baobá na impresa em outubro

Os editais organizados pelo Fundo Baobá para Equidade Racial foram destaques na imprensa no mês de outubro

Por Ingrid Ferreira

O Programa Já É: Educação e Equidade Racial, lançado em julho de 2020 tem o intuito de apoiar jovens negros, residentes em bairros periféricos de São Paulo e outros municípios da região metropolitana, a acessarem o ensino de nível superior, foi matéria especial na edição impressa do Estadão, no dia 19 de outubro. A reportagem Bolsas ajudam jovens negros a entrar e – a permanecer – na universidade, entrevistou a jovem apoiada Anna Beatriz Garcia, 19 anos, e a diretora de programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes. Moradora da região de São Miguel Paulista, Anna Beatriz mostrou-se  muito grata à oportunidade dada pela organização através do Programa Já É. A jovem ressaltou que: “A experiência tem ajudado muito a continuar estudando nesse momento caótico da pandemia.”

Anna Beatriz Garcia, aluna apoiada do Programa Já É  | Foto: Taba Benedicto / Estadão

Em sua fala, Fernanda Lopes reiterou a importância das atividades propostas pelo Programa Já É, que além de custear a mensalidade do curso pré-vestibular, alimentação e transporte, conta com  mentorias, coach e apoio psicossocial para enfrentar os efeitos do racismo: “As estratégias para superar alguns desafios também podem ser coletivas”. A reportagem também foi compartilhada no site da Revista Istoé e também nos portais Dom Total, Fundacred e Jornal de Brasília.

Outro edital que ganhou destaque na imprensa foi o Vidas Negras: Dignidade e Justiça, que teve a sua lista final das iniciativas selecionadas divulgada no mês de setembro, mas que ainda segue reverberando e gerando matérias, como foi o caso do portal A Serviço do Bem, que divulgou os selecionados. Por outro lado, a reta final das inscrições do Edital Quilombolas em Defesa: Vidas, Direitos e Justiça foi destaque no portal da Agência Brasil, repercutindo em mais de 20 veículos regionais, entre eles: BH de Fato (MG), Repórter Maceió (AL), Norte Play (Região Norte), 3 de Julho (AC), Portal Mato Grosso (MT), Midia News (MS), entre outros.

O Edital Quilombolas em Defesa também foi destaque no site da Revista Raça e nos portais do Gife, ABCR, Filantropia, Pernambuco Transparente e Observatório do Terceiro Setor.

Apoiados do Fundo Baobá

No campo das iniciativas apoiadas pelo Fundo Baobá que ganharam destaques na imprensa no mês de outubro, temos o lançamento do livro “Voz Imune: 18 anos em movimento”, que narra os 18 anos de trajetória do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), grupo apoiado no Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. A divulgação do lançamento de “Voz Imune” foi destaque no portal RD News, do Mato Grosso.

Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune) | Foto: Divulgação

Ainda sobre as apoiadas do Programa Marielle Franco, a mestre em Psicologia Social, coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Doméstica e Sexual de Suzano (SP) e ganhadora do Prêmio Viva, promovido na parceria entre o Instituto Avon e a Revista Marie Claire, Magna Barboza Damaceno, escreveu um artigo na Folha de S.Paulo intitulado O cenário caótico x saúde mental = potência na resistência.

Enquanto a doutora em História, professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e escritora Giovana Xavier escreveu um artigo sobre a compositora e musicista Chiquinha Gonzaga, com o título “Escrevendo na Lua Branca: Mulheres na Primeira República”, que foi publicado no portal do Itaú Cultural e replicado no site da Prefeitura de Curitiba.

Coletiva Negras que movem

Enquanto isso, a tradicional coluna Coletiva Negras que Movem,  publicada no portal do Instituto Geledés da Mulher Negra, com as lideranças apoiadas do Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, trouxe o texto O sonho cresceu! Livro “Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho” chega a sua segunda edição, de autoria da escritora, jornalista e finalista do Prêmio Jabuti 2020, Jaqueline Fraga.

A assistente social e especialista em gestão pública, Brígida Rocha dos Santos, escreveu o artigo É de nós para Nós.

Por fim, a psicóloga doutoranda e mestre em Psicologia, gestora de Políticas Públicas de Juventude, Gênero e Raça e integrante da atual gestão do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), Larissa Amorim Borges, escreveu o texto O que pode acontecer com a chegada de pessoas negras, periféricas, não heterossexuais nas universidades? O que a presença negra e favelada gera ou pode gerar na universidade?

Giovanni Harvey, presidente do Conselho do Fundo Baobá, participa do Fórum Brasil Diverso

 

Harvey falou do papel da organização no enfrentamento à Covid-19

Por Ingrid Ferreira

Na quinta-feira (18), ocorreu o segundo dia do evento “Fórum Brasil Diverso”. Em seu sétimo ano, o Fórum discutiu  assuntos como: Estudos e impactos da pandemia em pessoas negras; Acordos coletivos e inclusão social no mundo do trabalho; Investimento público e privado na inclusão social,  finalizando com uma entrevista especial de encerramento. 

O Brasil Diverso contou com as participações de nomes relevantes para as causas abordadas, entre eles: Alexis Mootoo (vice-presidente assistente para Gestão de Recursos e Desenvolvimento Comunitário da Universidade do Sul da Flórida – USF); José Vicente (reitor da Universidade Zumbi dos Palmares); Paulo Batista (CEO do Alicerce Educação); Douglas Izo (presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo – CUT-SP); Ricardo Patah (presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT); Thais Dumét Faria (oficial técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho da Organização Internacional do Trabalho – OIT), além da participação do presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá para Equidade Racial, Giovanni Harvey. 

Harvey integrou a mesa “Investimento público e privado na inclusão social”, que também teve a participação da Assessora Sênior da Divisão de Gênero e Diversidade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Judith Morrison e da fundadora e CEO da DIMA Consult Luana Ozemela.

Em sua fala inicial, Giovanni Harvey citou como foi o surgimento da organização, a sua parceria com a Fundação Kellogg e o quanto já foi investido financeiramente no país: “O Fundo Baobá é a primeira iniciativa voltada especificamente para alavancar outras iniciativas lideradas por pessoas e por organizações negras, em enfrentamento à discriminação étnico racial no Brasil. Essa iniciativa foi viabilizada a partir do apoio da Fundação Kellogg, uma importante instituição filantrópica e com uma atuação ao longo de décadas aqui no nosso país. A Kellogg encerrou operações e decidiu deixar como legado um mecanismo que pudesse preencher a lacuna caracterizada pela ausência de investimento institucional para a organização do movimento negro. A partir,  então, desse impulsionamento, constituiu o mecanismo que se tornou o Fundo Baobá que, ao longo desses dez anos, doou  R$14 milhões através de editais para iniciativas lideradas por pessoas e organizações negras.”

Ao ser questionado sobre como o Fundo Baobá tem trabalhado no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e quais são os planos para o próximo ano, Giovanni Harvey falou da atuação da organização no combate à pandemia, além de apresentar o plano de desenvolvimento de dez anos do Fundo Baobá.  “Durante a Pandemia,  que, de fato impactou a nossa operação, o Fundo Baobá,  por cerca de 20 dias no mês de abril, mobilizou recursos, um pouco menos de R$ 1 milhão, para uma ação emergencial de enfrentamento aos riscos de contaminação por Covid. Nós atendemos pessoas e organizações, aproximadamente 135 organizações e um pouco mais de 200 iniciativas feitas por pessoas, numa época em que não havia ainda nenhuma política pública estruturada.”

O presidente do Conselho Deliberativo do Baobá também disse  que a pandemia não afetou os planos futuros da organização, tanto que citou que a meta do Fundo é chegar aos R$ 250 milhões em recursos para o fundo patrimonial, para que haja uma incidência, ainda maior, nas causas que o Baobá dedica-se a atuar. Além de destacar que vê a ação filantrópica das empresas para o combate ao racismo de forma muito positiva e que a sociedade civil e a iniciativa privada têm ocupado um lugar muito importante nesse momento.

Em suas palavras finais, Giovanni Harvey citou  a participação de pessoas brancas no evento Fórum Brasil Diverso, disse que ficou impressionado com suas falas, mas também ressaltou a importância do exercício do indivíduo de acordo com a estrutura racial da construção da sociedade. 

Para acompanhar a participação do Giovanni Harvey no Brasil Diverso na íntegra, basta acessar o link