Filantropia e Equidade Racial no Brasil

*Artigo publicado originalmente na revista Alliance (Inglaterra)

A relação entre a população negra e a filantropia é antiga sendo a maior expressão as Irmandades Negras. Criadas durante o período colonial, estas estruturas organizativas possibilitavam aos negros ocupar e definir formas de atuação social, custear despesas para um padrão mínimo de dignidade, funerais, por exemplo. Eram espaços de resistência e solidariedade frente à hostilidade imposta pelo escravismo.


Atualmente dos 207,8 milhões que residem no Brasil, 46,5% se declararam pardos, 9,3% pretos e 43,1% brancos. Ademais o contingente populacional seja significativo, o acumulo histórico de renda e desigualdade de oportunidades resultou em um abismo econômico e sociorracial entre negros e indígenas e os demais. Indicadores sociais de escolaridade, condições de habitação, participação política, emprego e renda, todos, sem exceção expressam a desigualdade na distribuição do poder e evidenciam o papel estruturante do racismo na organização econômica, política e simbólica da sociedade.


As ações filantrópicas empreendidas por organizações não negras da sociedade civil brasileira, até pouco tempo atrás, buscavam minorar as condições adversas da vida dos que necessitavam comer, ter uma roupa, um abrigo, e também ter um conforto espiritual, restringiam-se ao assistencialismo e manutenção do status quo dos beneficiados. Não por acaso a relação entre população negra e filantropia mainstreaming ocupa um espaço caracterizado por múltiplos e diferenciados níveis de complexidade, uma vez que co-existe com o racismo estrutural.


No início da década de 90, organizações de mulheres negras brasileiras estabeleceram parcerias com fundações filantrópicas internacionais que atuavam no campo da igualdade de gênero financiando ações focadas no reconhecimento e garantia dos direitos humanos das mulheres.


Os anos 2000 instalam novos cenários para a filantropia nacional, neste período constituem-se os primeiros fundos filantrópicos para justiça social. E ao final da primeira década ganhar força um novo jeito de fazer filantropia caracterizado pelo repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática, para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público. Este conceito intitulado investimento social privado, incorpora uma estratégia voltada para resultados sustentáveis de impacto e transformação social e prima pelo envolvimento da comunidade no desenvolvimento da ação. Os doadores se veem e são vistos, como investidores, não em sentido econômico, mas social: a sociedade deve mudar e lucrar em termos de benefícios.


Em paralelo, no cenário internacional, deflagra-se um processo de avaliação do impacto da filantropia para amenizar e erradicar os efeitos das desigualdades sociais e conclui-se que, embora muitas mudanças tenham sido alcançadas, havia grupos que, de modo sistemático, seguiam destituídos de poder e oportunidades reais para desenvolver seu pleno potencial em função de sua origem étnica, racial ou cultural. Na liderança deste movimento esteve a Fundação Kellogg que, no Brasil, após diferentes processos de escuta ativa de lideranças do movimento negro brasileiro e pesquisadores, se comprometeu em apoiar a criação do primeiro fundo dedicado exclusivamente à promoção da equidade racial para a população negra no Brasil, cujo patrimônio próprio, quando constituído, fosse o maior fora dos Estados Unidos.

O Fundo Baobá nasce para captar recursos e investir no fortalecimento de pessoas e organizações negras, focadas na promoção da equidade racial, bem como, constituir seu endowment, alimentado pelo match fund. Atualmente a WWF aporta 3 vezes o valor captado no Brasil e duas vezes o valor capitado em outro país. De 2014 a 2019, o Fundo Baobá já investiu cerca de 10,2 milhões de reais em iniciativas e impactou cerca de 100 mil vidas em todo o território nacional.

Nos últimos anos o setor privado, têm investido na promoção da diversidade mas não necessariamente contribuído para a promoção da equidade. Neste sentido, construir a cultura de doação para a causa de equidade racial no Brasil é um desafio assumido pelo Fundo Baobá que irá incidir no ecossistema da filantropia buscando mobilizar e engajar diferentes atores dispostos a reduzir os efeitos das desigualdades e intervir nas causas buscando soluções e estratégias para alcançar equidade.

*Escrito pela diretora executiva da organização, Selma Moreira e pela Diretora de Programa, Fernanda Lopes

Mães que choram

Hipertensão, infarto e depressão são algumas das doenças que atingem as mulheres que perdem os filhos para a violência

Maio é considerado simbolicamente o “mês das mães”, em virtude da festividade celebrada na segunda semana. Entretanto, no Brasil, nem todas as mães têm motivos para comemorar. A morte do jovem João Pedro Mattos Pinto, no dia 18 de maio de 2020, enquanto brincava dentro de sua casa no bairro de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, é apenas mais um caso de um fenômeno que já começa a ser estudado: as maternidades interrompidas pela violência. 

Jornalista e mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (UnB), Maíra Brito lançou em 2018 o livro “Não. Ele Não Está” (Appris Editora), que denuncia justamente o extermínio da juventude negra no Brasil. “Este livro nasce da angústia e da indignação. Em 2015, 31.264 jovens entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídios no Brasil. Se contabilizarmos o número de mortos entre 2005 e 2015, encontramos o assustador dado de 318 mil jovens assassinados. Os números ficam ainda mais preocupantes quando desagregados por sexo, idade e  raça. Em 2015, 47,8% dos mortos foram homens jovens e, em um intervalo de 10 anos, a taxa de homicídio de negros (pretos e pardos) cresceu 18,2%, enquanto a taxa entre não negros caiu 12,2%.” 

Maíra Brito, Jornalista e mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília

Todos esses números apresentados por Maíra são do Mapa da Violência. Porém, o livro traz a sensibilidade de apresentar esses dados e contar essas histórias sob a ótica de quem ficou. “Interessa saber quem são as mães que estão vendo as vidas de seus filhos abreviadas precocemente e de maneira tão violenta, e quais são as percepções delas sobre a influência da raça, do gênero e da classe nessas mortes”. O título do livro, “Não. Ele Não Está”, segundo a autora, “é uma nítida referência à ausência desses jovens em casa, em suas famílias, em suas redes de amigos, no mercado de trabalho e na produção de cultura e de conhecimento.”

Para produzir o livro, Maíra deixou Brasília, sua cidade, rumo ao Rio de Janeiro para encontrá-las. “O primeiro contato com as mães entrevistadas aconteceu por meio da internet. Eu expliquei a pesquisa, elas toparam falar”. A autora também afirma a importância de ouvir essas mulheres, dentro desse contexto. “Acho importante destacar que essas mães aceitaram falar comigo porque acreditaram que meu trabalho seria uma espécie de alto-falante para a luta delas por memória e justiça. Em nenhum momento, eu ‘dou voz’ a essas mulheres. Minha dissertação e meu livro propagam o que elas estão dizendo, mas que nem sempre chega a todos ambientes, como o mundo acadêmico.”

Outra obra que relata o sofrimento das mães que perderam os seus filhos jovens é o documentário “Nossos Mortos Têm Voz”, com a direção de Fernando Souza e Gabriel Barbosa. Lançado em 2018, o filme traz o cotidiano e a luta de mães da Baixada Fluminense (RJ), que sentem saudades dos filhos que foram precocemente arrancados de seus braços. É o caso de Luciene Silva, que teve o seu filho Rafael Silva assassinado na chacina na Baixada Fluminense, ocorrida em 2005, vitimando 29 pessoas. 

Cena do Filme “Os Nossos Mortos Têm Voz” (2018)

“Quando eu enterrei o Rafael, eu fiz a promessa pra ele que eu nunca iria deixar que ninguém esquecesse o que tinha acontecido naquele dia”. A fala de Luciene demonstra nitidamente a sede de justiça e o sentimento de indignação que move essas mulheres. É também o caso de Nívia do Carmo Raposo, outra entrevistada do filme, que teve o filho morto com um tiro nas costas em Nova Iguaçu. “As pessoas acham que eu sou forte, é horrível o que eu vou dizer, mas tem dias que o ódio é mais forte que a minha dor.”

Mortes pelo país Em São Paulo, a letalidade de jovens negros assusta. Segundos dados do portal Dados do Portal da Transparência da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), referente ao ano de 2018, a cada 10 pessoas mortas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, seis eram negras (pretas ou pardas). No ano de 2017, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou um estudo referente a idade dos mortos pela PM em São Paulo e concluiu que pessoas com faixa etária entre 19 e 24 anos representavam a maioria das mortes com 40,3%, seguido de jovens entre 14 a 18 anos com 24,9%. 

As mortes surpreendem também em outras áreas do país, como nas regiões Norte e Nordeste. O estudo feito pelo Atlas da Violência, em 2019, mostra que entre 2016 e 2017 a taxa de homicídio de negros tinha aumentado 333% no estado do Rio Grande do Norte e 277% no Acre. Entretanto, o recorde de desigualdade fica para o estado de Alagoas, local que outrora foi fundado o Quilombo de Palmares, no período da escravidão. Lá a taxa de homicídio de negros é mais de 18 vezes maior que a de não negros. O tema violência contra juventude negra, integra o eixo Viver com Dignidade, uma das prioridades de investimento para o Fundo Baobá.

Mais do que números, essas mortes têm reflexo direto nas mães desses jovens, segundo explica Clélia Prestes, doutora em Psicologia Social, integrante do Instituto AMMA Psique e Negritude, de São Paulo. “Quando não são diretamente atingidas pelas estratégias de extermínio que alcançam homens negros e jovens negros, além de mulheres negligenciadas pelo Estado – elas têm sequelas”, afirma. “Mesmo quando sobrevive, a mãe de um jovem negro assassinado pode chegar a óbito por pressão alta, infarto e depressão”, diz. É a possibilidade de uma morte em vida, que ocorre “quando a possibilidade de viver e viver dignamente é atingida.” 

Clélia Prestes, Psicóloga doutora em Psicologia Social, integrante do Instituto AMMA Psique e Negritude, de São Paulo


Pele alva e pele alvo: porque jovens negros continuam sendo vítimas preferenciais da violência

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicados em 2019, mostram que houve um aumento de 19% de mortes por agentes policiais, em relação ao ano anterior da pesquisa, sendo que desse montante 99% são homens. O viés racial é evidente: 75% são negros e, entre eles, 78% são jovens e filhos. Esta reportagem é uma reflexão sobre a alta letalidade de jovens negros por causas violentas justamente, um dos temas priorizados pelo Fundo Baobá no eixo Viver com Dignidade. 

“Com a experiência escravista, naturalizamos o controle físico sobre os negros e negras em nossa sociedade, de modo que é trivial que um jovem negro seja enquadrado na esquina de sua casa ou mesmo que seja morto barbaramente sem que haja qualquer tipo de consequência política ou social”, destaca Felipe Freitas, doutor em Direito e Sociedade, Conflito e Movimentos Sociais, pela Universidade de Brasília (UnB), e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

Dois dias depois do caso João Pedro, foi a vez de João Vitor Rocha, de 18 anos de idade, ser baleado durante um tiroteio na Cidade de Deus (RJ), enquanto ocorria uma ação solidária de distribuição de cestas básicas. As mortes parecidas, em um curto intervalo de tempo explicitam a teoria de Felipe Freitas, que também analisa o papel da mídia diante disso. 

Felipe Freitas, Doutor em Direito e Sociedade, Conflito e Movimentos Sociais, pela Universidade de Brasília e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá

A violência não poupou nem Bianca Regina de Oliveira, 22 anos, que dormia quando foi atingida por um tiro na cabeça, no dia 25 de maio. Ela reside na localidade do Brejo, área mais carente da mesma Cidade de Deus, e permanece internada. “A naturalidade com que se noticiam os casos de chacinas nos territórios negros ou a recorrência com que são relatados episódios diários de violência e discriminação racial explicitam essa indiferença cruel.”  

Para compreender essa visão que a sociedade tem do jovem negro como inimigo a ser exterminado, a jornalista Maíra Brito recorre ao historiador Luiz Antonio Simas, que explica a razão da polícia assassinar pessoas civis. “Ele disse que a função original da polícia era defender a propriedade de terras e seus donos – algo que acontece ainda no século 21. Ou seja, o problema das polícias não é ter dado errado e sim certo, até hoje.” 

Maíra Brito, Jornalista e mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília

O racismo e a polícia

A tese de doutorado de Felipe Freitas, intitulada “Polícia e Racismo: uma discussão sobre mandato policial”, aprofunda a questão do racismo estrutural em nossa sociedade e a forma como ele opera dentro da instituição policial. “Estudei como o tema do racismo vem sendo tratado no âmbito dos estudos policiais no Brasil tentando propor um modelo teórico que busque compreender o peso do racismo e das desigualdades raciais nas práticas e modos de funcionamento e representação social das polícias”. Ou seja, o estudo procura saber se há diferenças no tratamento e na abordagem de pessoas negras pela polícia. “Procurei entender como as hierarquias raciais brasileiras estão relacionadas com o modo de organização, legitimação e funcionamento das polícias no país e como esse fluxo produz mais vulnerabilidade para o conjunto da população negra.” 

A pesquisa realizada por Felipe abordou três décadas de estudos de criminologia para compreender a principal causa do racismo policial. “Na pesquisa, analisei os estudos das ciências sociais e da criminologia de direito, realizados entre 1987 e 2017, tentando entender quais as principais formas de compreender o conceito de mandato policial e quais as suas interfaces com o tema do racismo. Pude constatar que a raça funciona no âmbito das interações e dinâmicas policiais como um lastro que organiza o sentido efetivo das leis, orienta a interpretação das práticas e dos códigos de conduta, informa sobre como, quando e por quê realizar ou não realizar procedimentos e operações. Ou seja, um dos pontos de chegada do trabalho é a constatação de que a raça dá conteúdo subjetivo, sentido social e justificação política ao exercício da ação policial que se desenvolve a partir de valores sociais organizados pelo racismo.”  

Até quando a juventude negra vai morrer?

Para Maíra Brito, a principal solução para reduzir o número de jovens negros mortos no país é reconhecendo que há uma política de extermínio. “Há uma política da morte, que determina quem tem importância e quem não tem, além de definir quais territórios e populações são vistas como ameaça.” 

Felipe Freitas também defende a mesma linha. “É preciso reconhecer o enfrentamento à violência contra a juventude negra como um desafio ético, político e jurídico de todas e todos nós. E revisar modos de representar as pessoas negras no espaço público, desnaturalizando a violência racial e, assim, colocar o tema da violência policial num outro patamar do debate público no país.” 

Além da violência e extermínio, Felipe levanta outra questão de suma importância: o encarceramento em massa da população negra. Dados do Departamento Penitenciário Nacional mostram que o Brasil é hoje um dos países que mais  prende em todo o mundo. A população carcerária brasileira é de mais de 700 mil pessoas, sendo que nesse contingente mais de 40% são presos provisórios, ou seja, não foram condenados pelo  Poder Judiciário, e 300 mil ultrapassam a capacidade de vagas das prisões. “Prende-se muito e prende-se mal em nosso país. Na prática, o sistema de justiça criminal mais contribui para aumentar a vulnerabilidade da juventude negra à violência letal do que ajuda a enfrentá-la. Portanto, alterar as práticas do sistema de justiça criminal é decisivo para produzir outros resultados no campo da segurança pública e na defesa da vida da população”, completa Freitas.

Qual seria a solução ideal para erradicar a violência contra os jovens negros no nosso país? Maíra Brito acredita que só haverá redução de mortes se houver um trabalho de promoção da equidade racial. “É urgente que sejam aplicadas políticas públicas eficientes, capazes de proporcionar ambientes para o desenvolvimento de atividades educacionais e culturais para essas pessoas”. Felipe Freitas concorda. “É óbvio que o jovem negro exposto a violência letal não deixará de ser discriminado ou morto à  medida que alcançar políticas de inclusão. Porém, o aspecto da inclusão e do combate à desigualdade contribui para viabilizar outras narrativas no seio da comunidade o que, sem dúvida repercute positivamente em termos de produção de empoderamento e de prevenção à violência.”

Baobá na imprensa em maio

Em maio a diretora Selma Moreira concedeu entrevista à Ponte Jornalismo. Nessa oportunidade, ela destacou os critérios de seleção dos projetos de prevenção à contaminação pelo coronavírus objeto do edital de doações emergenciais do Fundo  e a necessidade de mais ações que beneficiem as populações vulneráveis. O edital do Fundo Baobá com o Desabafo Social estendido para todo o Brasil também repercutiu na mídia do Nordeste. Confira os destaques:

Ponte Jornalismo – 01 de maio de 2020 – Fundo Baobá financia projetos de combate à Covid-19 para negros, pobres e indígenas

Cidade Satélite  – 08 de maio de 2020 – Fundo Baobá e Desabafo Social apoiam ações comunitárias contra o coronavírus

Blog do Patrício Nunes – 07 de maio de 2020 – Fundo Baobá e Desabafo Social apoiam ações comunitárias contra o coronavírus

As listas de projetos também foram divulgadas pela imprensa:

Geledés – 01 de maio de 2002 – Fundo Baobá divulga segunda lista de projetos selecionados pelo edital de apoio emergencial contra o Coronavírus

Geledés – 16 de maio de 2020 – Fundo Baobá divulga terceira lista de projetos selecionados pelo edital de apoio emergencial contra o Coronavírus

Leia aqui

Alguns projetos apoiados pelo edital também divulgaram pela imprensa as ações realizadas:

IFB – 06 de maio de 2020 – Campus Riacho amplia campanha solidária

Mercadizar – 12 de maio de 2020 – Famílias da periferia de Belém recebem cesta básica do projeto Telas em Movimento

OBIND – 18 de maio de 2020 – CIR: Em isolamento, comunidade Canauanim recebe alimentos e orientações para se proteger da Covid-19

A presença do Fundo Baobá na página ParaQuemDoar também gerou menção em matérias sobre solidariedade às populações carentes

Anped – 11 de maio de 2020 – Apoio da SBPC e de sociedades científicas a comunidades pobres e favelas

Abeco – 12 de maio de 2020 – Apoio da SBPC, ABECO e de outras sociedades científicas a comunidades pobres e favelas

SBM – 14 de maio de 2020 – SBPC, instituições e sociedades científicas pedem solidariedade às populações vulneráveis

FUNDO BAOBÁ DIVULGA SEGUNDA LISTA DE PROJETOS SELECIONADOS PELO EDITAL DE APOIO EMERGENCIAL CONTRA O CORONAVÍRUS

O Fundo Baobá para Equidade Racial divulga hoje (30 de abril) a segunda lista de iniciativas de combate à infecção pelo coronavírus em comunidades vulneráveis que foram selecionados pelo edital de doações emergenciais.  São projetos de 70 indivíduos e 50 organizações que receberão repasses de R$ 2,5 mil em até cinco dias úteis.

Em apenas doze dias, o edital do Fundo Baobá recebeu 1037 solicitações de apoio a projetos de combate ao coronavírus em comunidades vulneráveis. Desse total, 387 são de organizações e 650 de indivíduos. Ao todo, foram selecionados 220 projetos – sendo 130 pessoas e 90 organizações. Lançado em 5 de abril, o edital (relembre aqui) visa apoiar um amplo espectro de populações em situação de risco.

O total de projetos recebidos até agora superou nossas expectativas. Para dar conta de avaliar e acompanhar os projetos selecionados, suspenderemos temporariamente este edital. Sua reabertura será comunicada por meio de nossas redes sociais.

Conheça a seguir os selecionados da segunda lista:


Nome da pessoa proponenteCidade/MunicípioEstadoOnde as ações serão realizadas – Cidade, Bairro, Comunidade/Território e UF
1 – Adaildo CaetanoTururuCEComunidade Rural de Remanescentes de Quilombolas Conceição dos Caetanos
2 – Ana Claudia dos Santos LimaSantarémPASantarém e Quilombo de Saracura
3 – Anna Paula de Albuquerque SalesItaguaíRJComunidade do Engenho e do Carvão 
4 – Antonia Aparecida RosaUberlândiaMGResidencial Pequis  
5 – Antônia Marta de SouzaSenador PompeuCEComunidades Rurais de Patu e Lima dos Marcelinos  
6 – Antonio Cláudio Martins GuterresGuimarãesMAQuilombo Cumum 
7 – Bartolina Ramalho CatananteCampo GrandeMSDiferentes bairros 
8 – Carlos Alberto Ferreira GuimarãesItaboraíRJAlcantara, Mutondo e Praça Zé Garoto (São Gonçalo)
9 – Cláudio Pascoal Macario de OliveiraNatalRNPajuçara
10 – Cris MedeirosPorto AlegreRSBairro Bom Jesus (Vila Pinto e Vila Nossa Senhora de Fátima), Bairro Morro Santana (Vila Laranjeiras, Vila Pedreira e Vila da Nova Chocolatão), Bairro Jardim Carvalho (Vila Ipê 2, Vila da Colina e Vila Joana D’Arc)
11 – Diego Fabio Santos de jesusDuque de CaxiasRJFavela da Magueirinha 
12 – Diene Carvalho SilvaRio de JaneiroRJComplexo do Chapadão
13 – Eliane Silva LimaSalvadorBABairro 2 de Julho, Comunidade da Preguiça.
14 – Elisângela Maranhão dos SantosOlindaPEPeixinho, Alto Sol Nascente, Salgadinho, Alto da Conquista, Rio Doce e Passarinho.
15 – Fabiana da SilvaDuque de CaxiasRJFavela Parque das Missões 
16 – Fatima Aparecida BarbosaVotuporangaSPRegião Periférica
17 – Francilene do Carmo CardosoSão LuísMABairros do Novo Angelim e Vila Embratel
18 – Francisca Luciene da SilvaNatalRNBairro Nossa Senhora da Apresentação, Loteamento Jardim Progresso
19 – Francisca Regilma de Santana SantosImperatrizMANa associação Mãos que cuidam (doação das mascaras e estes farão as entregas às familias de acordo com a demanda que já possuem); Na sede da Ascamari (onde a diretoria fará as entregas as catadoras e catadores); Na casa do MST (será o preparo da alimentação) e a distribuição no calçadão da cidade onde concentra maior numero de pessoas em situação de rua;
20 – Franklin Douglas FerreiraSão LuísMAVila Embratel, área Itaqui-Bacanga
21 – Genilda Maria da PenhaNiteróiRJFavelas da Coreia, Brasília, Vila Ipiranga, Santo Cristo, Coronel Leôncio e Otto
22 – Gerlan Pereira de MeloPeixoto de AzevedoMTBairro Mãe de Deus
23 – Gisele Alves dos SantosSobradinhoDFSobradinho I e II DF
24 – Gláucio Pereira de LimaJõao PessoaPBNas comunidades de João Pessoa
25 – Guilherme da Costa MacielDuque de CaxiasRJDuque de Caxias
26 – Maria Rosilene Silva SantanaFortalezaCEBarra do Ceara, Pirambu. Comunidade Campos Novos, Goiabeiras, Jardim Iracema e Planalto Pici
27 – Iane Gonzaga dos SantosSalvadorBAComunidade da Portelinha
28 – Jamile da Silva NovaesCachoeiraBABairro Cucuí de Caboclo
29 – Janete Lainha CoelhoIlhéusBAComunidade dos Indígenas Tupinambás, Olivença 
30 – Jardson Gregorio SilvaJaboatão dos GuararapesPEFavela Bola de Ouro
31 – Jenifer de Paula FerreiraSanto AndréSPRecreio da Borda do Campo e Grande Vila Luzita em Santo André
32 – Jessicalen conceição de oliveiraCampina GrandePBFavela do Pedregal
33 – Jirlania dos Santos AlmeidaÁgua FriaBAComunidade Remanescente Quilombola Curral de Fora, Territorio Portal do Sertão 
34 – José Paulo RibeiroNova LimaMGFavela do Moro do Papagoio, Zona Sul de Belo Horizonte e adjacênciaas
35 – Juliana Bueno de MoraesPorto AlegreRSComunidade da Serraria 
36 – Karina LopesVenâncio AiresRSMunicípio de Venâncio Aires
37 – Kelly Oliveira de JesusSalvadorBAPeriperi
38 – Kwame Yonatan Poli dos SantosSão PauloSPZona Sul, São Paulo -SP
39 – Laura Ferreira da SilvaNossa Senhora do LivramentoMTMutuca e outras comunidades quilombolas dos Municípios de Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Barra do Bugre, Chapada dos Guimarães, Cáceres, Porto Estrela, Várzea Grande, Santo Antônio, Vila Bela da Santíssima Trindade.
40 – Lia Maria Marcello da MottaDuque de CaxiasRJJardim Gramacho
41 – Livia Lopes CorreaCampo GrandeMSFavelas Cidade de Deus, José Teruel Filho, Só Por Deus, Homex, Samambaia e Morro do Mandela 
42 – Maria Aparecida de MatosArraiasTOAlgumas Comunidade Quilombolas do Tocantins
43 – Maria Carmencita Pinto AlmeidaManausAM Comunidade dos Buritis
44 – Maria Clareth Gonçalves ReisCampos dos GoytacazesRJComunidade Donana 
45 – Maria das Graças Barbosa MouraMacaíbaRNComunidade de Quilombola de Capoeiras
46 – Maria Eduarda Correia de SantanaDuque de CaxiasRJNas favelas de Duque de Caxias
47 – Maria Rosilda Pereira de Azevedo MoreiraRio de JaneiroRJComunidade de Praia da Rosa, Ilha do Governador
48 – Maricéia Meirelles GuedesPorto SeguroBAComunidade Indígena Pataxó Aldeia Velha 
49 – Monique Barbosa da SilvaLaranjal do JariAPAgreste
50 – Nádia Batista da SilvaIlhéusBA Aldeia Tukum – Território Indígena Tupinambá de Olivença
51 – Natan Carlos Raposo DuarteSalvadorBABairro Baixa do Fiscal
52 – Natercia Wellen Ramos NaveganteManausAMManaus, Centro Histórico, Nossa Senhora dos Remédios/ Amazonas
53 – Patricia Borges da SilvaSão PauloSPRegião Central de São Paulo
54 – Patricia lopes de limaSão João de MeritiRJPontos de atuação das profissionais do sexo e locais onde se abrigam pessoas em situação de rua
55 – Prof. Roberto Carlos de OliveiraGovernador ValadaresMGTerra Indígena Maxakali: municípios de Bertópolis e Santa Helena de Minas
56 – Rafael Cícero de OliveiraItapecerica da SerraSPJd Jacira (Paróquia Santíssima Trindade)
 Jd. Ângela
Jd Sonia Regina –
Jd Vera Cruz /CEU Vila do Sol
Vila Gilda/Cidade Ipava
Jardim Ângela – São Paulo
57 – Rafaela Sousa do Nascimento AffonsoMagéRJBairro Maria Conga
58 – Raiana Venâncio de SouzaSobralCEBairros Terrenos Novos, Vila União e Residencial Nova Caiçara 
59 – Raimundo Muniz CarvalhoSanta RitaMAComunidades quilombolas Nossa Senhora da Conceição, Recurso e Fogoso
60 – Roberto de Jesus dos SantosSalvadorBABairros: Pituaçu/Boca do Rio nas comunidades do Baite Facho, Alto do São João, Jardim Imperial, Recanto dos Coqueiros e Barreiro 
61 – Romário Bezerra DionísioBoa VistaRRComunidades  indígenas da Região Murupu :Morcego, Serra da moça, Truaru da cabeceira , Truaru da serra e anzol  e  da Região Tabaio: Barata , Boqueirão , Sucuba, Raimundão um e dois , Mangueira,  Pium.
62 – Rosana do Socorro Pimentel de FreitasRio de JaneiroRJComunidade do Itacolomi- Vila Juaniza
63 – Samilly Valadares SoaresAnanindeuaPAComunidade Remanescente de Quilombo Oxalá de Jacunday localizada no Território Quilombola de Jambuaçu, Zona Rural, Moju
64 – Senhorinha Joana Alves da SilvaRecifePEPeixinhos (Olinda) e Brasília Teimosa (Recife).
65 – Sheila Castro QueirozBelo HorizonteMGBairro Paulo VI, e Ribeiro de Abreu
66 – Tânia Marisa da Silva VitolaPorto AlegreRSSanta Tereza
67 – Valeria Gercina das Neves CarvalhoCratoCESetor Boa Vista (Zona Rural) e  Comunidade de Refugiados Venezuelanos (Zona Urbana)
68 – Wendell Marcelino de limaSão FranciscoMGComunidade Quilombolas Buriti do Meio, Porto Velho.
69 – William Alexandre Toledo PintoRio de JaneiroRJTerritório do Cocobongo, Praça Vila Rangel – Irajá
70 – Yashodhan Abya YalaCachoeiraBAÁrea central

Nome da Organização ProponenteCidade/MunicípioEstadoOnde as ações serão realizadas – Cidade, Bairro, Comunidade/Território e UF
1 – Ass. de Agricultores Familiares Remanescente de Quilombo da Lagoa de Melquíedes e AmâncioVitória da ConquistaBAQuilombo da Lagoa de Melquiades e Amancio, Distrito de Veredinha
2 – Assoc dos Amigos dos Portadores do Doencas Graves e Crianças em Vulnerabilidade Social–Casa da VidaRio de JaneiroRJBenfica, Manguinhos, Mandela
3 – Associação Agentes da Cidadania – Mulheres da LuzSão PauloSPBom Retiro
4 – Associação Artístico-Cultural OdeartSalvadorBAEstrada das Barreiras, Engomadeira, Beiru, Arenoso
5 – Associação Beneficente, Cultural e Religiosa do Terreiro de LembáCamaçariBAParque Real Serra Verde , Terreiro de Lembá, Região Metropolitana, Bahia , Brasil.
6 – Associação das Mulheres PintadensesPintadasBABacia do Jacuipe
7 – Associação de Afro Envolvimento Casa PretaBelémPASão João do Outeiro, Ilha de Caratateua
8 – Associação de Apoio Social de CamaçariCamaçariBAComunidade do Bairro Jaragua (Lama Preta)
9 – Associação dos Moradores do Parque dos Coqueiros I e IIFeira de SantanaBAAsa Branca, Residencial Parque dos Coqueiros I e II, Bahia
10 – Associação dos Produtores Rurais de Picada-Aspi Ouriçangas BA Territorio Quilombolas
11 – Associação dos Remanescentes de Quilombo Vila GuaxinimCruz das AlmasBAComunidade Quilombola Vila Guaxinim
12 – Associação Educadores Populares do CearáTabuleiro do NorteCEComunidades Rurais (que serão acessadas de forma remota).
13 – Associação em Prol da Cidadania e dos Direitos Sexuais – Estrela GuiaFlorianópolisSCVila do Arvoredo; Ingleses; Comunidade do Siri; Vila União; Centro
14 – Associação Engenheiros sem Fronteiras Brasil (ESF-BRASIL)ViçosaMG
15 – Associação Espirita Lar Maria de LourdesCampo VerdeMTBairro Jupiara e arredores, cidade de Campo Verde – MT
16 – Associação Luz da FraternidadeBelémPACabanagem
17 – Associação Quilombola de Conceição das CrioulasSalgueiroPEQuilombo de Conceição das Crioulas
18 – Associação Rural Comunitária Quilombola de Gavião e AdjacênciasAntônio CardosoBAComunidade Quilombola de Gavião
19 – Associação SEDUP Serviço de Educação PopularGuarabiraPBBairros: Mutirão, Rosário, Nordeste e Nossa Senhora Aparecida.
20 – Associação União Quilombola Araça CariacaBom Jesus da LapaBAQuilombo Cariaca
21 – Casa Azul Felipe Augusto Samambaia SulDFSamambaia Expansão
22 – Centro Cultural Lá da FavelinhaBelo HorizonteMGAglomerado da Serra. Bairro Novo São Lucas.
23 – Centro de Convivência é de LeiSão PauloSPBairro: Campos Elíseos, Território – Cracolandia
24 – Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antonio ConselheiroSenador PompeuCESenador Pompeu
25 – Centro Projeto Axé de Defesa e Proteção à Criança e ao AdolescenteSalvadorBACentro Histório e da Cidade Baixa; Bonfim, Ribeira, Boa Viagem, Calçada, Caminho de Areia, Lobato, Mangueira, Mares, Massaranduba, Roma, Santa Luzia, Uruguai, Vila Ruy Barbosa/Jardim Cruzeiro, Cabula, Beiru/Tancredo Neves, Sussuarana, Saramandaia, São Gonçalo, Pernambués, Mata Escura, Narandiba, Doron, Arenoso, Calabetão.
26 – Colônia de Pescadores Z-25 JaboatãoJaboatão dos GuararapesPEPiedade
27 – Comunidade Kolping Serra do EvaristoBaturitéCEComunidade Quilombola Serra do Evaristo
28 – Confrem BrasilSão Pedro da AldeiaRJReservas Extrativistas, APAS e territórios no estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
29 – Cooperativa Múltipla Fontes de EngomadeiraSalvadorBAEngomadeira
30 – Elas Existem Mulheres EncarceradasRio de JaneiroRJDegase (Ilha do Governador) e diversos pontos da cidade onde residem as famílias
31 – Essor BrasilJoão PessoaPBBairro do Pedregal
32 – GOLD – Grupo Orgulho Liberdade e DignidadeVitóriaESSerra e a Cariacica
33 – Grupo Airmativo de Mulheres Iindependentes do RN – GAMINatalRNRedinha
34 – Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de FavelasRio de JaneiroRJComplexo de Favelas da Maré
35 – Grupo de Apoio às Comunidades CarentesFortalezaCEConjunto João Paulo II/Barroso, Conjunto Jardim União/Passaré, Antônio Bezerra.
36 – Imagem da VidaSão PauloSPTerritorio virtual (whatsapp) dirigio à população Guarani e Kaiowa do Mato Grosso do Sul
37 – Instituto BezalelRio de JaneiroRJComunidades do Vilar Carioca e Casinhas 1 e 2
38 – Instituto CTE CapoeiragemSalvadorBAEm Salvador: Pituaçu, Boca do Rio, Nazaré e em algumas outras comunidades que moram os mestres antigos. Em Camaçar: PHOC III
39 – Instituto de Desenvolvimento Afro Norte Noroeste Fluminense – IDANNFCampos dos GoytacazesRJComunidade Quilombola de Aleluia, Batatal e Cambucá – Na associação de ABC- Município Campos dos Goytacazes , Estrada Principal s/n, Fazenda Novo Horizonte . Território
40 – Instituto Nova Amazonia- INÃBragançaPAAlto Paraíso.
41 – Instituto RaízesVitóriaESMorros da Piedade, Fonte Grande, Capixaba e Moscoso
42 – Instituto ViverdeItabunaBAJardim Grapiúna e Jaçanã
43 – Instituto Espírita Allan Kardec e Lar Ceci Costa – IEAKLCCOlindaPESalgadinho
44 – Irmandade Nossa Senhora do Rosário da Comunidade Quilombola dos Arturos de ContagemContagemMGComunidade Quilombola dos Arturos
45 – Movimento de Inclusão Social Novo HorizonteRio de JaneiroRJFavelas do Morro do Borel e Formiga.
46 – Organização do Povo Indígena Parintintin do AmazonasHumaitaAMAldeias Traíra e Pupunha – TI Nove de Janeiro e Aldeia Canavial – TI Ipixuna
47 – Projeto Resgate Coração SolidárioRio de Janeiro/ Rio de JaneiroRJJacarepaguá, Campo Grande, Centro da Cidade, Baixada Fluminense, Sul Fluminense, Niterói, Cidade de Deus, Covanca, Rio das Pedras, Comunidade Santa Margarida
48 – Rede de Apoio Humanitário das e nas PeriferiasSão PauloSPJova Rural, Filhos da Terra, Jardim Hebrom, Vila Nova Galvão e Jardim Felicidade
49 – Sociedade Recreativa e Cultural Afoxé Filhas de GandhySalvadorBACentro Histórico
50 – Tecendo CidadaniaPalmaresPECidade de Palmares