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Fundo Baobá fecha 2025 com saldo positivo  de ações pela equidade racial

Em 2025, o Fundo Baobá seguiu fortalecendo a luta por equidade racial no Brasil, ampliando o alcance de seus programas, apoiando uma agenda pública em prol da justiça social e acompanhando de perto as trajetórias de pessoas e organizações negras em diferentes territórios, que movimentam a luta por um país mais justo.  Em cada ação, foi possível constatar que a filantropia pode ser, antes de tudo, um compromisso com a vida, com a dignidade e com a construção de futuros onde ninguém fica para trás.

Entre as raízes antigas ao longo do ano, está a Marcha das Mulheres Negras, que reeditou um momento histórico de dez anos atrás, quando mulheres foram à rua em Brasília para reafirmar um projeto de sociedade mais democrático, inclusivo e comprometido com o bem viver de todas as pessoas.. A marcha de 25 de novembro na capital do país, foi o ápice de um amplo e delicado trabalho realizado ao longo do ano, inserindo representações dos 27 estados brasileiros em uma construção coletiva, democrática e potente. Esse movimento foi apoiado pelo Fundo Baobá, que destinou R$ 1,25 milhão para sua realização, e pela presença de toda sua equipe que, ao lado de milhares de mulheres, caminhou junto, participando, aprendendo e colaborando com a transformação que queremos.

O Fundo Baobá também levou cinco jornalistas da imprensa negra e independente – uma de cada região do país – para uma cobertura in loco que contribuísse com uma visibilidade mais completa e aprofundada da marcha, produzida pelo olhar de quem vive e movimenta essa luta de acordo com as realidades locais. As convidadas foram: Luciana Santos, representando a região norte, da Revista Cenarium; Camila Rodrigues, da região sudeste, do Alma Preta;  Alane Reis, representando o nordeste, pela Revista Afirmativa; Kelly Ribeiro, representando o Portal Catarinas, da região sul; e Mari Magalhães, representando o centro-oeste. 

A força das mulheres negras que atuam em seus territórios, liderando soluções e impulsionando mudanças foi apoiada pelo Fundo Baobá com o lançamento da 2ª edição do Programa Marielle Franco. A oportunidade visa contemplar 30 mulheres negras de todo país para desenvolver suas habilidades pessoais e aperfeiçoar suas competências de liderança em suas comunidades ou nos segmentos em que atuam. O objetivo é fortalecer lideranças femininas que desejam ampliar sua capacidade de atuação e transformação social.

No campo da educação, Programas já conhecidos ganharam novos capítulos. É o caso do Edital Black STEM, que teve uma segunda edição em 2025. STEM é a sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Mesmo sendo áreas promissoras, a presença de estudantes negros ainda é baixa – especialmente no exterior, onde ficam as instituições de ensino de ponta desses segmentos. Assim como na primeira edição, os estudantes selecionados pelo Black STEM receberam bolsas de estudos para apoiá-los na permanência durante todo o curso. Os selecionados foram: Enio Ferreira Barbosa (Engenharia Eletrônica, Imperial College London), Gabriel Hemetrio de Menezes (Engenharia Elétrica e Eletrônica, Universidade de Glasgow), Gabriela Torreão Marques Ferreira (Engenharia Biomédica, University of Southampton) e Maria Luiza Storck Ferreira Neurociência Cognitiva, University of Amsterdam). 

Gabriela Torreão, Gabriel Hemetrio, Maria Luiza Stock e Enio Ferreira

O Programa Já É também teve uma segunda edição, para apoiar o acesso de 30 estudantes negros ao ensino superior, ampliando oportunidades de trabalho e desenvolvimento pessoal. Na primeira edição, o programa acompanhou estudantes que se tornaram os primeiros de suas famílias a disputar vagas em universidades de referência ou que descobriram novos caminhos profissionais, histórias que mostram como o Já É amplia projetos de vida e abre possibilidades concretas de futuro. Com formação educacional em cursos preparatórios para vestibulares, o programa oferece uma rede de apoio completa para garantir que os estudantes possam focar apenas nos estudos. Na edição 2025, foram selecionados 30 estudantes. 

Tanto o Black STEM como o Já É são iniciativas que têm um objetivo de longo prazo: ampliar horizontes, transformar futuros e criar condições reais para que esses jovens ocupem espaços estratégicos — na ciência, no mercado, na tecnologia e em outros setores onde novas lideranças podem redefinir caminhos e enfrentar desigualdades estruturais.

30 jovens aprovados para a 2ª edição do Programa Já É

Novos conselheiros se juntam à governança

A governança do Fundo Baobá se fortaleceu em 2025 com a chegada de três nomes comprometidos com a agenda da equidade racial: Nelson Narciso, Gabriela Mendes Chaves e Michael França. Cada um deles traz vivências e perspectivas que enriquecem o Conselho — e reafirmam o compromisso voluntário com a causa.

Com mais de quatro décadas dedicadas ao setor de energia, Nelson Narciso passou a integrar o Conselho Deliberativo do Fundo. Engenheiro mecânico com carreira nacional e internacional, atuou em grandes empresas e foi diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde contribuiu para políticas públicas de impacto duradouro nesse setor. Sua experiência técnica, aliada a uma visão estratégica e ao compromisso com a equidade racial — tema que acompanha sua vida desde a juventude — fortalece ainda mais o propósito institucional do Fundo Baobá. Para ele, fazer parte do Conselho é unir propósito, responsabilidade e futuro: “Cada projeto é a chance de transformar conhecimento em impacto”.

Chega também ao Fundo Baobá a economista Gabriela Mendes Chaves, mais conhecida como Gaby Chaves. Fundadora da NoFront – Empoderamento Financeiro, ela se tornou referência na democratização do conhecimento econômico, especialmente para públicos historicamente excluídos das discussões sobre finanças. Sua atuação conecta educação, estratégia e cuidado, abrindo caminhos para que mais pessoas compreendam, acessem e ocupem o mercado financeiro. Como conselheira, Gabriela traz uma visão contemporânea e a capacidade de traduzir temas complexos em caminhos possíveis.

Completa o trio o economista e pesquisador Michael França. Doutor pela Universidade de São Paulo, colunista da Folha de S.Paulo e vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, Michael é fundador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper. Seu trabalho rigoroso sobre desigualdades sociais e formulação de políticas públicas o transformou em uma das vozes mais importantes do país quando o assunto é equidade racial baseada em evidências. A experiência internacional como professor visitante em Columbia e Stanford amplia ainda mais a perspectiva acadêmica e estratégica que traz agora ao Fundo Baobá.

Juntos, Nelson, Gabriela e Michael somam experiências e saberes que se entrelaçam e se complementam — técnica, educação, pesquisa, gestão, inovação e compromisso social. Suas chegadas fortalecem o Fundo Baobá em um momento especial: a preparação para celebrar 15 anos de atuação em 2026. Um marco que simboliza permanência, resistência e a força coletiva de uma organização que olha para o futuro com coragem e estratégia.

Selo de Igualdade Racial

O ano de 2025 também trouxe para o Fundo Baobá o Selo Igualdade Racial, concedido pela Prefeitura de São Paulo junto com outras 120 instituições selecionadas no resultado preliminar publicado em outubro. O Selo busca incentivar políticas afirmativas, ampliar a igualdade étnico-racial, reparar desigualdades históricas e combater práticas discriminatórias. Essa certificação reconhece o compromisso do Fundo com a promoção da equidade racial no mercado de trabalho.

Presença na mídia como estratégia de visibilidade para a pauta negra

Outro destaque do ano de 2025 foi a presença do Fundo Baobá na imprensa nacional. Estivemos presentes em veículos da mídia negra e independente, como o Alma Preta Jornalismo, Notícia Preta e Mundo Negro. Também participamos de matérias em veículos como Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Folha de Pernambuco

Encerramos 2025 com a certeza de que cada iniciativa apoiada, cada estudante que avançou, cada liderança fortalecida e cada articulação construída transforma de verdade o cenário da equidade racial no Brasil. O caminho não se faz sozinho: é resultado da ação conjunta de quem acredita que a mudança é possível agora, e trabalha para torná-la real. Em 2026, seguimos aprofundando parcerias, fortalecendo territórios e impulsionando histórias que movem o país para um futuro melhor.

Crédito para as fotos: Thalita Guimarães e Katarina Silva


Faculdades e Universidades Historicamente Negras (HBCUs): um caminho para estudantes negros brasileiros

Da luta por acesso à referência mundial em pesquisa e tecnologia

Quando se fala em estudar no exterior, a maioria das pessoas pensa imediatamente nas tradicionais universidades dos Estados Unidos. No entanto, existe um grupo de instituições igualmente importantes e transformadoras, com uma história e missão singulares: as HBCUs (Historically Black Colleges and Universities).

Essas faculdades e universidades foram criadas para fornecer educação superior à comunidade negra estadunidense em um período de segregação, quando o acesso a outras instituições era negado. Hoje, elas continuam sendo um pilar vital do ensino superior, oferecendo uma experiência acadêmica de alta qualidade, um forte senso de comunidade e uma rede de apoio poderosa para estudantes negros. Atualmente, existem mais de 100 HBCUs nos EUA, formando cerca de 300 mil alunos anualmente. Conheça a lista completa de instituições. 

Para estudantes brasileiros, especialmente aqueles que se identificam como negros, as HBCUs podem representar um espaço de pertencimento e empoderamento. Elas não só oferecem excelência acadêmica, com programas reconhecidos em diversas áreas como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), negócios e artes, mas também promovem um ambiente onde a identidade e as experiências negras são valorizadas e celebradas.

O processo de aplicação é igual ao das universidades sem a mesma missão histórica, elas são inclusivas, recebendo estudantes de diversas nacionalidades, raças e etnias, fomentando um ambiente intercultural. Além disso, muitas dessas instituições oferecem assistência financeira generosa na forma de bolsas, empréstimos e subsídios, tornando o sonho de estudar nos EUA mais acessível.

Nomes como a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris (formada em Howard University), e a apresentadora Oprah Winfrey (Tennessee State University) são apenas alguns exemplos de líderes e personalidades globais que se formaram em HBCUs, mostrando o impacto duradouro dessas instituições na formação de talentos.

3 HBCUs de peso para sua jornada em STEM!

Instituições como Howard University, North Carolina A&T State University e Spelman College estão impulsionando a presença negra nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e criando impacto global.

Estudar em uma HBCU (Historically Black College or University) com destaque em STEM significa estar em um ambiente que une tradição, excelência acadêmica e compromisso com a representatividade. Para estudantes negros do Brasil e do mundo, essa é uma chance de desenvolver habilidades técnicas de alto nível, criar conexões globais e contribuir ativamente para a inovação científica e tecnológica, enquanto se sente parte de um legado histórico de transformação social. Conheça um pouco mais sobre três destas universidades:

1. Howard University – Localizada em Washington, D.C., Howard é uma das HBCUs mais prestigiadas do mundo. Seu College of Engineering and Architecture é referência em formação de engenheiros negros e está conectado a centros de pesquisa de ponta, como a NASA e empresas líderes em tecnologia. A universidade também se destaca pela produção científica em áreas como engenharia elétrica, ciência da computação e inteligência artificial. Acesse o site oficial da instituição aqui.

2. North Carolina A&T State University – Considerada a maior HBCU dos Estados Unidos, localizada em Greensboro, Carolina do Norte, é a número 1 na formação de engenheiros negros nos EUA. Com programas robustos de Engenharia Mecânica, Engenharia Química e Ciência da Computação, a instituição mantém parcerias estratégicas com empresas como Boeing, Lockheed Martin e IBM, garantindo aos alunos experiências práticas e oportunidades de carreira de alto impacto. Acesse o site oficial da instituição aqui.

3. Spelman College – Localizado em Atlanta, Geórgia, é um dos mais renomados colleges femininos do mundo e referência na formação de mulheres negras na área de STEM. Seu Departamento de Ciências Naturais e Matemática é reconhecido pela alta taxa de graduação e colocação de alunas em programas de pós-graduação de elite. Spelman tem sido destaque no incentivo à participação feminina negra em áreas historicamente dominadas por homens, como ciência da computação, biotecnologia e física. Acesse o site oficial da instituição aqui.

Se você está pronto para mergulhar no universo STEM e quer uma experiência universitária que combine excelência acadêmica com um ambiente de pertencimento, as HBCUs são o seu destino. Escolher uma HBCU é mais do que optar por uma universidade; é fazer parte de uma história de resistência, excelência e ativismo, onde você pode se desenvolver plenamente enquanto contribui para um futuro com equidade racial.

E lembre-se, você não está sozinho nessa jornada! O programa Black STEM, uma iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial, oferece bolsas de graduação exclusivas para estudantes negros(as) aceitos em universidades estrangeiras e em cursos STEM. 

Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.

A oportunidade está batendo à sua porta. Você tem o que é preciso para abri-la!

Imagem de formandos da Howard University em 2023 | Fonte: Howard Magazine

Fundo Baobá marca presença na histórica segunda Marcha das Mulheres Negras em Brasília

Milhares de mulheres negras (cerca de 300 mil, segundo estimativas) das 27 capitais brasileiras, junto com representantes de mais de 40 países, se reuniram no dia 25 de novembro, em Brasília. Dez anos depois da primeira marcha reivindicando direitos básicos e enfrentando o racismo e o sexismo sofrido por elas, elas caminharam pela capital federal mostrando para a sociedade brasileira que não há democracia sem a participação efetiva de mulheres negras. 

Para a filósofa Sueli Carneiro, Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá, “lutar é uma condição existencial que temos em legítima defesa das nossas vidas e dos nossos, pois estamos em um país que está determinado a nos exterminar. E para que de fato a democracia seja libertária e emancipatória, se faz necessário que o avanço organizativo e de mobilização das mulheres negras continue crescente em todas as esferas da sociedade.”

Após um ano de mobilização em diversas frentes, a equipe do Fundo Baobá, comprometida há quinze anos com a promoção da equidade racial no Brasil, celebrou a marcha com entusiasmo e compromisso. O apoio institucional se deu em três eixos principais, um aporte financeiro direto de pouco mais de R$ 1,3 milhão para a mobilização nacional, logística e articulação estadual, com atenção especial à garantia de presença de mulheres quilombolas; um fundo emergencial para garantir a presença de representantes de estados com desafios logísticos; e a atuação no campo filantrópico para engajar outras instituições para apoiar o movimento. 

Como ação de comunicação, o Fundo Baobá convidou 5 jornalistas negras, cada uma representando uma região do Brasil, para fazerem a cobertura da Marcha. A iniciativa buscou promover uma cobertura plural e amplificar as vozes das diferentes realidades de cada região, e contou com a presença de: Luciana Santos representando a região norte, da Revista Cenarium, Camila Rodrigues da região sudeste, da Alma Preta, Alane Reis, representando o nordeste pela Revista Afirmativa, Kelly Ribeiro, representando o Portal Catarinas da região sul e Mari Magalhães, jornalista independente do centro-oeste.

Caroline Almeida, gerente de Articulação Social do Fundo Baobá, enaltece o apoio da instituição à Marcha e faça dos efeitos positivos que isso pode trazer. “Ao apoiar uma mobilização como essa, contribuímos para que mais mulheres negras estejam conectadas em rede, com mais condições de influenciar políticas públicas, disputar narrativas e ocupar espaços de decisão. Esse investimento reforça o compromisso do Fundo Baobá com a promoção da equidade racial e com o fortalecimento de lideranças que atuam nos territórios, nas organizações e nos movimentos sociais”, afirma. 

Além da presença de toda a equipe do Fundo Baobá, o nosso grupo ainda incluiu membras da governança da organização e parceiros da filantropia, reforçando nosso compromisso coletivo com a causa. 

Para Tainá Medeiros, Coordenadora de Projetos do Fundo Baobá, ver a Marcha se materializar com o apoio do Baobá é ter a certeza de que a instituição está cumprindo com o seu papel de apoiar a agenda racial e os movimentos negros do Brasil. Ela destaca inclusive que estar presente com mulheres de tantas gerações “é gratificante, pois dá a dimensão do quanto elas foram fundamentais para a construção de muitos direitos que hoje são usufruídos pelas gerações mais novas.” 

Ao marcharem, as mulheres fizeram a leitura do novo manifesto político da Marcha, documento que atualiza as urgências do movimento em um contexto marcado por retrocessos, desigualdades e impactos climáticos. O texto reforça que o projeto político é constituído por outras matrizes, de outros conhecimentos e fazeres, de outras percepções e filosofias, o que significa a luta constante contra o racismo patriarcal. A reparação é apontada como urgência para a reinvenção do mundo.

Fernanda Lopes, Diretora de Programa do Fundo Baobá, afirma que “ver o produto final entregue é reiterar mais uma vez que a instituição está comprometida com a dignidade e a promoção das mulheres negras“. Ela também reforça que as mulheres negras movem o mundo, mas que ainda lutam arduamente por políticas reparatórias que sejam de fato eficientes para construção de mundos utópicos e revolucionários.

Fotos: Katarina Silva

Mulheres Negras em Movimento: a força da articulação capixaba na construção da Marcha das Mulheres Negras 2025

O Núcleo da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo, também conhecido como Núcleo Impulsor Capixaba, organizou-se em 2014 com a missão de mobilizar e organizar as mulheres negras do estado para a histórica Iª Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em 2015, em Brasília. Desde então, o Núcleo se consolidou como uma importante referência na luta antirracista e feminista, fortalecendo o protagonismo das mulheres negras capixabas e ampliando sua presença nos espaços de decisão e nas políticas públicas.

A criação do Núcleo inaugurou um novo momento na articulação política das mulheres negras no Espírito Santo, reafirmando a importância da organização coletiva em torno da justiça social, da equidade de gênero e do enfrentamento às múltiplas formas de opressão. Nesse percurso, foram inúmeros encontros, formações, campanhas e mobilizações. Entre os marcos dessa trajetória destacam-se o Encontro Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo de 2017, a participação em eventos nacionais e a realização da Iª Marcha Estadual das Mulheres Negras Capixabas, em 2024, que convocou mulheres, homens e crianças em defesa do direito à vida, à saúde, à economia e pelo fim da violência e do racismo.

Em 2025, o Núcleo intensificou sua agenda com atividades que reafirmam a força e a vitalidade do movimento. Entre elas, o Encontro do Coletivo Sudeste, que articulou lideranças de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além de reuniões itinerantes em diferentes municípios, como Serra, Colatina e Vila Velha, e a Marcha Estadual das Mulheres Negras Capixabas, realizada em julho, seguida do Encontro Estadual de Mulheres Negras Capixabas, ambos voltados à formação, avaliação e planejamento estratégico do movimento no estado.

Essas ações integram um esforço contínuo de descentralização e interiorização da mobilização, ampliando a escuta das mulheres negras em diferentes territórios e fortalecendo a Marcha nas comunidades. As reuniões itinerantes têm sido espaços fundamentais para o diálogo com as mulheres dos municípios, possibilitando trocas, escutas e a construção de agendas locais que se conectam à luta nacional pelo Bem Viver.

A mobilização de novas mulheres é uma prioridade do Comitê. Por meio das redes sociais, de participações em audiências públicas, eventos e campanhas, o Núcleo amplia sua base e integra jovens lideranças ao movimento. Hoje, um grupo no WhatsApp reúne mais de 200 mulheres de todo o estado, funcionando como um espaço ativo de comunicação, troca e articulação política.

Nos últimos meses, o Núcleo também passa por um processo de renovação, com a chegada de jovens mulheres negras ao grupo de comunicação e à coordenação das atividades itinerantes. Essa integração intergeracional fortalece o movimento, ampliando sua presença digital e diversificando as estratégias de mobilização. “A entrada de novas vozes é fundamental para a continuidade e a vitalidade da nossa luta”, afirma a coordenadora estadual Marilene Pereira.

Apesar da força do movimento, alguns desafios persistem. A falta de recursos financeiros e logísticos representam entraves à realização de atividades no interior do estado e à ampliação da presença digital. A ausência de suporte técnico para comunicação e a dificuldade de financiamento de transporte e alimentação impactam diretamente a capacidade de mobilização. Ainda assim, o Núcleo busca caminhos criativos para seguir adiante por meio de parcerias, voluntariado ou apoios, como os do Fundo Baobá e o Edital Nilda Bentes, que têm sido sustentado a atuação do movimento e viabilizado eventos como a Marcha Estadual e o Encontro de 2025.

Para os próximos meses, o Núcleo Impulsor Capixaba seguirá em marcha. Estão programadas novas reuniões itinerantes nos municípios de São Mateus, Linhares e Cariacica, além da organização da delegação capixaba para a Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontecerá em novembro, em Brasília.“ Cada passo, cada encontro e cada voz reafirmam que o futuro será negro, feminino e coletivo. Porque nossas vidas importam e o Bem Viver é o horizonte que seguimos tecendo juntas,” afirma Marilene.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!

Nota de posicionamento

O Fundo Baobá para Equidade Racial reitera seu profundo pesar e repúdio à condução da operação policial realizada no último dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de mais de 120 pessoas, considerada a mais letal da história do país.

 

O episódio agride a população da cidade do Rio de Janeiro, a sociedade brasileira e a comunidade internacional.

 

As características desta “operação policial” evidenciam uma grave violação aos protocolos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) decorrentes de episódios anteriores, amplamente divulgados pela imprensa nacional e internacional.

 

O Governo do Estado optou por uma estratégia que resultou na morte de 4 policiais e 117 pessoas supostamente mortas em confronto.

 

A dimensão dos fatos é agravada pelo comportamento subsequente das autoridades policiais do estado do Rio de Janeiro. Elas ignoraram o abandono de mais de 60 cadáveres na mata, desviaram o foco e passaram a intimidar a população local, sob a alegação de interferência na cena do crime.

 

São chocantes os relatos de constrangimentos impostos aos familiares das vítimas durante o reconhecimento dos corpos no IML do Rio de Janeiro. Tais atitudes violam todos os princípios do direito, o que configura a revitimização institucional dessas pessoas.

 

A narrativa que reduz vidas perdidas a “danos colaterais” ou “consequência de guerra” é perversa e desumana. Viola não apenas o direito à vida, mas também o direito de toda uma comunidade à paz, à mobilidade e à dignidade. Uma cidade inteira foi refém da violência, e suas marcas permanecerão.

 

O Fundo Baobá solidariza-se com todas as famílias enlutadas, tanto de moradores locais quanto de policiais que foram expostos a riscos pelas ações irresponsáveis, com evidente motivação eleitoral, por parte dos governantes do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em conjunto com outras instituições filantrópicas, daremos continuidade às iniciativas em defesa dos direitos humanos e ao enfrentamento ao racismo que naturaliza a morte da população negra.

 

O respeito ao Estado Democrático de Direito, ao devido processo legal e ao direito de defesa não são negociáveis e exigem o firme repúdio de toda a sociedade brasileira.

Fundo Baobá é reconhecido com Selo de Igualdade Racial na prefeitura de São Paulo

O Baobá – Fundo para Equidade Racial acaba de ser reconhecido entre as 120 instituições selecionadas para receber o Selo Igualdade Racial 2025, conforme resultado preliminar publicado no Diário Oficial do Município de São Paulo no último dia 09/10. A conquista reforça nosso compromisso com a promoção da equidade racial no mercado de trabalho da capital paulista. 

O Selo Igualdade Racial reconhece instituições que têm pelo menos 20% de profissionais negros em seu quadro de colaboradores, em diferentes níveis hierárquicos.

Giovanni Harvey | crédito da foto: Thalita Guimarães

“O Fundo Baobá tem uma longa trajetória no que tange o apoio a iniciativas voltadas para a equidade racial.”

O objetivo do Selo é incentivar a adoção de políticas afirmativas no âmbito do trabalho, a promoção da igualdade étnico-racial e reparação histórica à população negra, a mitigação e eliminação gradual de atos discriminatórios e a igualdade material de oportunidades.

“O Fundo Baobá tem uma longa trajetória no que tange o apoio a iniciativas voltadas para a equidade racial. Projetos como o Quilombolas em Defesa da vida, o Saúde Mental Quilombola, entre outros, são exemplos de investimento que o Fundo vem fazendo para mitigar as desigualdades sociais. Portanto a concessão de renovação do selo de igualdade racial pela prefeitura de São Paulo é um importante reconhecimento e instiga o tanto que ainda podemos agir enquanto Fundo.” Afirma Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá.

Programa Marielle Franco bate recorde e demonstra a força das mulheres negras

Um feito para celebrar: O Baobá – Fundo para Equidade Racial alcançou um número recorde com a segunda edição do Programa Marielle Franco: 3.793 inscrições oriundas de todos os estados brasileiros, um crescimento de 19 vezes em relação à primeira edição, realizada em 2019.

Esse salto demonstra não apenas o crescimento do programa, mas também o engajamento e a força das mulheres negras em todo o país, que seguem se organizando, se fortalecendo e se reconhecendo como protagonistas de suas próprias trajetórias.

Cada inscrição carrega em si uma história de perseverança e de luta, além de uma visão potente de transformação social. Diante da alta qualidade e diversidade das inscrições recebidas, o Fundo Baobá vai precisar de um tempo adicional para realizar a avaliação minuciosa que cada candidatura merece. Por isso, a divulgação do resultado final, que estava prevista para 09 de janeiro, passou a ser 09 de fevereiro de 2026.

Este volume expressivo de inscrições comprova a urgência de iniciativas como essa e a necessidade de mais instituições que estejam comprometidas a se somarem a esta causa. É mais uma evidência de que há potência, criatividade e liderança feminina negra pulsando em todos os cantos do Brasil. 

O Fundo Baobá também reafirma o compromisso de seguir fortalecendo caminhos de justiça e liberdade, honrando o legado de Marielle Franco.

SPD celebra 193 anos de história, resistência e fortalecimento institucional

Em 16 de setembro, a Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) completou 193 anos de fundação. Criada em 1832, em Salvador, a instituição é um marco da resistência negra no Brasil e um símbolo de organização coletiva, solidariedade e luta por liberdade e justiça social. A SPD nasceu em um período escravocrata, quando negros e negras libertos decidiram unir esforços para garantir a liberdade de outros ainda em situação de escravização.

Assim surgiu o sistema de cotização, uma forma de contribuição coletiva para a compra de alforrias (cartas expedidas por proprietários de pessoas escravizadas decretando a liberdade deles). Esse movimento coletivo deu origem a uma das primeiras experiências de cooperativismo e autogestão negra de que se tem notícia no Brasil. Desde então, a Sociedade Protetora dos Desvalidos tem mantido sua independência financeira e institucional, atuando sem apoio governamental direto.

Em 2023, a SPD recebeu um impulso decisivo para sua modernização e sustentabilidade. Por meio de uma doação de R$500 mil do Baobá – Fundo para Equidade Racial, a entidade iniciou um processo de reestruturação administrativa e fortalecimento institucional, sem abrir mão de sua autonomia e de seus valores históricos.

O apoio foi um reconhecimento ao papel histórico da SPD e buscou ampliar sua capacidade de atuação, fortalecendo ações como o espaço terapêutico para mulheres, a Casa de Angola, local que acolhe estudantes africanos que vêm estudar no Brasil, além de outras iniciativas sociais e educativas voltadas à promoção da equidade racial.

Para Camila Carvalho, assistente de projetos do Fundo Baobá, as transformações ocorridas na SPD são um reflexo direto de seu compromisso com a preservação da memória e com a modernização da gestão. “Dentre as mudanças indicadas pelos próprios membros da SPD, podemos destacar o  ambiente de trabalho mais colaborativo, a melhoria da área administrativa e o impacto positivo nas questões contábeis e fiscais que fortaleceram a gestão da instituição, possibilitando o alcance de novas oportunidades de crescimento e fortalecimento, além do aumento da visibilidade da organização, proporcionando novos cenários promissores”, diz. 

A partir da parceria com o Fundo Baobá, a SPD passou a investir na capacitação de sua equipe, no planejamento estratégico e na reorganização dos processos administrativos. As melhorias se refletem no clima organizacional, nas receitas e na eficiência operacional. As transformações também ampliaram a presença da SPD em debates sobre inclusão racial e justiça social, com novas campanhas educativas e ações de conscientização.

Caroline Almeida, gerente de articulação social do Fundo Baobá, acompanha de perto a trajetória da SPD e afirma que tem sido uma experiência inspiradora e educativa: “É muito bom acompanhar, agora ainda mais de perto, devido à parceria com o Fundo Baobá, como a Sociedade Protetora dos Desvalidos vem mantendo suas tradições e a coerência institucional ao longo do tempo. A trajetória da SPD é marcada pela resistência, pela organização coletiva e pela fidelidade a um propósito que atravessa quase dois séculos”, afirma. 

Caroline destaca que o processo de reorganização foi conduzido com responsabilidade e respeito aos princípios da fundação da SPD: “A confiança estabelecida entre as instituições permitiu que a SPD conduzisse, com serenidade, disciplina e retidão, um processo cuidadoso de reorganização da sua gestão, criando bases mais sólidas para as transformações que se seguiram. Sem perder de vista seus valores fundadores, a organização tem alinhado tradição e modernização, dando um grande exemplo de comprometimento com sua missão e seu propósito.”

Ela conclui afirmando que celebrar os 193 anos da SPD é também celebrar o futuro. “Para o Fundo Baobá, é uma honra caminhar ao lado de uma organização histórica que segue inspirando gerações, reafirmando a importância da autogestão e da autonomia negra. Celebrar os 193 anos da SPD é, também, celebrar a continuidade dessa parceria que simboliza reconexão, enraizamento e futuro”, celebra. 

Crédito das fotos: Shai Andrade

Na reta final, Marcha das Mulheres Negras 2025 toma corpo em todos os estados

Com apoio do Fundo Baobá, comitês locais fortalecem a articulação nacional, mostrando a força da mobilização local

A Marcha das Mulheres Negras 2025 – a ser realizada em 25 de novembro em Brasília – vem sendo construída a muitas mãos, vozes e histórias em todo o Brasil. A mobilização, que envolve 26 estados mais a Capital Federal, conta com o apoio estratégico do Fundo Baobá para Equidade Racial, que atua como parceiro na articulação, escuta e fortalecimento dos comitês estaduais responsáveis pela organização do movimento. 

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça racial, o Fundo Baobá reafirma que a filantropia é um ato político e coletivo, que ganha sentido quando promove o reconhecimento das vozes das mulheres negras como motores de transformação social. O trabalho delas demonstra que promover equidade racial é um processo vivo, que nasce nos territórios e nas comunidades, e ganha força quando se sustenta com apoio das redes de solidariedade, afeto e ação política.

Encontro de mulheres negras da região Sul. Presentes Tainá Medeiros e Caroline Almeida

Para Camila Carvalho, Assistente de Projetos do Fundo Baobá, acompanhar o processo de mobilização nacional nas 27 capitais brasileiras é quase impossível pela quantidade de atividades que os comitês têm realizado. “É indescritível a dedicação dessas mulheres para alcançar os objetivos mapeados, mesmo com a sobrecarga e os desafios que envolvem as diferentes funções e responsabilidade exercidas por elas em suas vidas, mas nada impediu o alcance de um número expressivo em suas mobilizações”, afirma.

Camila reforça que, apesar das dificuldades com deslocamento, agendas e falta de recursos financeiros, os comitês estaduais têm feito história ao garantir que a Marcha seja conhecida e chegue a diferentes territórios, inclusive fora dos grandes centros urbanos. “A Marcha se espalha pelo país respeitando as especificidades e necessidades de cada território, o que demonstra sua força e capilaridade”, complementa

Edmara Pereira, Assistente de Articulação Social do Fundo Baobá, observa que os principais desafios são as desigualdades regionais, marcadas por grandes distâncias geográficas, pela diversidade dos territórios e comunidades, pelos longos percursos sujeitos a condições climáticas adversas, pela ausência de infraestrutura adequada e pelos altos custos de transporte, que tornam a mobilização desigual entre as regiões.

É nesse sentido que a atuação do Fundo Baobá tem contribuído para fortalecer as redes locais e ampliar o alcance político da Marcha, que há décadas denuncia as omissões e violências estruturais do Estado brasileiro, ao mesmo tempo em que propõe um novo projeto de país — mais democrático, justo e equânime.

A Marcha também tem sido sustentada pelo comprometimento de lideranças e voluntárias que, mesmo diante da sobrecarga das jornadas profissionais, comunitárias e familiares, seguem mobilizadas na construção coletiva. Esse esforço revela o quanto o trabalho político das mulheres negras segue invisibilizado e pouco reconhecido, ao mesmo tempo em que evidencia o desafio de engajar as gerações mais jovens, igualmente atravessadas por múltiplas demandas. Ainda assim, o processo reafirma a força e a capacidade de transformação das mulheres negras, que convertem o desgaste cotidiano em ação política e mobilização coletiva.

“Apoiar a Marcha das Mulheres Negras é, portanto, reconhecer um movimento que há décadas denuncia as falhas, omissões e violências estruturais do Estado brasileiro, mas que também propõe um novo projeto de país, no qual ele seja de fato democrático, justo, diverso. Uma filantropia que não escuta e não dá suporte a movimentos como este demonstra não compreender plenamente o contexto social em que atua ou, então, escolhe conscientemente apoiar interesses distantes das urgências coletivas,” afirma Caroline Almeida, Gerente de Articulação Social.

Caroline Almeida e Tainá¡ Medeiros no encontro regional do nordeste em Pernambuco.

“O trabalho das mulheres negras segue invisibilizado, mas é nele que reside grande parte da força transformadora que move o país”

Ela ressalta que é fundamental que o campo filantrópico esteja comprometido com os movimentos sociais e com a escuta ativa das pautas que emergem dos territórios. “O trabalho das mulheres negras segue invisibilizado, mas é nele que reside grande parte da força transformadora que move o país”, conclui.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e faça parte dessa mobilização!

Edital Carreiras em Movimento impulsiona trajetórias e amplia oportunidades

O Baobá – Fundo para Equidade Racial, por meio do edital Carreiras em Movimento, uma parceria com o Mover (Movimento pela Equidade Racial), tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento profissional de pessoas negras que desejam fortalecer suas carreiras, acessar novas oportunidades de aprendizado e conquistar posições de destaque em suas áreas de atuação. A iniciativa apoia o aperfeiçoamento técnico, o investimento em cursos, formações e ferramentas que contribuam para o avanço de trajetórias profissionais comprometidas com a equidade racial e o protagonismo negro no mercado de trabalho.

O edital recebeu centenas de inscrições de todo o país, refletindo a ampla demanda por oportunidades de formação intelectual e crescimento profissional. Mais de 300 pessoas foram selecionadas e receberam apoio de um recurso de R$5 mil a R$10 mil para investir em seus projetos de desenvolvimento profissional. 

Um dos selecionados foi o paraense radicado em Belo Horizonte, Jean Carlos Oliveira, que queria se especializar na área de controladoria. Para isso, ter conhecimentos de inglês, Excel e Power BI eram fundamentais. E foi com esse foco que Jean Carlos investiu o recurso que recebeu do edital Carreiras em Movimento: “O edital foi importante para eu poder viabilizar cursos que objetivava”, diz. 

Entre as selecionadas está Wynnie Carvalho, de Salvador, na Bahia. Profissional de marketing digital e com formação de jornalista, ela soube do edital através do Instagram e decidiu se inscrever por enxergar na iniciativa uma chance concreta de materializar sonhos que poderiam transformar sua carreira. “Vi ali uma oportunidade de me posicionar em lugares de autoridade que eu precisava para ter maior reconhecimento”, conta Wynnie Carvalho. 

Com o apoio recebido do Fundo Baobá, Wynnie pôde realizar um dos seus grandes objetivos: cursar Storytelling na Miami Ad School, a escola de criatividade mais premiada do mundo, e adquirir um tablet para estudo. Durante o curso, ela se destacou entre alunos de diversos países e foi reconhecida com o prêmio Top Dog, como aluna destaque, tendo sua equipe sido vencedora de um desafio internacional. “O meu objetivo foi alcançado. No meio de alunos do mundo todo, recebi um troféu em casa. Esse reconhecimento me trouxe ótimos frutos na carreira”, afirma. 

Wynne Carvalho. Crédito: André Frutuôso

“O meu objetivo foi alcançado. No meio de alunos do mundo todo, recebi um troféu em casa. Esse reconhecimento me trouxe ótimos frutos na carreira”

O impacto de ter participado do edital foi profundo. Após a formação, Wynnie foi promovida a uma posição sênior, passou a dar aulas de marketing digital e storytelling e aplica diariamente os conhecimentos adquiridos no curso em seu trabalho. “O edital me proporcionou acessar saberes que eu não fazia ideia quando — e se — teria a oportunidade de conseguir”, afirma.

A trajetória de Wynnie ilustra o propósito do Carreiras em Movimento: fomentar o acesso, a valorização e o reconhecimento de profissionais negros, criando caminhos reais de ascensão e transformando vidas por meio da educação e do investimento em potencial.

“Filantropia com propósito é um sonho carregado de ação. Sem propósito, ela não passa de passatempo”

Conexões em Movimento, a newsletter mensal do Movimento Bem Maior, inspira filantropos, promove a troca de ideias e fortalece conexões para a justiça social. Neste mês, nossa conversa é com Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, uma das mais importantes instituições de promoção da equidade racial no Brasil.

Na filantropia, Giovanni Harvey é uma exceção que busca questionar as regras sob as quais o campo funciona. Ocupa uma posição singular, à frente de uma organização única no contexto brasileiro, o Fundo Baobá para Equidade Racial . Suas bases construídas nos movimentos sociais e na vivência como homem negro sustentam o pensamento crítico que marca sua trajetória.

Com 61 anos, Giovanni é de uma geração que se constituiu politicamente no final dos anos 1970, em meio ao fim do regime militar e às mobilizações pela redemocratização do país. Aproximou-se do movimento negro aos 17 anos — não apenas para “se associar”, mas, como ele diz, para “se alistar”, assumindo um compromisso vitalício com a causa.

Hoje, lidera um endowment que garante a sustentabilidade da própria organização e permite que toda captação seja destinada exclusivamente a ampliar as doações, enquanto o patrimônio continua crescendo. Ao mesmo tempo, atua para incidir sobre o ecossistema da filantropia, ocupando espaços de governança e atraindo novos investidores para agendas historicamente negligenciadas.

Na entrevista a seguir, Giovanni fala sobre os desafios e contradições do campo filantrópico, o conceito de “filantropia recreativa” e o que considera essencial para o amadurecimento do debate racial no Brasil.

  • Você provoca reflexões diretas sobre o papel da filantropia e do investimento social privado. Queria começar com uma que você trouxe no Congresso do GIFE, sobre “filantropia recreativa”. Como você vê essa prática no campo hoje?

Quando eu fui chamado pela Sueli Carneiro e pelo Hélio Santos para o Baobá, eu sou obrigado a refletir sobre qual é o meu papel como ativista político, qual é o papel dessa instituição e quais são as contradições nas quais a instituição está inserida.

Uma instituição que tem hoje 170 milhões de reais aplicados no mercado financeiro, comparativamente com outras instituições filantrópicas financeiras, é um fundo pequeno, mas está em uma condição completamente diferente das organizações do movimento negro tradicionais. Isso me empurra a olhar o que está sendo feito a minha volta.

Percebo que existem várias filantropias e que algumas não têm alinhamento com causa alguma. Se constituem em verdadeiros jardins de diversão, onde as pessoas muitas vezes estão mais preocupadas em ilustrar suas biografias, suprir suas próprias carências e preencher um determinado tipo de vazio do que, servir a uma causa.

Foi isso que chamei de uma filantropia sem propósito, uma filantropia recreativa. É como qualquer outra atividade na vida. Se eu não tenho objetivo claro para estudar, trabalhar, praticar uma atividade física… aquilo vira apenas recreação.

Gosto de uma formulação do futurista norte-americano Joel Barker: uma visão de futuro é um sonho carregado de ação, e um sonho que não gere ação é só um passatempo. Para mim, filantropia com propósito é um sonho carregado de ação; sem propósito, ela não passa de passatempo.

  • O Fundo Baobá tem uma trajetória singular — e, infelizmente, ainda ocupa um espaço único em termos de capacidade de investimento e articulação de organizações negras. De que forma vocês têm posicionado o Baobá no ecossistema atual?

Somos um fundo patrimonial independente, cuja gestão é feita integralmente por nossa equipe — liderada por Hebe Da Silva , uma mulher negra, do Mato Grosso. Nosso fundo patrimonial é de R$ 170 milhões, oriundos principalmente da Fundação Kellogg, Fundação Lemann , B3 , Mackenzie Scott e outros parceiros estratégicos. Além disso, gerimos cerca de R$ 20 milhões de recursos de terceiros, como Fundação Ford, Instituto Ibirapitanga , Open Society Foundations e Instituto Unibanco .

Ao longo de 15 anos, já doamos mais de R$ 22,4 milhões, via 23 editais, apoiando mais de 1.200 iniciativas em todas as regiões do país, nas áreas de educação, desenvolvimento econômico, comunicação, memória e direitos humanos. Estamos baseados em São Paulo, com uma equipe de 20 pessoas, e em breve teremos sede própria.

A própria Fundação Kellogg afirma não ter outra experiência semelhante à do Baobá em seu histórico. Mesmo no campo da equidade racial, há pouquíssimas iniciativas com essa capacidade de investimento e nosso objetivo é ampliá-la.

Nossa visão de futuro é alcançar R$ 250 milhões de fundo patrimonial até 2026/2027 e nosso endowment cresce porque reinvestimos anualmente 95% do rendimento médio dos últimos três anos, retirando no máximo 5%. Hoje já somos autossustentáveis operacionalmente, de modo que toda captação adicional é destinada exclusivamente a doações.

O segundo foco é a incidência sobre o ecossistema da filantropia. Participamos ativamente de redes como o GIFE e a Rede Comuá , que, no nosso entendimento, têm atuação complementar: o GIFE, mais voltado para o investimento social privado; e a Comuá, voltada para fundos independentes ligados à base social ou territorial. O Baobá é a única instituição da filantropia brasileira com assento no Conselho da Rede Comuá e no Conselho Deliberativo do GIFE, além de fazer parte de instâncias colegiadas e de gestão de várias outras organizações, como o Motriz , Todos Pela Educação e a Plataforma Alas, da Fundação Tide Setubal .

Buscamos incidir sobre o ecossistema levando nossa visão de filantropia e, muitas vezes, atraindo investidores ao colocar nosso próprio recurso à frente para que outros se engajem. Partimos do pressuposto de que, quando investimos, estamos enviando uma mensagem clara de que aquela agenda é importante. É o caso do apoio à Sociedade Protetora dos Desvalidos, a mais antiga instituição filantrópica em operação no Brasil, e à Marcha das Mulheres Negras. No entanto, mesmo assim, quase ninguém mais colocou recursos.

No apoio à Marcha das Mulheres Negras, destinamos R$ 1,25 milhão, tornando-nos seu maior doador até agora. Comparando nosso tamanho com outras instituições, fica evidente a falta de alinhamento do campo com uma agenda de extrema importância e que, em 2025, será a maior manifestação popular de luta por direitos no Brasil, em novembro, em Brasília.

  • Como você enxerga essa distância que ainda existe entre grandes investidores sociais e os movimentos de base?

Eu acho que, primeiro, tem uma “financeirização”, uma absorção de uma cultura de mercado por várias dimensões da vida social. A educação, por exemplo. A linguagem no ambiente educacional está cada vez mais mercadológica. É “entrega”. Então, o aluno é avaliado pelas entregas que faz. Eu tenho severas críticas a esse tipo de linguagem. Acho que isso deseduca, isso adoece as pessoas.

Há uma “mercadologização” que está impregnando a sociedade brasileira. A filantropia começa a falar em entrega, não fala mais em causa. E, em alguma medida, passa a ser vista apenas como um campo de trabalho para o qual as pessoas podem migrar sem ter nenhum tipo de compromisso com causa alguma. Essas pessoas vão constituir burocracias que lidam com o investimento filantrópico e com o investimento social privado como se estivessem fabricando salsicha ou peça automotiva — sem perceber que estão lidando com pessoas, com anseios, com traumas, com lutas políticas, com processos históricos que, na maior parte das vezes, sequer são compreendidos.

Essa burocratização, falta de compreensão e despolitização fazem parte do pano de fundo dessa “recreação”. Nós nos contrapomos a isso. Defendemos filantropia com propósito. Não necessariamente o mesmo que o nosso, porque existe mais de um tipo. Toda filantropia é legítima. O que eu cobro é que se diga: “Eu faço filantropia para isso.” “Eu faço filantropia para a caridade, eu acredito que o assistencialismo é importante…” E é. Eu li a entrevista que Fernanda Camargo concedeu aqui em que ela diz que até certa linha, precisamos do assistencialismo para poder olhar para impacto. O primeiro impacto é ter oferta de comida.

Voltando à nossa visão: defendemos que quem faz filantropia coloque na mesa o que faz e para quê faz. E que tenha certa sofisticação intelectual para não cometer o equívoco — e eu falei isso no congresso do GIFE anterior — de confundir atender pessoas negras com enfrentar o racismo. Ter clientela negra não significa que a iniciativa enfrente o racismo. Posso apoiar iniciativas que atendem pessoas negras e, ainda assim, reproduzem relações de dominação.

É preciso que se diga: “Eu atendo pessoas negras para isso. Minha estratégia é essa, meu propósito é esse.” Eu não critico os propósitos. Critico a falta de transparência e a tentativa de confundir, fazendo uma análise equivocada que confunde público com causa.

  • Em ambientes da filantropia e do ISP, vemos que algumas pautas — especialmente equidade racial — quando colocadas na mesa geram desconforto e são questionadas sobre de fato serem endereçadas. A que você atribui esse fenômeno?

A questão racial, para nós, ativistas do movimento negro, não é uma escolha. Somos colocados cotidianamente diante de situações nas quais precisamos nos posicionar – porque se não o fizermos, ninguém fará. E, quando um problema real não é enfrentado, a omissão só o agrava.

O debate racial no Brasil está na origem da nossa constituição como sociedade, no período pós-abolição, que coincide com o processo de construção da República. Isso funda as relações no país e desconhecer esse contexto é um equívoco histórico profundo. Ao tratar as desigualdades étnicas como se ninguém tivesse responsabilidade sobre elas, cria-se a ilusão de que, por “não termos mais escravidão”, o problema se resolveria por geração espontânea. Mas não foi algo que surgiu espontaneamente; foi construído e reforçado por decisões políticas, incluindo decretos presidenciais.

Essa distorção histórica alimenta um imaginário — presente na literatura, na sociologia e até na filantropia — de que o problema da população negra se resolve com escolarização. A ideia de que brancos e ricos “vão salvar” negros oferecendo oportunidades é um subproduto dessa concepção. Em ambientes onde está pacificado que “o problema do negro é falta de escolarização” e que “a culpa é da escravidão, mas o presente nada tem a ver com isso”, qualquer tentativa de cobrar ação efetiva dos atores políticos provoca desconforto.

Inclusive na filantropia, que muitas vezes se vê num “faz de conta” de doar para iniciativas que, na prática, reproduzem desigualdades, formam para profissões obsoletas e que nem sequer arranham a concentração de renda. Não há debate real sobre temas estruturantes como rentismo, taxas de juros e distribuição de riqueza. Assim, exceções são tratadas como regra, usadas para legitimar a ideia de que, quem não conseguiu furar esses bloqueios é mal sucedido e que a responsabilidade, por isso, são delas.

  • Muitas lideranças negras se veem obrigadas a modular o tom, a linguagem e até omitir posicionamentos para conseguir “caber” em determinados espaços institucionais, mesmo na filantropia. É possível encontrar equilíbrio entre se fazer ouvir e manter a integridade do discurso?

Eu acho que é um desafio. E falo de um lugar confortável porque as condições do Baobá me permitem verbalizar coisas que sinto obrigação de dizer. Lembro de uma fala recente do presidente da República, na posse do atual presidente do BNDES. Ele disse: “Espero que você possa criticar as taxas de juros, porque eu não posso. Me elegi, e quando critico, gera problema. Alguém aqui precisa poder falar.”

Fazendo um paralelo: alguém precisa dizer determinadas coisas. Uma das contradições de uma sociedade que busca manter privilégios é a tentativa de silenciar as pessoas com a ilusão de algum benefício — pessoal ou institucional — se elas “se comportarem” e não afrontarem o status quo. Isso também acontece na filantropia. Lideranças de várias causas e segmentos modulam seu discurso para se tornarem “palatáveis” e aptas a receber recursos.

Não considero errado. Jamais cobraria de uma instituição que se inviabilizasse no ecossistema por não fazer algum tipo de modulação. Mas faltam sinais, especialmente do investimento social privado. Quanto mais o interesse empresarial impacta essa agenda, mais difícil é aceitar a crítica. Vejo mais abertura na filantropia, com exemplos como o de Neca Setubal , que reconhece que parte da fortuna da família tem origem em relações de dominação no passado — algo corajoso e coerente. Essa postura permite conversar sem o “bode na sala” que limita tantas discussões.

Mesmo no Baobá, não saio falando tudo o que penso. É uma questão de responsabilidade no ecossistema e de preservar um mínimo de civilidade. Venho de uma geração que aprendeu, no movimento estudantil, a respeitar quem pensa diferente. Críticas precisam ser feitas de forma respeitosa, sem a pretensão de sermos donos da verdade ou apontar o dedo o tempo todo. Precisamos buscar consensos, elevar o nível do debate e encontrar soluções sustentáveis e honestas, capazes de mostrar à sociedade que, mesmo em um país que mantém historicamente segmentos em posição subalterna, ainda é possível construir caminhos de mobilidade e mudança.

  • Em uma entrevista à Rede GIFE, você disse que “a subsistência de práticas ilusórias de inclusão de pessoas negras reflete o estágio de compreensão e da maturidade da sociedade brasileira”. Qual seria o passo possível nesse processo de amadurecimento?

Eu posso dizer a você, com todas as críticas que ainda faço à realidade brasileira, que me orgulho do estágio que o país alcançou no debate racial. Não imaginava que estaria vivo para ver a sociedade brasileira discutindo essa questão da forma como temos feito.

Demos saltos enormes na compreensão do tema, porque não poderia continuar sendo um debate restrito a nós, negros e negras — ele pertence à sociedade brasileira. Quando vejo, por exemplo, o Movimento Bem Maior, a Fundação Lemann, a Imaginable Futures pautando a questão racial, sinto orgulho.

Como próximos passos, acho que nós, movimento negro, e as pessoas comprometidas com essa causa, precisamos garantir que não haja retrocesso: que os espaços conquistados e a ampliação de atores e atrizes políticas que discutem o tema não recuem, garantindo que alianças estratégicas não retrocedam.

O segundo ponto é construir consensos mínimos: uma agenda qualificada que eduque sobre o que é, de fato, enfrentamento ao racismo e promoção da equidade racial, reduzindo a quantidade de pessoas que ainda acreditam que atender pessoas negras é o mesmo que enfrentar o racismo. O debate racial no Brasil exige estudo, esse é um debate científico, no sentido de que é preciso estudar história, sociologia… não depende de títulos acadêmicos para chegar nessa compreensão.

O terceiro ponto depende de todos, inclusive de nós, pessoas negras: precisamos nos apresentar para a sociedade como sujeitos que pensam o país, e não apenas nossos próprios problemas. Eu, como dirigente de organização social e ex-gestor público, sempre pensei a sociedade brasileira a partir do meu compromisso com soluções para a questão racial, mas sem restringir minha atuação a isso. O problema racial é o que mais me afeta, mas não é o único que existe.

As pessoas negras precisam discutir projetos de país, e as pessoas brancas em posições de gestão, seja monocrática ou colegiada, precisam se abrir a ouvir o que temos a dizer para além da questão racial. Eu, por exemplo, me recuso a ser o “bedel” que só fala sobre isso nos conselhos de que participo. Se o tema surge, muitas vezes fico calado. Quando me perguntam: “Você não vai se manifestar?”, respondo: “Quero ouvir o que vocês têm a dizer.”

Resumindo, são três pontos: não recuar, qualificar o debate para educar e discutir, conjuntamente, projetos para o país.

Entrevista e edição: Emanuely Lima / Analista de Comunicação no Movimento Bem Maior. Publicado originalmente na newsletter Conexões em Movimento, do Movimento Bem Maior. Fotos: Thalita Guimarães

Fundo Baobá lança a 2ª edição do Programa Marielle Franco

O Fundo Baobá, referência nacional no fortalecimento de iniciativas negras, acaba de lançar a segunda edição do “Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco”, de apoio individual. Inspirado no legado da vereadora que se tornou símbolo de resistência, o programa vai apoiar 30 mulheres negras – cis, trans ou travestis – em seus planos individuais de formação e fortalecimento de lideranças. Cada selecionada receberá uma bolsa mensal de R$3.500 durante 18 meses, que poderá ser usada para formações técnicas, políticas e socioemocionais, além de mentorias, aquisição de equipamentos e participação em eventos estratégicos.

A segunda edição do Programa Marielle Franco, realizada em parceria com a Fundação Kellogg, Fundação Ford, Open Society Foundation e Instituto Ibirapitanga, tem como objetivo ampliar a presença de mulheres negras em posições estratégicas de liderança política, social e econômica. 

Criado em 2019, o Programa Marielle Franco já apoiou 59 mulheres negras de 19 estados e do Distrito Federal, com idades entre 22 e 69 anos. Diversas  lideranças,das artes, ciência, direitos humanos e educação, ampliaram sua atuação com apoio do Baobá. 

Segundo Fernanda Lopes, diretora de Programa do Baobá, esta edição é mais uma oportunidade de impulsionar lideranças femininas negras comprometidas com o enfrentamento ao racismo patriarcal e a construção de uma sociedade justa. É também mais uma oportunidade de reafirmar o compromisso do Fundo Baobá em criar redes de apoio, ampliar a presença de mulheres negras em posições estratégicas e fortalecer suas trajetórias em diferentes áreas.

Ao impulsionar lideranças femininas negras em diferentes áreas do conhecimento, como ciência de dados, arquitetura, psicologia e engenharia, entre outras, o Fundo Baobá fortalece narrativas positivas sobre o protagonismo dessas mulheres e reafirma seu papel central na transformação do Brasil em uma sociedade mais equitativa.

Midiã Noelle, mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia, é a outra donatária da primeira edição. Em 2022, compartilhou sua experiência em um vídeo. “Fui uma das aceleradas do Programa Marielle Franco e foi uma experiência muito importante porque pude fortalecer minha liderança. Eu tinha o entendimento, fiz a minha proposição para entrar no processo, mas eu não reconhecia as minhas potencialidades individuais e como eu poderia construir o meu projeto de vida a partir daquilo que eu amo e acredito. O processo com o Baobá foi importante para eu entender, de fato, qual é meu compromisso comigo mesma”, disse. 

As inscrições para o Programa Marielle Franco: Apoio Individual são gratuitas e estão abertas de 11 de setembro a 14 de outubro no site https://baoba.org.br/home/programa-marielle-franco-apoio-individual/. O resultado final será divulgado em 09 de janeiro de 2026. 

Mulheres Negras do Piauí realizam atividades em territórios quilombolas para mobilização da 2ª Marcha de Mulheres Negras

Para ampliar e diversificar a mobilização nacional, o Comitê da Marcha das Mulheres Negras do Piauí tem intensificado os encontros com lideranças locais. No fim de agosto foram realizadas várias atividades na Comunidade Quilombola Arthur Passos, em Jerumenha (PI). Com a participação de mais de 300 pessoas das comunidades quilombolas de Brejo, Potes e Tapuio, foram debatidos temas como: Desafios e perspectivas na implementação da educação escolar quilombola, direitos humanos e justiça ambiental, defesa do território e soberania quilombola e Mulheres quilombolas na construção dos saberes e do bem-viver.

O Comitê do Piauí é composto por 32 organizações – de sindicatos a várias entidades do Movimento Negro. A construção da Segunda Marcha das Mulheres Negras 2025, que vai ocorrer em novembro, em Brasília, tem sido marcada pela força coletiva de mulheres que, em diferentes territórios do Brasil, reafirmam a centralidade da luta contra o racismo, o sexismo e todas as formas de opressão às mulheres negras. A quilombola Maria Rosalina dos Santos, 62 anos, tem se destacado nos encontros regionais organizados no Piauí ao compartilhar seus conhecimentos, que incluem sabedoria ancestral.

Para ela, um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres quilombolas é a invisibilidade. E está intimamente ligado ao fato de que o processo histórico dessas mulheres é de marginalização social, econômica, política e cultural. Ainda que ocupem papel central na preservação da memória, na resistência comunitária e na defesa dos territórios, elas são frequentemente apagadas das narrativas oficiais e pouco representadas. A participação de mulheres quilombolas nesses encontros no Piauí reafirma a defesa do território, da cultura e do modo de vida comunitário.

Mais do que um espaço de organização, esses encontros regionais com as mulheres negras do Piauí são momentos de escuta, partilha e construção política. Para Maria Rosalina, a Marcha representa continuidade e esperança. E a certeza de que o caminho foi aberto em 2015 e segue pulsando e que, em 2025, envolverá mais vozes e histórias. Portanto, participar dos encontros regionais do Piauí é também garantir que as demandas das mulheres quilombolas – como acesso a políticas públicas, proteção dos territórios e valorização das tradições – estejam no centro da agenda da Marcha.

Com sua atuação, Maria Rosalina inspira novas gerações de mulheres a se organizarem, mostrando que a luta pela vida digna, pela memória e pelo futuro é um legado que atravessa o tempo. Sua voz, somada a tantas outras, reafirma que a Segunda Marcha das Mulheres Negras 2025 é uma construção coletiva que nasce a partir dos quilombos, das periferias, das aldeias e de todos os cantos do Brasil.

Ceça Santos, vice presidente da Comunidade Artur Passos

Halda Regina, principal responsável pelas atividades nesses territórios quilombolas, e representante do Comitê do Piauí, afirma que é importante priorizar a organização e participar dos encontros para conhecer melhor a trajetória dessas mulheres e suas lutas.“Não estamos sentadas, acomodadas, esperando que algum governante faça algo por nós. Somos nós, as mulheres negras, que vamos exigir dignidade e bem viver deste país. Foi duro presenciar a morte e a violência contra nosso povo, mas não estamos caladas. Nunca silenciamos”, afirma.

As ações previstas para os próximos meses são encontros de rodas de conversa descentralizados, com caráter formativo, pautando o tema central da Marcha nos municípios de Parnaíba e de Cocal, além de atividade com mulheres que professam religiões de matriz africana.

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e do Comitê Impulsor do Piauí e faça parte dessa mobilização!

Encontro em São Paulo marca início da 2ª edição do Programa Já É

O Baobá – Fundo para Equidade Racial reuniu em São Paulo, na sede do Instituto Unibanco, os 30 estudantes selecionados para a 2ª edição do Programa Já É. Os jovens negros e negras, com idade entre 20 e 25 anos, receberão bolsas de estudo mensais no valor de R$ 700, durante 17 meses, para apoiar sua preparação em cursinhos pré-vestibular e ampliar as chances de ingresso em universidades públicas ou privadas.

Além do apoio financeiro, os estudantes contarão com mentoria coletiva e individual, acompanhamento psicológico e atividades formativas. O objetivo é reduzir as barreiras ao acesso e à permanência na universidade, levando em conta as diferentes realidades e trajetórias de cada participante. A seleção levou em conta a diversidade de perfis, como residentes de áreas rurais, comunidades quilombolas, pessoas com filhos e pessoas com deficiência. O encontro teve como objetivo discutir a trajetória que irão percorrer rumo ao ensino superior.

Primeira turma do Programa Já É

Esta segunda edição do Já É ampliou o alcance do Programa, apoiando estudantes de 13 estados brasileiros, entre eles Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Sul. A primeira turma do Já É, formada por jovens de São Paulo e região metropolitana, já havia mostrado a força desse apoio: 32 foram aprovados em vestibulares, sendo 10 em universidades públicas, entre elas USP (Universidade de São Paulo), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O professor Ricardo Henriques, Superintendente Executivo do Instituto Unibanco, abriu o encontro de boas-vindas. “Nosso país naturaliza a desigualdade racial de forma absurda. Acessar o ensino superior no Brasil, para jovens negros, tem sido difícil. Mas vocês estão aqui para ir contra isso. Temos que ter negros e negras no ensino superior e influenciando de forma positiva nossa sociedade”, afirmou.  

Professor Ricardo Henriques, Superintendente Executivo do Instituto Unibanco

Embora a presença de pretos e pardos com ensino superior tenha quintuplicado em 22 anos, passando de 2,1% para 11,7%, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice ainda é menos da metade do registrado entre brancos (25,8%). Na primeira edição do Já É, realizada em 2021 durante a pandemia da Covid19, 32 participantes foram aprovados em vestibulares. 

O Diretor Executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, enalteceu a importância da formação educacional para entender nossa sociedade. “A universidade não é um fim em si mesma. Temos tarefas cada vez mais complexas para enfrentar e precisamos de pessoas com massa crítica para entender coisas que nunca vimos acontecer no nosso país”, disse.

Giovanni Harvey, Martha Rosa e Fernanda Lopes

Os estudantes compartilharam suas expectativas, como ter acesso a recursos, apoio emocional, superar a defasagem do ensino médio, aprimorar habilidades e, principalmente, inspirar outros jovens. Muitos deles vivem e enfrentam desafios comuns – falta de recursos financeiros, baixa qualidade da educação básica e a necessidade de trabalhar para ajudar suas famílias, fatores que dificultam a continuidade dos estudos. 

A Diretora de Programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, refletiu sobre os desafios que os estudantes enfrentarão e o papel do programa em apoiá-los:: “Nos meses que vocês estiverem conosco, cada vitória de vocês será também nossa. Sabemos que ingressar na faculdade e permanecer nela é difícil, mas estamos aqui justamente para modificar esse quadro”, afirmou. 

A professora Martha Rosa lembrou que o aumento da presença de pessoas negras nas universidades é fruto de uma longa trajetória de luta. “Cabe a nós, mais velhos, contar e recontar a nossa perspectiva. Porque não foi fácil. No início do século, éramos 2% do público universitário e havia um distanciamento muito grande entre a gente e o mundo universitário. Hoje, porém, somos 12%. Então, precisamos ter na educação uma perspectiva interetnica”, disse.

Ana Carolina Silva, 21 anos, estudante selecionada no estado do Amapá.

Ana Carolina Silva, 21 anos, estudante selecionada no estado do Amapá, está muito feliz com a oportunidade, pois pretende cursar Direito e se tornar juíza.. “Desde pequena, por ter conhecido uma senhora que era juíza, eu só penso nisso. Nunca pensei em algo diferente e quero entrar na Universidade Federal do Amapá (Unifap) ou no Mackenzie, aqui em São Paulo. 

Lara Maria de Sousa, 24 anos, veio de Salvador (BA)  para o encontro do Já É. Está extremamente motivada, pois quer ter uma formação superior para proporcionar uma boa realidade de vida para a filha, Radassa, de 1 ano e 5 meses. Lara é mãe solo. “Quero fazer Jornalismo. Sou curiosa, gosto de aprender sobre outras culturas e sobre várias coisas. Desde criança meu objetivo é o Jornalismo. Agora, tenho essa meta também por minha filha. Eu quero dar um futuro para ela, eu quero mostrar que nós, mulheres pretas, também conseguimos. Mesmo sendo uma mãe solo a gente pode conseguir. Nunca é tarde para ir atrás dos nossos sonhos”, afirmou.

Lara Maria de Sousa, 24 anos, de Salvador (BA)

A fala da estudante da primeira turma do Já É, Thauany Christina Aniceto, foi inspiradora para o mineiro Rhyan Santos, da nova turma. Thauany, também mãe solo, está cursando Enfermagem e compartilhou a rotina intensa, que enfrenta diariamente: ela vive em Interlagos, extremo sul de São Paulo, e trabalha na Casa Verde, na zona norte. Acorda às 3h30 para começar às 6h, e depois do expediente dedica-se aos estudos, decidindo ao final se se alimenta ou descansa. 

Rhyan Santos. bolsista de Minas Gerais

“Estar aqui com todo esse pessoal já é um prêmio. O depoimento da Thauany dá mais vontade na gente. Ela é mãe solo, lutou e conseguiu. Nós vamos conseguir também.”, afirmou Rhyan Santos. 

O encontro foi um momento de fortalecimento de uma luta coletiva por equidade, reconhecimento e valorização da juventude negra. Como afirmou Giovanni Harvey, “mais do que corrigir desigualdades, queremos criar condições para que novas histórias de sucesso sejam escritas.”

Seu futuro começa aqui!

Graduação no exterior: essa pode ser a sua chance!

Descubra como estudar no exterior pode abrir portas para o futuro e transformar a realidade de pessoas negras.

Se você está considerando fazer uma graduação no exterior, saiba que essa decisão vai muito além do desenvolvimento acadêmico. Esse intercâmbio pode ser a chave para romper barreiras históricas, construir um futuro profissional sólido e abrir caminhos antes considerados impossíveis. O mundo está esperando por você, e você merece ocupar esse espaço, não só como aprendiz, mas também como protagonista na produção de conhecimento.

Para pessoas negras, essa jornada tem ainda mais potência: ao acessar espaços historicamente excludentes, sua presença transforma e amplia as possibilidades do que se entende por excelência acadêmica. A academia global tem muito a ganhar com a diversidade de experiências, saberes e perspectivas que você carrega.


Em áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), essa vivência pode ser especialmente impactante. Universidades internacionais oferecem infraestrutura de ponta, acesso a pesquisas avançadas e contato com especialistas do mundo todo. Tudo isso enquanto você se desenvolve pessoal e profissionalmente em um ambiente multicultural, contribuindo ativamente para o avanço do conhecimento em escala global.

Você já se perguntou se morar e estudar fora é para você?

É verdade que o caminho pode apresentar desafios – como o idioma, as burocracias ou a sensação de estar longe de casa. Mas é justamente ao encarar esses obstáculos que se abre espaço para o amadurecimento e a superação. Para cada barreira, existe uma rede de apoio, uma estratégia, uma solução possível.

O mais importante é saber que não é preciso estar completamente pronto para começar, mas sim disposto a dar o primeiro passo. Porque, mesmo com as dificuldades, existem inúmeras possibilidades esperando para serem exploradas. E você é capaz de alcançá-las. 

Por onde começar sua jornada internacional: um passo a passo

Sabemos que dar o primeiro passo pode parecer desafiador, então aqui vão algumas dicas práticas para começar:

  1. Defina seus objetivos: Quer fazer uma graduação completa ou pós-graduação? Um intercâmbio de curta duração? Um curso de verão? Seu objetivo deve estar alinhado com sua realidade atual: se você ainda está na graduação, é recém-formado ou já tem uma pós. Entender seu momento profissional é essencial para escolher o melhor caminho.
  2. Pesquise universidades e programas: Use sites como QS World University Rankings e Study Portals como ponto de partida. Mas o mais importante é verificar diretamente nos sites das universidades, salvar os contatos e não hesitar em perguntar: a comunidade acadêmica costuma ser bastante solícita.
  3. Mapeie os custos e busque bolsas de estudo: Existem bolsas parciais e integrais, públicas e privadas. Algumas dessas bolsas são fruto de parcerias entre universidades brasileiras — que podem incluir até a sua própria — e instituições estrangeiras. Outras bolsas você pode encontrar diretamente nos portais das universidades internacionais do seu interesse.
  4. Dedique-se ao aprendizado de idiomas: A proficiência em inglês ou em outros idiomas é um requisito essencial para acessar oportunidades acadêmicas internacionais. Ferramentas como Duolingo e cursos gratuitos podem ser aliadas importantes. Vale lembrar que, embora o inglês seja amplamente exigido, línguas como o espanhol e o francês também abrem muitas portas no universo da educação global, especialmente em países da América Latina, Europa e África. 
  5. Conecte-se com quem já fez: Buscar histórias de estudantes negros pode te inspirar e ajudar a entender melhor o caminho. Busque por vivências de outros estudantes nas redes sociais como Youtube, LinkedIn ou mesmo TikTok. Utilize o algoritmo a seu favor.

Conte com iniciativas que querem te ver brilhar!

O Black STEM, edital criado pelo Fundo Baobá, é uma dessas iniciativas que ajudam a transformar o sonho de uma graduação no exterior em realidade. Ele oferece bolsas, suporte acadêmico, apoio psicológico e cria uma rede de apoio desde a inscrição até a conclusão do curso.

Diovanna Aguiar, estudante de Ciência da Computação na New York University (NYU) em Xangai

“Eu estou aqui não só por mim, mas pelas pessoas que estão comigo”

Diovanna Aguiar, estudante de Ciência da Computação na New York University (NYU) em Xangai, foi uma das primeiras pessoas contempladas pelo edital Black STEM. Em sua fala, ela destaca o impacto coletivo dessa conquista: “A faculdade é muito interessante também. Ajuda a gente a ir mais longe, chegar e conquistar o que a gente quer. Mas efetivamente, eu acho que o maior impacto é eu estar aqui não só por mim, mas pelas pessoas que estão comigo. As crianças da minha comunidade de jovens negros, jovens como eu que nasceram na zona leste de São Paulo na periferia, e que me dão força. Os meus sonhos não são só meus, mas deles também”.

Diovanna também compartilhou como o apoio da família foi fundamental: “Eu fui a primeira da minha família a ter um passaporte. A primeira a aprender inglês. Quando eu dizia que queria ir para Nova York, ninguém da minha família achava que inglês era necessário. Mesmo sem entender exatamente para que serviria aquilo, eles me apoiaram”.

Por isso, o objetivo vai além de garantir acesso: é também fortalecer a presença de pessoas negras no cenário científico e acadêmico global, incentivando descobertas, inovações e a valorização de saberes diversos. Assim como Diovanna Aguiar está realizando o sonho de estudar no exterior, você também pode – e merece – tornar o seu sonho realidade.

Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.

Siga a Diovanna para acompanhar sua jornada na universidade. 

A hora é agora. O mundo te espera, e você tem tudo para chegar lá!

O sonho de estudar nas melhores universidades do mundo continua ganhando novos capítulos. A 2ª edição do Programa Black STEM, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial em parceria com a B3 Social, acaba de selecionar quatro jovens negros que, a partir de 2025, vão levar sua inteligência, talento e história para além das fronteiras do Brasil.

🌍 Eles são os protagonistas dessa nova jornada:

Enio Ferreira Barbosa (Salvador, BA) – Ciência da Computação, Stanford University (EUA)

Gabriel Hemetrio de Menezes (Belo Horizonte, MG) – Física e Ciência da Computação, Massachusetts Institute of Technology – MIT (EUA)

Gabriela Torreão Marques Ferreira (Fortaleza, CE) – Engenharia Química e Biomolecular, University of Notre Dame (EUA)

Maria Luiza Storck Ferreira (Rio de Janeiro, RJ) – Engenharia Química, Universidad de Jaén (Espanha)

Gabriela Torreão, Gabriel Hemetrio, Maria Luiza Storck e Enio Ferreira

Mais do que bolsas de estudo, o programa oferece apoio financeiro, mentoria e uma rede que acredita no poder da educação para transformar realidades. Cada passo que eles derem no exterior será também um passo para abrir portas a quem virá depois.O Black STEM não forma apenas estudantes. Forma referências.

🔗 Saiba mais sobre o Black STEM e dê o primeiro passo rumo à sua graduação no exterior.
A hora é agora. O mundo te espera, e você tem tudo para chegar lá!

Sulamita Silva, donatária da primeira edição do Programa Marielle Franco, compartilha sua experiência de crescimento

Uma tomada de decisão. Algo simples, que pode mudar uma história de vida. Está sendo assim com a  volta redondense, Sulamita Silva. Em 2019, após uma conversa com as amigas, ela ficou sabendo que o Baobá – Fundo para Equidade Racial havia lançado o edital do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco.  O objetivo do programa é ampliar a presença de mulheres negras em posições de poder e influência. Para isso, o Fundo Baobá investiu em seus planos de desenvolvimento individual, fortalecendo habilidades técnicas e políticas para que pudessem potencializar seu impacto em diferentes setores de atuação.

O desejo de Sulamita, graduada em Pedagogia, era ser professora universitária e fazer doutorado em Educação. Para alcançar esse objetivo, ela teria que desenvolver a liderança, habilidade que ainda não dominava. “Eu sabia que tinha um potencial adormecido. Comecei a despertar sobre esse potencial de liderança quando gravei o vídeo para o Baobá sobre o projeto e me vi no vídeo”,   afirma Sulamita, que foi uma das selecionadas no edital individual da primeira edição do Programa Marielle Franco. 

O edital do Programa Marielle Franco foi dividido em dois segmentos em 2019. O primeiro destinou-se ao apoio individual de mulheres negras, e o segundo ao fortalecimento de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras. Um número de 63 mulheres foi selecionado. Dessas, 59, entre elas Sulamita, receberam o apoio financeiro que o Fundo Baobá destinou a cada uma no projeto. Cada participante contemplada no edital individual recebeu o investimento de R$ 40 mil. Além do recurso financeiro, as apoiadas participaram de um conjunto completo de formações, mentorias e espaços de fortalecimento político e emocional. Os números são grandiosos: foram cerca de 1.000 atividades de compartilhamento de conhecimento, mais de 300 sessões de coaching individual, 15 horas dedicadas ao enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e 42 horas de formação política.

Esse conjunto de informações deu a ela  confiança para arriscar e buscar suas metas. A primeira conquista foi ser aprovada no concurso público para professora na Universidade Federal do Acre (UFAC), fala, com contentamento. A segunda conquista veio com a mudança do Acre para São Paulo em 2022, quando ela já havia iniciado o doutorado no formato virtual. Naquele ano, mudou-se para cursar algumas disciplinas presencialmente na USP (Universidade de São Paulo). “Ainda estou cursando o doutorado. Ele começou no formato virtual, mas depois voltou ao presencial. Em 2023 fui convocada no concurso para professora na UFAC, retornei ao Acre, onde minha pesquisa está sendo desenvolvida”, fala.

As atividades envolvendo a conclusão do doutorado, previsto para acontecer em 2026, têm tomado a atenção de Sulamita “Eu pretendo, assim que finalizar a etapa da tese de doutorado, iniciar novos projetos, abrangendo mais mulheres”, afirma. 

Como donatária da primeira edição do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco e reforçando a ideia de compartilhar conhecimento, Sulamita deixa um recado para as interessadas em participar da segunda edição do programa, que tem previsão de lançamento em setembro: “Aproveitem para realizar os seus sonhos profissionais sem medo. Projetem o que vocês querem a curto, médio e longo prazo de modo realista e possível, de acordo com o orçamento disponibilizado, tendo como suporte o Fundo Baobá. Almejem uma preparação para algo mais consolidado e fixo, para depois darem continuidade aos sonhos que podem ser realizados com uma base já fortalecida.”

Programa Black STEM apresenta nova turma de bolsistas em São Paulo

Quatro novos bolsistas se uniram aos cinco pioneiros da 1ª edição do programa, que oferece bolsas de estudo para graduação no exterior.

Em evento realizado na B3, a bolsa do Brasil, localizada na região central de São Paulo, o Baobá – Fundo para Equidade Racial, e a B3 Social apresentaram quatro bolsistas selecionados na segunda edição do Programa Black STEM. Os estudantes foram aceitos por universidades nos Estados Unidos e na Europa e terão o apoio complementar do Black STEM para custear suas despesas no exterior. 

O programa Black STEM tem como objetivo apoiar a permanência de pessoas negras em cursos de graduação no exterior, especificamente nas áreas STEM, que englobam Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

 O histórico

Em 2025, o Programa mantém seu propósito: quatro novos bolsistas foram selecionados por especialistas em STEM,  Psicologia e Educação. Cada um receberá uma bolsa de R$35 mil anuais para custear moradia, transporte, alimentação, mensalidades e material acadêmico. As bolsas são renovadas anualmente até o estudante concluir o curso. Conheça as pessoas selecionadas: 

Enio Ferreira Barbosa (Salvador/BA): Ciência da Computação na Stanford University, EUA.

●    Gabriel Hemetrio de Menezes (Belo Horizonte/MG): Física e Ciência da Computação no Massachusetts Institute of Technology – MIT, EUA

●    Gabriela Torreão Marques Ferreira (Fortaleza/CE): Engenharia Química e Biomolecular na University of Notre Dame, EUA

Maria Luiza Storck Ferreira (Rio de Janeiro/RJ): Engenharia Química na Universidad de Jaén, Espanha

Trajetórias negras na ciência

A história das ciências exatas no Brasil é marcada por contribuições fundamentais de profissionais negros. Alguns nomes se destacam: Sonia Guimarães, física e professora no Instituto Tecnológico da  Aeronáutica (ITA); Enedina Alves, primeira mulher negra a concluir o curso de Engenharia no Brasil em 1945; os irmãos engenheiros André e Antônio Rebouças, engenheiros que revolucionaram a infraestrutura urbana no século XIX, e Simone Evaristo, bióloga cujas pesquisas no Instituto Nacional do Câncer (INCA) avançaram no combate à doença.

Sonhar sem fronteiras

A trajetória desses jovens prova que estudar no exterior é possível e transformador. Além de ampliar os próprios horizontes, contribuirão para a produção de conhecimento na academia global e ainda se tornarão inspiração para outras pessoas que desejam seguir o mesmo caminho. O Black STEM não apenas abre portas, mas constrói pontes. Como parte de um movimento maior pela equidade na educação, o edital transforma o sonho de fazer graduação no exterior em realidade concreta para estudantes negros. Desde 2024, os primeiros bolsistas já vivem essa experiência – cada trajetória acadêmica internacional não só amplia seus horizontes individuais, mas se torna farol para quem vem depois.

Com muita emoção diante de seus pais e familiares, os estudantes selecionados pelo edital Black STEM puderam vislumbrar os caminhos profissionais que irão seguir depois de formados. Maria Luiza Storck Ferreira creditou a uma professora do Ensino Médio, Claudia, o incentivo que a apoiou em Química.“Com isso, eu talvez me fixe na área da cosmetologia. Estudar a pele negra e ver quais produtos podem ser desenvolvidos.” 

Gabriel Hemetrio de Menezes confessou ser curioso desde pequeno e isso o levou a desenvolver o interesse pela Física. “Eu queria saber de tudo: por que as estrelas brilhavam? Por que existia o arco-íris? Isso foi me levando a pesquisar e, a partir daí, consegui resultados expressivos em olimpíadas científicas. Quero me aprofundar em Física Quântica e Cosmologia”. Gabriela Torreão Marques Ferreira, por sua vez, aprendeu a explorar os jogos de lógica até descobrir a Química. “Na química descobri uma espécie de quebra-cabeça que eu seria capaz de resolver. Meu desejo é me especializar em nanotecnologia e criar remédios para ajudar as pessoas a tratarem suas doenças.” 

Enio Ferreira Barbosa teve em uma conterrânea baiana a sua inspiração. “Certa vez li sobre Georgia Gabriela, uma menina na Bahia que foi aprovada em nove universidades americanas e optou por Stanford. Optei por Stanford naquela oportunidade”. A fala dele reflete o pensamento dos alunos sobre a importância das bolsas Black STEM em suas trajetórias. “O edital me dá a tranquilidade de ter uma rede de apoio. Nossa missão, como estudantes, é técnica. Mas ela também tem um lado social. Nós vamos para um ambiente de elite, mas não vamos negligenciar nossa origem, nossa raça e nossos valores”, afirmou. 

Continuidade

Mais do que um programa, é o início de um ciclo: em 2026, o Fundo Baobá seguirá fomentando o acesso às universidades do mundo todo, fortalecendo a presença negra nas áreas STEM – onde a população negra brasileira sempre contribuiu, muitas vezes como pioneira. Aqui, permanência e excelência acadêmica andam juntas, com apoio financeiro e mentorias para a permanência no ambiente acadêmico.

Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Baobá – Fundo para Equidade Racial, comenta sobre a segunda turma do Programa Black STEM:  “Projeto nenhum produz resultado sozinho. É a somatória que vem produzir resultados. O Baobá assumiu com a B3 o compromisso de descentralizar oportunidades. O sentido do investimento que estamos fazendo está voltado para onde o conhecimento negro vai fazer a diferença.”

Fabiana Prianti, head da B3 Social, coinvestidora do Programa, destacou o impacto estratégico desse investimento: “a B3 Social acredita no poder transformador da educação como caminho para o desenvolvimento econômico sustentável e, como consequência, para a equidade racial. Apoiar o Black STEM representa a oportunidade de contribuir para a formação de uma nova geração de talentos diversos, impulsionando mudanças reais no acesso ao conhecimento e ao mercado. Projetos como esse ampliam horizontes, rompem barreiras históricas e mostram que diversidade e inovação caminham juntas.”

A diretora de Programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, reforçou a importância do programa. “O Black STEM tem a ousadia de ampliar o universo dos direitos. 18% dos profissionais de STEM no país são negros. Esperamos que quando esses estudantes regressarem, voltem com o compromisso de alavancar essa presença e alavancar as tecnologias nacionais.”

Mulheres do Comitê impulsor do Tocantins compartilham experiências da Marcha 2025

Uma das protagonistas do Comitê Impulsor Estadual da Marcha das Mulheres Negras no Tocantins, Maria Eunice da Conceição Silva, 59 anos, é ativista e participou da primeira Marcha das Mulheres Negras, em novembro de 2015, em Brasília. Nascida em São João dos Patos, no Maranhão, e filha de pais analfabetos, Eunice foi trabalhadora doméstica dos 15 aos 20 anos. A família saiu da cidade natal com destino a Araguaína, no Tocantins, buscando uma condição melhor de vida. Na época, Maria Eunice tinha apenas 14 anos. Mais crescida, conciliou o trabalho doméstico com os estudos e, em pouco tempo, tornou-se professora do ensino fundamental. Atualmente, é aposentada da rede municipal de Araguaína, mas ainda exerce atividades na rede estadual.

A Marcha das Mulheres Negras começou a fazer parte da vida dela quando atuava no Sindicato dos Profissionais da Educação em 2009. Como parceiro, o sindicato potencializou algumas atividades em Araguaína, fazendo com que Maria Eunice se encantasse com algumas das principais lutas que foi conhecendo. Quando soube da Marcha das Mulheres Negras, não hesitou. “Desde então eu quis ir! Eu precisava ir! Uma Marcha de Mulheres Pretas? Oxe! Como assim? Preciso ver! E fui! Que lindeza!”, afirma.

Ela também se recorda de uma senhora negra, cadeirante, e outra preta que empurrava a cadeira de rodas, e como elas choravam de felicidade por participar da Marcha. Essa imagem a marcou muito. “Chorei também por presenciar a força dela!” Eunice se sente uma nova pessoa a partir da Marcha de 2015. Afirma que se sentiu verdadeiramente preta e  com a obrigação de lutar, de fazer com que outras mulheres entendessem a luta de uma mulher negra na sociedade.

Na ocasião, a ida até Brasília foi repleta de desafios, mas também de um sentimento de pertencimento. Junto com outras mulheres, viajou primeiro para Palmas e, de lá, seguiu até Brasília. Ficaram hospedadas no Estádio Mané Garrincha, que serviu como ponto de apoio para acesso ao básico – banho, higiene, etc. “Nunca imaginei um evento dessa magnitude e com tantas mulheres negras juntas. Eu senti pertencimento  e me descobri negra! Era como se eu tomasse posse de um espaço que nunca havia sido meu. E agora, lá fosse meu lugar, meu povo, minha gente”, afirma.

Mobilizando o Tocantins

O Comitê Impulsor Estadual da Marcha das Mulheres Negras no Tocantins se estruturou em 2024 frente à necessidade de mobilização nacional para que as mulheres negras se organizassem e divulgassem suas ações e pautas. Atualmente composto por oito organizações, grupos e coletivos, o comitê reúne diversas mulheres e atua realizando  ações políticas e de denúncia contra todas as formas de violência contra as mulheres negras.


O comitê se mobiliza com reuniões contínuas, duas por mês, que podem ser vivências de samba, saraus, feijoadas, rodas de conversa, mesas redondas e até encontros estaduais. A ideia é atrair mais mulheres para se engajarem em ações, como saúde integral, saúde mental, soberania alimentar, cuidado, justiça racial, espaços de poder, entre outras.

Para Janaina Costa Rodrigues, 42 anos, articuladora do comitê impulsor da MMN no Tocantins, e participante da Marcha de 2015, aquele ano deu o impulso para a criação de coletivos auto-organizados de mulheres negras. 

“Mulheres negras são a vanguarda dos movimentos sociais”, afirma. Elas têm estratégias de ação participativa, pensam em qualidade de vida e políticas públicas para o conjunto da sociedade. Portanto, atender as reivindicações de mulheres negras é também pensar justiça para o Brasil. São essas mulheres que estão em diversas lutas sociais e com a presença delas garantimos uma nova sociedade mais inclusiva.”

Desde sua criação, em 2024, o comitê vem realizando atividades como encontros de formação, reuniões de articulação, mesas com temas como: “Bem viver na perspectiva das mulheres negras e quilombolas”, entre outras. Além de visitas institucionais para captação de parcerias, campanhas online e lançamentos das cartilhas sobre reparação e bem viver. 

As ações previstas para os próximos meses são três rodas de conversa descentralizadas, com caráter formativo, pautando a temática central da Marcha: Reparação e Bem Viver. As atividades vão ocorrer em Araguaína, no quilombo Pé do Morro e no quilombo Ilha São Vicente. Além disso, ainda está prevista a realização da 2ª Feijoada das Pretas, que conta com o recurso financiado pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial, o qual destinou 25 mil reais para o Comitê do Tocantins para que o mesmo viabilizasse e mobilizasse as atividades previstas. A 2º Feijoada será realizada em Palmas e em Araguaína, bem como a realização de visitas institucionais para captação de parcerias. 

Acompanhe as atualizações da Marcha das Mulheres Negras 2025 e do Comitê Impulsor do Tocantins e faça parte dessa mobilização!

Crédito: Acervo do Coletivo Ajunta Preta

A pernambucana Daniela Marreira comemora conquista profissional alcançada por meio do  edital Carreiras em Movimento

“Quero seguir focando na área de Operations for Tech (Operações para Tecnologia). Hoje, sou reconhecida como referência técnica no meu time, exatamente o que almejei ao definir minha meta no edital”. 

Essa afirmação tão segura é da pernambucana Daniela Marreira, 31 anos. Os termos em inglês, que hoje fazem parte do seu dia a dia, eram desconhecidos há cinco anos, quando deu início ao projeto de transição de carreira.

Graduada em Comunicação, com habilitação em Rádio, TV e Internet, Daniela atuava como Gestora de Projetos na área cultural. Filha de uma comerciante, Luciana, e de um professor, Abraão, ela tem dois irmãos mais novos: Débora, de 23 anos, e Abraão, de 21. Atualmente, vive com sua companheira, Ana, e a gata de estimação, Pavê.

Quando criança, era parte de uma família diferente da maioria. Seu pai cuidava dela e dos irmãos, já que a mãe trabalhava no comércio. Estudou o ensino fundamental em um grande colégio de Recife e fez o fundamental 2  no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE). Saiu de lá em 2013, após prestar o vestibular e entrar na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

A interrupção da trajetória de Daniela foi brusca. A pandemia da COVID praticamente paralisou o setor cultural e de eventos, onde ela atuava. A palavra de ordem passou a ser reinventar-se. Daniela, então, foi buscar outra profissão. 

“Com  a chegada da pandemia e o congelamento total da área de eventos e cultura, acabei descobrindo a área de design, pela qual me apaixonei e iniciei o processo de migração de carreira no início de 2021. Com o dinheiro que havia recebido após ser dispensada do trabalho por conta da pandemia, comprei meu primeiro notebook e um curso livre de design. Tive a oportunidade de ter como mentora uma designer negra maravilhosa chamada Evelyn Silva. Ela me ajudou a conseguir minha primeira oportunidade na área”, relembra.

Quando a empresa onde trabalhava passou por um layoff, Daniela viu ali não um fim, mas um caminho: iria especializar-se ainda mais em design. O entrave era o nível de inglês que era bom para leitura, mas não fluente o bastante para conduzir uma reunião de trabalho, por exemplo. 

“Este gap na minha formação me incomodava, principalmente pensando na evolução de minha carreira. Foi quando vi uma publicação sobre o edital Carreiras em Movimento no Linkedin”, diz a pernambucana. 

Lançado em 2023 pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial, o edital Carreiras em Movimento ofereceu apoio financeiro (de R$5 mil a R$10 mil) para pessoas negras em todo o Brasil desenvolverem competências técnicas, habilidades socioemocionais e comportamentais. O objetivo do edital é reduzir desigualdades e ampliar as oportunidades de empregabilidade para pessoas negras no mercado privado. 

Daniela Marreira empregou o dinheiro que recebeu (R$10 mil) em seu aperfeiçoamento pessoal. “Utilizei 60% do recurso em aulas de conversação em inglês e os outros 40% na aquisição de equipamentos, para não depender exclusivamente de equipamentos da empresa,  e em cursos livres complementares”, revela. Após esse investimento, ela comemora sua vitória, pois conseguiu emprego em uma empresa global de design:  “Eu me inscrevi para a vaga, fui selecionada, consegui o nível C2 no teste de proficiência em inglês. Hoje, sou Senior Product Operations (Operadora Sênior de Produtos) e não teria conseguido a vaga se não fosse o incentivo recebido pelo edital Carreiras em Movimento, que me permitiu focar meu inglês”, comemora.

Assim como a pernambucana Daniela Marreira, um número significativo de pessoas e organizações negras já foram ajudadas pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial. Foram 23 editais lançados, com mais de 1.203 iniciativas apoiadas nas áreas da Educação, Desenvolvimento Econômico, Comunicação & Memória e  Viver com Dignidade. Mais de R$22,4 milhões foram doados. Para doar, acesse o site do Fundo Baobá: www.baoba.org.br .

Crédito: Arquivo Pessoal

Melissa Simplício: a estudante brasileira apaixonada por educação

Conheça a trajetória da estudante brasileira selecionada pelo  edital BlackSTEM que cursa Ciência da Computação na New York University

Carioca da gema, cria da Zona Norte e com apenas 21 anos, Melissa Simplício estuda Ciência da Computação na New York University e segue construindo pontes e abrindo caminhos mundo afora. Ela é uma das cinco selecionadas da primeira edição do edital Black STEM, iniciativa do Baobá – Fundo para Equidade Racial, com parceria da B3, que concede bolsas complementares a estudantes negros aprovados em cursos de graduação no exterior nas áreas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). 

Desde criança, Melissa alimentava o desejo de aprender e explorar o mundo. Ela cresceu com a mãe oferecendo estímulos, como jogos educacionais – de memória em inglês, quebra-cabeça, programas como “De Onde Vem” e até Dora, a Aventureira. Até as comidas que faziam parte do seu cardápio na infância não eram originalmente brasileiras, o que a fascinava. Ela adorava pesquisar palavras do português com origem no tupi-guarani e até estrangeirismos que desafiavam seu inglês, aprendido no YouTube. Para ela e graças à criação que teve, fazia sentido ampliar seu círculo e seus conhecimentos. 

Desenvolveu então a curiosidade pelo que existia além do Brasil. Portanto, a escolha pelo curso de Ciência da Computação, para uma típica garota da geração Z, que cresceu cercada de tecnologia, abrindo o computador de casa e explorando suas peças, foi natural.

No nono ano, ainda no ensino médio, ela deu um passo significativo e começou a explorar a pesquisa com ciência de dados, trabalhando com a linguagem R, uma linguagem de programação em um ambiente de software. Ali teve a certeza: no mínimo, queria seguir na área de análise de dados. Antes da pandemia, ela já tinha três viagens internacionais marcadas com apoio de programas globais, como Girl Up, Women Deliver e LALA. Também durante a pandemia surgiu a oportunidade de participar de um programa online no qual aprendeu a programar um site do zero, aprofundando seus conhecimentos em ciência da computação. 


“Fiquei encantada com a flexibilidade da área – a possibilidade de ser analista de dados, desenvolvedora web, especialista em inteligência artificial e até gerente de projetos. Sem falar nas oportunidades de trabalho remoto, caminhos para o empreendedorismo e a alta remuneração”, afirma Melissa. Desde então, o mundo se tornou sua sala de aula. Ela já trabalhou com governos locais na Argentina, viajou para Ruanda e Etiópia, conheceu a Suíça, a Inglaterra e a Espanha, entre outros países.

Com relação à rotina puxada de estudos, ela concilia o tempo entre projetos de programação e deveres de casa. O que realmente a ajudou a manter o ritmo foi criar pequenos rituais para não cair na monotonia: toda semana muda de ambiente para estudar. Uma semana elege a biblioteca, na outra vai para o Kimmel ou explora cafeterias perto de casa. Melissa afirma que essa mudança de cenário renova a energia e a ajuda a manter o foco.

Em 2024, Melissa se tornou uma das bolsistas selecionadas na primeira edição do Programa Black STEM. A bolsa tem sido fundamental, pois ajuda a cobrir custos universitários que vão além da anuidade – como passagens aéreas de ida e volta para o Brasil, transporte e outras despesas do dia a dia. Esse apoio proporciona tempo e flexibilidade que não seria possível sem o apoio da bolsa, pois ela consegue liderar clubes universitários, participar de conferências e competições acadêmicas.

Melissa deixa para outros estudantes brasileiros um recado importante. Pede que se movimentem. “Busquem entender o processo, se preparem com atividades extracurriculares, estudos e tudo o que puder fortalecer sua candidatura. Não esperem que alguém entregue o ‘manual completo’ de A a Z – a chave é pesquisar por conta própria, se informar ao máximo e fazer perguntas específicas e bem pensadas para quem já está estudando fora.”

Reforça que não existem fórmulas mágicas. “Cada trajetória é única e as escolhas que funcionaram para uma pessoa podem não ser as ideais para a  outra. Apenas não tenham medo de dar o primeiro passo”, afirma.
Para mais informações sobre o edital Black STEM, acesse o link: https://baoba.org.br/blackstem-2edicao/.

Crédito: Arquivo Pessoal